Notas iniciais
Oi gente, como vão vocês? Bem, aqui vai mais um capítulo, espero que gostem!

Uma tarde chuvosa fôra palco de uma barbaridade. Uma mulher jogara uma pequena menina em uma caçamba de lixo bem no centro de Londres. A mulher nunca mais fora vista, mas a menina, por sorte ou não, fora encontrada por um homem no qual cuidou dela, se é que pode se chamar de cuidado uma criança ser abusada sexualmente pelo seu próprio “pai” até os três anos. A menina era trancada no porão da casa do bárbaro homem que a fazia comer até engordar, e a abusava como se não houvesse outro dia. Nunca se soube o nome deste homem, até por que a menina depois de um tempo fugiu da casa dele e nunca mais o viu, sendo resgatada por um orfanato.

Anos se passaram, e nenhum pai gostara de uma menina gordinha. Pelo menos tinha um nome agora, Elizabeth. Tal menina passou todos seus primeiros 14 anos no orfanato até receber uma mulher na qual pareceu amá-la. A terapeuta Julia a adotou, vendo dentro de si a inocência de uma criança perdida. Tal menina então cresceu juntamente á nove irmãos, sendo apenas mais uma. Sua irmã preferida, Agatha, fora adotada com apenas três meses de idade, pelo fato de ser bonita e branca com cabelos loiros e olhos negros. Uma verdadeira princesa. E os anos se passaram, e mesmo sendo apenas mais uma dos nove irmãos, Elizabeth pelo menos tinha uma casa boa com uma irmã que gostasse.

Dois anos se passaram até chegar aquele dia lindo em Londres, assim como no Hyde Park tão conhecido por todos os moradores, imenso e cheio de lugares para se sentar e se relaxar, levarem seus filhos e sua família para passar um dia no sol. E foi isso que Julia pensou ao levar suas duas filhas, Elizabeth e Agatha para passar este dia no sol. Julia gostava de ler para suas duas filhas, enquanto as duas ficavam sentadas em um tronco de árvore com sua gata Dinah enquanto ela lia livros de análise que as duas irmãs tão unidas odiavam ler.

Elizabeth era mais gordinha, com cabelos negros como carvão e gostava muito de jogar cartas, principalmente com sua irmã Agatha. Ambas as meninas eram lindas, e apenas com poucos anos de diferença uma da outra, ambas compartilhavam tudo. Afinal, com Elizabeth com 16 anos e Agatha com 15, claro que ambas tinham suas paixões, interesses, e tudo que interessasse a jovens meninas.

– Bati. – fala Elizabeth, mostrando sua combinação de cartas perfeita e batendo sua irmã no jogo.

– Como você pode sempre ganhar? – pergunta Agatha, indignada pelo fato de a irmã sempre ser muito melhor nos jogos do que ela.

– Acho que é só sorte. – fala Elizabeth, rindo.

Neste momento, as duas ouvem um ronco. Ao olharem para baixo, veem sua mãe Julia dormindo com o livro de análises em seu rosto, enquanto estava no mais profundo dos sonos.

– Mas olha, nem ela mesma aguenta esses livros. – fala Elizabeth, enquanto guarda as cartas e olha para baixo vendo sua mãe roncar.

– Pois é. – fala Agatha, rindo e levantando a cabeça, tendo uma visão demasiada esquisita vinda do lago próximo á árvore. – Elizabeth, acho que estou ficando louca.

– O quê? – pergunta Elizabeth, fechando a caixa de cartas e olhando para o mesmo lugar que sua irmã olhava, tendo a mesma visão: um coelho branco. Mas não é um coelho branco comum, e sim um coelho com paletó e gravata. – Então acho que nós duas ficamos loucas.

– Você também vê o que estou vendo? – fala Agatha, enquanto desce da árvore e vai em direção ao coelho.

– Sim, vejo. – fala Elizabeth, sendo atraída pelo coelho juntamente á sua irmã.

As duas aproximam-se da criatura peculiar, vendo-a de perto enquanto passeia pelo canteiro de flores do Hyde Park em plena primavera.

– Senhor Coelho? – pergunta Elizabeth, e o coelho vira-se para enxerga-las, deixando um relógio de bolso cair.

O coelho apanha o relógio e enxerga a hora, e parece muito assustado.

– O quê? – exclama ele.

– Ele fala? – pergunta Agatha, rindo assustada com o coelho.

– É tarde! – fala o coelho, correndo. – É tarde! É tarde! Tão tarde até que arde! Ai, ai, meu Deus, alô, adeus, é tarde, é tarde, é tarde!

