Preto é a Cor do Amor

27 Quebra de tempo


Notas iniciais
Surpresos com capítulos hoje? Ainda mais uma postagem dupla? UAHAUSHAUSH Como o próprio nome do capítulo já diz, é uma quebra de tempo! Eu já planejei toda a fanfic, tudo o que vai acontecer e o final! Sim o final já está decido e não há nada nesse mundo que me fará mudá-lo u.u kkkkkk Por isso eu preciso que o tempo passe nessa bagaça. E percebi que eu meio que me perco na linha temporal dessa merda, um exemplo: No capítulo 10 eu tinha falado que era primeiro de Outubro e até o capítulo 26 AINDA ERA OUTUBRO! UASHUASHUASHSAUHSAUHASU Que shit né... ;-; E como eu quero que ANOS passem, eu resolvi fazer capítulos de "quebra de tempo", provavelmente ainda terá um ou dois mais para a frente, mas eu vou tentar explicar mais ou menos as coisas! ~Enjoy

— Will

Depois do meu primeiro encontro com Nico, foi fácil conduzir todos os outros. No sábado, dia seguinte ao encontro, nós resolvemos reunir o grupo para contar sobre nosso namoro e agradeci realmente aliviado por todos terem aceitado bem nosso relacionamento homossexual.

A cada dia eu aprendia um pouco mais sobre o moreno e a cada vez eu ficava mais fascinado com ele. Ele me contou sobre a infância na Itália, antes de vir para os Estados Unidos com dez anos, e sobre como era naquele tempo.

Descobri que ele tinha um grande amigo por lá, Pietro, e que tinham perdido o contato quando ele se mudou (confesso que fiquei feliz por ele não falar mais com o Pietro, não gostei do tom feliz que o moreno descreveu o menino). Ele havia me dito que o anel de caveira que ele usa no dedo mindinho foi um presente de Pietro, depois desse dia eu passei a olhar com desgosto para aquele anel.

Nico me contou sobre sua primeira semana aqui em Nova Iorque, sobre as complicações que teve por não saber falar direito o inglês, e das pequenas confusões que se metia na escola por trocar as palavras e ser mal interpretado. Conheci a história de como Nico conheceu Percy e Annabeth, uma história bem interessante e engraçada, e também o quanto Maria era uma excelente mãe.

Nico não quis entrar em detalhes sobre Maria e muito menos sobre Bianca. Ainda eram questões complicadas para o moreno.

Diante tantas informações sobre o moreno, eu me vi na posição de contar sobre minha vida também. Contei sobre minha infância normal ao lado de Matt, sobre minhas façanhas em Malibu, incluindo o dia em que quebrei a perna, e quando aprendi a surfar com doze anos, sobre a escola pública que basicamente me viu crescer, porque minha mãe não era rica como meu pai e não aceitava quando ele lhe oferecia dinheiro para manter uma vida melhor.

— Ela dizia que gostava da vida simples que levava... Ela conseguia sustentar a casa e nunca passamos por necessidades — contei para ele no dia.

Contei sobre minha adolescência conturbada, regada a álcool e pegação. Sobre minhas aventuras nos hospitais, delegacias, madrugadas... É, eu não tinha uma vida politicamente correta.

Revelei sobre minhas discussões com Nora e também sobre a mais recente, e que ainda não falava com ela. Nico, durante toda minha narrativa, se manteve calado enquanto me observava. Eram poucas as vezes que ele me interrompia e opinava sobre algo.

No fim, o moreno apenas suspirou e deu de ombros dizendo que não tinha problema sobre as coisas que eu fiz no passado, contanto que eu não voltasse a repetir tudo de novo. Eu apenas ri alto e garanti que não faria nada daquilo e que era para ele ficar tranqüilo quanto ao meu lado mulherengo.

A cada dia que se passava eu e Nico construíamos uma amizade forte. Tínhamos muitas coisas em comum, assim como outras coisas que um foi ensinando o outro a gostar. Conversávamos todos os dias, trocávamos mensagens, saíamos juntos, ríamos juntos (mais eu do que ele), parecia que nos conhecíamos havia anos.

