Notas iniciais
Mais um capitulo lindinho pra voces -->

– Josefinne, olhe para você, esta tão linda!

Depois de passar o dia inteiro sendo vestida, maquiada e penteada, finalmente a moça se olhou no espelho. O cabelo ruivo estava preso no alto da cabeça e os cachos caíam sobre seus ombros, os olhos verdes estavam bem marcados no rosto palido e a boca fina foi delineada com um batom claro. Mas nada disso conseguia disfarçar o queixo pontudo e o nariz longo e fino, o corpo magro e sem curvas que nunca chamou a atenção de homem algum. Josefinne não via beleza nenhuma na imagem do espelho, mesmo assim sorriu para a mãe agradecendo o que ela tinha feito. Sua mãe também não era muito bonita, ninguém na sua família era, pelo menos a jovem era inteligente. A mãe estava vestida com elegante vestido amarelo e também tinha cabelos ruivos.

Nesta noite Josefinne iria a uma festa na casa de um velho Duque que tinha três filhos solteiros. A esperança de sua mãe era que ela conseguisse um noivo naquela noite. Entretanto, os unicos homens que falavam com ela eram viuvos e velhos com mais de cinquenta anos. O baile estava sendo um desastre para ela, todas as suas amigas estavam dançando com homens ricos e solteiros enquanto ela tinha que aguentar velhotes e coisas piores. Do outro lado do salão seus irmãos casados dançavam com suas lindas esposas. Irritada com o que estava acontecendo, ela foi andando até a mesa de bebidas onde encontrou um dos amigos de seu pai, o banqueiro Simon Tremaine.

– Senhor Tremaine, como é bom ve-lo aqui

Apesar de seus quarenta e cinco anos, Simon ainda era um homem muito bonito e solteiro. Tinha cabelos castanhos ondulados e um bigode muito comum. Ele cuidava da sua sobrinha Elleanor, uma doce menina loira de olhos azuis, desde que sua irmã morreu e a deixou sozinha no mundo. Quando soube da noticia ela perguntou para a mãe se ela conhecia a irmã do Senhor Tremaine e se sabia que ela tinha uma filha, a mãe tinha respondido que a irmã dele tinha viajado para um colégio interno e nunca mais a viu. Alguns boatos diziam que a menina era uma bastarda da Srta. Tremaine, já que ninguém nunca tinha ouvido falar de um casamento dela, outros diziam que era bastarda do próprio Simon. Há uma semana Josefinne tinha descoberto que ele estava procurando uma esposa para ajudar a cuidar da sobrinha, e ela estava decidida a ser essa esposa.

– Senhorita Josefinne, é bom ver você também. Seus pais também vieram? — Ele entregou uma taça de vinho para ela e serviu uma para si também.

– Ah, sim, com meus irmãos. E o senhor, não esta acompanhado esta noite?

– Infelizmente, Jos, gostaria de me fazer companhia?

– Adoraria.

Ela então começou a falar da decoração da casa e de outras coisas fúteis até chegar no assunto que realmente a importava: a sobrinha dele e sua necessidade de ter uma mãe. Disse o quanto gostava de crianças e que sonhava em ter as suas próprias, até disse que na próxima vez que fosse visitar o pai dela, levasse a menina para brincar com ela. O banqueiro sorriu e concordou com ela, prometendo levar a menina no dia seguinte.

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No outro dia Jos acordou cedo e ressuscitou algumas bonecas e um velho jogo de chá que era dela quando criança, arrumou o quarto infantil e se vestiu da melhor maneira que pode. Usava um vestido verde claro e tinha prendido o cabelo todo numa trança e depois a juntou num coque, prendeu-o com uma presilha de flor e desceu com seu pai para a sala. Deu um banho na sua gata Lucy e colocou um laço roxo em seu pescoço. Seu pai tinha combinado de almoçar com o Sr.Tremaine ao meio dia e ela fez o máximo para que tudo estivesse perfeito.

A carruagem chegou quinze minutos antes do almoço e a moça já estava na porta para acolher os convidados. O primeiro a descer do carro foi o Sr. Tremaine, naquele dia ele usava uma roupa azul-marinha e trazia em baixo do braço uma pasta com o contrato para seu pai assinar. Logo depois ele ajudou a menina a descer, ela tinha belos cachos dourados e olhos de um azul intenso que combinava com a faixa azul amarrada na cintura de seu vestido branco. A menina era doce e delicada e as duas brincaram juntas durante muito tempo enquanto seus pais estavam tratando de negócios. Subiram juntas para o quarto infantil e cada uma pegou uma boneca. A boneca de Jos usava um vestido verde e tinha cabelos negros, a de Elleanor tinha cabelo ruivo e usava um vestido rosa. A gata Lucy não gostou da menina e tentou arranha-la, mas Jos a colocou para fora do quarto e as duas puderam brincar sossegadas. Brincaram com as bonecas durante muito tempo e depois tomaram chá juntas. Mesmo com toda a alegria e diversão que estavam tendo naquela tarde, Jos percebeu que Elleanor tinha um ar meio triste e doentio que não desaparecia.

– O que está te deixando triste, meu bem? — Ela perguntou a menina que parecia estar quase chorando.

– Minha mãe também brincava de bonecas comigo quase todos os dias, sinto muita falta dela. — a criança começou a chorar e Josefinne a abraçou forte e cantou uma musica para ela se acalmar. Logo que ela parou de chorar, seu pai e o Sr Tremaine já tinham terminado seus assuntos e o tio da menina veio busca-la para irem embora.

Depois que o carro já tinha desaparecido na esquina, sua mãe a chamou num canto e disse que o Sr. Tremaine tinha pedido sua mão em casamento para o seu pai. A data foi marcada para dali dois meses e nesse tempo a moça só pensava no vestido que ia usar e nas coisas que iria levar para sua nova casa. Arrumou, desarrumou e arrumou de novo suas malas umas três vezes, revirou a casa inteira atrás de coisas que ela pudesse levar, até escolheu uma de suas bonecas para dar de presente à Elleanor. Colocou todas as coisas de sua gata numa bolsa e finalmente tinha terminado.

No grande dia, todas as suas coisas já estavam arrumadas na nova casa e sua gata muito feliz por haver muitos ratos para caçar na casa da fazenda. Depois do casamento na Igreja, houve uma festa na sua nova casa para todos os convidados. Durante a festa Josefinne não estava encontrando seu novo marido e foi procura-lo no escritório onde ele costumava ficar muito tempo. Ainda no corredor ela começou a ouvir gemidos e outros barulhos que desconhecia, quando chegou na frente do escritório, percebeu que esses sons vinham de dentro daquela porta. A tal porta estava entreaberta e ela olhou lá dentro. O que viu a deixou assustada e irritada. Dentro do escritório estava uma das cozinheiras com a saia levantada até a cintura sentada em cima do seu marido deitado no chão sem as calças. A cozinheira cavalgava em cima dele alegremente e estava quase gritando.

Josefinne saiu de lá antes que os vissem e foi correndo chorar no banheiro. Seu marido a estava traindo logo no primeiro dia de casamento. Ela se recompôs e voltou para a festa com um sorriso imenso e fingindo que nada havia acontecido, mas dentro dela algo havia mudado, algo que nunca mais a deixaria ser feliz.

Notas finais
E ai, minhas lindas, gostaram?