O coelho sai correndo delas.

– Senhor Coelho, nos espere! – grita Agatha, enquanto corre atrás do Coelho.

– Agatha, volta aqui! – fala Elizabeth, correndo atrás de sua irmã que corre atrás do coelho.

– É tarde! – grita o coelho, correndo até uma toca entre as raízes de uma árvore.

– Tarde para quê? – pergunta Agatha, correndo atrás do coelho enquanto ele diz que está tarde para qualquer que seja seu compromisso. Agatha abaixa-se na toca que o coelho entra.

– Agatha, pare com isso! – fala Elizabeth. – Irá ficar presa aí e depois eu precisarei chamar ajuda para salvá-la.

– Ora, Elizabeth. – fala Agatha, adentrando ainda mais na toca. – O que pode acontecer demais? O máximo que pode é...

Elizabeth não ouve sua irmã, apenas ouve um grito que vai se afastando. Ela cuida e gosta muito de sua irmã, e não quer vê-la machucada, e faria qualquer coisa para salvá-la. Até mesmo entrar em uma toca de um coelho. Elizabeth se arrasta rapidamente pela toca, e de repente um buraco a faz cair, e faz com que ela caia mais e mais enquanto grita por sabe-se lá qual ajuda.

Tudo que ela vê nesse buraco é bizarro. Pianos tocando sozinhos, taças de chã, sofás, poltronas, cadeiras de balanço, camas... Elizabeth acredita está ficando louca. Até que ela cai em um chão duro, mas não parece ter se machucado.

– Agatha! – grita Elizabeth, olhando ao redor do salão cheio de portas.

– Olha o barulho! – ela ouve a voz de sua irmã, e olhando para baixo a vê minúscula com uma chave em sua mão.

– Agatha, o que lhe aconteceu? – pergunta Elizabeth.

– Beba isto. – diz Agatha, mostrando um pequeno frasco com um papel escrito “beba-me”.

– Agatha eu acho que... – começa Elizabeth, mas é interrompida por Agatha dizendo:

– Beba!

Elizabeth analisa bem a situação, e parecendo não ficar pior do que está, bebe o líquido. Sente algo estranho, como se seu estômago encolhesse, assim como seus órgãos, pele, braços, pernas, e todo seu corpo. Agora resta apenas um pequeno pedaço de roupa para usar como veste.

– Ótimo! – fala Agatha, pegando a chave. – Agora, vamos.

– Aonde? – pergunta Elizabeth.

– Qualquer que seja o lugar que esta porta nos leve. – fala Agatha, abrindo a porta e mostrando um amplo canteiro com criaturas esquisitas, cogumelos gigantes assim como suas flores.

– Acho que estou ficando louca. – fala Elizabeth, olhando para a estranha terra.

– Então somos duas. – fala Agatha.

– E não estão. – fala uma voz vinda de trás delas.

Ambas se viram, e veem o mesmo coelho branco de paletó e gravata.

– Coelho! – fala Agatha.

– Então você nos arrastou até aqui? – pergunta Elizabeth.

– Culpado. – diz o Coelho, fazendo uma pequena reverência.

– Mas por quê? – pergunta Agatha.

– Bem vindas ao País das Maravilhas! – fala o Coelho, abrindo os pequenos braços.

– Que nome mais previsível. – fala Elizabeth, rindo assim como sua irmã.

O coelho fecha sua cara, e as meninas param de rir instantaneamente.

– Apesar do nome, o País das Maravilhas está em crise. – fala o Coelho, andando pelo peculiar local e sendo seguido pelas duas meninas. – Nosso povo está morrendo, as flores não cantam mais, podemos simplesmente sermos soterrados a qualquer instante e não temos ninguém que possa nos ajudar. Precisamos de uma família real. Por isso fui á Londres, onde as achei. Apenas pessoas que acreditam no impossível podem realmente ver qualquer ser daqui do País das Maravilhas, como eu. Passei meses lá em cima, e finalmente as achei. Tinha que chama-las a atenção de algum jeito, desculpe se foi desconfortável.

– Pode apostar que foi. – fala Elizabeth, com a cara emburrada.

– Elizabeth, os modos! – Agatha reprime a irmã. – Enfim, senhor Coelho, em que podemos servi-lo?

– Em serem as rainhas do País das Maravilhas! – fala o Coelho Branco.

