Pretérito Imperfeito
21 Capítulo XXI - Feels Like The End
Notas iniciais
Damon estava ao lado do corpo desacordado de Juliana esperando por alguma reação. Dentro de alguns minutos a garota suspirou profundamente e sentou-se como se acabasse de acordar de um pesadelo.
– Damon! – Ela disse alegre e pousou um olhar amoroso nele.
– Juliana? – Ele queria ter certeza.
A garota não entendeu como uma pergunta e começou a tagarelar.
– Eu tive uns sonhos tão estranhos, meu amor... Em um deles, uma mulher negra com roupas antigas falou que eu ia dormir por 30 noites e 30 dias e depois ia poder voltar para casa... – Juliana foi interrompida por ele.
– Não foi um sonho... – Damon confirmou.
– Hãm? O que? Como assim? – Ela olhou confusa, depois reparou nas roupas que vestia. – Que roupas são essas? – Eram as roupas que foram compradas para Giuliana. A garota olhou em volta. – Como eu cheguei ao seu quarto? – Quando Juliana havia desmaiado 30 dias atrás ela estava na sala de estar.
– Você teve um sonho mesmo, mas o que essa mulher falou para você nesse sonho, realmente aconteceu... – Ele tentava explicar a situação.
– O que? Não! – Ela estava incrédula, não fazia sentido o que ele falava afinal ninguém pode dormir por um mês inteiro.
– Me deixa tentar fazer você entender... – Damon a interrompeu.
– Por favor! – Disse uma Juliana confusa.
– Olha... Er... Katherine sequestrou a irmã mais nova de Amber e Chad Smith, e só devolveria a garotinha se Amber que é uma feiticeira fizesse um trabalho sujo por ela... – Juliana o interrompeu.
– Sim... Ainda não vi ligação comigo... – Juliana disse impaciente.
– Você verá!... O trabalho sujo era fazer uma poção de projeção, Katherine queria enfeitiçar você para que o fantasma de Giuliana se manifestasse em você para sempre, mas Amber foi esperta e não completou o feitiço fazendo você tomar três doses apenas de seis... – Damon dizia enquanto Juliana pensava alto.
– Por isso todas aquelas bebidas que ela me oferecia... – Ela disse boquiaberta ainda digerindo o que escutava.
–... Então Giuliana apareceu quando você entrou num transe louco e começou a pensar que estava em chamas e desmaiou... Você não se lembra? – Ele indagou.
– Agora que você está falando, eu estou lembrando um pouco de um incêndio... – Juliana forçava sua memória.
A menina se aproximou de Damon ainda na cama e o abraçou forte como se estar nos braços dele fosse como estar a salvo de qualquer coisa.
O vampiro fechou os olhos, como se tê-la em seus braços sem contar a verdade primeiro o provocasse uma dor profunda. Ele não conseguiu falar mais nada.
– Amber uma feiticeira, quem diria?! — Juliana se aninhou mais ainda naqueles braços acolhedores e que ela tanto amava com todas as forças.
– É... – Damon sussurrou com extrema dificuldade.
A garota afastou seu rosto do peitoral do namorado e olhou para ele lançando-o um sorriso que o Salvatore não conseguiu retribuir.
– Como foi? – Ela perguntou já aceitando facilmente a ideia de ter estado dormindo todo esse tempo, afinal quem mora em Mystic Falls e se assusta com o que acontecer de místico não conhece a cidade em que vive.
– Como foi o que? – Damon revidou a pergunta assombrado.
– Estar perto do seu primeiro amor novamente, é claro. – Ela disse compreensivelmente.
Ele olhava para aqueles olhos e esperava ver alguma piada de Giuliana, alguma provocação tola de primos apesar de saber que não era ela ali naquele momento. Damon não tinha se preparado para contar toda a história de Laiana e tudo mais, mas ele precisava fazer mesmo sem preparação.
– Confuso. – Ele disse e algumas lembranças invadiram sua mente. – Divertido. Esclarecedor. E... Trágico.
– Como pode ser tudo isso junto? – Juliana riu.
– Simplesmente foi... – Damon disse “voltando para a Terra”. – Preciso te contar umas coisas...
– Então conte! – A menina disse acomodando suas mãos na nuca dele, pronta para beijá-lo a qualquer momento.
– Nesse tempo eu pude descobrir que não esqueci Giuliana, ainda a amo. E por mais estranho que pareça ser, a amo com a mesma intensidade que amo você. – Damon disse e Juliana se desprendeu do pescoço dele.
