Pretérito Imperfeito
35 Capítulo XXXV - Our Solemn Hour
Notas iniciais
– Isso é dela? – Damon adentrou a casa Gilbert, onde Bonnie, Elena e Tyler aguardavam por sinais. O Salvatore mais velho erguia o vaso de água com desenhos fluorescentes.
Elena ficou um pouco assustada com a grosseria do vampiro. Ela reconheceu a garrafa de água de Juliana e entendeu tudo, ela havia sido realmente ROUBADA pelo vampiro que ninguém sabia quem era ainda.
– Claro que não pode ser dela... Ela já chegou em casa, eu sei!... Juliana! – Damon entrou em negação e começou a berrar na beirada da escada. – Juliana, desça!
Elena viu que Tyler e Bonnie o olhavam como se fosse louco. Ela tinha que tomar uma atitude e rápido.
Stefan e Caroline adentraram a casa exatamente na hora que Elena tinha virado Damon para si pelos ombros e estalou um tapa na cara dele.
– Damon! – Elena que berrou agora. – Eu sei que dói, todo mundo está sentindo isso! E sei que para você pode até ser pior porque já estava passando por um término ruim com ela, mas você não pode simplesmente pirar agora, okay?! – Elena segurava o rosto do vampiro entre as mãos e ele escutava sem reação. -... Nós temos que manter a calma, VOCÊ tem que se manter frio para que possamos raciocinar corretamente diante disso... Se você resolver dar à louca ou fizer alguma estupidez, não vai ajudar em nada a encontrar Juliana...
– Ela tem razão. – Disse Stefan. Damon virou o olhar que estava em Elena para encarar o irmão, depois olhou para Caroline que estava ao lado dele e derramava lágrimas pelo acontecido, e enquanto retirava as mãos de Elena de seu rosto falou rudemente à loira.
– Ela não está morta, não sei porque está chorando. – Damon subiu as escadas e se trancou no quarto de Juliana.
[...]
Juliana acordou, mas continuou com os olhos fechados na tentativa de enganar quem a tivesse mantendo em cativeiro.
– Pode parar de fingir, sei que está acordada pelos seus batimentos cardíacos... – Disse uma voz familiar.
A garota abriu os olhos, mas seu olhar embaçado demorou um pouco para ganhar foco graças a tontura causada pelo sonífero. Ela parecia estar deitada numa cama, não estava presa e nem tinha amarras, e uma figura masculina ganhava forma em sua frente sentada em uma cadeira.
– James!... Foi você que me...? Você é um... – Juliana não acreditava no que via.
– Sim, amor, fui eu quem te sequestrou e sim! Sou um vampiro. – Ele sorria.
– Como?... Por quê?... Quem te transformou?... – Juliana tentava entender a situação.
– Ora, te sequestrei para que possamos ficar juntos para sempre!... Quem me transformou foi a vadia da Katherine, que te matou queimada... Só soube que foi ela quem matou você muito tempo depois... – James ainda sorria, não conseguia esconder a felicidade de tê-la ali realmente em seu domínio.
– Eu não vou ficar para sempre com ninguém!... E ninguém me matou, seu doente! – Juliana não estava com medo dele. -... E eu quero sair daqui, agora!
James riu dela.
– Sua bobinha, ninguém vai nos separar de agora em diante, Giuliana... – Ele disse.
– Você me chamou de quê? – Juliana se lembrou do que Damon a contara, fora Giuliana quem morrera queimada por Katherine. – Eu não sou Giuliana nenhuma!
– Não? – James ficou confuso. – Como não?... Já volto. – Ele disse e adentrou em outra porta, eram dois quartos embutidos no que parecia ser um hotel de beira de estrada.
Juliana olhou ao redor e notou um telefone, ela se levantou, foi até ele, o tirou do gancho e começou a discar um número.
– Não funciona, eu cortei o fio. – James disse surgindo do nada recostado na parede ao lado da cômoda onde o aparelho estava.
A garota cansou da brincadeira e avançou em James, começando a estapeá-lo e projetar chutes.
– Eu quero sair daqui! – Ela tentava agredi-lo, mas nem cócegas conseguia provocar. – Você vai se arrepender! Me solte! – Juliana se debatia porque James agora a segurava imobilizando.
– Ou o que? Seus priminhos queridos vão me fazer pagar? – James zombava dela. – Eles são uns frouxos!
– São muito mais homens do que você! – Juliana o enfrentou, mesmo imobilizada.
Isso o irritou profundamente, James puxou o cabelo de Juliana para o lado expondo o pescoço dela. E cravou suas presas na carne dela.
