Pride and Hate
20 Arabian Nights
Notas iniciais

O dia amanheceu quente em Agrabah. Do lado de fora do palácio, conseguia-se ouvir vendedores ambulantes, mulheres oferecendo seus corpos e pessoas tendo suas mãos cortadas por roubo. Mas dentro do palácio, conseguia-se ouvir o silêncio da manhã, enquanto os guardas e funcionários do sultão chegavam para prestarem suas honras á sua família. Mas as verdadeiras honras se davam por um funcionário qualquer, no quarto da princesa Sultana.
O funcionário acordou pelado, e começou a colocar suas roupas de menino pobre para poder pular a janela do quarto da princesa e ir direto ao jardim, cuidar das lindas flores do deserto.
– Jafar? – perguntou a voz de Sultana, enquanto ela acordava e via seu amado colocando suas roupas.
– Sultana! – fala Jafar, aproximando-se para beijá-la.
– Aonde vai? – pergunta ela, saindo do beijo.
– Trabalhar. Não posso mostrar a todos meu relacionamento com a princesa de Agrabah, pelo menos por enquanto. – fala Jafar, enquanto sai para poder descer a janela.
– Jafar, meu amor, por favor. Não posso mais viver assim. – fala Sultana, levantando-se, mostrando seu belíssimo corpo nu.
– Assim como, meu amor? – pergunta Jafar.
– Me escondendo. Tendo que me esconder para não mostrar á todos a pessoa que eu amo. – fala Sultana, aproximando-se de Jafar. – E essa pessoa é você, Jafar. Esse palácio é horrível. Cheio de regras, e papai querendo que eu me case a qualquer custo... Eu não quero isso. Só quero você, meu amor.
Jafar nunca pensou que ela pudesse amá-lo daquele jeito. Nunca pensou que algum dia uma verdadeira princesa amaria um menino que crescera pobre. Jafar não ligava para seu dinheiro. Só queria Sultana para sua vida. E foi aí que ele teve a ideia.
– Sultana, vamos fugir. – fala ele.
– Fugir? – pergunta Sultana. – Mas para onde?
– Reinos vizinhos, podemos viver de vender quinquilharias na rua. Estaremos juntos. E é isso que importa. – fala Jafar, pegando sua amada pelos braços.
Sultana fica olhando os olhos apaixonados de Jafar, e pensa como seria poder acordar todos os dias e ver aqueles olhos olhando para ela, apaixonados, podendo ter filhos e poder cria-los longe das pressões de um palácio, onde aprenderiam a serem pessoas simples e casarem-se por amor. Isso que Sultana queria para sua vida, e não casar-se com um príncipe e viver infeliz para sempre...
– Certo. Eu vou. – fala Sultana.
Naquele dia, Sultana pegou apenas o necessário. Ouro suficiente para poder ir para reinos afastados e sobreviver lá, roupas e deixou suas joias. Jafar trabalhou no jardim como sempre, e apenas empacotou suas roupas. Dinheiro seria algo que ele não tem.
Naquele mesmo dia, Sultana seria apresentada para um príncipe. Hamed. Educado, engraçado e gorducho, que não fez Sultana deixar de se senti apaixonada por Jafar. Mas Hamed pôde ficar, já que seu camelo havia morrido durante a viagem e ele teria que achar outro.
Naquela noite, como combinado, Sultana esperava em sua janela. Olhava para o jardim do lado de fora do palácio, procurando o homem de sua vida. Até que pôde ver uma sombra atravessar a grama verde e bem tratada. E viu uma corda subir e pendurar-se em sua janela. Sultana sabia que essa corda havia sido jogada por Jafar, e começou a descê-la. Chegou ao final, e ao olhar ao redor, pôde ver mais de uma sombra. Uma chama se acendeu, mostrando Jafar amarrado por cordas e seu pai, o sultão Mohamed, ao lado de seu amado, enquanto os guardas o prendiam.
– Papai! – falou Sultana, desconfiada.
– Ora, Sultana... – fala o sultão Mohamed. – Você achou mesmo que seria tão fácil assim fugir com o jardineiro?
– Eu o amo! – gritou Sultana. – Ele me ama, e seremos felizes.
– Não serão. – fala Mohamed, calmamente aproximando-se de sua filha e segurando-a pelo rosto, sussurrando em seu ouvido: — Você quer ser miserável, Sultana? Pois é isso que será caso vá com ele. Case-se com um príncipe, viva infeliz, mas não me desonre, ou eu juro que isso será a última coisa que fará.
O sultão sai de perto de sua filha, e vai andando para longe, passando por Jafar, amarrado e com seus olhos roxos de tanto apanhar dos guardas.
Sultana não poderia deixar aquilo acontecer. Não podia deixar que o amor de sua vida morresse na mão deles. Jafar seria sentenciado à morte, e ela não poderia deixar isso acontecer. O amava muito para deixa-lo morrer enforcado.
– Papai. – fala Sultana, deixando as lágrimas escorrerem pelo seu rosto.
– Sim? – fala o sultão, virando-se para sua filha.
– Não o mate. – fala Sultana. – Por favor. Não o mate e eu juro que me caso com o príncipe Hamed e nunca reclamarei mais, nem nunca mais verei-o.
