Pretérito Imperfeito
19 Capítulo XIX - You're My Hallelujah
Notas iniciais
– Hoje a noite é a lua nova? – Ele perguntou sem acreditar nas próprias palavras que expelia.
– Sim, Damon, é. – Giuliana confirmou.
– Me sinto confuso, eu queria que esse dia chegasse, mas também queria que ele não chegasse. – Ele disse apertando a mão da garota, que ainda segurava.
– Eu compreendo, você gostaria de ter as duas... – Giuliana disse com uma voz um pouco ferida.
– Não! Não queria ter as duas. Eu queria ser capaz de escolher apenas uma. – Damon disse envergonhado.
– O destino lhe livrou da escolha, querido. – Giuliana disse resignada.
Damon segurou agora, as duas mãos da menina.
– Eu queria ter Juliana em meus braços, mas não queria que você fosse embora... – Damon beijou as duas mãos, ainda como se estivesse se desculpando.
– Mas eu não vou embora, não completamente... – Ela disse soltando as mãos dele e pousando sua mão direita no peito esquerdo de Damon. -... Eu sempre vou estar aqui, no seu coração, portanto não se afaste dele!
– Não me afastarei! – Ele continuava fazendo promessas. – Oh! Giuliana... – Damon a puxou e afagou os cabelos da menina contra seu peito em um abraço.
– Você tem a minha benção, Damon. Você e Juliana. – Disse a garota envolvendo-o em seus braços também.
– Por que isso parece uma despedida? – Ele a apertou um pouco mais.
Giuliana riu brevemente.
– Porque é uma! – Ela respondeu se aconchegando.
Eles ficaram por uns segundos naquele abraço até quando alguém que parecia já estar na sala há algum tempo resolveu interrompê-los.
– Muito lindo! Só que isso não o redimiu das monstruosidades que acabou de fazer com as minhas duas melhores amigas. – Disse Fernanda.
– Ele já se arrependeu! – Giuliana tentava defender Damon soltando-se dos braços dele e ficando na frente do primo como um escudo.
– Que “coisão”! Por um acaso arrependimento algum apagará o que ele fez ontem?! – A loira o encarou com um olhar mortal. – Você irá pagar!
Ela avançou em Damon muito mais rápido que a visão de Giuliana poderia ter acompanhado, lançando-o na parede que já estava rachada formando agora uma cratera.
– NÃO! – Protestava Giuliana incrédula.
Fernanda esperou o vampiro ter alguma reação para acirrar a luta, mas ele não o fez. Seria até inútil, ela era um pouco mais de 300 anos mais velha que ele. Entretanto o motivo dele não reagir era o fato de saber que merecia o que estava passando.
A vampira deu um chute bem nas partes íntimas de Damon, fazendo-o arfar de dor imediatamente.
Ela o segurou pelo pescoço e o lançou violentamente em outra parede no lado oposto da grande sala, pois Giuliana já estava se aproximando para defendê-lo a qualquer custo.
Fernanda segurou-o novamente pelo pescoço, esticou um punho fechado para trás, na intenção de ganhar impulso e atingiu Damon com um soco bem na mandíbula dele, quebrando-a.
– Isso é por Giuliana! – Ela disse e armou outro murro, atingiu o nariz do vampiro deslocando-o. – Isso é por Laiana!
Giuliana pulou em Fernanda tentando parar a surra. A vampira pegou-a pelas mangas da roupa e a lançou jogando-a no sofá, para que ela não se machucasse.
– E isso... – Fernanda voltou-se para Damon e segurou as duas mãos nas partes laterais de sua cabeça. -... É por Juliana! – A loira disse quebrando o pescoço do vampiro.
– NÃOOOOOOOO! – Berrou Giuliana levantando-se do sofá.
[...]
Damon acordou quase completamente curado, nos braços da prima que derramava algumas lágrimas e olhava para Fernanda, que estava em pé um pouco longe deles, com olhos assassinos.
A loira olhava ironicamente para a Salvatore com um sorriso cínico. Até parece que humana alguma ia meter medo numa vampira tão poderosa como ela era.
– Graças a Deus, você não morreu de verdade! – Giuliana tentava limpar um pouco do sangue que estava secando no rosto dele.
– Graças a Juliana! – Corrigiu Fernanda. – Se eu não tivesse plena certeza que a sua morte ia ferir ela mais do que a sua traição, teria terminado a surra com uma estaca em seu coração...
Giuliana lançou outro olhar raivoso para a vampira.
– Ih... Cara feia para mim é sede de sangue, queridinha! – Fernanda zombou da garota.
Damon tentou se levantar com dificuldade e foi auxiliado pela prima cuidadosa que agora ignorou o comentário da outra vampira.
– Eu preciso de sangue... – Disse ele. Giuliana prontamente ofereceu seu pulso *ou pulso de Juliana* para ele.
– Não, não! Busque no porão um saco no freezer para mim, por favor. – Damon sentou-se vagarosamente no sofá com ajuda da prima.
