Pretérito Imperfeito

31 Capítulo XXXI - How Deep Is Your Love?


Notas iniciais
**Esse capítulo contém links camuflados**

Era a segunda aula do atraente Professor Jonathan. Juliana estava sentada na terceira fileira do meio da sala e Sierra estava atrás. As duas trocavam mensagens de texto pelo celular por baixo das carteiras com outra aluna, o nome dela era Kimberly.

Kim diz: Qtas maçãs vcs acham q são necessárias pra eu conseguir conquistar esse professor delícia?

Sierra diz: Ñ sei, mas eu adoraria vestir 1 lingerie cm enfeites de maçãs e pedir pra ele me dar 1 mordida ’66)

Juliana diz: kkkk... vcs são mto pervertidas!

Sierra diz: Eh vem a santa...

Juliana diz: ¬¬

Kim diz: GENTE eu posso fikr olhando pro bumbum dele o dia todooo...

Sierra diz: A_P_E_T_I_T_O_S_O

Juliana diz: L_O_U_C_A_S

Kim diz: C_H_A_T_A

Sierra diz: OMG! Ele se virou e está caminhando...

Kim diz: Venha pra mim, delícia! Venha pra mim...

Juliana diz: kkkkkkkkkk... vcs realmente ñ batem bem da bola.

Sierra diz: Ah tá! Vai me dizer q ñ acha ele sensual?!

E no instante que Juliana tinha inscrito sua resposta e estava prestes a enviar, Jonathan surgi ao lado dela e toma seu aparelho celular. Kimberly e Sierra guardaram cuidadosamente seus telefones.

– O que eu disse a turma sobre tecnologia na minha aula? – Ele disse sacudindo o celular entre os dedos. – Vejamos o que temos aqui...

A garota queria enfiar a cabeça no chão, quando foi pega no flagra e principalmente quando ele leu o conteúdo do sms em voz alta para toda a turma ouvir.

– “Juliana diz: Confesso. O professor Jonathan eh mto sexy já tive até 1 sonho 1 tanto hot cm ele” Uau! O que você tem em sua defesa, mocinha? – Jonathan virou a cara para Juliana.

– Nós estávamos vestidos o tempo inteiro. – A garota disse tentando contornar a situação e ficar com menos vergonha possível.

Todos os alunos da sala que já estavam rindo da garota entraram em um êxtase maior rindo agora da piada dela.

– Receio que terá muito tempo para pensar em seu sonho hoje enquanto estiver na detenção após as aulas. – Jonathan anunciou o castigo.

– Mas professor... – Juliana tentou protestar.

– Ou prefere pensar a semana inteira na detenção? – Ele tentava repelir o protesto.

– Não, obrigada. – Ela se encolheu um pouco.

– E isso aqui vai ficar comigo... – Ele balançou o telefone no ar e guardando no seu bolso.

[...]

Depois do final de todas as aulas, Juliana estava caminhando pelos corredores até chegar à sala da detenção.

Ela estava super apavorada, mas não era pela primeira detenção que iria sofrer pela primeira vez na vida, e sim pelo aplicador do castigo, o Professor Jonathan.

Ele se comportava de uma maneira muito estranha com Juliana, não era só uma coisa da cabeça dela, apenas em duas aulas no Mystic Falls High School e até os outros alunos haviam percebido a peculiar e exagerada preferência desse homem com essa garota.

O assunto filosófico que ele trabalhava no momento era ligado ao campo amoroso; amor verdadeiro, paixão, atração... E para quem ele fazia sempre perguntas? E com quem ele tentava começar sempre um debate? Juliana, claro.

A garota que ainda caminhava chegou a porta da sala e lá estava aquele professor.

– Onde estão os outros alunos? Não é possível que só eu ficasse na detenção em todo o colégio hoje... – Juliana perguntou averiguando a sala vazia atrás daquele homem.

– Sim, é possível. – Disse Jonathan meio risonho. Era óbvio, ele só podia ter dispensado todos os outros que estavam de castigo para poder ficar sozinho com Juliana. – Agora entre e escolha uma cadeira, já iremos começar sua atividade...

Jonathan também adentrou a sala e foi até sua mesa e começou a mexer em uns papéis enquanto Juliana escolheu uma cadeira no meio da sala para não ficar tão perto dele e para não deixar óbvio que pretendia ficar longe.

Ela pegou um caderno e seu estojo, na verdade estava curiosa para saber qual seria sua atividade extra do castigo.

O professor caminhou até ela e colocou uma folha de ofício personalizada com algumas linhas e um cabeçalho.

