Preto é a Cor do Amor

28 Surpresa de Natal


Notas iniciais
Olááá! Queria agradecer os que comentaram no capítulo passado! ♥ Obrigada gente! ♥ Espero que gostem do capítulo! ♥ ~Enjoy

— Will

Vinte e cinco de dezembro, dia de Natal.

Quando eu acordei nesse dia eu nem imaginava as coisas que iriam acontecer. O dia havia amanhecido belo, o branco da neve enfeitava as ruas de Nova Iorque, as árvores salpicadas de branco tinham uma beleza a mais, as pessoas andavam apressadas em busca dos presentes de Natal e eu sorria feliz ao escrever uma mensagem de bom dia para Nico.

Eram oito horas da manhã ainda, me levantei estranhamente disposto e olhei sorrindo para a pequena caixinha embrulhada em minha cômoda. Tomei um longo e relaxante banho de banheira e só sai quando vi meus dedos enrugarem. Fui até o quarto de Matt e acordei meu amigo que dormia com o celular na mão e um sorriso no rosto.

Desci as escadas e encontrei Martha cantarolando uma música natalina enquanto fazia o café-da-manhã.

— Bom dia! – falei sorrindo para a senhora de idade.

— Bom dia, Will! Acordou bem animado hoje hein – sorriu para mim e eu abracei a mulher por trás.

— É Natal, Martha! – cantarolei.

Me sentei na mesa e comecei a comer despreocupadamente. Desde que Perséfone conseguiu estabilizar seu negócio e passou a ganhar dinheiro suficiente para comprar um apartamento pequeno para ela e a mãe, os cafés-da-manhã daqui de casa tem sido menos divertidos... Até porque era Perséfone que mais falava pela manhã.

— Bom dia – escutei a voz arrastava de Apolo e olhei meu pai andar cansado até a mesa – Hoje a ceia de Natal vai ser aqui em casa, Perséfone e Deméter vão vir junto com Hades e Nico... E parece que minha irmã vem também...

Levantei uma sobrancelha para Apolo e estranhei o modo quase melancólico com que ele tocou no assunto Ártemis.

— Martha, como hoje é Natal eu vou liberar os empregados que tem familiares, só alguns ficarão aqui. Se quiser posso pedir ao Ryan que te acompanhe até sua casa...

— Não tem problema senhor, minha única filha está fora do país, então não tenho com quem passar essa data...

Olhei Martha e vi que ela estava triste por ter que passar o Natal, uma data familiar, longe da filha, sua única família. Sorri meigo para a mulher, que agradeceu silenciosamente por meu gesto.

— Talvez ela venha passar o Natal conosco também... – escutei Apolo murmurar e olhei-o confuso.

— Ela? Ela quem? – perguntei.

— Deixa pra lá... – sorriu tentando desviar do assunto e se levantando – Vou resolver alguns assuntos, mas volto para o almoço.

Me despedi de meu pai, subi as escadas e andei até o quarto de Matt. Encontrei meu amigo enrolado na coberta, só com os cabelos para fora do pequeno “casulo” de coberta, vi um porta-retrato em cima da cômoda ao lado da cama e peguei para olhá-lo. Na foto estava Matt, com quatorze anos, abraçado com o avô, ambos riam e os dois pares de olhos brilhavam felizes.

— Saudades, vovô... – sussurrei sorrindo com a lembrança dele me mandando chamá-lo daquele jeito, já que eu era praticamente da família.

— Muita... – escutei Matt sussurrar com a voz sonolenta.

— Te acordei? – deixei o porta-retrato na cômoda e me sentei na cama. Matt estava com a cara toda amassada e seus cabelos estavam mais bagunçados que o normal.

— Não... Eu estava apenas pensando se levantava ou não da cama – riu baixinho. Se espreguiçou e sentou na cama.

— Feliz Natal Matt! – falei sorrindo e abracei-o forte, derrubando-o no processo.

— Ai Will! – reclamou – Feliz Natal pra você também... Tô sem ar...

— Cadê meu presente?! – perguntei em meio aos risos.

