Pretty little liars

21 21. Garotas gostosas — Elas são igualzinhas a nós!


Hanna deu um gole em sua vodca com limão e acendeu outro cigarro. Ela não tinha visto Sean desde que eles estacionaram o carro no gramado dos Kahn, duas horas antes, e até mesmo Mona havia desaparecido. Agora, ela estava presa numa conversa com James Freed, o melhor amigo de Noel, Zelda Millings —uma bela garota loura, que só usava roupas e sapatos feitos de fibras de cânhamo — e mais um bando de garotas histéricas da panelinha de Doringbell Friends, uma escola quaker superexclusiva da cidade ao lado. As meninas tinham vindo à festa de Noel no ano anterior e, apesar de Hanna ter falado com elas na ocasião, não conseguia se lembrar de seus nomes.

James apagou um Marlboro na sola de seu Adidas de bico redondo e deu um gole em sua cerveja.

— Ouvi dizer que o irmão de Noel tem um monte de maconha.

— Eric? — perguntou Zelda. — E onde é que ele está?

— Na cabine de fotos — respondeu James.

De repente, Sean apareceu, vindo do meio dos pinheiros. Hanna se levantou, arrumou seu vestido leve BCBG que, com sorte, faria com que ela parecesse mais magra, e amarrou as tiras de suas novíssimas sandálias azul-clarinhas Cristian Louboutin em volta dos tornozelos. Conforme ela corria ao encontro dele, seus saltos afundavam na grama úmida. Ela agitou os braços, derrubou sua bebida e, de repente, caiu de bunda no chão.

— E lá vai ela! — gritou James, completamente bêbado. Todas as meninas de

Doringbell riram.

Hanna levantou-se rapidamente, beliscando a palma da mão para evitar o choro. Aquela era a grande festa do ano, mas ela se sentiu completamente deslocada: seu vestido parecia apertado em volta do quadril, ela não conseguira fazer Sean dar nenhum sorriso na viagem de carro até a festa, apesar de ele ter conseguido o BMW 760i do pai para ir até lá, de ela estar em sua terceira e supercalórica vodca com limão, e ainda eram nove e meu.

Sean pegou a mão dela para ajudá-la a se levantar.

— Tudo bem com você?

Hanna hesitou.

Sean estava vestindo uma camisa branca, que acentuava seu físico largo de jogador de futebol e sua barriga de tanquinho graças aos bons genes;jeans azul-escuro Paper Denim, que deixavam sua bunda incrível e tênis pretos Puma bem velhos. Seu cabelo castanho-alourado estava desalinhadamente arrumado, seus olhos castanhos pareciam mais profundos que de costume e seus lábios pareciam mais beijáveis que o normal. Na última hora, ela havia visto Sean parar para conversar com todos os caras que podia, evitando-a, cuidadosamente.

— Eu estou bem. — Ela fez o biquinho que era sua marca registrada.

— Qual é o problema?

Ela tentou encontrar equilíbrio em cima dos saltos.

— Nós podemos... Ir a algum lugar mais tranquilo um pouquinho? Talvez o bosque? Para conversar?

Sean deu de ombros.

— Tudo bem.

Beleza!

Hanna levou Sean pela trilha até o Bosque da Masculinidade. Árvores margeavam o caminho e longas sombras cortavam seus corpos, Hanna só havia estado ali uma vez, no sétimo ano, quando suas amigas tiveram um encontro secreto com Noel Kahn e James Freed. Ali ficou com Noel, Spencer ficou com James e ela,Emily e Aria ficaram sentadas em troncos, sentindo-se como lixo, dividindo cigarros e esperando que os casais terminassem. Naquela noite, ela jurou que seria diferente.

Ela se sentou em um trecho gramado do caminho e puxou Sean para se sentar com ela.

— Você está se divertindo? — Ela estendeu sua bebida para ele.

— Sim, está muito legal. — Ele tomou um golinho. — E você?