Mohamed considerou a proposta da filha muito convincente. E não poderia deixar de pensar numa vida sem Sultana reclamar á cada besteira do palácio.
– Você herdou meu poder persuasivo, sabia, menina? – fala Mohamed. – Está bem. Soltem-o, guardas.
Os guardas soltam bruscamente as cordas de Jafar e fazem com que ele caia no chão, de tão fraco que está de tanto apanhar.
– Sultana, não faça isso, por favor! – fala Jafar, suplicando para a princesa, que deixa lágrimas caírem de seu rosto. – Eu prefiro morrer á viver uma vida sem você.
– E eu prefiro morrer á ver você morrer. – fala Sultana, sem olhar nos olhos de Jafar.
– Teve sorte, seu verme. – fala o sultão, olhando com superioridade para Jafar. – Agora guardas, joguem-no fora do meu palácio.
Os guardas pegam Jafar pelos braços e jogam-no para fora dos portões do palácio, deixando-o na rua sem nada na vida.
Naquele momento ocorreu na cabeça de Jafar que ele não poderia de forma alguma deixar com que Sultana vivesse infeliz. Não poderia deixar com que ela fosse embora e deixasse-o sozinho, sem ninguém á sua volta. Isso ele teria que contestar.
Naquela mesma noite, Jafar fora á biblioteca, procurar sobre qualquer coisa que pudesse leva-lo a poder viver com sua amada. E achou. Escritas antigas dizendo de uma lâmpada com um gênio capaz de realizar qualquer desejo que ele quisesse. Teria que saber sobre isso, teria que conseguir Sultana de volta. Mas teria que ter ajuda.
Meses se passaram de Jafar indo para a biblioteca várias vezes, procurando escritos que poderiam ajuda-lo á achar uma saída para sua depressão amorosa. E achou. Escritos dizendo como poderia fazer uma poção capaz de fazer com que um animal falasse e obedecesse suas ordens. E era isso que iria fazer.
Sala de poções, e conseguiu fazer uma capaz de conseguir um servo. Agora, teria que achar um animal. E foi na feira de Agrabah que achou um belíssimo papagaio em uma jaula, pertencente ao dono de uma barraca de venda de frutas.
– Quanto custa esse papagaio? – pergunta Jafar.
– Ah, Iago não está a venda. – fala o ambulante. – Ele é meu.
– É mesmo? – pergunta Jafar, tirando de sua bolsinha um pequeno pacote. – É o que veremos.
Jafar solta o pacote no chão, espalhando uma fumaça e fazendo com que ninguém enxergue-o pegar a gaiola de Iago, e leva-lo para tomar a poção.
– Oi! Oi! Oi! – fala Iago, depois de tomar a poção. – Mas o que é isso?
– Sua vida. Eu libertei-o. Agora será meu servo. – fala Jafar, rindo para Iago.
Assim aconteceu. Iago serviu-o, e conseguiu achar um cajado capaz de controlar a todos, até o sultão. Jafar conseguiu pôr as mãos no cajado, e hipnotizou o sultão Mohamed para readmiti-lo no palácio.
No primeiro dia no palácio, Jafar saiu para procurar Sultana em seu quarto. Bateu em sua porta repetidamente, até alguém abri-la. Sultana estava linda como sempre, com seu corpo perfeito, apenas por um pequeno detalhe... Uma barriga de grávida.
– Sultana! – fala Jafar, aproximando-se dela, enquanto ela se afasta de seu rosto.
– Jafar? – pergunta Sultana. – O que faz aqui?
– Eu vim vê-la. Podemos ficar juntos novamente, meu amor. – fala Jafar, pegando nos ombros da princesa.
– Jafar... Eu não posso. – fala Sultana. – Eu tenho que cumprir minha promessa.
– Mas... Sultana... Eu te amo. – fala Jafar, deixando lágrimas escorrerem de seus rostos.
– Eu não o amo mais. – fala Sultana. – Eu amo Hamed. E meu bebê.
Jafar fica aturdido. Não acredita no que acontece, e não acredita no que ouve de sua amada.
– Mas Sultana, fomos feitos um para o outro! – fala Jafar, aproximando-se de Sultana, e batendo bruscamente em sua barriga.
Sultana sente uma enorme pressão em seu útero, e depois sente uma água escorrer para fora de seu corpo.
– Jafar. O que você fez? – pergunta Sultana, sentindo uma enorme dor, e vendo sangue escorrer para fora de seu útero. – Chame as parteiras. Elas estão de plantão. Rápido!
E assim aconteceu. Sultana deu sua vida para salvar a de sua filha, com seu nome dado em homenagem á mais bela flor do deserto. Jasmine. E assim Jafar se amargurou. Deixado de lado pela mulher que ele supostamente amava, e agora depois de quase um ano tentando reconquistá-la, um bebê tirou-a dele. E isso ele não poderia perdoar. Iria vingar Sultana, e iria vingar a si mesmo. Ia achar a lâmpada maravilhosa, tornar-se sultão e se vingar de todos que provocaram sua miséria. Nem que para isso tivesse que raptar um ladrão de rua.
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