Notas iniciais
Oi gente, aqui vai mais um capítulo pra vocês, baseado em "A Dama e o Vagabundo", escrito por Laninha e Kikonsam! Espero que gostem...

Animais de rua são sempre muito mal tratados. Perseguidos, evitados, deixados para a própria sorte. Na maioria das vezes são vira-latas, vagabundos sem casa ou comida, apenas dependendo da boa vontade de donos de restaurantes para que deem pelo menos as sobras. Cachorros são bem mais paparicados neste aspecto, afinal são os melhores amigos dos homens, não é mesmo? Neste caso, os gatos ficam em segunda mão. Apenas senhoras velhas e gordas cuidam de gatos, e neste caso tem que ser de raça. Mas nem mesmo gatos de raça tem tanta sorte assim. Após ter acasalado com um siamês da mesma rua, uma gata foi expulsa e jogada em um beco de uma rua movimentada. Uma gata de raça, grávida apenas se escondendo da carrocinha. Esta gata não tinha ninguém, nem mesmo ao parir duas gatas siamesas gêmeas. Pelo menos os primeiros três meses foram bons, as gatas tiveram leite de sua mãe e puderam ter seus cuidados. Mas tudo que é bom dura pouco. Antes mesmo de atingirem a fase adulta, sua mãe foi atropelada e deixada para morrer no meio de uma avenida movimentada de Nova Jersey.

As gatas então foram deixadas para a morte. Com fome, sem lar, sem nem mesmo um nome, duas gatas gêmeas de raça deixadas á suas próprias sortes. Caçadas por cachorros, sempre tendo que se esconder. Cachorros nunca pouparam a vida das duas, e sempre tentavam caça-las, muitas vezes deixando-as com pequenas mordidas em suas peles. Nunca ninguém parou para ajuda-las, apenas tiveram que comer sobras do que se era deixado nos lixos dos prédios mais próximos.

As gatas sofreram, mas foi numa noite chuvosa de outono que aconteceu. As duas, deitadas dentro de uma caixa de papelão poucamente protegidas da água que caia, ouviram alguns passos. Em princípio ignoraram, apenas achando que seria mais um humano doido andando em uma noite chuvosa. Mas foi aí que se assustaram. Viram uma mão abrir um pouco a caixa de papelão na qual estavam dentro, e se encolheram apenas esperando para o fim. Seriam levadas pela carrocinha e sabe-se lá seu destino depois daquilo. Mas não, na verdade era uma senhora com cabelo branco e um chapéu roxo brega e horroroso. Não parecia querer fazer mal, mas as gatinhas acham que as aparências enganam, afinal muitos cães de raça belíssimos já as caçaram.

– Não se preocupem, gatinhas. Sarah vai cuidar de vocês. – diz a humana, estendendo sua mão e cuidadosamente alisando uma das gatas.

E assim aconteceu. Perderam o medo de humanos e foram junto com a Sarah para sua casa, foram bem cuidadas e bem alimentadas. Em menos de uma semana receberam mais leite do que já haviam bebido em toda sua vida. Receberam licença e agora poderiam deixar de se esconder da carrocinha. Não demorou muito para Sarah dar o nome ás duas: Si e Am, que juntos os nomes são uma abreviação para “Siameses”, a raça das duas gatinhas.

Si e Am finalmente estavam sendo tratadas como damas. E em um belo dia, as duas saíram para passear com a Sarah em sua cestinha de palha, como sempre. O carro de Sarah era grande, tendo espaço suficiente para as duas poderem brincar fora da cestinha. Mas ao chegar a seu destino, elas ficaram espantadas. Não era um parque para brincar, e sim uma casa. Ambas viram ao longe uma casa enorme e cheia de cômodos, capaz de abrigar muitos gatos. Ficaram assustadas, afinal, o que Sarah faria ali?

– O que acha, Si? – pergunta Am para sua irmã.

