Notas iniciais
Estão vivos? ♥ Só lembrem que eu amo muito vocês tá? Amo mesmo ♥ Rapaz, depois que postei o capítulo passado, eu fugi do Social/Nyah por medo das reações de vocês... Sobre os comentários eu não tenho muita coisa a falar, apenas um enorme: EU AMEI LER TUDO AQUILO, SÉRIO MESMO! ♥ Como escritora, sinto que o 41 foi o ápice dessa minha jornada [por enquanto] e fiquei extremamente feliz ao saber que vocês gostaram tanto assim! Mesmo que o Nico tenha morrido... '-' Muita gente disse que eu não tinha coração, falaram que sentiram a dor como se estivesse acontecendo com eles e isso FOI MUITO GRATIFICANTE. Só tenho a agradecer! ♥ ♥ Esse capítulo é pequeno porque eu ainda tô trabalhando minha escrita em terceira pessoa (tenho três fanfics planejadas com esse tipo de escrita) e tô tentando me habituar a ela! UHSUHSAUHAS Então, espero mesmo que gostem! ♥ ~Enjoy

Era noite de natal. As casas estavam iluminadas com os pisca-piscas coloridos, a neve cobria as ruas da cidade e canções natalinas preenchiam os ouvidos de todos. A lua se escondia entre nuvens e alguns flocos de neve começavam a cair preguiçosamente.

No final da rua, na penúltima casa, apenas uma luz estava acessa. Três pessoas estavam reunidas na sala de estar. Uma delas beirava os setenta e cinco anos, os cabelos eram ralos e estavam grisalhos, os olhos azuis mostravam um cansaço palpável e tinha uma aliança dourada no dedo anelar enrugado. Mexia as mãos ossudas com uma habilidade que lhe custou prêmios de melhor cirurgião durante os anos que praticava a medicina.

Seus dedos finos traçavam com uma saudade indisfarçada, os objetos dentro de uma caixa velha e empoeirada. Fotografias, dois caderno de folhas amareladas, uma jaqueta de aviador marrom e com uma camada grossa de poeira e de teia de aranha e um colar de ouro. Sua mente divagava entre as memórias do passado e uma ferida antiga e mal cicatrizada voltou a latejar no fundo do seu peito.

Um casal com traços quase idênticos observavam com cuidado algumas das coisas guardadas e crispavam os lábios com o segredo recém descoberto do pai.

— Eu amei a mãe de vocês também — o idoso falou. Sua voz rouca e trêmula ao relembrar daquilo mesmo depois de anos. — Quando vocês nasceram, eu senti como se tivesse um motivo pra viver de novo...

Os gêmeos se limitaram sorrir para o pai e o rapaz pegou, delicadamente, a caixa velha dos braços do idoso. Seus olhos bateram num caderno vermelho de aparência realmente antiga e a curiosidade em saber o conteúdo não se dissipou quando viu as folhas soltarem e quase caírem ao chão. Os olhos azuis, tão parecidos com o do pai, percorreram tudo ali escrito e depois, com a boca levemente aberta, entregou para a irmã.

— Você compunha músicas? — perguntou embora já soubesse a resposta.

— Há muito tempo — o idoso se limitou a dizer. Seus dedos finos apertavam, ansiosos, o lençol que lhe cobria as pernas.

— Esse é ele? — perguntou a única mulher no recinto. Segurava uma fotografia e olhava atentamente para o que estava lá. — Ele era bonito, até.

— Deixe-me ver, Milena — o irmão falou já pegando a foto das mãos dela.

Nela dois jovens sorriam. O loiro tinha um sorriso apaixonado no rosto e mantinha o braço ao redor do pescoço do mais baixo, enquanto o outro abraçava um ursinho de pelúcia e sorria abertamente. Ao fundo, notava-se que estavam num parque de diversões.

— É por causa dele que meu nome é Nicolas? — o homem perguntou sem tirar os olhos da imagem. Era, sem sombra de dúvidas, seu pai e o outro rapaz que ele mencionou ao longo de toda a narrativa.

— É incrível como vocês não se parecem em nada — o pai riu. — Você é o primogênito. Eu escolhi esse nome porque você me deu uma razão pra viver, assim como Nico.

Surpreenderam-se com o tom carinhoso o qual o nome foi pronunciado. Mesmo após tantos anos, o pai ainda nutria sentimentos pelo até então desconhecido. Trocaram olhares incrédulos e sorriram complacentes para a figura paterna.

— E esse outro caderno? É o que? — Nicolas perguntou já folheando o dito cujo.

— Um diário que fiz naquela época... — comentou. — Eu fiz anos de tratamento psicológico pra superar e meu médico afirmou que escrever poderia me ajudar.

— E ajudou?

