Pretérito Imperfeito

24 Capitulo Vinte e Quatro


Notas iniciais
Boa leitura !

Capitulo vinte e quatro.

“O mundo não é horrível. As pessoas não são horríveis. Elas querem ser boas. Algo as tornam ruins”. – Camille (The Originals).

~♥~♥~♥~

Gaara sorriu tristemente para nós, mais lágrimas caindo de seus olhos verdes e eu senti meu estômago revirar.

– Nós a encontramos. – Ele disse, a voz falhando.

E foi ai que meu mundo desabou.

Meus olhos inundaram novamente, senti o ar faltar e minhas pernas fraquejarem.

Cai de joelhos no chão, abaixando a cabeça e deixando tudo sair.

Lágrimas, soluços, dor...

– Ino... – Sussurrei.

Eu não conseguia acreditar.

Eu não podia acreditar.

– Testuda... Ridícula...

Meu corpo travou ao ouvir aquela voz.

Olhei para cima, vendo os enormes olhos azuis de Ino grudados em mim.

– Acha que vai... Se livrar de... Mim? Não me faça... Rir.

E ela sorriu irônica.

Senti mais lágrimas vindo e não pude conte-las.

– Porca desgraçada. – Falei entre soluços. – Vá assustar outro idiota.

Ela riu levemente, mas logo fez uma careta de dor.

– Ela está machucada. – Gaara disse. – Não quis ir para o hospital, disse que queria que você cuidasse dos machucados dela.

Assenti e tentei me levantar, sentindo minhas pernas fraquejarem.

Senti braços fortes me ajudando a levantar e, pelo canto dos olhos, vi Sasuke ao meu lado. Não pude evitar sorrir para ele.

– A coloque no meu quarto. – Falei.

Gaara assentiu e subiu a escada, a levando para lá.

– Obrigada, Sasuke.

Ele sorriu e eu sai correndo para o meu quarto.

Expulsei Gaara de lá e fui cuidar dos machucados de Ino.

– O que aconteceu? – Perguntei, limpando seus machucados.

Ela suspirou, fazendo uma careta.

– Já assisti muitos filmes de ação para saber quando tem algo errado com um carro. – Falou, parando as vezes para pegar mais ar.

– Como assim?

Ela fez uma careta quando passei o algodão em seu rosto.

– Você sabe que tem “florestas” espalhadas por toda cidade, não é?

Realmente, o que mais tem nessa cidade é arvores, parece que formam um bosque em cada esquina.

– Pois é, — Ela continuou depois de respirar fundo. – toda hora eu escutava um “bipe” no carro do Gaara, ai parei perto de um montinho de arvores e abri o porta-luvas. Tinha uma bomba lá dentro, ia explodir em dez segundos.

A olhei surpresa.

– Sério? Mas como a bomba foi parar lá?

– Não tenho ideia. Alguém deve ter entrado no estacionamento do prédio do Gaara e colocado lá depois que ele saiu.

– E o que você fez? – Perguntei.

Ela me olhou descrente.

– Corri, é claro. Quando terminei de atravessar a rua, explodiu. Machuquei-me um pouco na explosão, mas me forcei a correr quando vi uns homens de preto atrás de mim. Eu estava perto da delegacia do Gaara, mas era um bairro parado, não tinha ninguém na rua para me ajudar.

Ela respirou fundo.

– Corri o tempo inteiro, atravessei umas quatro “florestas” até que parei na delegacia. Gaara estava lá na porta com Naruto e me viu rapidamente. Os homens dele prenderam meus perseguidores, mas eu já estava exausta, se fosse para correr por mais um minuto, eu não conseguiria.

Suspirei.

– Ainda bem que você não morreu. – Falei. – Não sabe o quanto fiquei preocupada.

Ela sorriu carinhosamente para mim.

– Você prometeu ao meu pai que cuidaria de mim, se eu morresse, ia voltar e puxar seu pé pelo péssimo trabalho.

Eu ri levemente.

– Acho justo. – Continuei limpando os machucados. – E porque Gaara está chorando tanto?

Ela suspirou e fechou os olhos.

– Culpa. Ele acha que isso aconteceu porque ele me pediu para levar o distintivo para ele. Mas eu não entendo uma coisa, Sakura.

A olhei.

– O que?

Ela abriu os olhos, me olhando seriamente.

– Como sabiam que eu ia usar o carro do Gaara?

Essa pergunta me pegou de surpresa.

– Gaara acha que grampearam meu telefone. Bom, ele foi para o brejo na explosão mesmo...

Terminei de cuidar de todos os machucados dela e sorri.

– Nova em folha. – Falei. – Mentira. Vai sentir muita dor nos machucados, tome cuidado.

