Notas iniciais
Espero que gostem! ♥

— Will

— Ei Will, já estamos indo... – escutei Annabeth falar, meio sem graça.

Estava sentado no sofá, respirando fundo para não voltar àquela cozinha e gritar com todos. Eu simplesmente não sabia mais o que fazer pra dizer a eles que eu não precisava de ajuda se quisesse conquistar Nico. Quando eles disseram aquilo no parque eu senti que tinha apoio, que eles sabiam o que fazer e que poderiam até facilitar minha vida.

Não foi isso o que aconteceu.

Desde que chegamos a minha casa, eles não param de jogar indiretas super diretas de que eu estava afim de Nico, e ele apenas fingia não escutar ou não entender. Fingia, porque era impossível não perceber o que se passavam ali, até Martha que estava limpando o fogão percebeu a confusão que eu havia me metido.

— Ah okay – falei tirando as mãos de meu rosto e apoiando meus ombros em minhas pernas. Annabeth me olhou culpada.

— Olha Will, eu não pensei que eles fossem fazer isso – começou chegando perto de mim e se sentando ao meu lado – Queria te ajudar de outra maneira, até Piper ficou constrangida com o que aconteceu na mesa.

— Ela não parecia culpada ou constrangida – comentei sarcástico. A menina suspirou.

— Pode não parecer, mas Piper gosta de fazer as coisas sutilmente. O que os meninos fizeram, sim porque foram apenas eles, foi um pouco errado, eles estavam eufóricos com a possibilidade de juntar vocês dois.

— Mas praticamente falar na cara do Nico que eu to afim dele é falta de privacidade Annabeth! Até parecem crianças! – esbravejei sem falar alto, Nico poderia ouvir.

— Tenta entender, eles desde que nos conhecemos, nunca viram Nico com alguém e ter a possibilidade de você todo alegre, sorridente e “iluminado” gostar de Nico que é o seu oposto, pareceu ótimo pra eles. Fizeram isso mais pensando na felicidade de Nico do que em você...

— Me anima muito saber disso.

— Você disse que se tentar, consegue conquistar o Nico – escutei seu tom de voz ficar sério – Então eu quero ver, conquiste Nico, use suas “táticas”, e se não conseguir nós vamos começar a agir.

— O que? – olhei incrédulo para a menina.

— Te dou um mês pra conquistar o Nico – se levantou – E se até lá, você não conseguir fazê-lo confessar que gosta de você também, nós vamos agir.

— Annabeth, você ta louca? – me levantei também – Eu não concordo com isso. Como assim?! Um mês? Conquistar Nico? – eu meio que comecei a surtar.

— Will não se finja de burro porque eu sei que você não é – respondeu séria – Eu me importo com Nico, Percy se importa com Nico, Jason se importa muito com Nico, os outros também se importam com Nico e é por isso que eu estou fazendo isso! Portanto cale a boca, pare de agir como uma menina burra que não sabe fazer e conquiste o Nico!

— ... – eu olhava Annabeth como se houvesse nascido um terceiro olho em sua testa.

— Eu sei que você consegue fazer isso. Suas histórias sobre Malibu, suas “conquistas” amorosas em Malibu não te ensinaram como ser sexy e autoconfiante? Por favor, haja como um homem!

Vi a menina sair da sala e ir em direção a cozinha e logo depois o pessoal já se despediam de um Will largado no sofá, boquiaberto e confuso.

As palavras de Annabeth rondavam minha cabeça e eu até tinha que concordar com ela. Na época que eu morava em Malibu nada me impedia de chegar perto da menina que eu sentia atração, eu apenas jogava meu típico sorriso cafajeste, algumas poucas palavras e pronto! Tudo o que eu queria estava ao alcance da mão. Não consigo entender porque eu não fazia isso com Nico, o que eu sentia era apenas uma forte atração por ele, talvez uma atração sexual já que eu não faço sexo há muito tempo, ou talvez uma atração por pura carência, a questão é que toda vez que eu estou perto dele, fico com medo de fazer alguma coisa errada e fazê-lo me odiar.

Ah estou ficando irritado comigo mesmo e com minha covardia ridícula! William Solace, você não era assim!

— Ei se continuar a pensar muito vai acabar queimando o único neurônio que existe nessa cabecinha loira – escutei a voz do moreno ecoando pela sala.

— Ahn? – perguntei sem entender.

Nico me olhou com as sobrancelhas arqueadas e colocou as mãos nos bolsos da calça jeans rasgada. Numa pose descontraída.

— Então... É isso? – perguntou sem me olhar.

— Isso o que? – o olhei sem entender. Nico bufou e andou a passos pesados em minha direção.

