Notas iniciais
Capítulo programado! Se eu ainda não respondi os comentários, não se preocupem que eu vou! ♥ Enjoy~

– Will

Nico seu maldito!

Andei a passos pesados até minha casa, logo depois de ter levado um belo soco do moreno e encontrar Jason indo para lá, meu rosto ainda latejava e o pequeno corte no meu lábio superior ardia. E tudo isso porque eu fiz uma brincadeira inocente com ele!

–*-

Estava bem com ele me ensinando italiano, apenas o básico, eu anotava algumas coisas, ele escrevia exemplos num caderno velho que ele havia achado perdido no quarto e estava um clima bom. Mas durante o único tempo que ficou um silêncio, devido ele ter me passado um exercício o qual eu não conseguia fazer, eu acabei me lembrando do susto que ele levou quando eu cheguei. E fiquei curioso sobre o que ele poderia estar vendo o computador.

– Ei Nico – chamei-o.

– Já terminou? – perguntou chegando perto e olhando o caderno com nenhum exercício feito. Bufou e se afastou de mim – Pare de conversar e faça o exercício.

– O que você estava vendo no computador quando cheguei? – perguntei curioso. Nico me olhou reprovador.

– Não é da sua conta – falou frio. Virei à cadeira para de frente ao computador e liguei-o – O que está fazendo?!

– Não é da sua conta – falei debochado. Mas assim que ele ligou, pediu a senha – Menino esperto. Aposto que estava stalkeando Percy... – não consegui terminar a frase, pois senti alguma coisa puxar abruptamente minha camisa e logo depois um soco na cara me atingiu.

– Aula encerrada. Vá embora – Nico disse sem me olhar.

– Não sabe brincar?! – falei perplexo. Peguei minha mochila e sai do quarto (mais especificamente da casa dele) quase correndo. Já no pequeno jardim da frente esbarrei com Jason e o loiro que olhou assustado.

O que aconteceu? – perguntou espantado.

– Nico não sabe brincar! – respondi alterado e rumei até minha casa.

–*-

E tudo aquilo resultou em eu deitado na cama com um saco de ervilhas congeladas tapando metade da minha cara. Eu bufava a cada cinco minutos e xingava mentalmente o moreno pelo soco.

Escutei batidas na minha porta e logo depois Apolo colocou a cabeça dentro do quarto.

– Martha me disse que você chegou estressado e com a cara inchada – revelou já entrando no quarto sem ser convidado – Brigou com quem?

– Nico – bufei. Apolo riu.

– O menino é mesmo um pouco arredio. Mas não sai batendo nos outros sem motivo, o que você fez? – perguntou calmo.

– Apenas brinquei com ele. Mas ele não deve nem saber dar uma risada, muito menos deve reconhecer quando alguém está brincando! – comentei revoltado – Só me acertou porque me pegou desprevenido! Dá próxima vez vai ser ele com um saco de ervilhas, não eu!

– Já vi essa história antes... – escutei Apolo comentar divertido e parei de praguejar insultos ao vizinho.

– O que? – perguntei, mas ele fingiu não me ouvir.

– Me deixa ver isso ai – comentou tirando o saco de ervilhas e sorrindo divertido – Sorte sua que ele não quis deformar sua cara, se continuar colocando esse saco congelado em menos de duas horas vai desinchar. Quanto ao corte, vai melhorar com o tempo.

– Obrigado, doutor – brinquei.

Ele riu e se levantou da cama.

– Sabe como visita de médico é rápida, não? – brincou – Tenho que ir agora, plantão noturno.

– Ei pai – chamei-o antes de sair. Sorri divertido – Uma plantinha foi no hospital e não foi atendida, por quê?

– Por quê? – perguntou sorrindo.

– Porque lá só tinha médico de plantão! – ri e escutei ele rir também – Não faça bullying com as plantinhas, viu?!

– Pode deixar – respondeu rindo e saiu do quarto.

Voltei a deitar na cama, ainda com o saco congelado em meu rosto, e peguei meu celular. 20h15min p.m. Suspirei por ainda estar cedo e eu não ter nada pra fazer e entrei no WhatsApp. Quase todos estavam off-line e os grupos, parados. Entrei na conversa com Matt e o chamei. Em menos de um minuto ele entrou e me respondeu, sorri animado por conversar com meu amigo e relaxei um pouco. Nós não conversávamos direito desde que eu havia chegado a Nova Iorque, ou seja, a alguns bons meses.

Foi bom saber de tudo o que estava acontecendo por lá, todos continuaram suas vidas normalmente, minha mãe estava com uma aparência melhor e mais descansada, pelo visto minha viajem para cá fez bem a ela, e que também todos haviam ficado bem felizes com a ida de Drew. A menina era tão chata que ninguém a aguentava.

Alguma coisa me dizia que amanhã alguma coisa desagradável iria acontecer. Deixei essa sensação de lado, me despedi de Matt e fui dormir. Ainda com um pouco de dor pelo soco de Nico.

O baixinho tinha força!

