Pride and Hate
17 Beware The Emperor
Notas iniciais

A pequena aldeia na montanha norte estava chuvosa. Tudo estava coberto de água e não havia uma pessoa sequer nas ruas. Todas estavam em casa, com suas famílias e sua lareira acesa. Mas então se ouve passos que quebram o som de água batendo na montanha. Passos apressados de uma pessoa com uma capa de chuva mal feita que deixa a água entrar e escorrer pelo seu corpo. Essa pessoa atravessou por toda a aldeia até finalmente chegar ao seu fim, em um pequeno barraco com uma família de uma mulher, um homem e um pequeno menino. Essa pessoa adentrou no barraco ainda com a capa, e ao passar pela sala com a família, conseguiu assustar a todos, que deram um grito enorme ao ver a imagem de um ser com uma capa de chuva respingando. Essa pessoa assustou-se com o grito, pois acreditava que todos estavam dormindo, então virou a cabeça para a família, mostrando o rosto de uma jovem feiosa e magra, com um livro escondido por baixo da capa. Felizmente a família conhecia a jovem.
– Yzma! – fala a mãe. – Você quase nos matou de susto!
– Desculpe mamãe. – fala Yzma, abaixando o capuz de sua capa de chuva e mostrando seus cabelos roxos cacheados. – Eu estava estudando porções na biblioteca e perdi a hora, nem pude ouvir direito a chuva começar.
– Pois bem, lembre-se de avisar quando chegar. – fala o pai. – E nós temos novidades!
Yzma olha desconfiada para o pai, a mãe e o pequeno irmão de cinco anos que brinca com seus brinquedinhos baratos feitos a partir do lixo, já que seus pais não tinham dinheiro para comprar brinquedos.
– O que houve? – pergunta Yzma, colocando sua capa de chuva em um varal feito de madeira de árvores da floresta e indo até o pequeno banco de madeira perto de sua família. – Aconteceu alguma coisa?
– Yzma, bem, você já tem dezessete anos, — começa a mãe. – Tem um alto conhecimento de poções, já que você vive indo á biblioteca para estudar sobre essas poções...
– Mãe. – interrompe Yzma. – Já disse que as poções são um hobby. Por favor, vá direto ao ponto.
A mãe de Yzma solta seus cabelos roxos que estavam presos num coque, olha para seu marido e volta a olhar para Yzma, e diz:
– Conseguimos um emprego para você.
– O que? – pergunta Yzma.
– É no palácio no imperador, Yzma! – fala sua mãe. – Você vai ganhar bem, poderá finalmente tirar-nos da miséria.
– Mas você pensou no que eu quero? – pergunta Yzma. – Eu não quero ser uma empregada do imperador.
– Mas será. – fala seu pai, autoritário. – Você tem a chance de nos tirar do buraco e ainda quer dispensá-la?
– Eu sei, mas... – Yzma é interrompida pela mãe:
– Sem discussão. Você vai.
E assim aconteceu. Uma semana depois, Yzma já estava no palácio, servindo como uma faxineira do imperador Tuczo. Conseguia vê-lo poucas vezes na semana, as vezes conseguia encontra-lo depois que chegava de seus compromissos fora do império inca, mas o imperador quase nunca dirigia a palavra a Yzma, sempre muito ocupado com sua mulher e seu pequeno filho que mais posteriormente também ocuparia o cargo de imperador, de apenas dois anos. Apesar de ser jovem, com a mesma idade de Yzma, o imperador Tuczo já era muito autoritário com todos. O seu conselheiro, diferentemente dele, era muito bem educado, e tratava Yzma com todo respeito. Tal conselheiro já era muito velho, mas com o carisma e a bondade de Yzma ele se sentia jovem novamente. Yzma conseguiu em apenas alguns meses conquistar a amizade do conselheiro imperial. Não por que tinha interesse, mas por que ele era um amigo que Yzma nunca teve, sendo sempre muito pobre toda sua vida. Infelizmente, como todos os seres humanos, esse conselheiro faleceu de velhice. Levando assim o único amigo que Yzma conseguira em todo palácio cheio de empregados.
Mas a amizade com o conselheiro rendeu algo á Yzma: uma posição maior. Como era de costume desde o início do império, o último conselheiro tinha, por um “testamento”, indicado algum outro para ser o próximo conselheiro. E assim, Yzma fora indicada para ser a mais nova conselheira do imperador. Em princípio pensou em não aceitar, mas viu depois que essa seria uma chance única de se provar boa o suficiente para seus pais, que já estavam, com apenas um salário de faxineira de Yzma, melhorando de vida. Então, Yzma aceitou.
Depois de alguns meses ao lado do imperador, recebendo ordens e sendo muito boa no que faz, e ainda por cima melhorando as condições de vida de sua família, Yzma conseguiu ver que seria capaz de conseguir cada vez mais. Ela poderia ser a imperatriz, por que não? Era inteligente, audaciosa, pensava alto. Percebia no imperador uma chance de conseguir se tornar imperatriz e tirar sua família da miséria. E foi aí que Yzma cometeu o erro.
