Pride and Hate

18 Prince Of The Forest


Notas iniciais
Olá! Este capítulo eu deixarei para que vocês adivinhem de quem é. Quero que se emocionem mais com esse. Ele tem uma estrutura diferente, e espero que gostem! Escrito por Kikonsam.

James estava sentado em sua poltrona, apenas encarando aquela parede com cabeças de cervo empalhadas que seu pai um dia já caçara. Nunca concordara com a caça de animais que seu pai sempre pregara desde que era pequeno. Apenas queria se divertir, e deixar os pobres animais livres na floresta para seguirem a ordem natural de sua vida. Isso é o que deve ser feito, não simplesmente apontar uma arma para eles e mata-los por simples diversão. Tinha mais coisas para se preocupar do que com que acompanhar seu pai Alfred pelas suas caças matinais nas densas florestas da América do Norte.
Ouvia um barulho de caminhonete se aproximando, e se levantou de sua poltrona, olhando para a grande estrada de terra que havia sido construída a partir da derrubada de árvores pelo seu já falecido avô. James olha e vê a grande caminhonete se aproximando, conseguindo enxergar dentro dela um homem com um grande bigode e um boné verde, apenas guiando a caminhonete na qual ele se orgulhara tanto de ter conseguido conquistar com o suor de seu trabalho.
James vai em direção á porta da sala que dá para o terraço, e no caminho consegue ver sua mãe Melody aproximar-se da porta também. Como uma boa dona de casa, sua mãe cuidara dele desde seu nascimento. E assim fora uma mãe melhor do que qualquer outra que poderia se existir nesta área da América do Norte. James abre a porta e vai para o terraço, parando pouco antes da pequena escada que dá para a terra fresca do final da floresta da divisa dos Estados Unidos com o Canadá. Olha seu velho pai Alfred abrir a porta de sua caminhonete, e finalmente voltar para casa depois de uma semana fora caçando.
– Olá, papai. – fala James, descendo e dando um abraço leve em seu pai.
James se solta do abraço, deixando com que sua mãe se jogue nos braços de seu marido. Olha para ela, vendo que ela realmente ama aquele homem que nunca fizera nenhum mal para ela, nunca desde que se casaram.
– O que trouxe hoje? – pergunta Melody.
– Mais umas cabeças de veado para nossa sala, nada demais. – fala Alfred, indo até a caçamba da caminhonete. – Aqueles veados correm muito. Ainda pego aquele mais forte e alto de todos. O Príncipe da Floresta. Viveu mais que todos, já está na hora de ele ter um lugar de destaque em nossa parede, não?
Alfred tira a coberta de cima do que está na caçamba de sua caminhonete velha, e James e Melody conseguem ver o veado com seus pequenos chifres morto, sem sangue ao seu redor. Pelo menos para isso Alfred servia. Secava o sangue dos veados, deixava-os limpos. Mas ainda dava para ver a marca da bala em seu belíssimo corpo.
– Se o Príncipe da Floresta viveu até agora é por que ele mereceu. – fala James, olhando para o pai indignadamente. – E não cabe a você ditar quando ele irá morrer ou não.
– Bobagem, esses bichos nasceram para isso! – fala Alfred, fazendo pouco caso para o que seu filho falara.
James não fala nada, apenas volta para sua casa, e fecha a porta. Vê da janela sua mãe conversando com seu pai, provavelmente ao seu respeito. Poderia fazer o quê se não concordava com essa matança?
– Ei, psiu. – ouve James uma voz feminina conhecida vinda de trás.
Ele se vira, vendo Sonia. A linda mulher na qual ele tinha o prazer de chamar de companheira. Uma mulher que conhecera na escola primária, e fora amor a primeira vista. Desde brincadeiras de “mostra o seu, que eu mostro o meu” até noites mágicas em sua pequena cama de solteiro.
– Sonia! – fala James, indo aos braços de sua amada, dando-lhe um beijo.
– Vamos. Vamos sair daqui. – fala Sonia, se soltando do beijo e pegando James pela mão até a saída de sua pequena casa de madeira.