Obviamente que namorávamos sempre que podíamos. Nico proibiu os toques e carícias na escola após quase sermos flagrados aos beijos na sala de aula por Drew, que estava louca para nos flagrar e espalhar para a escola inteira. A menina implicava com Nico todos os dias, e fazia de tudo para prejudicar eu e o moreno.

Por isso Nico ditou que éramos para “manter as aparências” na escola.

Já era dezembro e estávamos fazendo as ultimas provas antes do recesso de fim de ano. Eu observava Nico terminar de fazer os exercícios de gramática, enquanto folheava uma revista qualquer sentado na cama do moreno. Era quase uma rotina nossa, eu passar as tardes na casa do moreno conversando, jogando vídeo games, assistindo filmes ou não fazendo nada, apenas aproveitando a companhia um do outro.

— Vai passar o recesso onde? — escutei a voz calma do moreno ecoar pelo quarto.

— Não sei. Acho que aqui mesmo... Não quero ir a Malibu — comentei indiferente, já fechando a revista e me acomodando na cama do rapaz.

— Já se passaram cinco meses que você teve aquela briga com sua mãe, não acha que já passou da hora de falar com ela? – perguntou se voltando para mim — Fora que você teve a insensibilidade de não ligar para ela no feriado de Ação de Graças...

Suspirei alto e olhei a janela, vi o céu em tons avermelhados pelo pôr do sol e me perguntei que horas deveriam ser.

— Eu sei que... Mas é que... Ah não sei... — respondi um pouco confuso. Nico se levantou da cadeira, andando até onde eu estava sentado, e se acomodou em minha frente.

Senti suas mãos se embrenharem em meus fios numa leve carícia. Por mais que Nico tivesse dificuldades em expressar seus sentimentos, fosse fechado para novas amizades e fosse anti-social, era incrivelmente fácil e irônico como eu conseguir decifrá-lo em poucos gestos, apenas por observá-lo mais atentamente.

Sorri para ele e peguei sua mão que me fazia um cafuné singelo. Depositei um beijo nela e depois nos lábios de Nico.

— E como anda seu pai? — perguntei me afastando e puxando Nico para se acomodar melhor entre minhas pernas, suas costas se apoiaram em meu peitoral e eu peguei sua mão.

Escutei Nico soltar o ar lentamente e passei a brincar com os dedos dele.

— Eu acho legal que ele esteja pensando em seguir em frente e tal... Mas é difícil me acostumar com isso — comentou.

— Ele já estava de luto há o que? Três anos? — perguntei e o moreno afirmou.

— Quando ele me contou sobre Perséfone eu no inicio não aceitei, mas depois vi que não era justo com ele...

— Perséfone é gente boa — comentei apoiando meu queixo em seu ombro e inspirando o perfume amadeirado dele.

— Eu sei. Mas um dia ainda vou matar Deméter! — resmungou e eu ri com isso.

— Cereais? — perguntei rindo e Nico bufou.

— Ela vive reclamando o quanto eu estou magro! Que é falta de cereais! — gesticulou com as mãos, totalmente exasperado.

— Você está perfeito para mim — sussurrei em seu ouvido e vi as bochechas rosadas dele. Nico riu sem graça e eu puxei seu rosto beijando seus lábios logo em seguida.

Eu adorava o gosto de bala de uva que Nico tinha, tanto que em poucos dias eu consegui ficar totalmente viciado por aquela boca e pelos beijos dele. O ósculo era calmo e gentil, os lábios finos de Nico me levavam ao paraíso apenas com um beijo carinhoso. Puxei o moreno para que se sentasse em meu colo e passei a beijar-lhe o pescoço pálido; minhas mãos apertavam as coxas finas dele e meus lábios voltaram para a boca do moreno. Senti quando Nico embrenhou as mãos em meus cabelos e começou a bagunçá-los mais.

Escutamos batidas na porta e Nico quebrou o beijo, que fez um barulho engraçado.

— O que? — perguntou. Eu continuei a beijar seu pescoço e a dar leves chupões que não deixariam marcas.

