Preto é a Cor do Amor
18 Let me mend your soul
Notas iniciais
— Will
Se for possível alguém sumir na hora do intervalo, esse alguém era Nico. Poucos minutos antes de o sinal tocar, Reyna havia chamado o moreno e falado alguma coisa com ele, já que quando o sinal tocou, ele e ela saíram rápido da sala.
— Sabe que se ficar parado não vai achar o Nico, não? – escutei Annabeth me falar.
— Ele deve ter ido resolver uns assuntos do Grêmio Estudantil – escutei Jason falar – Ele e Reyna fazem parte.
— Sério? – fiquei surpreso.
Então no dia em que Nico havia sumido com Reyna, e que eu havia experimentado minha primeira dose de ciúme do moreno, ele provavelmente havia ido resolver assuntos do Grêmio. Sorri com a imagem de Nico responsável lutando pelos direitos dos alunos.
— Vamos pro refeitório, ele quando acabar vai nos procurar – Piper falou puxando Jason e encontrando Leo, Frank e Hazel já nos esperando na porta.
Eu não queria sentar e esperar por Nico queria sair correndo procurando o moreno por cada canto da escola, perguntar o que estava acontecendo com ele, pra me tratar tão friamente, perguntar o que eu tinha feito!
Mas não fiz isso, ao invés disso, fiquei apenas sentando na mesa com a mente em onde Nico poderia estar.
— Ei Will – Hazel me chamou – Nossa tá com a mente longe, né? – riu.
— Ele ta pensando em certo moreno de olhos negros, que por coincidência é seu irmão Hazel – Percy brincou.
— A sala do Grêmio fica perto da sala do diretor, Will – a menina de olhos muito parecidos com ouro derretido sorriu amigavelmente – Vai lá falar com meu irmão, você parece ter algo a tratar a ele.
Sorri agradecido a ela e sai, educadamente, da mesa andando com um pouco de pressa. Fui até a sala que eu já nem lembrava direito, havia ido até lá apenas no meu primeiro dia de aula, e procurei a porta que era da sala do Grêmio. Não demorei muito para achar a porta com a indicação do Grêmio e entrei, o que vi me deixou com ainda mais motivos para ter ciúmes de Nico com a Reyna.
A menina envolvia os braços ao redor do corpo pequeno de Nico, e o mesmo apenas se deixa ser abraçado por ela. Um sorriso brincalhão dançava nos lábios da garota, e deu um selinho singelo, mas que para uma pessoa possessa de ciúme foi a gota d’água, na sua testa.
— Atrapalho algo? – perguntei um pouco alto demais, minha voz pingava ironia.
— Oh Will – Reyna sorriu pra mim, seu abraçou em Nico afrouxou e uma risada saiu de seus lábios – Entre, já acabamos a reunião, o pessoal já saiu.
Continuei na porta da sala, com os braços cruzados e analisando a cena com os olhos cerrados. Nico saiu de perto de Reyna e começou a separar algumas folhas que estavam espalhadas em cima da mesa.
— Não estava atrapalhando nada – falou sem me olhar. Fiquei ainda com mais raiva dele por agir como se eu tivesse o flagrado fazendo algo errado, e o pior é que eu realmente sentia que tinha flagrado os dois num momento intimo.
— Sei... – disse sarcástico. Reyna se levantou e andou em minha direção. Meu sangue fervia em vontade de gritar com ela dizendo que Nico era meu, só meu. A menina com o cabelo castanho e trançados de lado sorriu para mim e pediu passagem.
Ela era bonita, provavelmente deveriam existir vários rapazes aos seus pés, mas saber que ela poderia estar com Nico, de um modo muito mais intimo, me deixava enjoado. Apenas imaginá-lo beijando Reyna, abraçando-a, se declarando para ela! Tudo isso era tão desagradável e errado pra mim.
Nico continuava fingindo que eu não estava na sala, Reyna já havia saído e agora era apenas eu e ele sozinho na pequena salinha. O corredor não era tão movimentado, provavelmente por ser o corredor da sala do diretor, o baixinho temido por todos, então resolvi entrar e fechar a porta. Nico ouviu a porta fechar e me olhou alarmado.
