Pride and Hate
14 Blessed Is The Fruit
Notas iniciais

Paris é uma cidade complicada. Ao mesmo tempo em que temos ciganos e ladrões nas ruas, temos andando nestas mesmas pessoas de classes altas com muito dinheiro para suprir todas suas necessidades ou até mais. Ainda mais em uma época hierarquizada como o século XV. Famílias ricas de fato recebem mais atenção. Ciganos são simplesmente esquecidos ou só servem de distração para turistas ignorantes que abrem mão de seu dinheiro por uma simples leitura de mão que não serve de nada.
Uma dessas famílias ricas é a família Frollo. Muito conservadora, essa família permanece com dois pais e dois filhos, um menino e uma menina. Uma família rica invejada por todos, que é dona de metade das barracas de pão do centro da cidade histórica de Paris. Tal família pode ser invejada por todos, além de se ter muita pressão social para que ela seja a família exemplar para toda a sociedade parisiense.
O filho mais novo desta família, Claude, sabia muito bem da pressão social que sua família exercia na sociedade, por isso fazia de tudo para se encaixar ao máximo e seguir os passos de seus pais e sua irmã, Dináh. Ia para a igreja de Notre Dame todo santo domingo, conhecendo os padres e fazendo amizades. Já havia visitado o escritório de seu pai várias vezes, sabendo de tudo para poder dar continuidade ao trabalho que seu pai Héracles exerce. Mas toda família tem seus segredos, até mesmo a família Frollo. No caso dela, o segredo era com Claude.
Claude de fato se esforçava para fazer de sua família um bom exemplo, mas somente quando todos estavam olhando. Á noite, Claude saía escondido de seu quarto, calçava calçados simples e saía pela porta dos fundos, na cozinha, para ir de encontro a um amor. O padre dizia que era pecado quebrar o voto de castidade, porém Claude não era muito ligado ás pregações da igreja. Só queria viver sua vida o máximo possível, um dia de cada vez, sem se preocupar com o futuro. É fácil dizer isso quando se tem 17 anos, mas é o que ele pensava.
Nesta noite Claude sai de sua casa assim como todas as outras. Nas pontas dos pés, colocando calçados fáceis ele apenas sai pela porta dos fundos de seu casarão bem no centro de Paris. Não demora muito até chegar em frente á Notre Dame, e enxergar de longe sua amada: Radianta, mais uma simples cigana na qual ele encontrou em frente ás suas idas ás missas de Notre Dame enquanto ela lia a mão dos turistas inocentes.
Ao ver Radianta, correu aos seus braços, dando-lhe um beijo. Se existia um beijo do amor verdadeiro, este era o que Claude dava em Radianta. Seus olhos brilhavam como o diamante no qual foi inspirado seu nome. Ela é linda, com sua pele morena e cabelos cheios na altura dos seios, Radianta encanta Claude e todos os outros que focam em seu corpo magnífico.
Naquela noite, Claude faria sexo em solo sagrado. No altar da Notre Dame, exposto á qualquer padre que pudesse aparecer, os dois se amariam novamente. Não que nunca tivessem feito nada disso antes. O solo da igreja de Notre Dame já havia sido batizado pelo casal a meses, mas sempre era a mesma emoção poder fazer de cada noite uma noite especial. Os dois se amavam, e fariam qualquer coisa um pelo outro.
Depois que acabaram, Claude se deitou no chão de pedra da igreja e olhou para a incrível arquitetura no seu teto. O barulho de água batendo começava a ecoar pelas paredes rochosas da histórica igreja, e enquanto caía uma tempestade na cidade de Paris, os dois estavam olhando para incrível arquitetura do teto da Notre Dame, um ao lado do outro, abraçados. Ninguém poderia ser mais feliz que Claude, junto á uma pessoa na qual a sociedade diz ser trapaceira, mas que para ele é a pessoa mais mágica e sincera existente.
– Sabe o que eu gosto mais das nossas noites? – perguntou Radianta, olhando nos olhos de Claude.
