Notas iniciais
Desculpem-me este pequeno "hiatus" em que deixei a fanfic. Meio que abandonei este site, mas agora estou voltando e a fanfic será atualizada todo domingo (mesmo hoje sendo segunda). ~Enjoy

— Will

— O que é que você ta fazendo aqui? — Nico perguntou totalmente entediado, na soleira da porta — Já não bastou ter me perturbado e assediado a manhã inteira, resolveu vir aqui na minha casa também?

— Primeiramente me deixa entrar né, Nico — falei sorrindo sapeca. O moreno revirou os olhos e me deu passagem.

Eu estava animado, ansioso e ligeiramente nervoso. Não esperei Nico voltar com seu interrogatório e andei até os fundos da casa, sem antes passar na cozinha e dizer um olá para Isa, que sorriu amavelmente para mim. Eu tinha plena consciência de Nico me seguia com os braços cruzados, cenho franzido e uma enorme curiosidade do que eu faria.

— Não era pra você estar na funerária, trabalhando? — perguntou, assim que eu parei e coloquei minha mochila numa mesa de madeira polida que tinha nos fundos, provavelmente para os dias que eram feitos churrascos, já que lá também tinha uma churrasqueira.

Dessa vez quem revirou os olhos fui eu.

— Eu me demiti — falei simplista. Nico estreitou os olhos e me encarou, seu olhar me analisava de cima a baixo.

— E porque se demitiu? — perguntou.

— Ah sabe como é né... — sorri bagunçando meus cabelos.

— Não, não sei como é.

— Meu negócio é com os vivos, aquilo realmente não era pra mim — respondi, não era a verdade completa, mas também não era uma mentira.

A razão pela qual eu me demiti foi o simples motivo de Nico não estar mais trabalhando lá. Veja bem, numa bela tarde de quinta-feira eu chego ao trabalho e encontro um rapaz aparentemente mais novo que eu mesmo sendo na verdade mais velho (eu perguntei a ele quantos anos tinha) com um ar extremamente gótico que me arrepiou até a alma, e então você descobre que esse rapaz vai fica no lugar de Nico, porque o moreno estava apenas “tapando um buraco” enquanto outro alguém era escolhido para trabalhar lá. Agora imagine a situação que passei ao ter que preparar o defunto com aquele ‘ser’ sempre me observando e me devorando com o olhar, no dia seguinte, sexta-feira, eu pedi demissão.

Eu tenho certeza que se tivesse continuado a trabalhar lá, eu seria dopado e sexualmente abusado por aquela criatura estranha.

— Tá certo então... — escutei a voz de Nico soar, me tirando do meu devaneio — Mas, o que você ta fazendo aqui, exatamente?

Ignorei Nico, mais uma vez, e o escutei bufar indignado. Soltei um riso divertido e olhei a piscina grande que se estendia pelo quintal, a água cristalina tão intocada, o chão ao redor tão seco parecia até um pecado não utilizar aquela área. O sol da tarde aquecia meus braços expostos, poderia ter amanhecido com um friozinho agradável, mas a tarde o sol predominava. O verão era realmente maravilhoso.

— Não é obvio? — perguntei me virando para Nico, e ele me olhava curioso e com uma sobrancelha erguida — Vamos dar um mergulho na piscina! — desde que eu havia chegado à Nova Iorque, não tomo banho de sol. Eu sentia falta da sensação do sol tocando minha pele, daquele calor gostoso.

Nos dias que eu me sentia perdido, triste, ou até mesmo irritado, eu ia para a praia, sentava na areia e deixava o sol abraçar meu corpo vislumbrando a imagem do mar calmo e majestoso, isso sempre tinha um efeito tranquilizante em mim, meu corpo reagia tão bem que eu sempre me pegava sorrindo bobo. Eu precisava disso, tanto para conseguir pensar claramente sobre tudo o que estava acontecendo, quanto para aproveitar e provocar Nico com minha pele bronzeada.

