Pretérito Imperfeito
20 Capítulo XX - I Have Loved U For A Thousand Years
Notas iniciais
– Como está, Laiana? – Perguntou Giuliana sentada na ponta da cama do quarto vendo-o entrar.
– Ela vai ficar bem, segundo Fernanda. Elas vão passar o resto dos dias na casa dos Gilbert, Laiana não quer ficar perto de mim no momento... – Damon disse com a mesma tristeza de antes.
– E você esperava que fosse ser diferente? – Giuliana indagou.
– Na verdade, a reação dela foi melhor do que eu pensei... Imaginei que ela ia querer me empalar. – Damon tentava fazer uma piada.
– Não é hora para isso. – Giuliana repreendeu-o.
– Eu sei... Eu sei. – Ele disse sentando-se.
– Sim, por que você queria que eu te esperasse aqui em seu quarto? – Ela perguntou curiosa.
– Ah sim!... – Ele disse levantando-se e recordando o motivo. – Eu queria te mostrar uma coisa, antes de você ir embora...
Damon se dirigiu a um quadro na parede e o desprendeu, revelando um cofre eletrônico, ele digitou uma senha e a portinha do pequeno cofre se abriu, ele retirou um livro de capa dura e veludo preto e o entregou a Giuliana, a garota ficou vermelhíssima quando conseguiu ler as letras em dourado que diziam “Diário de Giuliana Giardini Marcone Santinelli Cesarin Salvatore”.
– Você guardou isso por todo esse tempo?... – Ela disse começando a ruborizar.
– Guardei... – Ele disse com prazer para as bochechas vermelhas.
– E você leu algum pedaço...? – Ela ficava cada vez mais corada.
Ele sorriu e balançou a cabeça positivamente.
– Eu já decorei cada ponto de seguimento... – Ele respondeu.
– Oh Minha Nossa! – Ela cobriu o rosto com as mãos de vergonha.
Damon começou a rir dela.
– Não precisa ter vergonha... E a propósito, eu também odeio aquela coruja! – Ele disse batendo o indicador no Diário. — Eu o encontrei por acidente no esconderijo do seu baú no dia que fui pegar o material para você me pintar àquela vez, mas a honra e a consciência não me permitiram ler naquela época... Só consegui coragem para ler quando você faleceu. No início eu lia para me torturar de culpa, mas depois eu comecei a ler para me sentir perto de você... Achei que você deveria saber... – Ele sorriu apenas com os lábios contraídos.
– Preferia continuar mergulhada na ignorância... Você sabe todos os meus sentimentos secretos, isso é estranho... – Ela disse tirando as mãos do rosto avermelhado vagarosamente.
– Sério? Pensei que isso intensificaria mais a nossa amizade... – Damon disse.
– Você acha mesmo que tem como tornar nossa amizade mais intensa do que já é?! – Giuliana fez uma pergunta retórica.
– Eu queria te oferecer um ótimo último dia, já que seu início de manhã não foi nada bom... – Damon disse cortando inocentemente o clima que havia surgido entre eles depois da declaração da prima.
– Como? – Ela indagou envolvida na nova linha de raciocínio da conversa.
– Surpresa! – Damon fez mistério.
– Okay... Mas antes desse “ótimo último dia” eu gostaria de escrever uma última coisa no meu diário, mas você só vai poder ler depois que eu for embora, certo? – Giuliana disse expulsando-o do quarto para ficar à vontade para escrever.
– Tudo bem... – Damon revirou os olhos e cruzou a porta deixando-a a sós.
Depois de alguns minutos...
– Terminei, agora podemos ir pra esse tal “ótimo último dia”. – Disse Giuliana encontrando-se com Damon e entregando-o o diário.
– Finalmente... – Disse o vampiro irritando-a intencionalmente, a menina o ignorou.
Damon o guardou em segurança novamente no cofre e os dois saíram.
[...]
O irmão Salvatore mais velho improvisou um dia lindo para os dois, só os dois. Sem a interferência de nenhum problema do passado ou do presente, nem queixas ou tristezas do futuro amargo que ele ia enfrentar quando tivesse que contar tudo para Juliana e quando todos os outros amigos – amigos porque Giuliana o obrigou a confessar que gostava das pessoas da cidade, dos amigos de Elena, dos amigos de Juliana, inclusive de Bonnie; Alaric teria agora Damon como padrinho de casamento graças à insistência que a prima fez nesse “ótimo último dia” para que ele aceitasse o convite do Sr. Saltzman. – descobrissem a besteira que ele tinha feito.
O roteiro deles começava com um almoço-piquenique no jardim botânico da cidade. Damon providenciou sanduíches de presuntos e picles, os dois amavam picles, salada de batata, sucos, frutas e muitas guloseimas que Giuliana adorava. Tudo isso arrumado numa toalha xadrez vermelho-branco no campo de flores amarelas do jardim.