~*~

O dia seguinte amanheceu estranhamente lindo. O sol brilhava forte e acolhedor, os pássaros cantavam e sobrevoava minha janela, meu humor estava bom e o inchaço na cara já estava melhor. Andei até minha janela a fim de abrir minha cortina e vi Nico passando na frente de sua janela, apenas com uma toalha envolvendo sua cintura fina e pálida. Assim que seu olhar encontrou o meu eu sorri para ele, e ele fechou a cara e saiu de perto da janela.

Ri com a atitude dele e fui tomar banho.

A manhã estava calma e agradável, Apolo sorriu para mim, deixando um pouco de lado seu jornal matinal, quando eu entrei na cozinha, Martha me deu um beijo na bochecha e o lanche da manhã estava delicioso. Peguei uma maça na mão e a mochila na outra, para sair de casa. Estranhamente a cor preta da mochila me lembrou Nico.

– Bom dia! – falei para o moreno assim que sai de casa e o encontrei na porta passando a chave.

– Hum – falou monossilábico.

– Ah qual é! Ainda não superou a brincadeira de ontem?! – perguntei frisando a palavra brincadeira. Nico não olhou pra mim e continuou a caminhar – Eu que devia estar com raiva aqui! Você me bateu! – tentei de novo chamar a atenção do moreno, mas dessa vez consegui o objetivo.

– Você mereceu – falou me olhando de canto de olho.

Suspirei e baguncei meu cabelo loiro ondulado. Era mais difícil de entender Nico do que o cubo mágico. Vi o edifício da escola e alguma coisa dentro de mim se remexeu uma voz lá no fundo me falou pra voltar pra casa. Provavelmente deveria ser minha consciência, mas eu nunca escuto minha consciência. Nico estava pensativo demais ao meu lado, coisa que eu até acharia normal já que o moreno é bem caladão na dele, mas o que me incomodava eram os olhares rápidos de canto de olho com os lábios crispados que ele me dava. Fingi que não percebi, mas aquilo já estava me incomodando demais!

– Está bem Nico? – perguntei de repente e o moreno arregalou os olhos, tentando miseravelmente disfarçar o desconforto que minha voz o causou.

– Uhum – respondeu outra fez monossilábico.

Bufei e apertei um pouco mais os passos. Vi Percy e Annabeth logo na entrada do colégio, eles pareciam meio apreensivos, toda hora olhavam ao redor em busca de algo ou alguém andei até eles, com meu típico sorriso animado.

– Bom dia! – exclamei.

Eles olharam pra mim sorrindo cansados e acenaram para Nico as minhas costas.

– Que cara de enterro é essa? – perguntei ainda sem tirar os olhos deles.

– Nico, você viu o Jason? – Percy perguntou. O moreno negou levemente com a cabeça e Percy suspirou.

– O que houve? – Nico falou. Parecia curioso diante a atitude dos dois.

– Piper está aqui com a irmã – Annabeth revelou – Mas Jason está atrasado, só ele consegue acalmar a menina que está quase pulando no pescoço da outra.

– Sinto pena da Piper por ter aquilo como irmã... – Percy lamuriou.

– Hum – Nico falou baixinho. Contei até cinco para não me estressar com essas respostas monossilábicas do moreno.

– Vamos voltar, Piper deve estar querendo nos matar por demorarmos tanto aqui fora – a loira saiu puxando Percy pelo branco e o mesmo apenas imitava cara de choro. Ri com aquilo.

A irmã de Piper não deveria ser tão ruim assim.

Andamos até nossa sala de aula, ao que parece ela seria da nossa turma. Quando entramos vi Leo mexendo no celular enquanto disfarçava olhares encantados para uma menina que estava de costas para a porta. Piper olhava para a janela, suspirando a cada três segundos e a menina apenas observava suas unhas.

Annabeth e Percy já andavam até seus lugares, Nico estava na metade do caminho para sua mesa ao lado da minha, mas eu fiquei parado na porta. Alguma coisa nessa menina me era muito familiar.

– Ah finalmente voltaram! – Piper exclamou nervosa.

A menina com longo cabelo preto e liso se virou para me olhar e meu queixo foi ao chão. Impossível não se lembrar do rosto fino e delicado, dos cabelos negros lisos e sedosos indo até a metade das costas, dos lábios finos, porém ágeis, e dos olhos negros e levemente puxados indicando a descendência asiática. Impossível esquecer-se de Drew Tanaka.

– Will! – exclamou a morena sorridente e com sua voz irritantemente fina.

Lembrei-me também de como era chata, possessiva, manipuladora, arrogante, fria, vadia e acima de tudo bela.

Senti seu peso se chocar contra mim e quando voltei à realizada Drew me abraçava. Seu perfume extremamente doce e enjoativo junto com o cheiro forte do seu xampu de frutas invadiu minhas narinas e me deixou tonto.

– Senti sua falta meu amor! – falou alto o suficiente para que toda a sala ouvisse. Sala a qual já não se encontrava apenas com nós seis, mas com a grande maioria da turma.

O que aconteceu a seguir me deixou mais confuso ainda. Drew selou nossos lábios tão rápido que eu só percebi quando ela se afastava e ria para mim. Minha boca estava suja com o excesso de gloss labial da morena.