Olhei Nico nos olhos, aquela imensidão negra e misteriosa, e comecei a tirar minhas roupas lentamente, cada movimento meu era milimetricamente calculado e eu não desviei em nenhum momento meus olhos de Nico, o moreno corou levemente e ficou visivelmente incomodado com minha provocação, tentava desviar os olhos para outro ponto qualquer, mas sempre voltava a me mirar, mesmo que involuntariamente.

E eu ri internamente pela reação que causava nele.

Terminei de me despir e deixei que o sol queimasse minha pele, ele não era tão forte quanto em Malibu, mas mesmo assim me trazia a sensação de conforto de sempre.

— Nico — chamei o moreno que parecia em transe, me analisando descaradamente. Dei meu melhor sorriso cafajeste e me aproximei dele – Nico...?

— Ahn? — perguntou finalmente ‘voltando à realidade’ — O que é que ta fazendo tão perto assim?! – esbravejou assim que notou minha aproximação.

Soltei uma risada alta e sonora e coloquei minha mão na cabeça de Nico, bagunçando seus cabelos negros.

— Relaxa Nico, não é como se eu fosse abusar de você — ri do bico do moreno — Vista sua sunga e depois venha aqui — falei virando Nico de costas pra mim e dando um leve empurrão no mesmo.

Vi o moreno sair resmungando que não ia vestir nada, que não ia entrar entre outras coisas, mas mesmo assim meu sorriso bobo não saia do rosto, me espreguicei e andei até a cadeira, aquelas próprias para se deitar e aproveitar o sol, e relaxei nela. O dia estava realmente muito bonito para uma segunda-feira e era até irônico isso, já que dizem que segunda-feira é sempre o pior dia da semana. Fechei os olhos e aproveitei o silencio do jardim, o sol aquecia minha pele e isso me agradava, por um momento pensei estar numa das praias de Malibu aproveitando e refletindo como sempre fazia depois de sair do mar, com minha prancha na mão e cabelos colados na testa. Escutei passos vindos da casa, mas continuei com os olhos fechados. Aquele momento era sagrado para mim, era eu e o sol, um momento praticamente íntimo.

— Tá fazendo fotossíntese? — escutei Nico perguntar, debochado.

Abri os olhos, levemente chocado, e depois sorri travesso.

— O que aconteceu que está tão falante e sarcástico hoje? — falei — Está me provocando pra ganhar mais beijos, é? — sussurrei malicioso e Nico corou na hora.

— Idiota — escute ele resmungar.

— Vestiu a sunga? — perguntei ignorando o elogio carinhoso.

— Não.

— E porque não vestiu? — sentei-me na cadeira e encarei Nico.

— Eu não vou entrar na piscina — respondeu cruzando os braços.

— Não, é? — sorri.

Levantei da cadeira e peguei Nico no colo ao estilo noiva, o moreno arregalou os olhos e começou a se debater em meus braços, batia suas mãos em meu peitoral e falava, num tom alguns decibéis mais alto que ele costumava usar, para eu largá-lo e não fazer o que ele achava que eu pretendia fazer.

— Respira fundo! — falei rindo e pulando na piscina. Nico se agarrou em meu pescoço e prendeu a respiração, meio desesperado.

— Idiota!! — escutei seu grito assim que emergi da água, Nico estava no meio da piscina com a roupa toda grudada em seu corpo, cabelo no rosto e olhos raivosos.

— Aproveita Nico — falei mergulhando de novo.

A água estava gelada, mas agradável, vi que Nico estava parado na parte mais funda da piscina e resolvi brincar com ele. Nadei ainda em baixo d’água e puxei sua cintura para baixo, o moreno se debateu assustado e quando entendeu que eu o havia puxado para baixo, tentou me bater.