– E deixar você sozinho com essa assassina? – Giuliana apontou para Fernanda, a loira sorriu para ela com cinismo.
– Ela já disse que não me matará... – Damon rosnou de dor. Giuliana apertou os olhos para a vampira e saiu.
O vampiro olhou para a loira que cruzou os braços e levantou uma sobrancelha para ele.
– Nanda, eu realmente me arrependo, sei o mal que fiz... – Ele disse se acomodando melhor no sofá.
– Nada disso vai consertar o que você fez... – Ela disse ainda irritadiça.
– Sei que não há conserto, e eu estou disposto a enfrentar as consequências, sei que perdi minha chance de felicidade, já me conformei com isso... – Ele disse.
A vampira olhou para ele com um olhar de pena, agora. No final das contas, no passado eles dois tinham sido amigos-amantes e ela sabia que ele estava sendo sincero.
Ela bufou para seu coração mole que começava a deixar de odiá-lo.
– Você sabe que tem que “descompelir” Laiana, para início de conversa, não é? – A loira perguntou.
– Sei sim... – Ele disse e uma Giuliana apressada adentrou novamente o local.
– Aqui! – Ela disse apontando a bolsa de sangue para ele.
Damon a pegou e a rasgou com os próprios dentes, e bebeu. Quando terminou, completamente curado, olhou para Fernanda e deu um suspiro pesado, em seguida se dirigiu à prima.
– Você pode me esperar no meu quarto? Tenho que resolver umas coisas agora. – Disse Damon tristonho.
Giuliana ia protestar percebendo que ia acabar tendo que deixá-lo sozinho com Fernanda outra vez.
– Eu não vou tocar em um fio de cabelo dele. – A loira se defendeu erguendo as duas mãos.
– Está bem, eu vou. – Giuliana foi para o quarto de Damon e os dois vampiros se dirigiram para o quarto das hóspedes.
[...]
Quando Damon atravessou a porta do quarto seguido de Fernanda, uma Laiana já vestida o abraçou com entusiasmo.
– Damon! – Ela o apertou.
O vampiro ficou sem reação, mas rapidamente a abraçou com vontade e olhou tristonho para Fernanda. Que assistia a cena um pouco melancólica também.
Damon pousou um beijo no cabelo escuro da morena e os dois pararam de se abraçar.
– Laiana, eu preciso conversar com você... – Damon disse tentando fazê-la sentar em uma das pontas da cama delicadamente.
– Sim... – Ela ouvia com seus olhos puros brilhantes voltados para Damon.
O vampiro iria explicar à garota todas as coisas antes de desfazer sua compulsão e ela odiá-lo para sempre, corria o risco dela nem querer escutar as palavras dele se ele a libertasse da influência primeiro.
– Você é uma pessoa bondosa, sempre pronta a ajudar os outros, e eu me aproveitei disso... Eu estava bêbado e não me controlava direito, sei que isso não é justificativa alguma, e você nunca irá me perdoar, assim como Juliana... Mas preciso falar isso a você enquanto ainda quer me ouvir... – Damon dizia enquanto foi interrompido por Laiana que começou a falar e segurou uma das mãos dele.
– Do que você está falando?
Damon apertou a mão de Laiana, notou que ele próprio estava suando frio.
– Quero que saiba que você é linda, por dentro e por fora... E apesar de todos os motivos não corretos por trás, a noite de ontem foi maravilhosa... E se eu não estivesse todo enrolado com a minha vida amorosa super complicada, não seria nada difícil que eu me apaixonasse perdidamente por você... – Damon soltou a mão da garota e colocou as duas mãos carinhosamente nas bochechas da menina olhando diretamente nos olhos dela, mas ainda sem usar poder nenhum. -... Sinto muito pelo que fiz você fazer, você merecia ter partilhado a noite de ontem com alguém que você amasse e a ame na mesma intensidade... Espero não ter deixado cicatrizes incuráveis em você... – Os olhos de Damon se enchiam de lágrimas de arrependimento e culpa, pela vida que segurava em seus dedos, mas ele inspirou fundo novamente e não as derramou.
O vampiro beijou a testa de Laiana. E depois voltou a olhar para ela com as pupilas dilatadas por seu poder.
– Você está livre. – Damon disse no momento que a menina tinha pousado uma mão sobre a dele.
Sendo “descompelida”, Laiana piscou em câmera lenta e quando abriu os olhos novamente sua expressão havia mudado.
– O que eu fiz?! – Ela pulou da cama. – O que você fez?!
– Desculpe... – Damon abaixou sua vista.
– Meu Deus! E Juliana, e Juliana?! – Laiana correu até Fernanda e a abraçou.
Damon se levantou e virou-se para a garota.
– Eu realmente, sinto muito... – Ele disse.
– Saia daqui, seu doente! – Laiana falou agressivamente pela primeira vez na vida.
– Dê um tempo para ela, ela precisa se acostumar com o baque antes de qualquer conversa civilizada... – Disse Fernanda abraçando à amiga maternalmente nos braços como se ela fosse uma garotinha desamparada.
Damon se retirou.
Fale com o autor