– O quê? – pergunta Claude, alisando os cabelos negros de Radianta.
– Que eu finalmente posso sentir que eu sou amada. – diz Radianta. – Ninguém nunca me amou como você.
Claude para, e ri enquanto vê e percebe que é a pessoa mais feliz do mundo.
– E o que eu mais amo são seus olhos. – fala Claude, olhando para os olhos brilhantes de Radianta.
Os dois se beijam. E a noite acaba. Claude sai na chuva e se escondendo embaixo dos telhados das casas das proximidades ele chega ao seu casarão. Abre a porta dos fundos com cuidado e nas pontas dos pés adentra na sua casa. Deixa os calçados na entrada da cozinha, e ao seu pé tocar no chão ele sente algo molhado e pegajoso. Assusta-se, e decide ver o que é. Pega um suporte de vidro com uma vela dentro e a acende, fazendo com que ele veja algo perturbador.
Uma poça enorme de sangue em toda sua sala. Adentra mais e se depara com algo ainda mais perturbador: sua mãe, seu pai e sua irmã jogados no chão com suas roupas todas encharcadas de sangue. Claude deixa seu suporte cair, fazendo com que a sala fique escura. Se ajoelha e sente o sangue pegajoso tocar em sua pele, enquanto lágrimas escorrem de seus olhos. Neste momento acredita em Deus. Neste momento acredita que um ser todo poderoso está ali e que seu pior inimigo: o diabo, pode se vingar daqueles que não cumprirem seus deveres de católicos.
Levanta-se com todo o esforço, e aos poucos sai de seu casarão. Não sabe o que fazer, não sabe aonde ir. Só sabe que está com a maior tristeza da sua vida encrustada em seu peito. Deixa a chuva bater em sua túnica melada de sangue, lavando-a. Ao longe, Claude consegue distinguir uma carruagem. Acima desta carruagem, caixas e mais caixas de coisas. Poltronas, mesas, cadeiras. Olha mais atentamente e vê que são mais carruagens ainda, no mínimo dez. Distinguiria aquelas coisas em qualquer lugar: eram seus móveis de sua casa. Haviam o roubado, e tudo que seu pai tinha, até sua própria vida, foi tirado dele.
Ao longe, Claude consegue distinguir uma moça de pele escura e cabelos volumosos subindo em uma dessas carruagens, enquanto a água a encharca. O relâmpago veio em boa hora, bem no momento em que a moça se vira para ver se está sendo seguida. O relâmpago ilumina sua face e Claude consegue ver o rosto de Radianta. Não tem forças para fazer nada, apenas para chorar e se lamentar por que alguém que supostamente o amava simplesmente matou sua família, o roubou e fugiu sabe-se lá para onde.
Naquela mesma noite, Claude vagaria pelas ruas de Paris e cairia desmaiado nas escadarias de Notre Dame. O padre o ajudaria a se levantar, e finalmente lembraria que o único salvador capaz de ser justo e bom com todos é Deus. O salvador de todos que foi capaz de perdoá-lo, em troca de ele servir sua vida á igreja e se empenhar em livrar Paris dos odiosos ciganos, que não medem esforços para acabar com tudo á sua frente.
Radiante fugiria para Londres, conheceria outro cigano e teria uma filha com ele. A filha, chamada Esmeralda, teria tudo de bom até sua mãe ser morta pela patrulha de Londres quando ela tivesse 18 anos, assim Esmeralda voltaria á cidade natal de sua mãe indo à busca de uma vida melhor para ser cigana.
Infelizmente ela encontraria um Claude Frollo amargurado com sua traição, sem família e falido, seria capaz de fazê-lo se sentir atraído por ela assim como ele foi por sua mãe, mas Claude não era o mesmo. Consumido pela igreja do velho testamento e pela sede de vingança contra ciganos, capaz até mesmo de manter um horroroso menino filho de uma cigana preso e força-lo a trabalhar como sineiro de Notre Dame.
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