Não era o campo de flores amarelas “deles”, havia muito mais diversidade de tipos de flores do que o verdadeiro campo “deles”, mas a Salvatore adorou a surpresa. Os dois correram, brincaram e fugiram deixando o piquenique para trás quando foram descobertos pelos guardas do Jardim Botânico de Mystic Falls.
Damon poderia hipnotizá-los, mas Giuliana não permitiu, a adrenalina proporcionada pela fuga dos guardas era muito mais divertida.
...
Depois do almoço, Damon levou Giuliana em um cinema pela primeira vez.
Ele permitiu que ela escolhesse o filme, mas teve um profundo arrependimento quando o longa metragem escolhido era uma comédia romântica. O vampiro relutou bravamente, queria trocar os tickets para um filme de zumbis, não adiantou ele perdeu mesmo na insistência.
Damon revirava volta e meia os olhos durante os trailers melosos dos outros filmes que passavam, mas sua reação mudou totalmente quando o filme começou e se desenrolou. Era sobre duas crianças que se conheceram durante a infância e eram muito ligados, os dois cresceram juntos e se apaixonaram, mas ambos eram tímidos demais para assumir, a mulher precisou viajar para cuidar de sua mãe doente e abandonou o homem por uns anos, mas no final eles se reencontraram e foi só amor e nostalgia.
Damon segurava a mão de uma Giuliana que assistia ao filme com os olhos marejados de emoção, ela era sem palavras de tão perfeita.
...
No final da tarde Damon levou a prima para um parque de diversões, passaram numa competição no carrinho de bate-bate, passaram pelo trem fantasma, assustada Giuliana agarrava-se toda hora em Damon, essa parte do parque foi a favorita dele.
A garota de 1864 não teve coragem de ir à montanha russa, então Damon conteve-se com a roda gigante.
Os dois estavam parados naquela engenhoca bem no topo, Giuliana tentava lutar com uma maça do amor, enquanto o primo segurava um algodão doce cor de rosa para a prima.
Damon riu e zombou cinicamente da meleca que a garota estava fazendo com o açúcar avermelhado da maçã. Giuliana se irritou e resolveu se vingar limpando sua mão cheia de açúcar derretido no rosto de Damon.
Ele ficou paralisado, e a menina ria do rosto todo sujo do vampiro que não achava graça nenhuma.
O Salvatore tomou a maçã do amor da menina e sujou sua mão, limpou nela que parou de achar graça da situação instantaneamente.
Os dois se entreolharam rabugentos e começaram a rir de si mesmos.
[...]
Depois de limpos e decentemente arrumados os dois decidiram terminar o dia no local mais típico de Mystic Falls atualmente, no Grill claro.
Os dois adentraram o local de mãos dadas, sentaram-se num canto e fizeram um pedido, alguns olhares o incomodavam.
Vinham de Bonnie, Caroline, Elena e Stefan, provavelmente já sabiam do que acontecera, mas naquele momento tudo girava ao redor dos dois, eles ignorariam tudo e todos. Talvez fosse sorte ou talvez eles perceberam que aquela noite era especial, pois ninguém foi importuná-los, não ali e nem agora.
Algo incomum estava acontecendo no Mystic Grill àquela noite, estava ocorrendo um Karaokê.
– Damon, eu gostaria de ir cantar uma última vez, você se importaria se eu te deixasse aqui sozinho um instante?
O vampiro disse que não se incomodava, mas uma ideia que há alguns dias atrás ele zombaria, surgiu e ele notou que isso poderia reforçar o bom dia que ele havia vivido com Giuliana, com certeza ela ficaria muito contente.
...
A menina pegou o microfone e começou a falar.
– Essa canção, que eu conheci há pouco tempo, queria dedicar a uma pessoa muito especial que me proporcionou um dia lindo, Damon é para você... – Giuliana falou, mas não conseguiu enxergar a mesa onde eles estavam acomodados porque um refletor ofuscava sua visão.

Ela começou a entoar a melódica, triste e romântica da música A Thousand Years de Christina Perri. Mas Giuliana teve uma tremenda surpresa quando viu que Damon tinha subido no palco e começado a cantar com aquela voz bonita e afinada que a mais de 100 anos não havia escutado, já tinha se transformado em A Thousand Years Part II.
Com a letra da música e o entrosamento do casal no palco as pessoas começaram a se emocionar. [Espero mesmo que vocês escutem a música lendo a tradução]
[Giuliana]
O dia em que nos conhecemos
Congelei, segurei minha respiração
Desde o inicio
Sabia que tinha encontrado um lar pro meu coração
Batidas rápidas, cores e promessas
Como ser corajoso?
Como posso amar quando estou com medo de cair?