A garota sentiu uma dor aguda insuportável nas duas feridas que surgiram em seu pescoço, ela tentou lutar, mas só fez provocar mais dor. Juliana já havia sido mordida uma vez por Damon, num momento de fraqueza dele, mas a dor que ele tinha provocado seria uma pluma ao vento comparada a dor que James provocava. Agora, Juliana sabia que mesmo descontrolado ele havia sido gentil e tinha tentado não provocar tanta dor, diferente do mordedor atual que parecia querer causar a agonia.
Ela nunca tinha cruzado com um ser sobrenatural realmente mau até agora, por isso não teve o bom senso de calcular suas ações antes de atacá-lo e tentar agredi-lo daquela maneira, agora se arrependia da pior maneira, sentindo seu sangue ser drenado.
A verdade é que tudo durou apenas alguns segundos, só que a dor fez Juliana acreditar ter sido uma eternidade. James descolou suas presas do pescoço dela e a lançou violentamente na cama, tornando até o pouso doloroso.
– Seu sangue está contaminado!... – Ele disse irritado escondendo as presas e limpando o sangue que escorrera por seu queixo. -... Qual Bastardo Salvatore lhe deu sangue?
Juliana estava com uma mão tentando estancar o sangue no pescoço, enquanto amedrontada se encolhia na cama. Na verdade, o sangue que estava dentro dela, era o de Caroline, a amiga ainda a fornecia para estabilizar a doença de Juliana. Mas ela continuou calada e com medo, não respondeu.
– Bem... Isso vai adiar um pouco as coisas, e você vai ter que ficar mais uns dias trancada aqui, para que seu sangue esteja completamente limpo, antes de colocarmos os planos de Kevin em prática... – James concluiu.
– Quem é Kevin? – Ela não conseguiu segurar essa pergunta.
– Eu. – Disse o bruxo vindo do quarto onde James tinha entrado e saído. -... É verdade o que ele disse? Não tem nada de Giuliana aí dentro?
– Já disse que não... – Juliana disse e seus olhos começaram a se encher de lágrimas, pela dor no pescoço e pelo medo que sentia.
– Não, não chore meu amor! – James disse e sentou ao lado dela abraçando-a a força.
– Quantas doses da poção você tomou? – Kevin indagou.
– A poção de Katherine? – Juliana disse com dificuldade sendo apertada pelo abraço de James.
– “Poção de Katherine”? Por favor!... Poção do Kevin, isso sim! Sou um bruxo, mas tenho muitos hobbies, entre eles criar poções para feiticeiros. Katherine era só um pião... Se ela fizesse essa pequena coisinha para mim em Mystic Falls eu e os servos de meu pai pararíamos de persegui-la e para uma vampira que passou mais de 500 anos fugindo e se escondendo, isso foi um presente e tanto... Mas me responda, quantas doses da poção você tomou? – Kevin divertia-se contando a história, Juliana não sabia quem era o mais louco. Se era o vampiro que a ferira e agora a abraçava ou se era o Comensal da Morte esquisito na sua frente.
– Três. – Ela respondeu.
– Maldição! Esse é o problema, você tinha que tomar SEIS! Katerina Petrova pagará com sangue... – Kevin bufou irritado.
– Ela é minha Giuliana, não é? – James perguntava como uma criança perturbada.
– Sim, ela é... – Kevin deu um meio sorriso para James que agora abraçava e embalava Juliana.
– Eu não sou porcaria nenhuma... – Juliana protestou tendo um lapso de esquecimento e numa explosão de coragem, James ficou um pouco agitado ainda abraçando-a.
– Não o contrariaria se fosse você. — Kevin a aconselhou e ela lembrou-se do recente ataque que sofreu dele.
– Sim, eu sou... – Juliana voltou atrás.
– Sei que sim, minha Giuliana, meu amor. – James beijou a testa dela, Juliana deu um sorrisinho. James a largou e tirou umas cordas que estavam na gaveta. – Agora, terei que te amarrar, para que não se esqueça que me ama e tente fugir...
– Eu não vou fugir... – Juliana disse encarando as cordas.
– Mas ainda tem sangue daqueles idiotas na sua corrente sanguínea, você pode perder a cabeça e querer voltar para eles, e esquecer que me ama... – Ele repetia a última frase.
– Não vou me esquecer, eu juro. – Juliana via Kevin sair da sala.
– Você me ama muito, não ama? – James perguntava.
– Amo, amo sim... – Juliana confirmava.
– Então prove nãos se importando de ser amarrada... – James disse, ele era louco, mas não burro.
Juliana se permitiu ser amarrada.
[...]
Damon adentrou o quarto dela e fechou a porta, de inicio se surpreendeu, estava tudo diferente. Motivo da destruição que ela mesma fez no quarto, ele ignorou.
Estava ali para bancar o detetive e ver se conseguia encontrar alguma pista, apesar de achar que não adiantaria nada fuçar o quarto de Juliana, seu instinto sobrenatural gritava para que tentasse.
