Notas iniciais
Gente! Perdão pela demora! Mas é que eu tava ocupada demais com as coisas da faculdade e também estava um pouco desanimada em postar aqui... :( Tenho 48 leitores acompanhando a fanfic, mas só meia dúzia por ai que comentam... Agradeço muito os que estão me dando um apoio em PCA! ♥

– Will

– Então... – falei tentando puxar assunto.

O jantar havia sido calmo. Calmo até demais. Nico havia elogiado a macarronada de Martha, meu pai apenas perguntou como Hades estava e só. Talvez ele deva ter percebido que o clima não estava tão bom para um interrogatório. Depois de terminarmos de comer chamei o moreno para ir ao meu quarto e ele apenas acenou e me seguiu silenciosamente.

– Então... – ele também falou.

Lembrei do caderno preto na minha mochila e andei até a bolsa preta jogada no canto do quarto.

– Eu vi você hoje de manhã correndo... Quando derrubou isso eu peguei pra te devolver – falei entregando o caderno ao dono.

– Obrigado – sorriu pequeno – Pensei que tivesse perdido.

– Queria ter te entregado na escola, mas você não foi... E no trabalho também... – comentei.

– Porque queria tanto me entregar o caderno? – perguntou.

Assim que ele me perguntou aquilo eu travei. Na verdade nem eu mesmo sabia por que precisava tanto entregar o caderno a ele. Tudo bem que ele parecia ser algo pessoal, mas não era necessário eu ter ficado tão desesperado para entregar a Nico. Porém eu não posso deixar de notar o quanto preocupado fiquei quando o vi correndo logo pela manhã, nunca o vi correndo! Fiquei preocupado, lógico que fiquei, afinal eu fico preocupado com todos os meus amigos.

– E-Ele parecia ser pessoal... – balbuciei.

Nico ergueu uma sobrancelha e andou até a janela. Analisou tudo e se virou para mim.

– Nunca percebi o quanto nossas janelas são próximas, dá pra ver quase meu quarto todo daqui – comentou me analisando – Você me espiona por acaso? – estreitou os olhos.

Me lembrei de todas as noites que Nico esquecia a janela aberta e eu, com insônia, ficava na janela o observando dormir. Ficava o olhando e tentando entender um pouco mais o comportamento arredio dele.

– Não! Da onde você tira essas ideais malucas?! – perguntei rindo, tentando disfarçar meu constrangimento.

Sentei na cama e suspirei bagunçando meu cabelo. Não sei por que, mas ficar sozinho com Nico me deixava constrangido. O moreno andava despreocupadamente por todo meu quarto, apenas analisando tudo o que tinha nele. Olhou meus livros escolares organizados na prateleira, meus CDs empilhados na parte de baixo da mesa no notebook e meus livros na estante.

– Você gosta de ler? – perguntou parecendo espantado.

– Nico eu posso não aparentar, mas sou um menino culto! – falei sorrindo abertamente.

– Realmente, com essa cara de galã da novela das oito todos acham que você é burro – falou e eu tentei ignorar a parte do ‘burro’.

– Galã de novela? – perguntei sorrindo.

Nico pareceu perceber o que tinha falado e se calou na hora. Corou levemente e colocou de volta um livro meu que ele estava folheando. Me olhou desafiadoramente e sorriu travesso.

– Sim, aqueles galãs burros e metidos a mocinhos – falou mantendo o olhar desafiador.

Me fingi de ofendido e levantei na cama indo em direção a Nico. Sustentei o olhar de Nico e fui chegando cada vez mais perto dele. Mas alo me chamou a atenção e eu abaixei os olhos ao pescoço do moreno. Nele estava um cordão de ouro com um pingente retangular com detalhes nas bordas. Nem tão pequeno, mas também não tão grande. Acho que uma foto 3x4 se encaixaria perfeitamente dentro dele.

– O que é isso? – perguntei tocando no pingente. Ao pegar no pingente meus dedos tocaram levemente na pele dele, e eu senti a maciez dela.

– É um colar – respondeu simplesmente.

O olhei com a maior cara de “sério?! Não fazia ideia que isso era um colar!”. Nico suspirou e tirou o cordão para me mostrar melhor. Quando ele abriu o pingente, vi que dentro tinha espaço para duas fotos um pouco menor daquelas 3x4, e só um espaço estava preenchido. Nele duas mulheres se encontravam sorrindo abraçadas de lado.

– São as pessoas mais importantes na minha vida – falou triste – Meu pai me deu esse pingente quando eu tinha 16...