– Não sei, mas acho que deve ser algo bom. – responde Si. – Sarah nunca nos fez mal algum, não é mesmo?

Sarah tocou a campainha, e Si e Am conseguiram ouvir passos ao longe, se aproximando da porta. Assim como latidos.

– Cães! – fala Am, se encolhendo no canto da cesta.

– Não, impossível. – fala Si. – Sarah nunca nos faria mal.

– Então me explique como ela nos trás para uma casa com cães querendo nosso bem! – fala Am, enquanto se encolhe ainda mais no canto da cesta.

– Deve ter alguma explicação. – fala Si, olhando por uma pequena abertura na tampa da cesta uma linda mulher atender a porta, e abaixo um filhote de cão fêmea cheirando os pés de Sarah.

– Elizabeth, meu bem! – fala Sarah, abraçando sua sobrinha, deixando a cesta com Si e Am encostar nas costas de Elizabeth

– O que é isso? – sussurra Am, apavorada no canto da cesta.

– Calada! Quero ouvir. – fala Si, erguendo suas orelhas para ouvir a conversa.

– Tia Sarah! – fala Elizabeth.

– Tia Sarah? – pergunta Si, pensando alto.

– O quê? – pergunta Am, sem entender o que Si falava.

– Ela é sobrinha da Sarah. – fala Si. – É só uma visita, nada demais.

– Que miados são esses? – pergunta Elizabeth, ouvindo os miados de Si e Am dentro da cestinha de sua tia.

– Essa não. – fala Am, agora apavorada.

– Ah, querida... – fala Sarah, abrindo bruscamente a cesta revelando Si e Am dentro delas. – Eu achei estas duas gatinhas na rua a mais ou menos um mês, são de raça! Não são umas gracinhas?

– São mesmo, tia Sarah... – fala Elizabeth, passando o dedo nos pelos de Si, que se derrete pelo carinho da humana. – Elas têm nome?

– Si e Am. – fala Sarah.

– Que lindas. – fala Elizabeth. – Bem, tia Sarah, vamos subir. Temos que colocar as conversas em dias!

– Sim, meu bem! – fala tia Sarah, abaixando a tampa da cestinha e colocando-a no chão, antes de subir as escadas.

– E agora, o que vamos fazer? – fala Am, apavorada. – Esse cão pode nos matar! Estamos em perigo de morte!

– Am, deixa de chilique! – fala Si, dando uma arranhada não muito forte no rosto de Am. – Sairemos e nos mostraremos superiores ao cão, e afinal, é só um filhotinho!

– Está bem. – fala Am, alisando o arranhão que Si deu nela.

– Me desculpe pelo arranhão. – fala Si. – Agora vamos.

Si abre a tampa da cestinha e coloca os olhos para fora, vendo se o cão estava por perto. Não vê nada.

– Pode sair, acho que o cão já foi. – diz Si. – Mas caso encontrarmos com ele, não se apavore.

– Certo. – diz Am, já se tremendo ao sair da cestinha de palha.

As duas saem juntas e andam uma perto da outra pela estranha casa, sempre olhando para os lados e vendo se o cão está por perto. Mas é aí que se surpreendem: o pequeno filhote de cão na verdade estava com medo delas. Conseguiram ver sua pequena silhueta atrás de uma porta.

– O cão! – diz Am, se escondendo atrás de Si.

– Am, ele está mais com medo de nós do que nós estamos dele. – diz Si, reconfortando Am e depois se virando para o cão: — Vamos, pode sair. Não faremos mal a você.

O cão sai aos poucos, ainda com medo, chegando perto de Si e Am.

– Vamos, pode vir. – diz Si, e quando o cão chega mais perto ela pergunta: — Qual seu nome?

– Dama. – diz o cão.

– Ah, uma cadela! – diz Si, feliz. – Ouviu, Am? É uma cadela.