Ele olhou dentro do guarda-roupa, debaixo da cama, na mochila do colégio, e tudo o que fosse visível; Damon procurava algo, mas nem ele sabia o que era.
Depois de quase uma hora mexendo em todas as coisas, ele resolveu desistir e se sentou na beirada da cama, exausto de sua infelicidade. Passou as mãos na cabeça, inspirou fundo e depois pousou as mãos na cama.
Uma coisa que Damon não fazia ideia, além de quem era esse bendito sequestrador, era que ele não estava sozinho nessa cruzada que enfrentaria para salvar sua alma e o amor de sua vida.
Parada, em frente a Damon, estava a mulher de cabelos ruivos e aura brilhante que Juliana encontrou na outra dimensão e confundiu com um anjo. Ela queria tanto ajudar a salvar Juliana, pois gostava muito dela, assim como Damon, por isso sabia, que de todos, o vampiro era quem tinha a maior vontade, inquestionável, em encontrá-la.
Por isso usou todas as forças que conseguia extrair de sua aura para influenciá-lo a querer entrar naquele quarto e procurar pela pista que iria despertá-lo para o sequestrador. A garota de cabelos de fogo pousou sua mão espectral na mão de Damon.
O vampiro de repente viu sua mão criar vontade própria e começar a deslizar pelo colchão até alcançar a parte de baixo e tocar com os dedos o que parecia ser um caderno.
Depois, Damon assumiu todo o controle, a anja estava esgotando os poderes de contato que tinha.
O Salvatore levantou-se da cama e ergueu o colchão encontrando o diário de Juliana. Ele o pegou e colocou o colchão no lugar. O vampiro voltou a se sentar na cama e encarou a capa do objeto.
Estava em crise interna, não sabia se abria, ou se permanecia sem invadir a privacidade da ex-namorada. Damon desistiu e colocou o diário em cima da cama, ele não iria fazer isso, não tinha como ter pista alguma ali. Ele só teve coragem de ler o diário de Giuliana muito tempo depois do falecimento dela, não conseguiria invadir a mente de Juliana assim, não sem um sinal de que deveria fazer isso.
Era um sinal que ele queria e foi um sinal que conseguiu. O Diário se abriu sozinho (com a ajuda da anja), e se folheou “sozinho” até chegar numa página específica no início das folhas.
– Giuliana? É você que está me ajudando? – Damon disse quase que sorrindo, mas não houve nenhum sinal de resposta. – Obrigada, meu bem!
Ele pegou e começou a ler fragmentos rapidamente, era sobre a vida de Juliana antes dela se mudar para Mystic Falls.
Querido Diário,
Um aluno novo chegou hoje ao colégio, seu nome é James.
Ele é muito gentil, fala com se tivesse no século XIX, mas é muito cavalheiro. Acho que ele gostou de mim, não parava de olhar na minha direção na aula de biologia.
[...]
– Fala como se estivesse no século XIX? – Damon desconfiou e continuou a leitura
[...]
Querido Diário,
James se declarou para mim, gosto dele, muito, muito mesmo, mas como amigo. O que faço?
[...]
Querido Diário,
James me pediu em namoro, mas disse que não, eu não o amo.
[...]
Querido Diário,
James me pediu em namoro outra vez, expliquei que não o amava, mas ele disse que conquistaria o meu amor se eu aceitasse.
[...]
Laiana e Fernanda acham que eu deveria aceitar o pedido dele, ele se esforça tanto... Fez até uma serenata para mim ontem.
– Que cara insistente! – Damon comentou irritado.
[...]
Escutei o conselho das meninas, dei uma chance ao James, agora é oficial, sou namorada do James
[...]
Tia Molly me perguntou hoje o sobrenome do James, ela e o Tio Frank querem saber de que família ele é, gosto dos cuidados que eles têm comigo, ás vezes até finjo que eles são meus pais de verdade.
[...]
Perguntei o sobrenome do James, mas ele se irritou um pouco, só consegui arrancar dele o segundo nome, Dimitrius.
– James Dimitrius, James Dimitrius, James Dimitrius, James Dimitrius... – Damon fechou o diário e ficou repetindo a combinação que era familiar. – James Dimitrius, James Dimitrius... Século XIX... James Dimitrius e Século XIX... – Damon finalmente recordou. – James Dimitrius FORBES!
O Salvatore deixou o diário no lugar e desceu as escadas apressado. Bonnie, Caroline, Tyler, Elena, Stefan, e agora até Matt, Jeremy, Alaric e Jenna estavam reunidos na sala de estar da casa Gilbert, tristonhos e quase sem esperanças. Mas Damon os agitou com sua chegada ao cômodo dizendo:
– Eu sei quem é esse infeliz!
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