– Olá, imperador Tuczo. – fala Yzma, tentando sensualizar com um vestido azul escuro que bate no chão. O imperador desta vez estava sozinho no palácio, deitado em sua cama.
– Hum... – Murmura o imperado, tendo a visão da moça tentando sensualizar para ele. Tuczo não era bobo, ele sabia muito bem o que Yzma estava tentando fazer. – Olá, Yzma. O que você quer?
– Eu queria um coisa, imperador Tuczo... – fala Yzma, tocando nas pernas do imperador.
– É? – fala ele, jogando seu charme para cima de Yzma. Sempre vira sexo como algo muito bom para ser aproveitado, seja com quem fosse. Mesmo com a conselheira imperial. – O que é?
– Sexo. – fala ela. – Sabe, faz tempo que não faço... Deve ter sido com meu primeiro namorado aos quinze anos, mas desde então sou casta... Será que o senhor poderia me ajudar com isso, imperador Tuczo?
– Com certeza. – fala ele, se jogando para cima de Yzma.
E assim aconteceu. Uma noite de total sexo entre Yzma e o imperador Tuczo, com a mulher apenas querendo se tornar imperadora. Tuczo gostava de se sentir como dono das pessoas, afinal ele fora criado em meio a mimos e tudo que ele queria em sua mão. Yzma não sabia disso, para ela apenas uma noite bastava. E aí foi seu outro erro.
Os dois estavam deitados um ao lado do outro na cama quando aquilo aconteceu...
– Então, gostou, imperador? – pergunta Yzma, olhando para ele.
– Bastante. – fala o imperador.
– Então, quando será o casamento? – pergunta Yzma.
Tuczo ficou confuso, apenas se virou para Yzma e perguntou:
– O quê?
– O casamento, ué. – fala Yzma. – Temos que preparar tudo, comida, convidados...
– Yzma, acho que você não entendeu direito o que aconteceu aqui. – fala ele. – Você é apenas sexo. Nada mais. Não irei me casar com você.
Yzma fica arrasada. Olha para o imperador de um jeito estranho, totalmente confusa com oque está acontecendo.
– Tuczo, mas eu achei que...
– Imperador Tuczo. – corrige o imperador. – E não irei me casar com uma jovem feia de cabelos roxos como você. Por favor, se retire.
– Mas, imperador...
– Saia, Yzma!- grita Tuczo, e depois abaixa seu tom de voz, dizendo calmamente para Yzma: — Como pôde achar que eu me casaria com alguém tão repugnante como você? Nunca passará de uma simples conselheira que eu fiz sexo só para não ficar sem já que a idiota de minha esposa não está aqui. E se contar isso a alguém, eu juro que será a última coisa que você falará.
Yzma fica sentada na cama sem acreditar no que vê, apenas deixando as lágrimas escorrerem de seu rosto.
– Saia, Yzma! – grita o imperador.
Yzma levanta-se da cama correndo, pega seu vestido e o veste em poucos segundos. Corre para longe dali. Só queria um lugar para chorar, para poder desabar em lágrimas com o pensamento que nunca iria ser boa o suficiente para sua família. Desce as escadas do palácio até chegar em um local onde ela nunca fora antes, uma espécie de santuário com uma estátua de um javali com dois chifres saindo de sua boca. Yzma desaba em cima de um dos chifres, mas esse chifre simplesmente se abaixa como uma alavanca e Yzma sente seu corpo cair em direção a um carrinho. Esse carrinho vai descendo e descendo em alta velocidade enquanto a jovem grita de pavor, achando que iria morrer. Mas ao chegar no final, descobre algo inusitado: uma sala, cheia de frascos de poções empoeirados e cheios de líquidos, cada qual com sua especialidade: transformar alguém em bode, gato, ou até mesmo uma lhama. Não sabia de onde aquela sala viera, mas sabia que seria perfeita para suas poções.
Assim Yzma continuou como conselheira do imperador e realizando suas experiências no laboratório secreto que se abre puxando a alavanca do porco. Yzma, mais posteriormente, envenenaria os sucos do imperador e da imperatriz, matando-os. Seu filho, o novo imperador, cresceria em paz, já que Yzma conseguiria, em sua ausência, dar uma de imperatriz e satisfazer suas vontades. Conseguiria “braços direitos”, homens fortes que a ajudariam a tentar conquistar o posto de imperatriz e ajudar seu irmão que com o tempo iria ficando mais pobre.
Mais posteriormente o novo imperador faleceria juntamente com a imperatriz, deixando seu pequeno bebê , Kuzco, como o novo imperador, e sendo mais mimado do que todos os anteriores. Assim, Yzma seguiria com sua vida de conselheira quase imperatriz, até o mimado Kuzco decidir despedi-la e ela vingar-se tentando mata-lo, mas acidentalmente transforma-lo em lhama.
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