Hanna hesitou. A pele de Sean brilhava à luz da lua. Sua camiseta tinha uma manchinha de barro perto da gola.

— Acho que sim.

Tudo bem, o momento conversinha fiada tinha acabado. Hanna tirou a bebida da mão dele, agarrou seu rosto quadrado e doce e começou a beijá-lo. Ahá. Era bem desagradável o fato de o mundo estar meio que girando e que em vez de sentir o gosto da boca de Sean, ela sentiu o gosto de Mike's Hard Lemonade, mas e daí?

Depois de uns minutos de beijos, ela sentiu que Sean começava a se afastar dela. Talvez fosse a hora de subir um pouco as apostas. Ela ergueu seu vestido azul, mostrando as pernas e a calcinha minúscula cor de lavanda da Cosabella. O ar do bosque era frio. Um mosquito pousou na parte de cima de sua coxa.

— Hanna — disse Sean, gentilmente, tentando puxar o vestido dela para baixo —, isso não...

Mas ele não foi rápido o suficiente, ela já havia tirado o vestido. Os olhos de Sean percorreram todo o seu corpo. Por incrível que pareça, essa foi apenas a segunda vez em que ele a via com roupa de baixo — a não ser que contasse a semana que eles passaram na casa dos pais dele, em Avalon, na Jersey Shore, quando ela usou biquíni. Mas era completamente diferente. —Você não quer mesmo parar, quer? — Ela avançou na direção dele, esperando ainda parecer atraente.

— Sim. — Sean parou a mão dela no ar. — Eu quero parar.

Hanna se enfiou em seu vestido o mais rápido que pôde. Ela já devia ter levado umas cem picadas de mosquito. Seus lábios tremiam.

— Mas... eu não entendo. Você não me ama? —As palavras pareciam pequenas e frágeis saídas de sua boca.

Sean demorou um tempão para responder. Hanna ouviu outro casal da festa dando risadinhas ali perto.

— Eu não sei — respondeu ele.

— Jesus! — Hanna se afastou dele. As vodcas com limão se agitavam em seu estômago. —Você é gay?

— Não! — Sean pareceu magoado.

— Bem, então o que é? Eu não sou bonita o suficiente?

— Claro que você é! — disse Sean, parecendo chocado. Ele pensou por um momento. —Você é uma das meninas mais bonitas que eu conheço, Hanna. Como é que você não sabe disso?

— Do que é que você está falando? — perguntou Hanna, infeliz.

— Eu só... — começou Sean. — Eu só acho que você talvez devesse ter um pouco mais de respeito por si mesma...

— Eu tenho muito respeito por mim! — Hanna gritou para ele. Ela mexeu o traseiro, que estava em cima de uma pinha.

Sean se levantou. Ele parecia desanimado e triste.

— Olhe só para você. — Os olhos de Sean correram dos sapatos dela até o topo de sua cabeça. — Eu só quero ajudar, Hanna, eu me importo com você.

Hanna sentiu lágrimas se formando nos cantos de seus olhos e tentou fazê-las desaparecer. Ela não ia chorar agora.

— Eu me respeito — repetiu. — Eu só queria... queria.... mostrar como eu me sinto. — Eu só estou tentado ser seletivo com essa coisa de sexo. — Ele não foi gentil, mas também não foi cruel. Sean foi apenas... taxativo. — Eu quero estar no lugar certo com a pessoa certa. E não me parece que essa pessoa seja você. — Sean suspirou e se afastou. — Sinto muito.

Então, ele se enfiou no meio das árvores e desapareceu.

Hanna estava tão envergonhada e brava que não conseguia falar. Ela tentou se levantar para seguir Sean, mas seu salto ficou preso de novo e ela caiu. Ela se amparou com os braços e olhou para as estrelas, pressionando os dedões nos cantos dos olhos para impedir que as lágrimas rolassem.

— Ela parece prestes a vomitar.