Da ultima vez que eu deixei, sem querer, uma marca de chupão no pescoço de Nico enquanto estávamos nos beijando na sala de estar da casa o moreno, Hades só faltou cavar minha cova no jardim da casa. Falou em alto e bom som que “não quero safadezas na minha casa! Se eu souber que vocês dois andaram fazendo essas coisas debaixo do meu teto, capo vocês!”, e desde então nós evitamos até de nos beijar na frente de meu sogro.

— Nico? Sou eu Hazel — escutei a voz de minha cunhada e sorri.

— Ahn... Oi, Hazel... Espera aí que eu já vou abrir! — o moreno exclamou enquanto eu ri baixinho.

O moreno tentou sair de cima de mim, mas eu segurei firme sua cintura. Beijei os lábios inchados dele e não me surpreendi quando Nico finalizou rapidamente o beijo.

— Ah não Nico... Fala pra ela voltar depois — falei fazendo manha.

Nico revirou os olhos negando e saiu, depois de muito esforço, de meu colo. Não fiz questão de arrumar meus cabelos e nem desamassar minha roupa, continuei sentado na cama e passei a olhar meu Facebook pelo meu celular.

— Entre — escutei Nico falar ao destrancar a porta e sinalizar para a menina entrar.

Hazel corou até os fios de cabelos ao notar meu estado, depois analisar como o irmão estava e notar as marcas um pouco avermelhadas no pescoço do mesmo. Sorriu sem graça e desvio os olhos.

— Oi cunhadinha — brinquei e vi a menina corar mais ainda.

— Desculpe atrapalhar vocês dois... — começou, mas foi interrompida por Nico.

— Não atrapalhou nada — falou também corando um pouco.

— Estávamos apenas estudando um pouco de anatomia — brinquei e senti quando um objeto não identificado veio de encontrou com meu rosto — Doeu!

Nico me olhou feio e depois voltou a encarar a irmã, que já havia saído do estado de vergonha extrema e agora se encontrava sentada na escrivaninha.

— O que foi Hazel? — perguntou se ajeitando e se sentando na cama.

Eu puxei o corpo magro dele e abracei-o por trás encaixando meu queixo em seu ombro.

— Eu vim visitar papai e como ele não está, pensei em dar um oi... — comentou sorrindo encabulada — Mas vejo que estava bem... Ocupado...

Eu soltei uma risada e apertei o corpo de Nico em meus braços.

— Relaxa Hazel, não estávamos fazendo nada que você e Frank não fariam — brinquei com a garota.

A menina corou envergonhada e desviou os olhos.

— Ah eu também achei esse envelope da bancada da cozinha, Isa me contou que chegou hoje de manhã — Hazel mostrou um envelope preto.

Nico apenas meneou com a cabeça e fez um gesto de descaso para o papel.

— É o convite da festa de fim de ano de Pollux — comentou — Ele decidiu não fazer a de Halloween para fazer a festa de fim de ano...

— Estou ansioso por essa festa... — comentei sorrindo.

Continuamos a conversar animados até que Hades entrou no quarto de Nico e me mandou educadamente ir para minha casa porque já estava tarde. Me despedi rapidamente do moreno e andei a passos rápidos para a porta de saída da casa.

~*~

Era segunda-feira o dia estava frio e a escola estava agitada. Motivo? Hoje era dia vinte e um de dezembro, último dia de aula antes do recesso de duas semanas de Natal e Ano Novo e a única coisa que era comentada era sobre a festa de Pollux.

— Ele chamou toda a escola — Percy comentou durante nossa conversa.

— Eu ouvi falar que vai ser uma super festa — Jason complementou.

Estávamos reunidos na sala de aula esperando Quíron, para nosso último tempo de aula, então resolvemos conversar sobre a festa.

— Eu só não entendi porque de ser a fantasia... — comentei olhando discretamente Nico que olhava distraído a neve começar a cair, sentado um pouco distante de todos e com fones de ouvido.

— Ora Will! Festa a fantasia sempre é mais divertida! — Piper sorriu claramente animada.

Revirei os olhos e andei até o moreno. Sorri bobo ao perceber que Nico estava tão focado em observar a neve caindo vagarosamente que nem ao menos percebeu minha chegada.