— Não acha que está grandinho o suficiente para agir desse jeito e me perguntar de presente?! – escutei meu amigo me acusar rindo também.

— Levanta! Vamos andar por ai e observar a beleza da neve! – falei levantando da cama dele e puxando-o até ele cair da cama.

— Me deixe aproveitar o calor da minha cama! Se quiser sair chama o Nico!

— Mas você é chato mesmo hein... Credo! – resmunguei revirando os olhos e saindo a passos largos até meu quarto.

...

Acabei mesmo chamando Nico para passear comigo na manhã de Natal e aproveitar a paisagem branca e bem decorada da cidade. O moreno estava uma graça com seu jeans rasgado, coturnos pretos, moletom cinza, luvas e a touca preta. Simplesmente fofo demais.

— O que tanto me olha? – perguntou incomodado.

— Você está uma graça com essas bochechas coradas pelo frio, touca preta e luvas... – comentei sorrindo meio bobo.

Nico corou um pouco e virou o rosto, passando a olhar para frente. Colocou suas mãos nos bolsos do casaco e soltou o ar lentamente. Vi a fumaça sair de seus lábios finos e rosados e parei subitamente.

Analisei o local em que estávamos e sorri ao notar que era aquele mesmo parquinho que estivemos uma única vez, no dia da festa de Jason. Soltei uma risada e Nico parou de andar e se virou para me olhar interrogativo.

— O que foi? – perguntou confuso olhando ao redor com as sobrancelhas franzidas.

Chamei o moreno para que viesse até onde eu estava e peguei em sua mão assim que ele chegou perto o suficiente. Puxei o moreno até o balanço mais próximo e só então Nico entendeu o que eu queria fazer.

— Ah não! – falou tentando soltar nossas mãos – Não, Solace!

— Ah deixa de graça, di Angelo! – brinquei e consegui fazê-lo se sentar no balanço.

Nico até tentou correr para longe, o que acabou resultando numa perseguição divertida pelo parquinho pequeno. Meu riso ecoava pelo local vazio e Nico sorria feliz. Era tão bom vê-lo sorrir tão verdadeiramente! A neve no chão atrapalhava um pouco na hora de correr, tanto que quando eu consegui segurar seu casaco, me desequilibrei e levei nós dois ao chão.

Nico caiu ao meu lado, seu casaco estava todo salpicado de flocos brancos, seus cabelos negros faziam um contraste perfeito na neve, seus olhos igualmente negros brilhavam felizes e seu sorriso, mesmo que pequeno, aquecia meu coração.

Eu estava, realmente, muito apaixonado por Nico di Angelo.

Me apoiei em meus cotovelos e me aproximei gradativamente de Nico, tocando-lhe a bochecha corada. Seu sorriso pequeno permanecia em seu rosto, sua mão direita subiu até encontrar minha nuca e começou a acariciar minha pele. Selei nossos lábios num toque simples e carinhoso.

Como eu adorava aqueles lábios! Tão macios e tão gostosos com seu gostinho de bala de uva! Sua língua dançava junto da minha, gentis e cúmplices. Minha mão segurava seu ombro enquanto a dele se embrenhava em meus cabelos loiros. Nico era tão perfeito! Terminei o beijo com vários selinhos em seus lábios finos. Ele sorria de olhos fechados e apoiou suas mãos em meu ombro.

— Eu acho que posso estar um pouco apaixonado por você... – escutei a voz sussurrada do moreno e não consegui não sorrir de orelha a orelha.

Quando Nico abriu os olhos, corou um pouco e escondeu o rosto com as mãos. Uma atitude tão atípica dele que eu fiquei dois minutos apenas sorrindo e observando o moreno corar e colocar as mãos no rosto.

— Nico – chamei-o e ele me ignorou – Moreno, olha pra mim.

— O que? – escutei ele perguntar retirando lentamente as mãos de seu rosto. Continuava corado – Do que você me chamou?

— De moreno – sorri dando um selinho em cada lado de suas bochechas – Porque você é o meu moreno – completei beijando-lhe o nariz, testa e por fim seus lábios – Só meu.