– O que você quer que eu faça com isso? – Ela analisou o papel que não tinha nenhum questionário, instrução ou coisa do tipo.

– Bom, vou usar você como uma fonte de pesquisa... O próximo assunto que vou trabalhar com a sua turma será Traição e seria ótimo ter a referência das reflexões de uma adolescente para debatermos, deixa o assunto mais próximo dos problemas do alunado. – Jonathan se sentou na cadeira frente a dela. – Quero que escreva tudo o que pensa sobre qualquer tipo de traição...

– Você deveria escolher uma adolescente mais normal, eu não sou exemplo nenhum de normalidade, você não conhece minha vida... – Juliana devaneou um pouco.

– Talvez... Mas você praticamente implorou por isso na hora que eu supus que te levaria para a detenção... A verdade é que foi um teste, eu queria ver se você seria capaz de entregar as amigas que trocavam sms com você... Só que você não foi capaz de traí-las, então se mostrou exatamente o que eu queria para minha pesquisa... – O professor explicou-se.

– Então quer dizer que eu estou de detenção porque eu sou uma pessoa fiel e não porque eu estava usando meu celular no meio da aula... – Juliana concluiu um pouco confusa.

Jonathan riu brevemente, no maior estilo destruidor de corações. A garota quase se derreteu na cadeira.

– É... Só que tecnicamente você não está de castigo, eu dei essa desculpa para fazer você vir até aqui e não dar a impressão aos seus colegas que queria me encontrar sozinho com você... Realmente queria sua ajuda, mas se não quiser colaborar, pode ir embora. – Ele disse.

Juliana sorriu contraindo seus lábios e pegou uma caneta.

– Devo começar agora mesmo? – Ela indagou.

– Por favor... – O professor disse.

...

Jonathan estava novamente sentado na cadeira em frente a carteira de Juliana. Ele analisava o papel com as reflexões dela sobre o tema que ele propôs.

– Interessante... – Ele leu um pouco mais.

– O que achou? – A garota estava apreensiva mordendo seu dedo indicador.

– Bom... Eu pude perceber que você focou demais na traição amorosa, está passando por problemas? – Jonathan olhou da folha para a garota.

Ela se retraiu um pouco na cadeira.

– Me diga você... Ou se esqueceu da nossa primeira conversa no Mystic Grill. – Ela se portou corretamente outra vez.

Ele deu mais umas de suas risadas sensuais que faziam qualquer garota estremecer.

– Olha, se eu acertei foi um chute e tanto... Só estava tentando me aproximar de uma garota bonita ao meu lado no balcão... E quem diria que ela iria acabar se tornando minha aluna... – Jonathan se explicou.

Juliana agora o analisava.

–... Mas olhe, se eu puder ajudar em qualquer coisa, de qualquer forma, você já sabe onde me encontrar. – Ele voltou a olhá-la da maneira sedutora.

A garota cruzou os braços e os recostou sobre a mesa.

– Professor Jonathan, se eu fizer uma pergunta o Senhor me responde com total sinceridade? – Ela indagou.

– Claro... Total. – Ele disse abaixando as mãos que seguravam o papel.

– O senhor está tentando me seduzir? – Juliana expeliu rapidamente antes que as palavras escapassem dela.

Jonathan foi pego de surpresa, mas logo deixou sua expressão surpreendida e voltou a sua sensual rotineira.

– É isso o que você pensa que eu estou fazendo agora? – Ele retrucou.

– Não me responda com outra pergunta. – Juliana se sentia impertinente e ousada perto dele às vezes.

– Bem... – Ele disse se debruçando na mesa dela. -... Quando eu estou tentando seduzir alguém... – Jonathan começou a passar seu dedo indicador pela lateral do rosto da garota e terminou o percurso segurando o queixo dela. -... A pessoa geralmente não precisa me perguntar para ter certeza.

Juliana paralisou enquanto todo o seu corpo tremia internamente, ela se sentia como no sonho.

– O que quer dizer com isso? – Ela arfou sem ter coragem para agarrá-lo ou fugir dele.

Jonathan aproximou um pouco seu rosto do dela, a garota pensou que ele avançaria para beijá-la, mas ele apenas fez esse movimento para levantar da cadeira.

– Que eu vou deixar seu ponto de vista pensar o que ele quiser por agora. – Ele deu as costas dirigindo-se para sua mesa com as anotações de Juliana na mão. “Depende do ponto de vista” essas palavras voltaram à mente dela.