Sonia e James tinham um canto que poderiam chamar “deles”. Tal canto era muito perigoso. Em um tronco de árvore deitado bem á beira de uma enorme montanha, muito comum por essa área. Era perigoso, claro. Mas era lindo. Daquela altura podia-se ver o lindo pôr do sol, enquanto James e Sonia ficavam de mãos dadas olhando o belíssimo espetáculo, sentados naquele tronco velho.
– Eu te amo. – fala Sonia, enquanto está com a cabeça deitada no ombro de James e contemplando o pôr do sol.
– Eu te amo mais. – fala James, olhando para sua amada e dando-lhe um beijo.
– Sabe... – fala Sonia, saindo do beijo. – Apesar de concordar com você em questão da caça, devo dizer que acho a pele de um veado a coisa mais elegante de todas.
– Está parecendo meu pai falando. – diz James para Sonia.
– Não é isso, James. – fala Sonia. – Sabe, o pelo de um veado é algo tão belo, tão puro... Acho que se eu pudesse escolher algum ser para viver por um dia, seria um veado.
– É, eles são lindos mesmo... – fala James, olhando para o pôr do sol.
– Eu queria somente poder morrer com meu corpo em volta da pele do Príncipe da Floresta, sabe? – fala Sonia, olhando para James. – Eu poderia morrer com uma sensação de importância, de elegância, assim como um veado.
– Ei, não fale essas coisas. – fala James, pegando o rosto de Sonia. – Se for por mim, você nunca vai morrer.
James aproxima seu rosto do dela para dar um beijo, enquanto vê seus olhos cor de mel e seu cabelo curto castanho claro aproximar-se de seu rosto, mas algo acontece.
James sente o tronco sair do lugar, enquanto desce um pouco a montanha. Olha para baixo e vê a imensidão de árvores depois da imensa parede de pedra da montanha. Assusta-se.
– Sonia, vamos sair daqui. Está perigoso. – fala James, levantando-se com cuidado.
– Certo. – fala Sonia, assustando-se também e levantando-se lentamente.
James sai da área do tronco, indo para o topo da montanha enquanto Sonia se levantava do tronco. Com cuidado, pegou a delicada mão de sua amada, olhando para seu lindo rosto. Mas sente algo. O tronco parece sair totalmente do lugar, e vai caindo rapidamente.
– James! – grita Sonia, pegando sua mão com força, enquanto sente seu corpo cair da montanha.
– Sonia! – grita James, segurando sua mão com força, enquanto ela cai da montanha.
James segura sua mão, mas a força do tronco não o faz aguentar, nem mesmo Sonia. Sua mão se solta da dele, e James consegue ver sua amada cair montanha abaixo, enquanto ouve seu grito de terror sumir aos poucos, até ouvir um estrondo.
E assim aconteceu. James passara uma semana inteira chorando e comovido pela morta da única pessoa que ele tinha certeza que amava. Deitado em sua cama, onde muitas noites de amor foram vivenciadas. Lembrando-se de seus olhos, seu cabelo, seu sorriso. Cada parte de Sonia o fazia sentir mais saudade ainda. E assim, James caiu em depressão. Não fora capaz nem de ir para colocar a cruz branca no local onde ela caiu, onde o tronco ficava. Não parava de chorar, mal comia. Apenas falava quando extremamente necessário. Até ele decidir realizar seu último desejo.
– Pai. – falou James, saindo do quarto e indo para o terraço onde seu pai estava sentado na cadeira da balanço.
– Filho! – fala Alfred, se levantando da cadeira e indo falar com James, estranhando sua saída do quarto em uma semana. Via a neve caindo do lado de fora. O inverno chegara enquanto James estava em depressão em seu quarto.
– Eu quero caçar. – fala James, curto e rápido.
– Agora? – pergunta Alfred, sem entender nada. – James, você está cansado, não? Duvido que tenha algum cervo na campina.
– Agora. Por favor, papai. – fala James, apenas deixando as lágrimas caírem de seu rosto.
Alfred não teve escapatória. Não podia dizer não ao seu filho. Assim, buscou seu casaco e suas espingardas na casa, e saiu em direção á campina da floresta. No caminho, James não falava nada. Apenas olhava para o caminho coberto de neve lembrando-se das brigas de neve com Sonia. Lembrava-se de tudo, até os pequenos detalhes dos melhores momentos de sua vida.