E assim aconteceu. Elizabeth e Agatha começaram a linhagem real do País das Maravilhas, deixando para trás uma mãe adotiva. As cartas trazidas na roupa de Elizabeth criaram vida, e prometeram servir as duas irmãs como cervas. Elizabeth, sendo a mais velha, tomou o trono como a rainha, enquanto a princesa Agatha cuidava das emergências de segundo grau. Mas o trono de um lugar imprevisível como o País das Maravilhas pode ser perigoso. Elizabeth, que viveu a maior parte de sua vida em um orfanato fora consumida pelo poder. O País das Maravilhas conseguiu fazê-la importante, coisa que desde pequena não fora. O trono subira sua cabeça, fazendo-a ficar obcecada por seu trono. Sua irmã continuava a ser sua melhor amiga, e amavam ficar conversando sobre tudo, só que dessa vez uma das partes tinha restrições. Agatha não falava do péssimo governo da irmã. Certo, as duas impediram que o País das Maravilhas caísse em ruínas, mas as flores falantes precisavam de água, os animais estavam com fome. O País das Maravilhas voltara á crise, e Elizabeth fazia tudo que queria com seu trono.

Agatha não podia deixar as coisas do jeito que estavam. Tinha que parar com isso. Em uma noite, aparecera no quarto de sua irmã enquanto a mesma dormia. Sua riqueza ficava embaixo de uma tábua solta, assim como a mesma disse. Agatha tirou as moedas com valor alto cada uma, e simplesmente deixou o barulho alto da tábua acordar sua irmã, que acendera a vela ao seu lado.

– Agatha? – perguntava Elizabeth, vendo sua irmã com um saco em sua mão. – O que está fazendo com minhas moedas?

– Elizabeth! – fala Agatha, desconfiada. – Por favor, irmã, essas moedas não são suas, são do povo!

– Povo? Que povo? – pergunta Elizabeth.

– O País das Maravilhas está voltando á crise que estava quando chegamos á ele dois anos atrás. – fala Agatha. – Precisamos ajuda-los.

– Ajudá-los? – perguntou Elizabeth, vermelha de raiva, enquanto se levantava de sua cama. –Nós os tiramos das ruínas!

– Mas eles estão morrendo de fome! – fala Agatha.

– Nos devem isso! – diz Elizabeth, sem pensar. Só pensara no mesmo local escuro que seu “pai” a deixara, e pensava que se acabasse com aquilo todo o sofrimento de sua vida voltaria á tona. Elizabeth estava assustada, só queria manter seu trono.

– Elizabeth, quem é você? – perguntou Agatha.

– Sua irmã, que poderia simplesmente acabar com essas suas ideias! – fala Elizabeth.

– Elizabeth, mas... – Agatha é interrompida pela irmã gritando:

– Não me chame de Elizabeth! Sou a Rainha de Copas! E Você deve me obedecer!

– Então acho que isso deve acontecer da pior forma. – disse Agatha, que sai correndo do quarto da irmã.

Agatha corre, mas os guardas treinados de Elizabeth conseguem a prender antes que leve o dinheiro. Agatha fora acusada de traição e fora sentenciada á decapitação, para tirar as ideias de sua cabeça de uma vez por todas. Elizabeth olhava aquilo como a inimiga, uma forma de querer que ela voltasse a sofrer novamente. A Rainha de Copas surgira, forçada a se casar para manter mais ainda seu trono. Um rei bobão e pequeno, que servia apenas como cobaia de suas atrocidades. Ideias de querer leva-la de volta ao quarto escuro de seu “pai” deveriam ser cortadas da raiz: as cabeças.

O que Elizabeth não sabia é que sua irmã achara um amor. E este amor resultou em uma linda menina que Agatha conseguira esconder, dado ao fato de ter conseguido com a lagarta azul uma porção para fazê-la desenvolver em segundos em seu útero para que sua irmã não desconfiasse que ela quisesse tomar o seu lugar na coroa. Esta criança não chegou a crescer em seu local de nascimento, já que seu próprio pai tempos depois fora descoberto e decapitado. A menina, salva pelo Coelho, voltara á Londres, sendo adotada pela filha da mãe adotiva de sua própria mãe, que seguira o mesmo instinto materno. A menina, chamada Alice, cresceria bem até seguir os passos de sua mãe e cair no País das Maravilhas, onde infelizmente encontraria a fúria de sua tia, consumida pelo ódio de uma vida inteira, decidida á cortar a cabeça de sua sobrinha.

Notas finais
Estou muito inseguro com relação a esse capítulo, não acho que vá agradar muito, por isso deixem seus comentários SINCEROS, por favor. Próximo capítulo semana que vem! :)