Notas iniciais
Meu peito dói. Encerrar uma história que passei dois anos escrevendo é como se despedir de um filho amado. Saber que depois cada um dos meus leitores lindos, vai tomar outros rumos, conhecerão novas histórias e novos(as) escritores(as), me dói. Só tenho que agradecer a cada um de vocês, leitores (fantasmas ou não) que leram isso aqui. Uma história que nasceu de repente e que foi ganhando uma forma linda. Uma pedra bruta, que foi lapidada diante seus olhos e transformada na mais linda pedra preciosa já feita por mim. [divagando aqui, mas ok...] Agradeço aos que ficaram comigo do começo ao final, aos que chegaram no meio e também aos que chegaram no final. Cada pequena palavra dos seus comentários foi lida com um sorriso besta na cara e olhos brilhantes de emoção. Cada hora pensando como responder cada um de vocês valeu a pena. Minha nossa, como valeu! ♥ Espero do fundo da minha alma que vocês gostem desse capítulo que está pronto deste o dia 28 de fevereiro de 2016. Pois é, minha gente! Desde de fevereiro isso aqui tá pronto! UASHUAHSUSAH Muito, muito, muito obrigada mesmo a todos vocês que fizeram parte da construção de Preto é Cor do Amor. Obrigada por fazerem essa minha ideia dar tão certo assim. ♥ Tem olhos no meio das minhas lágrimas... ;-; ~Enjoy

“Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se...

Independentemente de tempo, lugar ou circunstância...

O fio pode esticar ou emaranhar-se,

Mas nunca irá partir.”

— Antiga crença chinesa.

Ano — xxxx

Suspirou jogando o celular e sua pasta em um canto qualquer do pequeno sofá em seu quarto e deixou seu corpo cair em um baque surdo na cama. Sentiu seus músculos relaxarem dolorosamente no colchão macio e gemeu cansado. Ainda deitado, foi desatando o nó da gravata que lhe apertava o pescoço, o paletó estava em algum canto qualquer da sala espaçosa, tirou os sapatos sociais numa facilidade adquirida em anos de práticas e se embrenhou nos lençóis da cama. Seu corpo protestava pela correria da rotina e das noites mal dormidas, da má alimentação que vinha fazendo e sobre tudo, o estresse no trabalho...

Quando decidiu ser advogado ninguém o alertou sobre a rotina corrida e as noites de sono perdido!

Tinha apenas 24 anos, era um recém formado em direito e por uma grande sorte do destino (e de suas notas excelentes ao longo do curso) havia conseguido emprego numa das mais renomadas firmas de advocacia dos EUA.

Morava no mesmo apartamento desde que entrara na universidade de Harvad, localizado a apenas algumas poucas quadras de distância da instituição, com um amigo. Porém, quando o dito teve de se mudar para outro estado por motivos matrimoniais, há exatos quatro meses, passou a ter que trabalhar mais do que já fazia para pagar as contas do apartamento.

E o fato de trabalhar em dobro na firma para manter seu lugar na empresa e também ter que arranjar trabalhos de meio-períodos para pagar todas as contas, o levou a tomar a decisão de alugar o quarto de seu antigo companheiro de apartamento. Quando já estava prestes a cair na inconsciência do sono, escutou o toque irritante de seu celular e se arrastou para conseguir pegá-lo.

— Alô? – atendeu com a voz meio arrastada sem nem ao menos ver quem era. Escutou a pessoa do outro lado da linha pigarrear e pedir silêncio a uma segunda voz presente do outro lado da linha.

Will?— perguntou o homem do outro lado da linha. – Mantenha a calma, Rita! Pare de chorar por ele ter crescido!

Will balançou levemente a cabeça e se sentou na cama. Reconheceu a voz assim que escutou o homem perguntar seu nome e tentou se lembrar do motivo para ele ligar naquele momento.

Marcos era um homem de aproximadamente 45 anos de aparência rústica, seus cabelos marrons ondulados sempre eram bem penteados, dotado de olhos verdes e barba sempre bem feita, ele chegava a ser bem bonito; Era casado com Rita, uma mulher de olhos e cabelos negros como uma noite sem estrelas.