– Bianca e Maria? – perguntei ainda olhando as duas mulheres sorridentes na foto – Elas eram muito bonitas – comentei.

Nico concordou e fechou o pingente, colocando de novo o colar. Mas dessa vez debaixo da blusa. Suspirou e saiu um pouco de perto de mim. Apenas o observei atento.

– Minha mãe morreu num acidente de avião... Foi fechar contrato com um filial nossa em outro estado e na volta o avião caiu... – contou – Era uma ótima mãe e uma excelente profissional.

Esperei ele terminar de contar e andei devagar até ele.

– Já Bianca morreu num acidente de carro – fechou os olhos entristecido – Ela e a amiga, Zoe, voltavam de uma festa, mas um motorista desgovernado bateu no táxi onde elas estavam... Os três do táxi morreram.

Nico ainda estava de olhos fechados, portanto não me viu chegar perto dele e se assustou quando eu o abracei forte. No começo ele tentou se soltar do abraço, mas ao perceber que eu ia apertá-lo ainda mais, ele desistiu e se rendeu me abraçando de volta.

– Lembre-se que eu vou estar aqui pra você – falei ainda o abraçando.

Nico afundo o rosto em meu peito e respirou fundo, tentando não chorar.

– Will... – falou abafado, por ainda estar com o rosto no meu peito – Não sei como, mas você tem um cheiro de sol. Obrigado.

Eu ri e apertei um pouco mais o abraço.

~*~

Sei lá, mas eu sinto que depois de Nico ter confessado uma parte do seu passado para mim, nós ficamos mais próximos. Viramos confidentes. Eu sentia que podia confiar nele, e ele também podia confiar em mim, uma linda amizade havia se formado.

Aquela noite, depois de abraçá-lo e dizer que estaria perto dele sempre, Hades ligou e perguntou onde ele estava. Logo depois o moreno teve que ir embora. Claro que ele foi direto para a janela e ficamos apenas curtindo o silencio da noite e as gotas de chuva que caiam em nós. Não foi preciso um diálogo, embora eu quisesse muito conversar com ele, para entendermos que éramos amigos. Com Nico quase nunca se precisa usar o diálogo...

No dia seguinte pedi para voltar com meu antigo parceiro, também num plano para que Percy e Annabeth voltassem a se falar, e durante o resto manhã nós tivemos que escutar a loira xingando Percy de ‘cabeça de alga idiota’.

– Cara! – falou Leo sentando-se à mesa do refeitório – Vocês estão ligados na aluna nova? A tal de Calypso?

– Não... – falei comento meu pudim. Nico pareceu não conhecê-la e o resto da turma na mesa fez a mesma cara de desentendidos.

Menos Percy, ele apenas sorriu e olhou para Leo.

– Ela é uma ótima amiga, sente um pouco de raiva de mim por ter levado um fora, mas tirando isso é uma excelente pessoa – comentou e levou um tapa da loira ao seu lado.

– Como você a conhece?! – repreendeu-o. Percy apenas sussurrou um ‘depois te conto’.

– Ela é linda! – Leo falou animado – Mas parece que me odeia...

– Por quê? – Piper perguntou curiosa – Quer dizer, porque acha que ela te odeia?

– Só porque quando eu a vi perguntei se doeu – falou simplesmente.

– Se doeu o que? – dessa vez eu perguntei terminando meu pudim.

– Quando ela caiu do céu... – respondeu.

Todos pararam o que estavam fazendo e o encararam. Até mesmo Frank e Hazel que estavam num assunto totalmente alheio a nossa conversa pararam pra olhar Leo. Foi então que Piper tomou a palavra.

– Você é um idiota Leo – falou tentando controlar o riso.

Assim que ela terminou de falar, todos começaram um riso histérico. Menos Nico claro. Hazel se apoiou em Frank para tentar buscar o ar, Percy engasgou sozinho e ficou vermelho de tanto tossir, Jason fingiu limpar uma lágrima e Piper ria elegantemente.

– Ah parem! – Leo falou aborrecido – Porque estão rindo?! Qual é a graça?!

O olhei e sorri divertido.

– Você é a graça Leo. Não acredito que disse isso a ela – falei e ele apenas virou a cara, nervoso.

Depois de rirmos, o sinal tocou e todos voltaram para a sala, esperando o professor de história chegar. Quíron entrou acompanhado de um homem baixo, gordo e com uma cara levemente rosada. Ralos cabelos castanhos se encontravam em sua cabeça e suas roupas berrantes me lembraram que aquele era o diretor Dionísio.

– Olá pirralhos! – falou assim que entrou na sala.