Nico negou levemente e riu baixinho. Senti ele me empurrar levemente para cima e se sentar no chão. Seu casaco estava todo sujo de neve e seus cabelos estava um pouco bagunçados. Me levantei e passei a limpar minhas roupas que também estavam sujas de neve.

— Isso soou muito ciumento e possessivo – acusou me olhando enquanto levantava do chão.

— Talvez eu seja ciumento e possessivo – sorri puxando Nico pela cintura e selando nossos lábios.

Depois disso, nós resolvemos voltar para casa andando e conversando banalidades. Durante o caminho eu podia sentir as mulheres lançando olhares sugestivos para mim e, com muito gosto, pude perceber que Nico estava ficando incomodado com todos aqueles olhares para cima de mim. Era até engraçado ver como o moreno tentava disfarçar seu ciúmes quando eu sorria de volta para as mulheres e piscava provocativamente para elas.

— Você é um babaca, sabia? – escutei-o resmungar e me puxar pelo colarinho, juntando nossos lábios num beijo sugestivo no meio da calçada.

Sorri em meio ao ósculo e deixe que Nico conduzisse o ritmo mantido. O moreno me beijava lascivo e suas mãos apertavam o colarinho de minha blusa.

— Eu também posso ser ciumento. Não me provoque – ditou roçando nossos lábios depois de terminar bruscamente o beijo.

Soltei uma risada divertida e dei um selinho rápido nos lábios dele.

— Vou tentar – sorri puxando-o pela mão.

~*~

— Ei Nico – chamei-o baixinho.

Já havíamos chegado à casa do moreno e estávamos deitados no sofá da enorme sala de estar. Faltava pouco para a hora do almoço e eu estava meio relutante em ir para casa, porque eu havia recebido uma mensagem de Apolo dizendo que era para eu ir para casa no almoço. E o motivo não me foi explicado.

— O que? – perguntou sem tirar os olhos do filme policial que passava na televisão.

Eu comecei a roçar a ponta de meu nariz em seu pescoço e minhas mãos apertaram possessivamente a cintura do moreno.

— Eu estou tão carente... – sussurrei ao seu pé do ouvido.

Vi os pelinhos de Nico se eriçar e então o moreno se virou para me olhar.

— Está, é? – perguntou olhando em meus olhos e sorrindo cínico – E porque você está carente?

Retribui o sorriso sacana dele e mirei seus lábios finos.

— Porque meu namorado não me dá carinho o suficiente – sussurrei tocando levemente nossos lábios.

Nico revirou os olhos e selou nossos lábios. Durante o beijo tentei me sentar numa posição mais confortável e puxei o corpo do moreno para que ficasse entre as minhas pernas. Minhas mãos apertavam possessivamente sua cintura, suas mãos subiam e desciam pelas minhas costas, quebrei o beijo e passei a distribuir lambidas por seu pescoço branquinho. Eu revezava entre sugar e dar leves mordidas entre seu pescoço e clavícula.

— Ah! – escutei Nico arfar quando eu suguei seu pescoço um pouco mais forte.

Nico voltou a me beijar e suas mãos se embrenharam em meus fios loiros, desci as minhas até suas coxas e puxei o corpo magro para mais perto de mim. Eu estava começando a sentir um formigamento em meu baixo ventre, o moreno quebrou o beijo e passou a distribuir beijos pela minha clavícula e curva do pescoço.

— Ah Nico... – suspirei quando o moreno se mexeu em busca de uma posição mais confortável e acabou, sem intenção nenhuma, roçando sua semi-ereção na minha.

Escutei meu celular vibrar e aproveitei que Nico estava entretido demais em lamber e morder meu pescoço para dar uma olhada na mensagem recebida.

Venha para casa. Tem alguém te esperando.

Acho que o fato de eu ter ficado uns bons minutos olhando a tela do meu celular acabou chamando a atenção do moreno em minha frente. Nico parou com todos os movimentos que fazia anteriormente e me olhou confuso.

— O que foi? – perguntou acariciando maus cabelos. Sorri perante o ato do moreno e suspirei meu encabulado.