Duas semanas após Will ter colocado o anúncio de aluguel, o homem entrou em contato com ele, dizendo que o filho de 18 anos havia sido aceito em Harvad e que precisaria se mudar em breve, já que eles moravam em outro estado. Entretanto, era tudo uma surpresa para o rapaz que Will nunca vira. Os pais queriam presentear, e demonstrar apoio, ao filho nessa nova etapa dele e por isso mantinham total sigilo sobre esse assunto.

Pelos menos era até o dia anterior.

Nós contamos a surpresa para ele!— o homem do outro lado revelou emocionado. – Nunca vi os olhos de meu filho brilhar tanto... Ele ficou tão feliz!

— Ah! – Will arfou surpreso, lembrando-se, enfim, do motivo. — Fico feliz por isso, Marcos.

O senhor havia passado incontáveis dias junto de Will, para avaliar se o rapazote era digno de confiança e se poderia confiar-lhe a segurança de seu único filho. Foi basicamente impossível não haver um contato entre eles, e quando menos perceberam já conversavam descontraídos sobre os fatos da vida. Will se afeiçoou ao homem de modo a considerá-lo da família.

E estava decidido a tratar o filho dele, esquecera o nome do rapaz, como se fosse o irmão caçula que nunca tivera.

Ele pegou o avião no começo da noite, deve bater em sua porta lá por oito horas da manhã.—Marcos comentou – Eu já expliquei que ele dividirá o apartamento e já disse seu nome a ele.

— E você poderia me relembrar o dele... – sussurrou envergonhado. Não era para Marcos ouvir o que falara e, felizmente, ele não parecia ter prestado a devida atenção, estava ocupado demais falando com a esposa.

Will admirava o carinho e orgulho de Marcos para com o filho, ele sentia falta do colo da mãe ou das tardes de domingo pescando com o pai... Porém logo cedo, assim que entrou na faculdade e se assumiu homossexual, foi expulso de casa e deserdado da família.

Afinal era um desacato a toda família Schmidt, todos orgulhosamente descendentes de alemães, terem na família um “homossexual sujo e libidinoso”, palavras do pai.

Boa noite, Will... Cuide bem de nosso filho— Marcos falou tirando Will dos pensamentos sobre a família que um dia teve.

— Não se preocupe Marcos. Boa noite – Will falou encorajador e encerrou a ligação.

Suspirou pesadamente ao notar duas mensagens de Noah, seu atual namorado, e abriu-as apenas para soltar outro suspiro ainda mais cansado que o primeiro.

Eles se conheceram há um ano, durante um show onde ambos curtiam a banda, mas apenas namoravam há cinco meses. No inicio Will não sabia o quão ciumento e inseguro o rapaz poderia ser, mas foi apenas ele mencionar o fato de agora ter que morar com outro homem para Noah se mostrar extremamente possessivo e controlador.

Desde então ele exigia saber com quem Will estava, queria a senha de todas as suas redes sociais, ligava de cinco em cinco minutos... Não agia como um homem maduro de 22 anos deveria agir. E isso estava começando a cansar o mais velho.

Além do estresse no trabalho, estresse para conseguir a papelada para o contrato com o novo inquilino e estresse de ter que segurar as pontas das contas do apartamento enquanto não recebesse do novo morador, ainda tinha que aguentar ataques de ciúmes do namorado inseguro?!

Isso já era pedir demais até mesmo para alguém calmo como Will.

— Meu deus... – sussurrou cansado demais para pensar em responder a mensagem do namorado. – Se você não fosse tão bom no sexo, eu juro que te largava...

Ajeitou-se melhor na cama e, depois de noites a fio, conseguiu dormir tranquilamente.

~*~

No dia seguinte o rapaz acordou às seis horas da manhã totalmente disposto a arrumar e limpar o apartamento para a chegada do novo morador. Não que a casa estivesse ou fosse suja, mas estava desorganizada com as várias roupas do rapaz espalhadas pela sala, corredor e quarto.

Afinal, se queria causar boa impressão do novo colega, tudo tinha que estar perfeito. Era, também, sua primeira vez morando com alguém que não fosse seu amigo. E se o novo inquilino decidisse que não moraria ali só pela mínima desordem e bagunça? Will precisava do aluguel!