— Não muito — riu fraco. — Mas pelos menos, me ajudou a me acostumar com a dor. Eu nunca superei... Aliás, foi lá que conheci a mãe de vocês.

Milena sorriu ao imaginar a mãe, tagarela do jeito que era, tentando conversar com o pai. Riu e suspirou melancólica. Sentia saudades da mãe.

— Por isso você sempre está triste no ano novo e sempre viaja no dia 4 de janeiro pra Nova York... — comentou Nicolas e Milena suspirou.

— Você poderia ter nos contado antes, pai... Não precisava ter que carregar essa dor sozinho — falou apertando a mão do mais velho.

Ele sorriu.

— Tudo bem — afagou a mão da filha. — Está tarde para mim. Vou dormir.

Os gêmeos observaram quietos, o pai levantar-se da poltrona.

— Pai — escutou o filho chamar com o cenho franzido e a típica expressão de incerteza. — Eu poderia... Sabe... Transformar em livro, o seu diário?

Will sorriu para o filho e meneou a cabeça.

— Pode sim, filho — sua voz ficando fraca a cada novo passo que dava em direção ao quarto.

Confiava que seu filho iria produzir um mais novo romance de sucesso. Seu corpo clamava pela cama, o sono lhe tomava a vontade que tinha de relembrar o passado e ficar triste com o grande “e se” que poderia ter sido se Nico di Angelo não tivesse morrido naquele acidente, há cinquenta e cinco anos.

Naquela época era jovem demais e perder o noivo foi como cair num abismo de desespero e solidão. Não houve época mais sombria em sua vida, como aquela. Seus dias se resumiam aos choros sofridos e noites de bebedeira enrolando-se nas roupas do moreno.

Lembrava vagamente de Hades no funeral, tão frio e distante como o rosto demonstrava. Entretanto os olhos vermelhos denunciavam as noites de insônia e dor por perder mais uma pessoa importante.

Naquele dia, Will Solace não conseguiu contar as lágrimas e gritos desesperados quando viu o corpo sob o caixão. A leve maquiagem dando um ar mais vivo para o corpo ali estendido, as flores cuidadosamente colocadas ao redor do jovem. O próprio pai se encarregara de cuidar de tudo.

Lembrava-se de ter recitado seus votos (que já estavam prontos para o casamento) para o caixão, enquanto este descia sete palmos no solo. Cada palavra proferida repleta de dor, lágrimas e saudade.

Foi apenas cinco anos depois que conseguiu sair do abismo sem fim que era sua vida pós a morte de Nico di Angelo. Conheceu Emily, na clínica onde se tratava, e a mulher estava tão perdida emocionalmente quanto si. Aos poucos, com um ajudando o outro a se reestruturarem, a amizade surgiu e posteriormente o carinho e afeto.

Não podia negar que a mulher o fazia bem. Eles conseguiam entender a bagunça emocional um do outro e, no meio daquele caos, encontraram-se apaixonados. Foi difícil para si, entender que não trairia Nico se decidisse seguir em frente. Ele morrera, mas Will ainda estava vivo. Tinha que seguir em frente, era apenas doloroso demais admitir.

Emily entendia o que ele estava passando e não lhe pressionava por resposta. Era compreensível, carinhosa e prestativa. Will não podia negar que em nada lhe lembrava Nico, e isso era bom.

Nico era único. Nico era seu primeiro amor. E como dizem: o primeiro amor ninguém esquece.

Suas mãos ossudas apertavam o colar que há muito não via. Duas fotos eram guardadas lá dentro. De um lado, Maria e Bianca di Angelo, noutro a foto de um rapaz loiro, o rapaz que Will um dia fora. Naquela noite de natal, quando Will Solace deitou-se na cama com um sorriso nostálgico no rosto, ele sabia que estava perto de reencontrar todos aqueles que o tempo havia tirado de si.

Apolo; Nora; Matt; Emily... Nico.

Sabia que sua história tão trágica quanto Romeu e Julieta, estava em boas mãos. Então, todo aquele cansaço que sentia, esvaiu-se do corpo e se sentiu leve. Leve como há tempos não se sentia.

Dedico esse romance ao meu pai.
Pois sem ele, eu jamais conheceria a história
de dois jovens apaixonados com um final tão trágico.
Que a história de Will e Nico inspire jovens pelo mundo.
Love is Black, escrito por N. I. Solace*

Notas finais
*Nicolas Irvin Solace - Irvin é o sobrenome da mãe. Feliz Natal, amores!! E se eu não voltar ainda esse ano: Feliz ano novo!! ♥ Se eu não viajar nesse ano novo, eu postarei o capítulo no dia 31. Caso eu viaje, só ano que vem quando eu voltar pra minha casa. ♥ Beijos e até o próximo! ♥