Ela parou para pensar um pouco. Magoou escutar essas palavras saindo da boca de seu amado, Juliana preferiria escutar que era só ela! Que ele nunca vai amar alguém como ama a ela; que ela é a única a despertar esses sentimentos nele. Valia à pena brigar com ele por isso? A resposta era: Não! Ela o amava tanto, mas tanto que chegava a doer e não valeria à pena começar uma briga de ciúmes porque ele ama uma garota que morreu a não sei quantos anos atrás e não a oferecia perigo algum, Juliana nunca teria que disputar Damon com Giuliana nenhuma.
Mas de qualquer jeito agora era oficial, Juliana detestava essa menina que ela nunca conheceu e nunca conheceria.
Uma rival fantasma chegava até a ser cômico.
– Eu posso viver com isso... – A garota acariciou a face de Damon que aguardava apreensivo uma reação negativa dela. – Se você chegou a beijá-la enquanto ela estava em mim... Eu... Prefiro continuar sem saber. – Ela fez uma cara conformada.
Como Damon queria que tivesse acontecido só isso, seria tudo muito mais fácil. Ele suspirou e entristeceu-se.
Juliana notou a tristeza que agora ele exalava.
– Não fique assim... – Ela se ajoelhou na cama, e o abraçou pousando a cabeça de Damon próxima ao coração dela.
Depois ela o soltou. Sorriu tentando consolá-lo, e beijou levemente a testa dele. Desceu pousando um beijo no nariz de Damon e conseguiu arrancar um sorriso pequeno do vampiro.
– Vai ficar tudo bem, agora. – Ela disse beijando uma bochecha. – Eu estou aqui com você. – Ela beijou a outra bochecha.
– Não se preocupe mais... – Juliana disse beijando-o no queixo.
E a garota subiu encontrando os lábios dele, iniciando um beijo terno, mas Damon sentiu um de seus famosos impulsos e a segurou pelos cabelos tornando tudo mais intenso. Ele sentia uma fome imensa dela, e a possibilidade de nunca mais poder beijá-la daquela forma só amplificava mais a vontade.
O súbito de desejo pareceu surpreender Juliana, mas ela resolveu se entregar completamente àquilo.
Sem ar, ela o empurrou, interrompendo o ósculo prazeroso.
– Como eu disse uma vez... – Ela ofegava e sentia o inchaço nos próprios músculos labiais. -... Ninguém além de nós mesmos pode nos separar. – Juliana disse e o puxou pela camisa para voltar à luxúria de alguns segundos atrás.
Mas já se sentindo mais culpado do que nunca, Damon não se permitiu ser puxado e segurou a mão de Juliana retirando-a da gola de sua camisa.
– O que houve? – Ela indagou surpresa e confusa.
– Ainda tenho que te contar uma coisa, e não tenho orgulho nenhum disso... Você nunca mais vai querer olhar na minha cara. – Ele adiantou.
– O que aconteceu?... O que você fez? – Juliana perguntou desconfiada.
– Eu briguei feio com Giuliana ontem, foi o tipo de briga que você fica tão irritado ao ponto de falar coisas que você nem sente na intenção de apenas magoar a pessoa... Então depois eu bebi, e muito, nunca tinha bebido tanto a vida inteira, então eu fiquei bem bêbado... – Damon fez uma pausa para respirar e se preparar. – Me desculpe!... Eu não sabia o que eu tinha na cabeça...
– Damon, pare de se desculpar! Primeiro conte. O-Que-Você-Fez? – Juliana perguntou aflita.
– Eu-eu-eu... Eu estava bêbado, sua amiga Laiana, ela-ela... – Damon gaguejava tentando encontrar as palavras que fugiam dele. – Ela tentou me ajudar, aí... Aí eu a hipnotizei para que ela esquecesse que você existia, e a fiz esquecer-se das convenções sociais, e a fiz seguir os instintos dela, eu... Eu... Eu dormi com ela... – Ele finalmente conseguiu falar.
Juliana pulou da cama automaticamente e ficou parada olhando para ele com seus olhos castanhos arregalados.
– Mas hoje pela manhã, eu tirei a compulsão dela, e... E ela está péssima, ela nunca seria capaz de fazer isso sem influência alguma... Não posso pedir que você não me odeie, e o seu perdão seria como alcançar o paraíso, não vou desistir de consegui-lo... Você vai ficar aí parada? Não vai gritar comigo? Bater em mim? Chorar? – Damon disse vendo que ela ainda estava com a cara de choque, apenas respirava e o encarava sem piscar a quase dois metros de distância.