E assim chegou. Estacionara a caminhonete longe da campina, andando as florestas lentamente para não chamar atenção de nenhum animal. E chegaram. A campina, coberta de neve, sem nenhum cervo por perto. Não vira nada, apenas neve no grande campo onde os cervos costumavam se juntar.
– Agora temos que esperar. – fala Alfred, se sentando á beira de uma árvore.
– Eu sei. – fala James, curto e grosso. – Me disse todos os passos para uma caça perfeita, papai. Todos os 25 anos de minha vida.
– Desculpe-me, sei que está abatido. – fala Alfred.
– Estou mais do que abatido. –fala James, deixando as lágrimas escorrerem de seu rosto. – Estou com minha vida acabada.
– Não diga isso. – fala Alfred. – Veja, você pode...
– Shh. – fala James, vendo algo que não podia acreditar á sua frente.
Alfred olhou também. E viu o que não acreditou. O Príncipe da Floresta, com seus galhos enormes, apenas atrás de algumas árvores além da campina, parado, observando, por incrível que pareça, uma cerva fêmea com um filhote ao seu lado.
– Meu Deus, não acredito no que estou vendo. O Príncipe da Floresta, entregue de bandeja. – fala Alfred, olhando com louvor o Príncipe da Floresta, enquanto James apontava a arma para o grande bicho.
Não se importava com a fêmea e o filhote que estavam se alimentando. Só queria poder realizar o desejo de sua amada. Poder cobri-la com a pele do Príncipe da Floresta. E estava prestes a fazer isso, não fosse por um galho que seu pé teve a infelicidade de pisar.
A fêmea e o Príncipe da Floresta se assustam, olham ao redor. E os veem. Vê os dois fugirem. A fêmea corre para longe da campina com seu filhote, e o Príncipe da Floresta corre também. James não podia errar essa chance. Tinha que honrar a memória de Sonia. Tinha que orgulha-la. Puxa o gatilho.
Não enxerga nada até recobrir seus sentidos. Olha atentamente para a campina coberta de neve, sem o Príncipe da Floresta ou um filhote de cervo, mas sim uma fêmea, morta acima da neve, com sangue saindo de seu corpo. James sente os flocos de neve caírem do céu, começando á nevar.
Não acredita no que fez. Indo longe de seus princípios em prol de uma cegueira. Largou sua arma no chão e foi até o meio da campina, andando lentamente, sentindo as lágrimas escorrerem de seus olhos.
Chega perto do corpo da fêmea, deitado, com o sangue melando a neve branca. Ajoelha-se ao lado dela, olhando sua beleza.
– Bem, é uma pena ter errado o Príncipe da Floresta. –fala Alfred, sem remorso. – Mas pelo menos essa dará um bom revestimento para uma poltrona.
– Não. – fala James. – Não vamos leva-la. Vamos enterrá-la.
– Enterrá-la? – pergunta Alfred, olhando com estranheza para o filho. – Mas ela é o que? Um humano?
– Ela tinha um filhote! – fala James, olhando para seu pai com os olhos cheios de lágrimas. – Agora ele está sozinho na floresta, e provavelmente irá morrer. Você já tem muito cervos. Iremos enterrá-la.
E assim aconteceu. Demoraram horas para abrir um buraco e colocar a fêmea dentro dele. E assim, ela pôde viver no espírito da floresta. James nunca mais voltara a caçar, até por que não tinha como. Após uma semana de sofrimento e remorso, amarrou uma corda ao teto e se enforcou. Poderia finalmente viver com Sonia, poderia finalmente se sentir em paz pela pobre fêmea e seu filhote na floresta. Seu pai nunca mais voltara a caçar em memória ao seu falecido filho, mas a notícia de que o Príncipe da Floresta apareceu se espalhara pela região, e muitos caçadores voltariam tempos depois, capazes até de causar um incêndio para captura-lo.

Notas finais
Obrigado por ler, por favor deixem seus comentários sobre o que acharam desse capítulo com uma estrutura diferente dos outros! Próximo capítulo semana que vem!