Pretérito Imperfeito
18 Capítulo XVIII - I Still Bleed My Heartaches
Notas iniciais
Há pouco havia amanhecido em Mystic Falls, Damon estava sentado na poltrona frente à cama onde uma linda morena adormecia vestida com lençóis, depois de uma noite cansativa de travessuras.
O vampiro não dormiu nem por um segundo, ele assistiu sua bebedeira ir embora deixando no lugar uma consciência de toneladas e toneladas. Ele vestia uma camisa preta desabotoada e uma calça com a braguilha ainda aberta, assistia Laiana dormir, mas sua cabeça não estava lá, estava na culpa machada com sangue, a mancha avermelhada no lençol abaixo dela que denunciava a virgindade perdida.
Damon tinha acabado de cometer a maior burrada de sua vida. Não, ele não se arrependeria de ter dormido com aquela bela menina se ele fosse solteiro, mas ele não era.
Ele tentava compreender o motivo de ter perdido o controle, pensava que podia ter sido causado pelo misto de vários motivos. Damon e Juliana tinham um relacionamento há meses e por todo esse tempo ele não manteve relações com ninguém, mesmo sua pele queimando por dentro. A necessidade se unia a raiva que ele sentiu ao discutir com Giuliana.
Mas não! Nada era motivo para ele ter perdido a cabeça de tal maneira a fazer uma coisa dessas. Dessa vez ele tinha plena certeza da verdade, ele perdeu Juliana para sempre.
[...]
Fernanda tinha passado a noite na Mansão Lockwood, como era de costume agora que tinha descoberto seu Príncipe Encantado. Giuliana tinha fugido de casa noite passada depois da briga com Damon e foi para o único lugar que conseguia chegar sozinha, o Mystic Grill. Lá ela encontrou-se com Elena e Stefan, não contou nada sobre ela e o primo, mas pediu para passar a noite na casa de Elena com a desculpa de querer “conhecer” o quarto e a vida de Juliana fora da casa Salvatore.
Quando Giuliana chegava à porta de entrada da Pensão encontrou-se com Fernanda.
– Oiii...! – Disse a loirinha alegre e divertida como sempre.
– Oi... – Respondeu a baixinha Salvatore um pouco tristonha, mas tentando disfarçar.
– O que houve? – Perguntou Nanda notando a péssima atuação dela.
– Nada não... Só acordei não muito feliz hoje. – Giuliana enrolou.
– Humm... – Disse Fernanda não muito convencida. – Hey... Sei de algo que possa te ajudar a dar um UP nesse seu humor matinal... – Ela sugeriu.
– O que? – Perguntou a outra garota interessada.
– Bom... Eu e Laiana vamos fazer compras agora de manhã para levar presentes da nossa viajem para os parentes dela e para os outros vampiros do meu Clã, já que essa é nossa última semana aqui, as férias de verão estão acabando... – Fernanda disse a última frase revirando os olhos.
– Vocês vão embora? Mas e o Barth? – Perguntou Giuliana.
– Ah!... Ele vai voltar comigo, o Tyler já está super habituado com essa coisa de lobisomem, então o trabalho dele terminou por aqui, só precisará voltar caso ele tenha filhos e eles ativem a maldição...
– Entendo... – Disse Giuliana.
– Então, topa ir pro shopping com a gente? – Fernanda disse.
– Claro! – Giuliana sorriu, ela queria fazer as pazes com Damon, pois ela sabia muito bem o que aconteceria hoje à noite, mas não estava com nenhum pingo de pressa de se encontrar com a parte furiosa e vampiresca dele.
– Ok. Então vamos chamá-la, ela madruga toda santa manhã, já deve estar pronta... – Nanda disse e as duas adentraram na casa.
[...]
Laiana acordou e se espreguiçou na cama, quando as lembranças da noite passada chegaram, ela vasculhou o quarto procurando-o e encontrou Damon sentado na poltrona, na mesma posição que ele passara as últimas horas, ele também notou que ela havia acordado.
Ela sorriu para ele.
– Bom dia! – Ela disse e se espreguiçou mais uma vez, satisfeita.
– Bom dia. – Damon disse e soltou com muita dificuldade um sorriso de lábios para a menina.
– Eu sempre acordo cedo, desculpe, perdi a hora, não sei por que... – Ela disse se sentando e segurando o lençol e cobria o seu corpo.
– Você ficou exausta... Precisa tomar um bom café para repor as energias. – Mesmo tendo cometido um erro, Damon tentava ser amável, afinal tinha sido a primeira vez da garota e ele não queria a culpa de traumatizá-la somada a todo o peso que agora ele transportava.
– Concordo, mas antes preciso de um banho... Quer tomar comigo? – Laiana perguntou sensualmente.
Damon bufou um sorriso irônico para si mesmo.
– Em outras circunstâncias eu adoraria... – Ele disse.
– O que? – Laiana perguntou ainda sentada tentando entender o que ele quis dizer com aquela frase.
Nesse instante a porta do quarto se abriu e, Giuliana e Fernanda se depararam com aquela cena.
Damon arregalou seus olhos surpreso, o queixo de Fernanda foi parar no chão e Giuliana ficou mais branca do que uma folha A4 de papel ofício. Laiana que havia esquecido as convenções tolasnão entendia completamente nada da situação.