A garota estava super aliviada por ele não tentar nada, mas uma parte bem pequena, quase mínima, estava desapontada, afinal ele mexia com os hormônios de qualquer adolescente.

– Você pode ir... – Disse ele.

Juliana juntou suas coisas, caminhou até a porta se sentindo um pouco usada e descartada.

– Um conselho, estampa de animal, eu acho um pouco vulgar. – Ele nem se dignou a olhá-la, falou interrompendo sua saída enquanto mexia em suas pilhas de papéis.

A garota finalmente saiu, se sentia horrorizada, sem um motivo muito coerente, naquele instante ela o odiava, mas ainda não tinha certeza se queria espancá-lo até a morte ou se queria agarrá-lo ali mesmo em cima da mesa de trabalho dele.

[...]

Havia chegado o grande dia de Alaric e Jenna. Todos os convidados estavam aguardando em suas cadeiras na Igreja de Mystic Falls, inclusive Juliana, Caroline, Bonnie, Matt, Tyler e Stefan. As meninas estavam lindas e os meninos também impecáceis.

O pastor adentrou o local. E pouco tempo depois o casal de padrinhos adentrou em seguida, todos estavam em pé desde a entrada do Pastor Young e Juliana se espremia e retorcia no meio das pessoas graças a sua baixa estatura para conseguir avistar Damon.

Claro! Ele estava desastrosamente lindo como sempre em seu smoking com gravata tradicional vermelha e um lenço branco em seu bolso. Toda a decoração do casamento era em branco e vermelho. Juliana fez uma acrobacia com a cabeça para poder ver entre as pessoas e ficou surpresa com a mulher de vestido vermelho sofisticado que estava de braços dados com Damon entrando pelo tapete vermelho, era a madrinha da noiva, era Andie Star.

Juliana sentiu uma corrente elétrica percorrer todo o seu corpo quando viu a mulher sorridente. Ela resolveu cutucar Caroline, se ela não fosse uma vampira, obviamente seu braço teria ficado roxo.

– Você sabia que ela ia ser a madrinha? – Ela perguntou ainda em acrobacias para acompanhar visualmente os dois.

– Não... Mas já era de se esperar, ela é a melhor amiga da Jenna. – Respondeu Caroline imparcialmente, depois ela se tocou. – Por quê? Te incomoda vê-la agarrada em Damon? – Ela sugeriu maliciosamente.

– Não! Claro que não! – Juliana se defendeu um pouco nervosa com a pergunta. – Quer dizer... Por que me incomodaria?

Caroline estava prestes a fazer um comentário maldoso, mas algo chamou sua atenção.

– Olha lá! É a Elena trazendo o Alaric... Eu falei para a Elena! Ela deveria ter colocado algum detalhe vermelho na roupa... – Disse a loira.

– Ela só tem que entrar com ele, ela não vai ficar lá na frente, ela vai assistir o casamento daqui com a gente... – Bonnie comentou.

– Mesmo assim... – Caroline ainda criticava, ela tinha mania de organizar eventos em seus mínimos detalhes, já estava comentando até as pequenas gafes, imperceptíveis aos outros, cometidos pela empresa que produziu o casamento.

Depois de mais alguns instantes de algumas reclamações de Caroline, eis que Jenna aparece finalmente de braço dado a Jeremy.

– Ah... – Suspirou Caroline. – Todos os erros dessa agência são plenamente esquecidos se olharmos para ela... Está tão linda...

A noiva estava realmente deslumbrante com seu vestido branco tomara que caia com detalhes em vermelho. Suas madeixas em tom de cobre caiam sobre seus ombros cobrindo-os e seu sorriso era seu maior enfeite, ela só conseguia transparecer felicidade naquele seu momento único.

Antes de trocar as alianças, e depois que cada padrinho e noivo assinaram na ata de casamentos, chegou a hora de cada nubente falar o seu voto, para as lágrimas de alegria e emoção das mulheres presentes.

Jenna fez seu breve discurso.

Você é um presente. Um presente que nunca imaginei que podia querer ou precisar, e todos os dias, vou lhe mostrar que você é um presente que eu mereço. Você me faz a melhor pessoa que eu poderia querer ser, e eu quero viver e aprender e amar o resto da minha vida com você.

Foi um voto bonito, mas o de Alaric conseguiu arrancar mais lágrimas dos convidados-espectadores.