Quando deu sete e quinze no relógio, Will já havia terminado tudo e descansava no sofá da sala. Tentava pela terceira vez só naquela manhã ignorar o celular tocando e o nome de Noah aparecendo no visor.

Na quarta vez resolveu atender.

— O que foi, Noah? – perguntou tentando conter a irritação palpável.

Bom dia, amor!— escutou a voz estridente do namorado. Will fez uma careta ao apelido e soltou um suspiro alto.

— Porque o desespero logo agora de manhã? – perguntou rolando os olhos e levando a mão até seu curto cabelo loiro escuro.

Eu só queria falar um pouco com meu namorado lindo... É crime?— Noah perguntou rindo e Will fez outra careta para aquilo.

— Eu estou ocupado Noah. Mais tarde a gente se fala. – falou escutando o namorado resmungar e encerrou a ligação.

Deixou o celular no sofá e rumou em direção à cozinha, teria que fazer café da manhã para duas pessoas e não era tão acostumado a cozinhar. Tentou fazer ovos mexidos, bacon, espremeu algumas laranjas para o suco, achou pão de forma no armário e organizou tudo na mesa para que, quando o rapaz chegasse, eles pudessem comer enquanto conversavam e tentavam se conhecer.

Tomou um banho refrescante e vestiu uma roupa leve, o dia estava propício para uma caminhada no parque se o outro quisesse sair para conhecer a cidade, claro.

Seus pensamentos ora pairavam em sua situação com Noah, ora naquele vazio costumeiro. Desde que nascera o loiro sentia que alguma coisa importante faltava em sua vida. Parecia que uma parte de si havia sido arrancada e que era preciso achá-la para ser plenamente feliz. Até seus dezesseis anos ele esperou a “pessoa certa”, mas quando notou que eram os homens que o excitavam percebeu que essa pessoa demoraria muito a chegar, isso se chegasse.

Quando conheceu Noah, aos 23 anos, ele parecia ser o cara, era carinhoso, gentil, decidido, bom de cama e Will pela primeira vez se sentiu feliz com outro alguém. Entretanto, a mesma sensação de vazio assolava seus pensamentos e coração; Era uma saudade do desconhecido, uma angústia, uma solidão sem tamanho.

Alisou sua blusa preta (sua cor favorita desde que se conhecia por gente), e suspirou alto. Talvez esse vazio que sentia fosse a consequência da negligencia dos pais durante a infância e adolescência e logo em seguida a expulsão por se assumir gay.

— Que horas será que esse rapaz vai chegar? – se perguntou passando os canais da televisão. O tédio já começava a lhe assolar.

Mal terminou de falar e a campainha estridente soou pelo apartamento inteiro. Will saltou do sofá, pelo susto levado, e a passos apressados andou até a porta, por algum motivo desconhecido estava ansioso.

Quando abriu a porta o sorriso que viu fez seu coração pulsar no peito ao mesmo tempo em que se apertou tão intensamente que chegou a pensar, numa fração de segundo, que morreria ali na porta.

— Oi! Você deve ser o Will Schmidt – escutou a voz suave embalar seus ouvidos e se repreendeu pela leve excitação que sentiu ao escutar aquela boca pronunciar teu nome. – Sou Nico Benatti! Muito prazer em conhecê-lo!

Quando o azul claro encontrou o negro das íris de Nico, Will sentiu que algo acontecia ali. Não sabia definir, tampouco descrever. Parecia aquela sensação de adrenalina injetada nas veias, ou de alívio por chegar em casa depois de um longo tempo viajando.

Will não sabia, mas quando suas mãos se apertaram num cumprimento e as bocas se alargaram num sorriso entusiasmado, Noah teria muito mais motivos para se preocupar.

E naquele momento eles poderiam não saber, mas uma promessa de anos havia se cumprido.

.

.

.

The End.

Notas finais
Minha nossa, eu gosto muito mesmo desse negócio de 'vida após a morte' e reencarnação, então eu tinha que fazer isso gente... ;-; USAHUSAHA E esse foi o fim. Espero que tenham gostado... ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!