Hanna abriu os olhos e viu dois calouros — provavelmente penetras — olhando para ela como se ela fosse uma mulher criada em seus computadores.

—Vão se danar, seus pervertidos — disse ela para os calouros com cara de apaixonados, enquanto ficava em pé. Do outro lado do gramado, conseguia ver Sean correndo atrás de Mason Byers, empunhando um taco amarelo de croquet. Hanna fungava, enquanto dava uma limpada em si mesma e voltava para a festa. Será que ninguém se importava com ela? Hanna pensou na carta que recebera no dia anterior. Nem o papai ama você mais que tudo!

Hanna desejou, de repente, ter o telefone de seu pai. Sua mente voltou ao dia em que ela e Ali encontraram com ele, Isabel e Kate.

Apesar de ter sido em fevereiro, o tempo em Annapolis estava estranhamente quente e

Hanna, Ali e Kate haviam ido sentar do lado de fora, na varanda, para tentar se bronzear. Ali e Kate emprestavam uma para a outra suas sombras favoritas da MAC e lixavam as unhas, mas Hanna não estava participando. Ela se sentia pesada e inadequada. Percebera o alívio de Kate ao vê-la quando ela e Ali saíram do trem — surpresa ao ver como Ali era maravilhosa, mas aliviada quando colocou os olhos em Hanna. Foi como se Kate tivesse pensado: Bem, com ela eu não preciso me preocupar.

Sem se dar conta, Hanna tinha comido uma tigela inteira de pipoca com queijo que estava em cima da mesa.E mais seis profiteroles. E um pouco do queijo Brie, que era para Isabel e seu pai. Ela segurara o estômago com força, olhara para as barrigas durinhas de Ali e Kate e gemera alto, sem querer.

— Minha porquinha não está se sentindo bem? — o pai de Hanna perguntara, apertando seu dedo do pé.

Hanna estremeceu com a lembrança e tocou na barriga — agora lisa como uma tábua. A — quem quer que fosse — estava coberto de razão. Nem o pai dela a amava mais que tudo.

— Todo mundo para o lago! — Noel gritou, arrancando Hanna de seus pensamentos.

Do outro lado do campo, Hanna viu Sean tirar a camiseta e correr na direção da água. Noel, James, Mason e alguns outros meninos jogaram suas camisas longe, mas Hanna não deu a mínima. Tantas noites para ver os meninos mais bonitos de Rosewood sem camisa... —Todos eles são tão lindos — murmurou Felicity McDowell, que estava misturando tequila com Fanta Uva perto dela. — Não são?

— Hummm — resmungou ela.

Hanna trincou os dentes. Danem-se seu pai feliz e sua perfeita quase-enteada, e danem-se Sean e suas escolhas. Ela pegou uma garrafa de vodca Ketel One em cima da mesa e bebeu direto do gargalo. Colocou a garrafa de volta na mesa, mas pensando bem, resolveu levar a garrafa consigo para o lago. Sean não ia escapar tão fácil de tê-la desprezado, insultado e depois a ignorado. Sem chance.

Ela parou na frente da pilha de roupas que, sem dúvida nenhuma, eram de Sean — os jeans estavam dobrados direitinho e ele colocara as meias dentro dos tênis Puma, como o garoto certinho que era. Depois de se assegurar de que ninguém estava olhando, ela pegou os jeans e começou a se afastar do lago. O que diriam seus amiguinhos do Clube da Virgindade se ele fosse pego dirigindo para casa só de cuecas?

Enquanto andava na direção das árvores com as calças de Sean nas mãos, algo caiu e bateu em seu pé. Hanna se abaixou para olhar, esperando por um momento até que as coisas parassem de girar.

Era a chave do BMW

— Legal — sussurrou ela, apertando o botão de alarme. Então, largou os jeans no chão e enfiou as chaves em sua bolsa azul Moschino.

Estava uma noite maravilhosa para um passeio de carro.