Sua energia e paixão me inspiram de formas que eu nunca imaginei possíveis. Sua beleza interior é tão forte que eu não tenho mais medo de ser eu mesmo. Eu não temo nada. Nunca pensei que iria encontrar alguém para amar que me amasse incondicionalmente. Você me dá propósito quando eu sinto não ter. Sem você, minha alma estaria vazia, meu coração estaria quebrado, meu ser, incompleto. Agradeço a Deus todos os dias por ter te colocado em minha vida e agradeço a você por me amar.

[...]

Todos já estavam no salão para curtir a festa, e todos curtiam exceto um serzinho enciumado sentado sozinho em sua mesa, já que todos os seus companheiros de mesa dançavam na festa ao redor dos noivos, todos mesmo, até Jeremy.

Damon se acomodou na mesa em uma cadeira ao lado da dela.

– E mais uma vez a nova Rainha do Mystic Falls High School está sentada sozinha numa festa agitada... – Comentou ele pegando um casadinho e comendo.

– Sinto muito, mas estou sem tempo para atender a plebe... – Juliana se virou na cadeira para olhar outro lado onde Damon não ocupasse o campo de visão.

– Por que toda essa acidez? – Ele começou a mexer numa pétala das rosas vermelhas que enfeitavam a mesa.

Juliana voltou a olhar para Damon para poder mostrar melhor a intenção irônica das palavras que iria expelir.

– São tantos motivos que você pode escolher até um: 1) Você me traiu com uma amiga minha que você hipnotizou... – Ela disse levantando um dedo. -... 2) Por que você me beijou a força, não uma, mas duas vezes... – Juliana disse levantando outro dedo, mas antes que pudesse falar outra razão, Damon a interrompeu.

– Eu fico com a alternativa de número 3, em que você está se mordendo de ciúmes da nossa repórter local... – Ele olhava suas próprias mãos sobre a mesa.

– HA, HA!... Você é hilário. – Juliana ironizou.

– Vamos ir dançar logo. – Damon estava se cansando da brincadeira.

– Não! Que tal ir atrás da SUA repórter local e pedir a ela com a sua total falta de delicadeza de ultimamente. – Juliana levantou suas sobrancelhas. – Olha! Ela ali, nem precisa procurar mais!

Damon olhou para trás e viu Andie andando na direção da mesa. Ele se encolheu um pouco na mesa na intenção falha de não ter sido visto.

– Aí, está você! – Disse a mulher magnífica em seu vestido vermelho, porém ainda pegajosa.

Damon deu uma risadinha.

– Posso roubar seu priminho um instante, queridinha? – Andie sorria para Juliana.

– Amada, eu te DOU ele, e embrulhado pra presente! – Juliana disse dando um tchauzinho para Damon.

O vampiro se levantou, mas antes lançou um olhar assassino para Juliana. No seu interior, sonhava em ser salvo por ela.

Ele foi arrastado para a pista de dança pela Senhorita Star e foi obrigado a dançar algumas músicas. Juliana por sua vez, pensava que se sentiria aliviada, mas isso não aconteceu.

Ela seguiu com os olhos, Damon e Andie, até o lugar onde as pessoas estavam dançando, e um arrependimento crescia gradativamente junto com sua obsessão. Nada conseguia chamar mais sua atenção, nenhum movimento, nenhum barulho, ela não conseguia tirar os olhos de Andie tentando se esfregar nele.

Toda a pessoa naquele local tinha desaparecido, na mente de Juliana, nem musica alguma tocava. Tudo o que ela sabia era que estava sentada e assistindo aqueles dois se movendo enquanto uma mistura de ódio e sentimento de posse estava dominando-a; a garota não admitia que fosse ciúme, na verdade, essa não era nem uma possibilidade para os pensamentos dela.

Em uma das piruetas no salão, Damon olhou para Juliana sentada, e pode facilmente ler seus sentimentos graças a sua expressão, já que seus olhos estavam cerrados como uma impiedosa predadora, e a toalha de mesa era violentamente esmagada debaixo da mão direita da garota. Ciúme... Ah! Era um doce sabor para Damon conseguia ver nela agora.

Ele não resistiu e teve que provocá-la. Em outra pirueta, o vampiro deu uma piscadinha, e em seguida sorriu torto para a menina sentada. Damon também começou a caprichar mais na dança, que até agora estava sendo maçante por não ser com a parceira que desejava.

Mas a partir daquele momento ele foi o mais empenhado que pôde para a loucura das duas. Claro que o motivo da loucura de Andie era bem distinto do motivo da loucura de Juliana.

Notas finais
Votos da Jenna Sommers Saltzman são de Sarah (Chuck) Votos de Alaric Saltzman são de Donna (Beverly Hills 90210) . Até o próximo!