Soltei um riso e vi as bolhas de ar subirem, puxei o corpo pequeno de Nico ao meu encontro e colei nossos lábios. Invadi sua boca e comecei um beijo afoito, eu sentia o gosto da pasta de dente de Nico junto com a água da piscina, era um beijo afoito, nossas línguas vasculhavam a boca um do outro e minhas mãos passeavam pelo corpo delgado do moreno.

Eu sentia casa músculo levemente definido por debaixo da roupa molhada do moreno, sua mãos arranhavam minhas costas nuas, mas a água amenizava a ardência, dei impulso no piso da piscina e emergimos da água. Nico cruzou suas pernas em minha cintura e eu, de um jeito meio enrolado, nadei até a borda o prensando lá. Quebrei o beijo e apertei as coxas de Nico, que arfou com o toque. Nem mesmo a água gelada nos incomodava naquele momento, eu desci meus lábios até o pescoço do moreno e dei vários beijos leves por lá, Nico respirava entrecortado a cada estimulo que recebia, minhas mãos percorreram toda a coxa do moreno até chegarem a sua bunda, onde eu apertei com gosto e Nico arfou surpreso, minhas mão saíram de sua bunda e comecei a alisar seu peitoral por debaixo da blusa, levantando-a até o meio.

Seus olhos negros estavam brilhando em desejo e seu peitoral se movimentava rápido, voltei a beijá-lo necessitado, Nico estava totalmente entregue ao beijo molhado que trocávamos, senti meu coração descompassado, a adrenalina despertava todos os sentidos em mim e um calor familiar começou a surgir.

Foi então que a ficha caiu e eu me dei conta do que estava prestes a fazer com Nico. Quebrei o beijo e uma fina linha de saliva era a única coisa que nos unia ainda.

— É melhor pararmos por aqui — falei com a voz rouca, meu baixo ventre começava a me incomodar e ter Nico com as pernas envolta de minha cintura com seu membro roçando em mim não ajudava em nada.

O moreno pareceu perceber o que fazendo e me empurrou assustado, seus olhos estavam arregalados e sua respiração acelerada. Abaixou a blusa e saiu da piscina rapidamente. Suspirei a sai da piscina, olhei o caminho que Nico tomou quando saiu correndo e vi o rastro d’água que ele deixou, sorri balançando a cabeça levemente pensando no trabalho que a empregada teria para secar o chão.

Deitei de novo da cadeira da piscina e deixei que o sol me secasse, respirei fundo e fechei os olhos, numa tentativa falha de esquecer o que eu fiz. Eu não sabia nem como fazer sexo com outro homem e mesmo assim quase o fiz com Nico na piscina, eu poderia ter o machucado!

Escutei passos lentos e ritmados e abri os olhos minimamente, a empregada já estava limpando a sujeira que Nico havia feito.

— Sabe onde fica um banheiro para eu poder tomar banho? — perguntei a mulher que limpava o chão, seu olhar confuso se focou em mim e depois sorriu.

— Tem um aqui no primeiro andar, venha que eu lhe mostro — falou.

Agradeci e comecei a seguir a moça, olhava cada detalhe da casa, as paredes com cores simples e elegantes, quadros da família reunida, às vezes apenas Nico e Bianca, e então vi um quadro que nunca havia reparado.

— Eles já estavam aqui antes? — perguntei para a mulher, eu estava parado de frente para a fotografia e a olhava de certa forma, curioso.

— Não – respondeu — Ela chegou ontem, estava sendo emoldurada. O senhor di Angelo havia mandado para a loja há muito tempo, mas a loja havia perdido a fotografia... Recentemente eles a encontraram e devolveram com essa linda moldura e um pedido de desculpas.

— Hm... — falei observando a foto, realmente era muito bonita.

Nico aparentava ter por volta de 15 anos, dois anos atrás, ele estava ao lado de sua irmã mais velha e sua mãe, mas o curioso era que Hazel se encontrava na fotografia também. Ela sorria feliz, com os olhos brilhando e de mãos dadas com Maria e Hades.

— Vamos? — a empregada perguntou em chamando de volta a realidade. Sorri e voltei a segui-la.