Mas assistindo você sozinho
Todas as minhas dúvidas, subitamente se vão de alguma maneira
[Giuliana & Damon]
Um passo mais perto
[Giuliana]
Tenho morrido todos os dias esperando por você
Querido, não tenha medo
Eu tenho te amado por mil anos
Te amarei por mais mil
[Damon]
O tempo para
A beleza em tudo o que ela é
Eu serei corajoso
Não deixarei nada levar para longe
O que está na minha frente
Cada respiração
Todas as horas culminaram para isso
[Giuliana & Damon]
Um passo mais perto
[Giuliana & Damon]
Tenho morrido todos os dias esperando por você
Amor, não tenha medo
Eu tenho te amado por mil anos
Te amarei por mais mil
O tempo todo eu acreditei que te encontraria
O tempo trouxe seu coração pra mim
Eu tenho te amado por mil anos
Te amarei por mais mil
[Giuliana & Damon]
Te amarei por mais mil
[Giuliana & Damon]
Um passo mais perto
[Giuliana]
Tenho morrido todos os dias esperando por você
Querido, não tenha medo eu tenho te amado
Por mil anos
Te amarei...
[Giuliana & Damon]
...Por mais mil
[Giuliana & Damon]
O tempo todo eu acreditei que te encontraria
Tempo trouxe seu coração pra mim
Eu tenho te amado por mil anos
Te amarei por mais mil
E Damon segurou a mão de Giuliana enquanto os sons dos aplausos surgiram fervorosamente.
– Damon canta! – Disse Elena batendo palmas quase com olhos cheios de lágrimas.
– Eu quase tinha me esquecido disso... – Disse Stefan também batendo palmas.
[...]
Logo depois de terem cantado, os dois foram para a casa Salvatore em silêncio, mas em um silêncio feliz, ambos tinham um sorriso no rosto.
Lá estavam eles no quarto de Damon, foi o lugar onde Giuliana escolhera ver por último, ela iria embora ali, na cama dele, ao lado dele.
Eles estavam sentados, um quase de frente para o outro, ela segurou a mão dele e falou:
– Está chegando a hora... – E suspirou quase que infinitamente.
Damon a puxou para um abraço, ela começou a chorar novamente.
– A faça feliz, Damon, por favor! – Ela o apertou depois o soltou e enxugou as lágrimas. Giuliana andava muito emotiva desde que chegara nessa “época”. Ela não era de chorar.
– Eu farei. – Disse ele ainda em tom de promessa. – Meu anjo... Meu doce primeiro amor... – Damon passou a mão pelo cabelo da menina.
Ela alisou a bochecha direita de Damon e sorriu.
– Tem uma coisa que você precisa saber... Juliana começou a ver fogo quando você estava vindo, provavelmente o fogo que te matou, então talvez aconteça o mesmo com você... – Ele disse dificilmente.
– Tudo bem, eu estarei preparada, amore mio, não vou entrar em pânico. – Ela sorriu pra ele.
Damon não se conformava, ele segurou o queixo dela e ficou encarando aqueles olhos encrenqueiros, caprichosos e terrivelmente amáveis.
Para sua surpresa, os olhos dela conversaram com os dele.
Ele entendeu a mensagem, algo forte e intenso começou a se remexer por dentro dele. Não era aquele dia em 1863 quando eles brincavam na floresta, não era anteontem quando Giuliana estava bêbada, era agora!
Tudo o que eles passaram: sofrimento, dor, alegria, aceitação, morte, amizade, raiva e amor, a vida dos dois tinha sido orquestrada para aquele momento, e os dois entendiam isso.
Giuliana fechou os olhos como se tivesse adormecido, Damon segurou seus ombros e ela amoleceu quase como se fosse desfalecer. Ele também fechou seus olhos e um par de lágrimas escorreu em seu rosto.
Os lábios de Damon encontraram os lábios de Giuliana, enquanto as lágrimas dele molhavam a pele dela.
Não foi um beijo, foi o beijo. E toda sentimento ruim desapareceu assim como todo o mundo.
Quando eles se separaram, Damon abriu seus olhos um pouco antes e pode assistir Giuliana abrindo os dela vagarosamente, como se estivesse realmente acordando.
– Obrigada. – Ela sorriu com a inocência mais pura que Damon viu na vida.
– Obrigada você. – Disse ele.
Giuliana deitou-se na cama e olhou para o teto, conformada, porém feliz. Damon continuou sentado ao lado dela.
– Estou começando a ver o fogo... – Ela disse contida, sem medo.
Damon rapidamente segurou a mão dela.
– Eu estou aqui, do seu lado. – Ele disse. – Pode fechar os seus olhos...
Giuliana fechou.
– Adeus, Damon. – Ela apertou a mão dele.
– Adeus, Giuliana. – Ele disse e no instante seguinte, Damon sentiu a força que apertava sua mão sumir.
Giuliana havia ido embora realmente.
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