Sentou-se no mesmo sofá que eu, porém num pouco longe de mim, e pegou o controle da televisão. Observei Nico se acomodar no meu sofá e o moreno fingia que não notava meu olhar confuso.

— Vamos ver um filme, não entendeu? – respondeu minha pergunta subentendida – Não quero voltar pra casa agora...

— Ah tudo bem – sorri para ele – Coloca um filme ai, vou fazer pipoca!

— A gente acabou de almoçar Will – escutei Nico falar.

— E daí? É pipoca! Sempre tem um espacinho no estomago pra comer pipoca! – ri.

Eu ainda não entendia o porquê de Nico estar se interagindo tanto comigo, geralmente ele seria o primeiro a ir embora, mas isso só me encoraja a investir na possibilidade de conquistá-lo. Ri sozinho e coloquei a pipoca, já estourada, no pote.

Quando entrei na sala, parei de súbito e sorri com a cena de um Nico tão confortável no sofá. Aquilo parecia tão certo pra mim que chegou a doer quando lembrei que ele iria embora assim que o filme acabasse.

— Dá pra parar de agir como um psicopata e vir logo? O filme já vai começar – o moreno falou me olhando feio.

Ri e andei até meu lugar no sofá, obviamente me sentando mais próximo de Nico.

— Qual é o filme? – perguntei me ajeitando melhor e encostando totalmente sem querer meu braço no braço de Nico. O moreno pareceu não perceber que era um toque proposital.

— The Conjuring* — falou – É de terror.

Meu sorriso mudou drasticamente.

— Terror? – repeti apenas pra ter certeza – Não dá pra ser comédia? Ação? Aceito até um drama ou romance...

— Cala a boca, vai começar.

Fiz um bico exagerado e prestei atenção na tela da televisão. Meu pai não estava em casa, não faço ideia do que ele possa estar fazendo num domingo à tarde, eu já havia dispensado Martha logo após ela ter terminado as tarefas dela e apenas alguns poucos empregados, que eu descobri não serem tantos assim, já não estavam em casa desde manhã.

Ou seja, só estavam eu e Nico na casa. Sozinhos. Era uma oportunidade muito rara de acontecer.

Infelizmente Nico estava concentrado demais naquele maldito filme que não reparou às vezes em que eu o encarava descaradamente. Nem quando eu, tentando me ajeitar da posição desconfortável, cheguei mais perto dele ficando ainda mais desconfortável, mas isso era um pequeno detalhe a se esquecer, ou ainda quando eu simplesmente deitei minha cabeça em seu colo!

Tudo bem que quando eu fiz isso Nico só faltou me socar e me mandou sair de cima dele, mas mesmo ouvindo vários insultos eu continuei firme e forte com a cabeça encostada nas suas pernas.

— Que merda de filme foi esse Nico? – resmunguei assim que começou a rolar as notas finas – Vou ter sorte se conseguir dormir essa noite!

— Ah para de drama Will – escutei Nico comentar – Nem foi tão emocionante como eu achei que fosse...

— Não foi?! – esbravejei – Como consegue gostar de filmes assim?!

Vi Nico revirar os olhos e me ajeitei melhor no sofá. Minha cabeça ainda estava em seu colo. O moreno levou sua mão até meus cabelos loiros ondulados e começou a brincar com os fios, percebi que ele não havia notado o que estava fazendo.

E nossa... Como aquilo era bom!

Sorri satisfeito com o carinho e fechei os olhos apenas pra aproveitar o momento, meu coração parecia querer rasgar o peito de tão feliz que batia. Não sei quantos minutos se passaram desde que o filme havia acabado e Nico começado o cafuné, mas ele se levantou e ajeitou a roupa no corpo.

— Tenho que ir – falou de súbito.

— O que? Por quê? – perguntei sem entender o motivo de ele ter se levantando tão de repente.

— Eu só... Tenho que ir – escutei sua indecisão na voz e me levantei. Tinha alguma coisa errada.

— Ei Nico, o que foi? – Não houve resposta.

O moreno simplesmente andou até a porta de saiu. Olhei para a direção que Nico seguiu e uma grande interrogação se formou na minha mente. Afinal, porque raios Nico saiu praticamente correndo de casa?! Baguncei meus cabelos, ato que passei a fazer quase que inconscientemente desde que vim pra cá, e peguei o pote da pipoca, levando-o até a cozinha.

Subi para meu quarto e sentei em minha cama, eram apenas quatro e vinte de tarde. Não queria dormir, não tinha nada para fazer, e também eu não queria falar com o pessoal que me fez passar uma vergonha descomunal no almoço. Lembrei que havia ficado de falar com Matt e peguei meu celular entrando no WhatsApp. Havia muitas coisas que ele precisava saber desde a última vez que nos falamos hoje de manhã.