Ninguém deu atenção. Todos continuaram a conversar e nem haviam percebido que o professor e o diretor estavam na sala.

– Alunos, o diretor quer falar com vocês! – Quíron falou alto.

– Pois bem, como vocês estão no último ano do colegial – fingiu uma tosse forçada – O colégio High Way School está patrocinando uma estadia num acampamento para vocês. Mas apenas no final do ano letivo.

Todos ficaram quietos, apenas processando o que aquelas palavras significavam.

– Apenas as três turmas do último ano irão e serão barrados aqueles que reprovarem – sorriu – Então estudem! – finalizou saindo da sala, batendo a porta.

Assim que ele saiu os burburinhos começaram. Todos sussurrando animados sobre a suposta viajem ao acampamento, alguns já fazendo planos, outros combinando quem iria dormir no chalé com quem. Até quíron bater na mesa e todos se calarem.

– Que tal começarmos as aulas? – perguntou calmo. E assim a aula começou.

~*~

– O que você acha dessa viajem ao acampamento? – perguntei a Nico, enquanto íamos a passos lentos para o trabalho.

– Não sei – disse simplista.

– Ah Nico! – falei fazendo muxoxo – Porque você faz isso comigo?!

– Isso o que? – me olhou rapidamente.

– Isso! Me responde tão seco, e até me ignora as vezes! – falei exasperado.

– Para de show Will, eu não faço nada disso – falou – Chegamos, vamos trabalhar.

Suspirei e o segui até nossa sala de decoração. Hoje era uma mulher recém falecida, de 30 anos que havia morrido de ataque cardíaco. Vesti a mulher na maior delicadeza possível e depois ajudei Nico a decorar e assinar a papelada comprovando que o corpo estava aqui no dia marcado e que sairia daqui na data e hora correta. Me perguntei como Nico sabia lidar com tudo aquilo e me senti tentado a perguntar a ele.

– Ei Nico... – chamei pelo moreno. Ele me olhou e eu respirei fundo – Porque é tão carinhoso com a Hazel? – perguntei subitamente. Tudo bem que eu estava bem curioso a respeito daquilo, mas não era isso que eu queria perguntar.

– É um assunto pessoal – falou – Talvez um dia eu vá te contar.

– Nico... – o chamei de novo.

– O que é Will? – falou impaciente.

– Você gostou daquele beijo? Digo, do beijo que eu te dei? – perguntei na maior cara de pau. Essa curiosidade já vinha me perseguindo há tempos. Mas nunca achei uma oportunidade boa o suficiente para perguntar a ele.

Nico me olhou incrédulo, depois engoliu em seco. Coçou a cabeça, ato que eu já havia notado que só fazia quando ficava nervoso com algo, e me olhou indiferente.

– O que é isso agora Solace? Um interrogatório sobre minha vida? – falou erguendo a sobrancelha num ato de pura rebeldia.

– O garoto da morte não gosta de interrogatórios? – brinquei e Nico fechou a cara.

Não me chame de garoto da morte – falou nervoso.

– Porque não? – ri – Seu pai é dono de uma funerária e você trabalha nela... Garoto da morte – falei provocativo.

Nico bufou e revirou os olhos.

– Garoto irritante – resmungou.

Sorri e olhei meu celular, havia algumas mensagens no WhatsApp que eu ainda não havia lido. Estranhei quando vi que eram quase todas de Drew, minha última ex-namorada. Resolvi abri primeiro as mensagens de Matt, meu melhor amigo em Malibu, e congelei quando li o que tinha escrito ali. Olhei rapidamente as mensagens da menina e meus olhos se arregalaram.

Quando eu me mudei a única coisa que agradeci foi por ter saído de perto dela. Tudo bem que ela era belíssima, mas era ciumenta, possessiva e patricinha demais. Não sei nem como eu consegui namorá-la por um meses! Desde que nos conhecemos ela tentava ficar comigo, ficou com todo o time de futebol da escola e depois tentou jogar seu charme em mim. Só fiquei com ela porque eu... Tudo bem nem eu sei por que aceitei namorá-la. Nunca senti nada por ela, mas ela pareceu gostar muito do tempo que ficamos juntos. Infelizmente a notícia que Matt me deu, e que eu confirmei nas mensagens dela, foi tão desagradável que eu nem conseguia responder a Nico que me chamava e perguntava se estava tudo bem. Eu estava em choque.

“Drew está se mudando para Nova Iorque, disse que não importa o que acontecer, vocês vão ficar juntos de novo!”

Notas finais
Até o próximo!