Ela sorriu.

– Obrigada, Testuda.

Sorri também.

– Sempre vou cuidar de você, Porca.

Ela suspirou.

– Estou louca para chegar em casa e tomar um longo banho. – Falou.

Batidas na porta.

Ela foi aberta e por ela passou Sasuke e Gaara. O ultimo olhou para Ino e sorriu fracamente.

– Gaara querido, vamos para casa? – Ino falou.

Aquela porca já estava normal, tsc...

Gaara assentiu e veio até a cama, a pegando no colo e começando a sair do quarto. Os pés de Ino estavam machucados por ter corrido com sapato de salto e depois ter tirado eles e queimado os pés na neve. Mas Ino também, andar de salto quando está nevando?

Eu e Sasuke os acompanhamos até a porta e vi Gaara colocando Ino dentro de uma Lamborghini preta.

– Aquele carro não é...

– Meu. – Sasuke me interrompeu. – É da minha coleção. Eu o dei para Gaara, mas ele não quis, então o emprestei até que ele compre outro.

Sasuke coleciona carros fodões, haha.

Gaara se virou para nós e se despediu, entrando no carro logo em seguida.

– Te mando noticias, Testuda. – Ino disse antes de Gaara acelerar.

Eles foram sumindo da vista e eu suspirei.

Senti o braço de Sasuke passando por meus ombros e lhe dei um sorriso.

– Por favor, diga que vou poder dormir hoje. – Pedi.

Ele riu levemente.

– Depois de tudo o que aconteceu hoje, pode dormir no meu quarto.

Eu ri e depois olhei sério para Sasuke.

– O que vai acontecer com Fugaku? – Perguntei.

Ele suspirou.

– Acusado de tentativa de assassinato a Ino e a você. Ele está sendo procurado pela policia, mas não acho que ele vai ser pego, não antes de aprontar uma das grandes.

– Maior do que essa? – Perguntei preocupada.

– Bem maior, querida.

~♥~♥~♥~

Ino pov’s.

Gaara ficou em silencio o caminho inteiro, sequer olhava para mim.

Quando chegamos ao apartamento, ele me pegou no colo novamente e eu fiz questão de ficar o encarando até entrarmos em casa.

– Tsc, fale logo. – Ele resmungou, entrando no meu quarto.

Cheguei a cabeça perto de seu pescoço e respirei fundo. Até todo suado, Gaara era cheiroso, como pode?

– É você que está estranho. – Falei.

Ele suspirou.

– Vou fazer comida para você enquanto toma banho. – Falou.

Ele me deixou na cama e ia sair, mas eu segurei sua mão.

– Gaara, não foi sua culpa. Não tinha como você saber que havia uma bomba no carro.

Ele não olhou para mim.

– Desculpe por não estar lá quando você precisou.

Me forcei a ficar de pé, sentindo os mesmos doerem.

– O que está fazendo? Está com os pés machucados, levante-se apenas para tomar ban...

O interrompi.

Encostei meus lábios nos dele levemente, me afastando em seguida e vendo seu rosto corado.

– Você sempre está perto quando eu preciso, Gaara. Não foi sua culpa.

Ele me olhou e passou a mão pela minha bochecha.

– Você fez eu me contradizer. – Sussurrou.

– Como assim?

Ele me abraçou.

– Lembra quando me perguntou se eu tinha medo dos bandidos no inicio e eu disse que nunca havia sentido medo?

Assenti e ele me apertou.

– Nunca senti tanto medo igual hoje. – Sussurrou. – Fiquei com muito medo de não te ver mais, de chegar em casa e não ter mais o seu sorriso para me recepcionar, de voltar a ficar sozinho.

Fiquei surpresa com suas palavras, mas acabei sorrindo.

– Eu já disse que nunca vou te abandonar. – Sussurrei.

Alguns segundos depois, eu ri, sem graça.

– Você pode me deixar no banheiro? Meus pés estão doendo tanto que acho que não consigo ir sozinha.

Ele riu levemente e me levantou nos braços, entrando no banheiro logo em seguida.

– Vou trazer toalha e roupas para você. – Falou e saiu.

Sorri e tirei a blusa, ficando apenas de sutiã. Quando desabotoei a calça, ele entrou no banheiro.

O rosto ficando extremamente corado, ele já estava levemente vermelho ao entrar no banheiro e entendi que foi porque ele mexeu na minha gaveta de roupas intimas.

Comecei a rir quando ele desviou o olhar.

– Você é tão fofo, Gaara.

– Tsc, pegue logo essas roupas. – Ele falou envergonhado.