— O que ta acontecendo Nico? – perguntei chegando perto do moreno – Porque correu ontem? Eu fiz algo errado?
Nico ainda não me olhava e parecia ter achado o trabalho com as folhas super interessante, tudo isso apenas para não me encarar.
— Me responde Nico! – esbravejei nervoso.
— Nada – escutei sua voz baixa – Não aconteceu nada.
— Não é o que parece!
— Você queria que eu agisse normal depois daquele almoço?! – perguntou finalmente se virando para me encarar.
E eu desejei que ele não tivesse feito isso. Seu olhar me parecia culpar por alguma coisa, era tão intenso que parecia que o peso do mundo, do mundo de Nico, estivesse sendo posto em meus ombros. A acusação do moreno me fez dar um passo pra trás, foi como um tapa na cara, meus olhos se arregalaram minimamente e um ofego surpreso escapou de meus lábios.
— Mas você... – tentei falar, mas minha voz parecia querer fugir daquele local. Como eu queria matar Percy, Jason e Leo!
— Eu até tentei fingir que não tinha escutado eles falando aquilo, eu gosto da sua amizade, mas não dá! – exclamou – Eu não... Não posso... Não com você...
— Você não pode o que Nico? – perguntei segurando o moreno pelos ombros. Seu olhar suplicava descanso, seu corpo tremia levemente e ele parecia estar travando uma batalha interna.
Num movimento rápido eu o abracei e Nico pareceu surpreso com essa demonstração de carinho, tentou se afastar, mas eu o apertei mais forte entre meus braços. Meu coração batia forte e eu podia sentir o de Nico, acelerado assim como o meu. Comecei a acariciar os cabelos negros e rebeldes do menino e senti seus braços, ainda meio vacilantes, envolverem minha cintura. Sua respiração se acalmou gradativamente e as batidas do coração se normalizaram.
— Tá melhor? – sussurrei em seu ouvido. Tudo bem que eu não precisava ter sussurrado no ouvido dele, mas ver seus cabelinhos da nuca se arrepiar, apenas com minha voz, me deixou animado.
Nico se limitou a acenar com a cabeça ainda enterrada em meu peitoral.
Minhas mãos desceram dos cabelos para as bochechas do menino, seus lábios finos estavam crispados em nervosismo e sua pele sempre pálida, ganhou um tom rosado. Passei meu dedão levemente por cima do lábio inferior e ele relaxou a boca, sorri e então me aproximei de seus lábios, dando um selinho nele.
Quando separei nossos lábios, dei um sorriso singelo ao ver o rosto corado de Nico. Ele era tão fofo quando o assunto era um pouco mais íntimo do que ele estava acostumado, sempre corava e não sabia o que falar ou fazer. Colei nossos lábios mais uma vez e tentei aprofundar o toque íntimo. Nico no começo hesitou e tentou me afastar, mas minhas mãos que estava em sua cintura o seguraram firme e o moreno cedeu abrindo lentamente os lábios, permitindo que eu aprofundasse o beijo.
Eu podia notar ainda sua inexperiência em beijar, já que o “primeiro” beijo dele havia sido comigo, a simples lembrança daquele dia me fez sorrir entre o beijo. Ele tentava ao máximo me acompanhar e mostrar que sabia beijar, minha língua provar e explorava toda a extensão da boca do moreno, já sua língua parecia até um pouco perdida naquele toque afoito. Suguei sua língua perdida e finalizei o beijo com uma leve mordida em seu lábio inferior.
Não porque eu estava com falta de ar, mais sim porque percebi que Nico quem estava com a falta de ar.
— Você não podia... – tentou se pronunciar. Eu podia escutar seu coração bater descontrolado, suas bochechas estava coradas e seus lábios estavam meio avermelhados.
— Por quê? Porque não devia? – perguntei o olhando fixamente, queria tanto beijá-lo de novo, o gosto da pasta de dente de menta de Nico ainda estava em minha boca.
— Você não vai querer alguém tão machucado como eu... – disse, por fim – Minhas cicatrizes são profundas demais, Will.
— Então me deixe curá-las – respondi acariciando seu rosto – Me deixe remendar a tua alma.