— Desculpe... Mas é que essa mensagem me deixou um pouco curioso – comentei deixando Nico lê-la.

— Sabe quem poderia ser?

— Não! Hoje quando voltávamos do parque, meu pai me mandou uma mensagem falando para eu voltar na hora do almoço e agora Matt me envia uma mensagem me dizendo que tem alguém em casa?! – exclamei tentando entender.

Nico sorriu pequeno e se levantou. Sua calça jeans claramente um pouco elevada na parte da pélvis.

— Você está quase para morrer nessa curiosidade – balançou a cabeça em descrença – Vai logo.

Me levantei e sorri constrangido olhando para o moreno. A mensagem havia acabado com todo o meu tesão da hora, alguma coisa me dizia que tinha alguma coisa suspeita na mensagem de Matt.

— Desculpe te deixar assim na mão – falei puxando o corpo magro de encontro ao meu.

— Estamos quites... Eu não deixava o sinal avançar e então você se masturbava gemendo meu nome. Acho que os papeis se inverteram – riu me encarando divertido.

— E mesmo assim você não me deixa avançar... Aposto que iria arranjar outra desculpa esfarrapada para interromper o momento de antes.

— Na verdade quem iria interromper alguma coisa seria meu pai que acabou de chegar – Nico comentou se afastando e ajeitando a roupa no corpo.

Escutei a porta de a entrada bater e logo depois Hades surgiu afrouxando a gravata e tirando o enorme casaco de frio.

— Garoto – cumprimentou assim que me viu. Vi meu sogro subir pesadamente os degraus da escada e olhei meu namorado.

— Te vejo mais tarde? – perguntei pegando sua mão.

— Uhum – afirmou selando nossos lábios – Agora vá logo!

Quando sai da casa de Nico, vi que o carro de meu pai estava estacionado em frente de casa. Ele provavelmente deveria ter acabado de chegar com a “visita surpresa”. Suspirei alto e rumei a passos rápidos até minha casa. Tive um pressentimento estranho quando peguei na maçaneta, meus pelos dos braços se arrepiaram e um súbito nervosismo começou a me atrapalhar na hora de destrancar a porta. Contei mentalmente até três e abri a porta rapidamente.

A primeira coisa que notei, foram duas malas pretas ao lado da escada que me eram familiares, mas eu não conseguia lembrar onde eu as conhecia. Olhei a cozinha e não encontrei ninguém, andei temeroso até a sala e também a encontrei vazia.

— Will? Venha ver quem está aqui! – escutei a voz do meu pai vindo do jardim.

Quando cheguei ao jardim, meu coração acelerou, minhas mãos começaram a tremer e minha boca secou. A mulher se virou para me olhar com um enorme sorriso estampado no rosto. Os cabelos loiros estavam mais vivos do que antes, o rosto parecia menos cansado e os olhos, num tom esverdeado, estavam brilhando em alegria.

— Filho! – esticou os braços para me abraçar.

Eu continuava parado no mesmo lugar. Era visível que ela estava com frio, já que tremia um pouco porque suas roupas não serviam muito para enfrentar a neve de Nova Iorque, mas quem tremia mais era eu. Minhas pernas eram gelatinas, meu coração batia forte e meus olhos estavam úmidos de lágrimas que eu não permitiria caírem.

Nora andava em minha direção com os braços esticados, esperando que eu me jogasse neles e a abraçasse forte. Olhei para Apolo e Matt que mantinham sorrisos em seus rostos e me senti traído pelos dois. Eles sabiam que eu ainda estava num processo de perdoar Nora pela forma como ela decidiu meu futuro! Eu sabia que tinha de perdoá-la, mas meu orgulho não me deixava pronunciar as palavras corretas.

Sem pensar direito eu me desvencilhei do toque dela, quando ela envolveu seus braços ao redor do meu corpo, e andei a passos rápidos para meu quarto. Eu ainda podia ouvir Nora, Apolo e Matt chamando por meu nome, mas ignorei os três. Eu precisava de um tempo para organizar meus pensamentos mais que confusos.