Juliana passou as “costas” da sua mão direita em sua boca como se estivesse se limpando, sem tirar o olhar vidrado e sem emoção dele.
– Juliana? – Damon disse. A garota olhou mais uns segundos para ele sem responder, agora ela o encarava, mas parecia ver através dele.
Em seguida, começou a sair do quarto ainda com esse olhar abalado emocionalmente. Damon não insistiu e nem a seguiu.
[...]
Juliana seguiu pelas ruas da cidade como se estivesse em modo automático, seu olhar vazio e sem emoção ainda a acompanhava junto com a ausência de lágrimas.
Ela pegou o caminho para casa. A casa Gilbert.
...
Chegando lá, ao atravessar a porta principal, se deparou com Elena, Fernanda e uma Laiana com olhos inchados.
A loira e a Gilbert pareciam estar falando alguma coisa para confortar a outra morena que parecia estar se conformando, mas pararam de falar quando viram Juliana ao pé da escada.
Quando Laiana notou a Juliana paralisada, ela pode perceber que ali era realmente a amiga e não Giuliana, e que ela já sabia de tudo.
A morena começou a derramar mais rios de lágrimas, Fernanda segurou seus ombros porque a outra queria correr até Juliana para falar, explicar ou simplesmente se desculpar.
Elena começou a caminhar na direção da menina de olhar vazio, mas parou no meio do caminho, pois Juliana tirou seus olhos das meninas e direcionou-se para a escada começando a subi-la.
[...]
Juliana entrou em seu quarto, trancou a porta com a chave, andou até o micro system que tinha numa cômoda, ligou em uma música com o volume BASTANTE alto e começou a ter sua primeira reação.
Ela colocou a música não para escutá-la ou para entrar em algum tipo de fossa depressiva, a garota colocou a música altíssima para que as pessoas no resto da casa não a escutassem.
Primeiro, Juliana encheu seus pulmões com o máximo de gás que conseguiu, em seguida gritou com toda a força que conseguiu enquanto puxava seus próprios cabelos.
Depois ela se dirigiu à cômoda e derrubou no chão violentamente todas as coisas que estavam em cima deixando preservado apenas o som ligado. Todos os objetos de vidro haviam quebrado espalhando milhares de cacos pelo chão.
Em seguida, puxou o lençol e a colcha de sua cama, voltando à crise de gritos. Rasgou um por um dos quatro travesseiros espalhando as plumas de ganso pelo ambiente.
Juntou toda a sua força e arremessou o colchão no guarda-roupa. O impacto forte fez o móvel cair no chão ao lado da porta do banheiro impossibilitando a passagem.
Insatisfeita Juliana se dirigiu aos seus dois criados-mudos, o primeiro tinha um abajur e um relógio eletrônico com números avermelhados, ela projetou os dois com toda a sua força no chão estilhaçando-os. No segundo criado-mudo tinha um abajur e um porta-retrato, ela quebrou o abajur jogando-o no chão e pegou a fotografia retirando-a do envoltório de acrílico.

Ela ficou olhando por uns minutos para a foto, uma lágrima pretendia escapar, mas ela a fez voltar ao lugar dela.
No instante seguinte, ela rasgou a foto em milhares de pedacinhos e voltou a destruir o resto do quarto.
[...]
Juliana estava exausta, jogada em cima do colchão de casal no chão. Ela começou a cantarolar fora do ritmo e da nota da música, como se estivesse apenas falando. Agora ela tinha voltado para seu olhar distante e cheio do completo vácuo.
♪♫ Para sempre acabou
E o meu coração não vai lutar
Para sempre acabou
Não estou mais com medo
...
O seu poder está desaparecendo e
Eu estou ficando tão presa a esse lugar
A que eu pertenço
Para sempre acabou...
Acabou, acabou, acabou, acabou... ♪♫
Ela olhou coincidentemente para a armação de madeira da cama e viu o que ela havia escondido ali há alguns dias, era o diário dela.
A menina se levantou com certa dificuldade, porque seu corpo estava mesmo cansado da ira e dos pesados movimentos que ela há pouco tinha praticado. Andou cambaleando como um morto-vivo até a armação da cama; pegou o diário, procurou uma caneta que estava no chão e desvirou uma de suas poltronas que estavam de cabeça para baixo.
Ela começou a fazer o que há muito tempo não fazia; escrever.
...
Damon realmente não previa uma reação como essa, na verdade ninguém que já sabia da traição do vampiro previa, mas outra coisa que ele não sabe é que a Juliana que adormeceu na Lua Nova passada não é exatamente igual a Juliana que acordou nessa Lua Nova.
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