O moreno me olhou surpreso e voltou a colocar sua cabeça em meu peitoral. Escutei o sinal tocar e Nico tentou se soltar do abraço.
— Vamos matar essa aula... – falei dando selinhos no pescoço de Nico.
— Não, Will – falou – Para com isso.
— E se eu não quiser? – perguntei, suguei seu pescoço sem fazer muita força para não ficar roxo, Nico arfou.
— Eu... Eu... – tentou falar, mas selei nossos lábios, iniciando um beijo necessitado por minha parte, minhas mãos seguravam firme a cintura de Nico e o moreno pousou suas mãos ao redor do meu pescoço. Escutei vozes no corredor se aproximarem da porta, mas o beijo estava intenso, Nico tentava me acompanhar no ritmo quase desesperado que eu impus no toque, mas também tanto tempo querendo beijar esse moreno não tinha nem como eu não estar afoito com isso.
— Er... Você é o Nico? – escutei uma voz feminina ecoar pela sala. Nico rapidamente quebrou o beijo e se afastou de mim, ele estava muito corado, com a respiração acelerada e lábios vermelhos.
A menina estava desconfortável, corada e tentava não nos encarar com os olhos, o celular na mão denunciava que a poucos segundos atrás ele fala ao telefone.
— Sou – Nico falou tentando se recompor. Eu apenas sorri maroto.
— Reyna pediu pra vir aqui pegar as folhas que você estava separando... – comentou sem graça. Revirei os olhos quando escutei o nome da menina e soltei uma risada divertida com o constrangimento das duas pessoas na minha frente.
— Ah ta, vou pegar – o moreno se virou para a mesa e começou a pegar as folhas. A menina me olhava com um misto de curiosidade e decepção, provavelmente pensando como alguém como eu poderia gostar de outro homem – Aqui.
— Obrigado – sorriu pequeno – E desculpe atrapalhar.
— Tudo bem – interrompi Nico que abriu a boca pra falar alguma coisa e que estava ainda mais corado.
A porta foi fechada e então eu abracei Nico por trás. O moreno se desvencilhou do abraço e me olhou alerta.
— Vamos deixar as coisas claras aqui – falou firme, porém corado – Nós não estamos juntos, vamos apenas “ficar”, ninguém pode saber de nada!
— Mas aquela menina já sabe – comentei divertido.
— Por culpa sua! – falou teimoso.
— Vamos pra sala, a professora de matemática provavelmente já deve estar dando matéria – respondi desviando o assunto. Sai da sala com Nico, nervoso, atrás de mim.
— Você entendeu?! – escutei Nico perguntar. Os corredores já estavam vazios e nós dois andávamos a passos rápidos até nossa sala no segundo andar.
— Entendi, nós estamos ficando e ninguém pode saber – sussurrei parando na frente da nossa porta – Fica tranqüilo,amor.
Brinquei com Nico e abri a porta, pedi licença a senhora Dodds que nos olhou com fúria nos olhos. Olhei de canto de olho o moreno atrás de e vi que o mesmo me fuzilava com o olhar, nada contente. Ri da sua cara.
O resto das aulas se passou normalmente, conversamos com o pessoal, e vez ou outra eu encostava “sem querer” meu braço em Nico, ou minha mão na sua. Claro que o moreno fechava a cara e se afastava discretamente de mim, mas isso tornava tudo ainda mais divertido. Eu sentia os olhares de Annabeth sobre mim e tentava não me lembrar de suas palavras, que insistiam em me atormentar.
“Um mês”
Bem, eu já consegui fazer Nico ceder e começar um “relacionamento mais que enrolado” comigo, então será mais fácil fazê-lo gostar de mim. Tenho apenas que conquistá-lo aos poucos, ele ficará tão acostumado com a minha presença que quando eu sair, ele sentirá falta. Nico di Ângelo se apaixonará por mim, cedo ou tarde.
Talvez eu até dê uma passada em sua casa hoje, apenas para ter o prazer de vê-lo corado e entregue aos meus beijos outra vez. Ou não, quando se trata de Nico eu não consigo prever nada, num momento ele não queria nem olhar minha cara, mas no outra está agarrado a mim, como chiclete.
Nico di Ângelo só podia ser bipolar.
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