~*~

— Morreu ai dentro? — escutei uma voz arrastada me chamando do lado de fora.

Escorreguei com o susto repentino e por pouco não cai n piso molhado do Box. Eu estava tão perdido nas lembranças de poucos minutos atrás que não notei o tempo passar, fechei o chuveiro e me enrolei na toalha, me secando.

— Já vou sair — respondi a pergunta que Nico não fez.

Depois de cinco minutos sai do banheiro e encontrei Nico apoiado na parede de frente a porta, ele apoiava um pé na parede, enquanto os braços estavam cruzados.

— E então? — perguntou me analisando de cima a baixo.

— Vamos assistir a um filme — respondi andando até a sala de televisão, Nico ralhou mandando eu parar de andar pela casa como se fosse minha. Eu apenas ri e deixe-o falando sozinho.

Quando cheguei a sala, me joguei confortavelmente no sofá e liguei a televisão, procurando um filme para assistirmos. O moreno andou calmamente até o sofá e sentou na outra extremidade do mesmo. Olhei-o pelo canto de olho e crispei os lábios, pensando se deveria ou não perguntar a Nico o porque de Hazel estar naquela fotografia.

— Nico — chamei-o.

— Hm — prestava atenção no filme.

— Eu vi uma fotografia emoldurada lá naquele corredor cheio de quadros e Hazel estava nela... Por quê? — perguntei olhando-o atento.

O moreno suspirou e se virou para mim.

— Ela é minha irmã, seria estranho não ter nenhuma foto dela aqui na casa — respondeu calmo.

— Irmã? — perguntei, lembrei de todas as vezes que a menina tratava Nico com carinho e chamando-o de irmão.

— Alguns meses antes de minha mãe morrer, ela e meu pai haviam adotado Hazel — comentou — Ela tinha a minha idade e mamãe se apaixonou por ela quando a viu numa casa de adoção, sozinha e triste.

— Ah... — tentei imaginar a menina sempre prestativa e sorridente numa situação dessas mas a cena não me parecia correta — Realmente, crianças de 15 anos quase nunca são adotadas...

— Sim — Nico concordou.

Ficamos num silencio durante cinco minutos, o filme já passava, mas nenhum de nós prestava atenção no que acontecia, observei que a atriz Scarlett Johansson vestia uma roupa preta colada ao corpo conversava com o ator Chris Evans, este vestido como Capitão America. Escutei meu celular tocar e peguei-o no meu bolso. Meu pai havia me mandado uma mensagem.

Vem pra casa, temos visita.

Suspirei e olhei para Nico, que agora tentava prestar atenção no filme.

— Tenho que ir — falei e o moreno me fitou, erguendo a sobrancelha — Apolo disse que temos visita lá...

— Hm até amanhã — falou se acomodando no sofá. Revire os olhos diante da falta de modos dele e me aproximei bagunçando os cabelos negros de Nico.

— Até, bebê — debochei e Nico me olhou feio.

Andei calmamente até minha casa e reparei num carro diferente parado na calçada, era pequeno e prático, nada parecido com aqueles luxuosos que Apolo tem, ou costumava falar sobre.

Abri a porta e escutei vozes vindas da sala de estar, andei até lá e encontrei meu pai sentado no sofá conversando com uma mulher que estava sentada na outra extremidade da sala.

— Oi...? — perguntei assim que entrei.

A mulher me olhou de cima a baixo com uma expressão de desgosto e estalou a língua.

— Esse rapaz com cara de delinquente deve ser seu filho, certo? — perguntou para Apolo e eu apenas a olhei confuso.

Delinquente?

— E quem seria você? — perguntei me referindo à mulher. Ela me olhou num misto de incredulidade e desgosto por eu ter me dirigido a ela de tal forma.

— Will — meu pai me chamou — Essa minha irmã gêmea, Ártemis.

Notas finais
Até o próximo domingo! ♥