Giuliana ficou paralisada depois saiu correndo. Damon só teve o reflexo de fechar sua braguilha e o botão de sua calça, em seguida saiu correndo passando por Fernanda na porta com sua velocidade vampiresca para alcançá-la.
A loira colocou uma palma aberta no rosto cobrindo seu nariz e sua boca, Laiana encarava-a com olhos inocentemente curiosos.
– Você tem noção do que fez? – Fernanda questionou a menina despida na cama.
– Sexo. – Ela respondeu com a mesma inocência de seus olhos.
– Como você pode? Você era amiga de Juliana! – Disse a loira enojada.
– Quem é Juliana? – Laiana perguntou ainda inocente.
– Oh Minha Nossa! O infeliz te hipnotizou... – Fernanda concluiu pasma.
[...]
Giuliana sentiu seu braço ser segurado e virou-se, era Damon.
– Me largue! – Ela ordenava tentando lutar, mesmo sabendo que era inútil.
– Por favor... – Damon caiu de joelhos e agarrou as pernas da prima pressionando a lateral direita de sua cabeça no ventre dela.
Giuliana deixou seus braços suspensos no ar para não encostarem-se a ele.
– Por favor! Perdoe-me! – Giuliana sentiu sua blusa começar a ficar molhada, deveriam ser lágrimas dele.
Ela apertou seus olhos fechados tentando se manter forte e não desfalecer com suas pernas bambas.
– Não deveria se preocupar com o que uma MORTA pensa. – Ela disse secamente.
Damon desgrudou sua cabeça do ventre da menina, mas continuou ajoelhado e agarrado em suas pernas, levantou sua cabeça e Giuliana pôde ter certeza de que eram lágrimas que molhavam sua blusa.
– Eu não consigo entender o meu comportamento ontem à noite e sei que o que você viu agora não tem explicação... Mas eu lhe imploro não me odeie! Por favor! Por Favor! Perdoe-me... – Ele disse voltando a apertar sua cabeça na barriga dela.
– Diga alguma coisa! Eu faço o que você quiser... – Damon insistia chorando enquanto Giuliana não expressava nem um movimento, continuava petrificada, tentando ficar insensível pelo máximo de tempo que conseguisse. -... Se para me perdoar você pedisse que eu saísse por esse sol sem meu anel, eu o faria com o sorriso mais feliz que pudesse expressar... Apenas diga alguma coisa, diga que me perdoa... Eu me odeio, mas não posso suportar a ideia de você me odiando... Sou um maldito condenado e vou queimar no inferno porque amo você e Juliana por motivos diferentes, mas com a mesma intensidade...
– Oh Damon! – Giuliana cedeu e afagou o cabelo da cor de petróleo dele com suas mãos trêmulas de emoção.
– Perdi você em 1864 e perdi Juliana ontem à noite, e a culpa é sempre minha! – Damon se culpava a apertando mais.
– Não, não é! – Giuliana fez força para separar os braços dele, das pernas dela e ele a atendeu soltando-a.
Ela se ajoelhou ficando frente a frente ao Damon ajoelhado que parecia um garotinho.
– Você não teve culpa pela minha morte, foi o meu destino... Agora quanto a ontem, todo mundo erra, se Juliana te amar como eu amo, a ferida vai doer, mas um dia ela te perdoará! – Giuliana disse segurando as bochechas de Damon entre suas mãos que não tremiam mais. – Mas antes que qualquer pessoa te perdoe, uma em especial tem que fazer isso primeiro...
– Quem...? – Damon perguntou parando suas lágrimas e finalmente olhando para a face de Giuliana, antes, enquanto ela falava, ele olhava o chão.

– Você Damon... Você tem que se perdoar... Deus! Agora eu vejo... Esse tempo todo você sofrendo por amar a mim e a ela... Oh, meu pobre Damon! – Giuliana envolveu seus braços em volta dele e o abraçou. – Eu vou dizer, mais uma vez e quero que você entenda definitivamente, tudo bem? – Ela o soltou e o segurou pelos ombros.
Damon balançou sua cabeça positivamente.
– Você NÂO me matou! Amar demais NÃO é um crime, mas TRAIR quem você jurou fidelidade sim... – Dizia Giuliana.
Ele inspirou fundo e balançou sua cabeça positivamente outra vez.
–... E infelizmente isso você fez, mas tente se redimir, nunca mais banque o idiota e a proteja acima de tudo, entenda Damon você não é um monstro, você não vê? Um monstro não se ajoelharia e prometeria se matar caso uma garota quisesse... Você é doce e sensível, mas aprendeu o terrível hábito de esconder isso dos outros... Se quiser meu perdão, prometa que fará de tudo para conseguir o perdão dela.
– Eu prometo. – Ele disse.
Giuliana o abraçou novamente.
– Não deixe ninguém te afastar dela, meu amor, nem ela mesma. – Ela disse e derramou um par de lágrimas na blusa negra dele.
– Não deixarei, meu anjo. – Damon a aperto e afundou seu nariz no cabelo dela.
– Eu tinha uma coisa para te lembrar. – Ela disse se levantando e segurando a mão dele para que ele também se levantasse.
– O que? – Ele se levantou também.
– Hoje é o meu último dia, hoje a noite é a lua nova. – Giuliana disse conformada.
Um brilho de tristeza surgiu nos olhos de Damon.
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