– Como assim “meu amor”? – Piper perguntou se intrometendo. Agradeci mentalmente por ela ter feito isso e Drew revirou os olhos.

Irmãzinha querida – disse essas palavras com ironia – Will e eu somos namorados – finalizou.

Vi Piper abrir a boca em descrença, Annabeth apenas me observou me analisando, Percy não entendeu e Leo deu um assobio aprovador.

– Depois me diz como conseguiu pegar uma gostosa dessas! – riu e logo depois ficou calado com o olhar de nojo que Drew lhe mandou.

Percebi que Nico havia desviado o olhar de mim e seus dedos apertavam o lápis. Ergui uma sobrancelha, curioso com sua atitude.

– Nós éramos namorados – corrigi Drew – Eu não te amo... – falei tão baixo que Drew não entendeu.

– Meu amor, você só terminou comigo porque teve que vir embora, mas eu estou aqui. Nosso namoro continua intacto – falou alisando meus cabelos.

Tirei suas mãos de cima de mim e me afastei cautelosamente.

– Drew, eu não te amo – revelei pela segunda vez a ela. Só que dessa vez ela parecia finalmente ter entendido o recado. Vi de canto de olho Nico afrouxar o aperto no lápis. Continuei sem entender suas atitudes.

– Como não? Você mentiu pra mim? – perguntou estreitando os olhos. Vi eles começarem a brilhar maldosamente e engoli em seco.

– Nunca te amei – repeti. A menina sorriu descaradamente e seus lábios encharcados de gloss se esticaram.

– Mentiu... Tudo bem – falou calma. Um frio passou por minha espinha e um medo descomunal me atingiu, comecei a suar frio – Eu também queria só mais um rosto bonito para colocar na minha estante, mas eu realmente estava gostando de ter você ‘apaixonado’ aos meus pés.

– Mas não entendo... – revelei.

Aquilo não era uma conversa pra se ter na sala de aula, onde havia muito telespectadores, mas Drew adorava chamar a atenção. Sempre.

– Quando você terminou comigo, eu não acreditei. Foi o primeiro que fez isso! – sorriu maldosa – E isso eu não vou aceitar, não vou aceitar ser rejeitada! Não duas vezes! Você aproveitou enquanto pôde William, a partir de hoje sua vida será um inferno – cantarolou e saiu da sala.

Lembro-me do dia que fui embora. Ainda namorava Drew e mesmo ela sento chata e tudo mais, eu não suportaria quebrar o coração de uma menina. Mesmo essa menina sendo Drew. Então disse que tínhamos que terminar porque eu estava indo embora, que eu a amava mais era preciso eu partir para Nova Iorque. Obviamente que quando eu a deixei logo apos nosso rompimento, eu pensei que sua cara surpresa e chocada fosse pelo termino repentino, não pensei numa outra possibilidade. Mas ao que parece aquela cara incrédula que ela havia feito na nossa última conversa foi sim pelo nosso término, mas porque fui euquem o fiz.

– O que foi isso? – escutei Percy tentar sussurrar para alguém.

Eu estava paralisando, minhas pernas bambeavam e minha boca estava seca. Drew praticamente jurou vingança para mim, e conhecendo bem o jeito dela, eu poderia dizer que minha vida estava ao fim.

– Will... – Piper me chamou – Ela só fala, mas não faz nada. Aposto – tentou me encorajar.

– Eu a conheço Piper, se ela falou. Ela vai fazer – respondi voltando minha cor e começando a andar até meu lugar.

Nico não me olhou, mas vi que ele retesou o corpo quando sentei a seu lado. Bufei e revirei os olhos.

– Nico eu não tenho uma doença contagiosa! Pode encostar viu?! – falei pegando em sua mão e a colocando em meu peito.

O moreno me olhou assustado demais e rapidamente puxou sua mão que estava em meu peito. Senti naquela área um friozinho pela falta da mão do moreno, mas deixei isso de lado.

O sinal tocou e os alunos restantes entraram aos tropeços para a sala de aula, no fim o professor de Física entrou acompanhado de Drew. Os dois sorriam animadamente e eu apenas desviei meus olhos dela. Mas senti seu olhar penetrante em mim.

– Pessoal essa é a mais nova aluna da turma, se apresente pra turma – ele disse sorridente.

– Meu nome é Drew Tanaka e será um prazer conhecê-los – falou com a voz irritante.

Piper bufou contrariada e alguém bateu na porta.

– Com licença professor – Jason entrou na sala e ele olhou para Drew.

Os olhos dela brilharam e seu sorriso aumento. Balancei a cabeça negativamente e soltei uma risada abafada. Ela havia acabado de me ameaçar por ter a dispensado, mas já estava de olho em Jason, namorado de Piper.

Isso até poderia ser divertido.

Olhei Nico e o mesmo estava com os fones e de olhos fechados. Senti uma vontade de pegar um fone e escutar a música que ele ouvia, mas reprimi esse sentimento e voltei meus olhos para frente. Ele me bateria se eu fizesse isso.

Drew olhava de mim para Nico e sorria malvadamente. Não entendi, mas senti medo por nós dois.

Notas finais
Até o próximo gente!