~*~

Se tiver coisa pior que acordar cedo, ainda mais acordar cedo na segunda-feira, alguém, por favor, me avise.

O barulho irritante do despertador tocava a cada segundo, a cortina que eu havia esquecido aberta noite passada iluminava meu quarto com os primeiros raios de sol do dia, e meu corpo doía por conta da posição incomoda que dormi. Tudo o que eu queria era matar Matt por me ter feito gastar várias horas da minha noite apenas pra escutá-lo se gabar de o quanto era sortudo por ter pedido em namoro a menina que ele gosta desde a quinta série e ela ter aceitado.

É... Meu amigo está crescendo e ficando responsável. A vida fanfarrona que ele levava acabou no exato segundo em que ela disse ‘sim’.

Desliguei o despertador e levantei. Fiz minha higiene matinal, tomei um banho quente e vesti uma roupa quente com um moletom cinza liso por cima, já que o dia hoje parecia mais frio. Desci quase me arrastando pelas escadas e encontrei Apolo sentando a mesa tomando café e lendo um jornal. Martha terminava de fazer um suco de laranja.

— Bom dia – falei com a voz lenta e arrastada.

Escutei os dois me responderem e olhei para meu pai, que parecia mais de ressaca do que qualquer outra coisa.

— Foi boa a noite ontem? – perguntei.

— Muito – respondeu aéreo.

— E como pretende atender seus pacientes hoje com essa cara pura ressaca? – alfinetei.

— Está tão visível assim? – perguntou abaixando o jornal e me olhando.

— Se disfarçar bem, nem se nota. Mas como eu reconheço uma ressaca de longe, sei que aproveitou muito a noite passada e nem se lembrou de levar seu filho – tomei um gole do suco de Martha, a elogiando logo em seguida – Tentou me matar de tédio ontem, foi?

— Você saiu logo cedo ontem, achei que tivesse marcado alguma coisa com seus amigos – respondeu – Alem do mais não vai querer sair com um velho feito eu.

— Desde que cheguei aqui, velho é a última coisa que eu usaria pra descrever você, pai – confessei. Apolo riu e se levantou.

— Termina logo de comer se não vai se atrasar – Olhei o relógio e resmunguei baixinho quando vi que estava quase na hora. Nunca o mês de Outubro passou tão devagar.

Quando cheguei a escola o sinal havia acabado de tocar, andei calmamente até minha sala e felizmente o professor ainda não havia chegado. O pessoal conversava animadamente, mas quando me viram se calaram rapidamente.

Sentei em meu lugar e vi apenas a mochila de Nico na cadeira, o moreno não estava na sala.

— Will – escutei a voz de Percy me chamar – Desculpa por ontem, ficamos apenas empolgados...

— Pois é cara – Jason concordou – Levei uma baita bronca da Piper quando saímos da sua casa.

— E eu da Annie – Percy comentou de bico.

— Tudo bem, eu entendo vocês... É só que eu pensei que vocês fossem fazer algo bem elaborado e não ficar jogando indiretas e fazendo piadinhas toscas sobre as “possíveis cantadas que eu posso dar em Nico” – respondi.

— Mas essa última parte foi só o Leo que fez – Jason resmungou.

— Mesmo assim! Não quero mais que se preocupem com isso, vou dar meu próprio jeito – falei sorrindo e senti o olhar tempestuoso de Annabeth sobre mim.

— Espero que dê mesmo Will – a loira falou sorrindo como se não tivesse basicamente me ameaçado na tarde anterior.

O professor de inglês entrou na sala e logo após ele, Nico entrou também. Resolvi não perguntar ao moreno o motivo dele ter saído praticamente correndo da minha casa. Talvez ele quisesse ir ao banheiro e não se sentia a vontade indo no da minha casa... Prefiro pensar que foi isso, a qualquer outra coisa.

— Bom dia Nico – falei assim que ele se sentou em seu lugar.

— Hm – respondeu.

Ergui uma sobrancelha e o encarei.

— Pensei que já tivéssemos passado da fase “respostas monossilábicas” – falei.

— Senhor Solace, pare de conversar com o colega ao lado e preste atenção na aula – o professor falou assim que me viu falar com Nico, suspirei indignado e me virei para frente.

Com certeza no intervalo eu falaria com Nico e esclareceria o comportamento dele.

Notas finais
The Conjuring* um filme muito bom de terror baseado em fatos reais, mais conhecido aqui no Brasil como Invocação do Mal. Curiosidades: O ano letivo nos EUA se inicia em agosto/setembro, ou seja, Will chegou a NY em agosto! E sobre a temperatura de lá, nessa mês (Outubro) a temperatura varia entre 17°C a 10°C. Até o próximo! ♥