— Ei Nico — sussurrei cutucando-lhe as costelas. O moreno olhou para mim e deu um pequeno sorriso.

— Que foi? — perguntou baixo.

Olhei rapidamente para os lábios finos dele e tive que me controlar ao extremo para não beijá-lo ali na sala.

— Nada — sorri amarelo. Me sentei ao seu lado e vi Quíron entrar pela porta.

— Desculpem a atraso crianças — comentou e foram ouvidos alguns resmungos dos adolescentes — Não é só porque hoje é o último de aula antes do recesso que eu não vou passar matéria e dever de casa.

Escutei praticamente a sala inteira reclamar e Quíron apenas continuou com seu sorriso simples e olhar divertido. Suspirei e sorri, até meio resignado. Afinal aquela era uma das melhores escolas de Nova Iorque, é claro que os professores fariam uma coisa dessas...

~*~

— Eu achei uma sacanagem o Quíron nos mandar fazer uma redação à mão de três mil palavras sobre a Segunda Guerra Mundial... — escutei Matt reclamar entrando em meu quarto.

Encarei meu amigo com uma sobrancelha arqueada e bloqueei meu celular.

— E afinal como ele vai saber que vai ter três mil palavras?! — falou completamente indignado e se jogou em minha cama.

— Para de reclamar e faz Matt... — comentei revirando os olhos diante o drama do rapaz.

— Está conversando com o Nico? — perguntou me olhando de canto de olho.

— Uhum — falei olhando meu celular que piscava em meu colo, me mostrando a mensagem recebida. Escutei Matt suspirar alto e olhei meu amigo.

— Tô começando a ficar com ciúmes... Me sinto trocado! — falou fazendo bico e cruzando os braços.

Soltei uma gargalhada divertida e joguei meu travesseiro nele.

— Você é besta mesmo hein! Ele é meu namorado! — falei rindo.

— Não precisava partir pra agressão! — reclamou me jogando de volta o travesseiro.

Abri a mensagem do moreno e rapidamente respondi sorrindo bobo. Escutei Matt resmungar sobre ser trocado e mais algumas outras coisas e ignorei com louvor. Depois de quase meia hora deixando Matt falando sozinho, eu me despedi de Nico e passei a analisar meu amigo tagarelar.

— ... E então ele chegou por trás e eu me assustei pra caramba! — falava gesticulando com as mãos.

— Espera aí! O que? Quem chegou por trás de quem?! — perguntei confuso e olhando surpreso para meu amigo.

Matt me olhou emburrado e fechou a cara.

— Se tivesse me escutando saberia do que eu estava falando — acusou — Mudando completamente de assunto... Já pensou na fantasia pra ir à festa do Pollux?

— Ainda não... Nem lembro mais quando foi minha última festa a fantasia — comentei rindo.

— Foi na nossa oitava série, a festa da Layla — respondeu — Lembra que você ficou muito bêbado e acabou dormindo com a Bethy? O mais engraçado é que vocês só dormiram mesmo e você apanhou atoa!

— Ah... É... Melhor esquecer mesmo... — comentei desgostoso ao lembrar a fatídica festa onde eu de tão bêbado acabei dando perda total na cama com a namorada do cara mais problemático e violento da escola... Senti meu maxilar doer e meu estômago embrulhar ao lembrar como ele me socou quando fomos flagrados nus na cama.

— Pois é... Você ficou dois dias internado no hospital pela quantidade de álcool no organismo e porque o Brad arrebentou sua cara...

— Não precisava me lembrar — resmunguei.

— Enfim! Vamos amanhã comprar? — senti meu celular vibrar e peguei para visualizar a mensagem de Nico.

— Pode ser — respondi respondendo a mensagem do moreno.

— Vai logo pra casa dele abusar daquele corpo magricela, ao invés de ficarem grudados nesse celular — escutei Matt brincar já saindo do quarto e eu me limitei em apenas revirar os olhos.

Bem que eu queria mesmo abusar do corpo magricela e pálido de Nico, mas o sinal ainda era vermelho para mim...

Notas finais
Até domingo galerinha! ♥