– Cachorro ou cadela, não confio. – fala Am, ainda escondida atrás de Si.

– Pois bem, — fala Si, puxando assunto com a Dama. – Quando você veio para esta incrível casa?

– No natal. – diz Dama, ainda envergonhada. – Num presente.

E foi aí que Si fez amizade com Dama. Am aos poucos se soltou perto da amigável cadelinha que pareceu fugir de todos os estereótipos de todos os cachorros que as duas já encontraram em sua sofrida vida. Passaram horas falando sobre como era ser um gato ou sobre como era ser um cão. Não era nem um pouco igual aos brutamontes que muitas vezes já arrancaram pedaços de pele das pobres gatinhas.

Foi aí que Dama resolveu mostrar para Si e Am a vizinhança e seus amigos cachorros, o que foi a pior ideia que já teve.

– Eu não estou gostando dessa ideia, Si... – fala Am, se escondendo atrás de sua irmã.

– Am, se ela diz que eles são amigos, é porque eles são. – diz Si, confiantemente seguindo a Dama.

– Joca. – fala Dama, chamando o simpático cachorro Joca que está deitado ao lado do velho cão Caco, que já tem quase dez anos de idade.

– Sim, Dama? – pergunta Joca, apenas se levantando e olhando para a Dama. Caco, ao seu lado, faz o mesmo.

– Quero que conheçam minhas novas amigas. – diz Dama. – Si e Am!

Caco e Joca olham com espanto para as duas gatas, apenas se perguntando como a Dama teve coragem de fazer amizade com seres traiçoeiros como gatos.

– Dama, gatos não são amigos. – fala Joca.

– O quê? – pergunta Dama. Nesta idade a coitada não tem ideia de nada. Apenas se leva pelo que os outros dizem, e se Joca, que é de sua mesma espécie, diz que gatos não são confiáveis, é por que eles de fato não são. Pelo menos era assim que a Dama pensava.

– Então quer dizer que fingiram serem minhas amigas esse tempo todo? – pergunta Dama, avançando mais um pouco para as duas gatas.

– Não, Dama. – fala Si, apavorada. Am está quase desmaiando de medo. – Somos suas amigas.

– Bobagem! – fala Caco, se levantando e avançando mais ainda para as duas gatas. – Gatos são seres traiçoeiros, que só pensam neles mesmos.

– Não, escutem... – fala Si, recuando um pouco juntamente com sua irmã.

– Saiam daqui! – grita Joca.

– Isso, saiam! – diz Dama.

– Mas, mas... – fala Si, recuando mais ainda.

– Saiam! – dizem os três em coro.

Neste momento os três perseguem as duas gatas pela rua, enquanto elas correm freneticamente fugindo dos cães enfurecidos. Correm por várias quadras, e conseguem escapar somente quando se escondem em um pequeno beco longe da casa de Elizabeth e Jim. Esta perseguição resultou em uma mordida na pele de Si.

– Ai! – fala Si, lambendo a mordida.

– Eu disse que não poderíamos confiar neles. – disse Am, lambendo a mordida da irmã.

– Me desculpe, Am. – fala Si. – Pensei que fossem diferentes, mas são todos iguais.

– Sim, são todos iguais. – diz Am. – Mas isso não significa que não podemos ser superiores a eles.

– O que quer dizer? – pergunta Si, sem entender.

– Quero dizer que isso não acabou por aqui. – fala Am. – Vamos nos vingar daquela Dama, e ela vai ter o que merece.

Na cabeça de Si e Am elas não relevaram pelo fato de Dama ter sido um pequeno filhote inocente que se influencia facilmente. Elas só queriam vingança, e achariam esta oportunidade quando Jim e Elizabeth viajarem e deixassem seu bebê nos cuidados de Tia Sarah.

Notas finais
Obrigado por ler, deixe suas impressões nos comentários! Talvez tenhamos dois capítulos essa semana, então aguardem! ;)