Deixei a cabeça cair levemente para o lado, o olhando com malícia.

– Eh? Pensei que ia receber a visita do Gaara pervertido, mas acho que me enganei. – Falei.

Ele franziu o cenho, me olhando.

– Você é uma pervertida, Ino.

Eu ri.

– E você adora quando te provoco.

Peguei as roupas dele e ele sorriu com malícia.

– É, às vezes eu gosto, principalmente quando é com pouca roupa.

Eu ri e o olhei.

– E não é que o Gaara pervertido apareceu mesmo?

Ele riu e colocou a mão no queixo, em uma pose pensativa enquanto ainda me olhava com malícia.

– Sabia que posso prendê-la por assedio sexual?

Eu tive que rir disso.

– Não é assedio se você deixa e gosta, querido.

Ele passou o olhar pelo meu corpo.

– E por atentado ao pudor também. – Falou.

Sorri.

– Como se você fosse muito inocente, Gaara.

Ele fez cara de indignação e se aproximou de mim, enlaçando minha cintura.

– Mas eu sou um anjo.

Ele foi inclinando para mim.

– Super angelical.

Quando ele ia me beijar, eu virei o rosto.

Ele me olhou confuso e eu sorri marota.

– Qual é o novo plano? – Perguntou. – Provocar e deixar na vontade?

Sorri mais.

– Te fazer pedir por mim, esse é o novo plano. Você reclama das provocações, mas agora eu vou te provocar ao máximo, só para ter o gostinho de te ouvir pedir.

Ele sorriu do mesmo modo.

– Não se eu te fizer pedir primeiro. – Ele disse, completamente malicioso.

Era incrível como sua personalidade mudava com um pouquinho de provocações.

– Que vença o melhor. – Falei, passando os lábios nos dele levemente.

Senti sua mão apertar minha bunda e me assustei levemente. Gaara é imprevisível.

– Boa sorte. – Sussurrou.

Ele me soltou e foi para a porta.

– Quando terminar, me chame para te levar para a sala. – Falou meigamente.

Adeus, Gaara pervertido.

– Sim senhor.

Ele saiu e eu fui tomar meu banho, pensando em mil e uma maneiras de provoca-lo.

Eu, com certeza, vou vencer.

~♥~♥~♥~

Sakura pov’s.

Eu estava deitada em diagonal na cama do Sasuke, olhando para o teto.

Aquela loira abusada já deve ter esquecido do susto e está atacando o coitado do Gaara, ele deve sofrer nas mãos dela.

Mas eu fiquei extremamente feliz em saber que ela está bem, que Fugaku não conseguiu seu objetivo. As palavras de Sasuke me preocupavam, mas eu não deixaria isso me abalar.

– Você não acha que está muito folgada?

Desviei o olhar para a porta, vendo Sasuke encostado nele e de braços cruzados.

– Nem um pouquinho. – Respondi.

Ele suspirou e balançou a cabeça negativamente, seguindo para a cama logo em seguida. Ele se deitou e parte de seu corpo ficou em cima do meu por causa da maneira que estava deitada.

Lhe cutuquei e me sentei, começando a olha-lo.

– O que foi? – Perguntou, percebendo meu olhar.

– Obrigada. Por hoje, quero dizer.

Ele deu de ombros.

– É o mínimo que eu poderia fazer. Você já me apoiou tantas vezes, se te deixasse sozinha, ia ser muita sacanagem da minha parte.

Sorri e depois suspirei.

Estava cansada.

– Durma. – Sasuke disse. – Não precisa ir para a Petrolífera amanha, eu vou apenas para anunciar o recesso e venho embora.

O olhei.

– Recesso? Já?

Ele me olhou descrente.

– Sakura, amanhã já é dia 20 de dezembro.

Mas já? Eu nem tinha percebido o tempo passar.

– E o que você costuma fazer no Natal? – Perguntei.

Sasuke ficou em silencio por longos minutos e eu percebi que aquela não era a pergunta certa.

– Bebo até cair em qualquer lugar.

O olhei surpresa pela resposta.

– Não gosta de comemorar? – Perguntei receosa.

– Não. – Fechou os olhos. – Me traz muitas lembranças.

Pensei por alguns instantes.

– O que nós vamos fazer no desse ano? – Perguntei.

Ele abriu os olhos e os focou em mim.

– Nós?

Senti minhas bochechas corando.

– É, nós. Quero dizer, se você não se importar de eu ficar com você no Natal, claro.

Ele me analisou por alguns segundo e depois sorriu, se sentando.

– Então nós vamos viajar. – Falou.

– Viajar? Para onde? – Perguntei surpresa.

Ele abriu os braços, como se fosse um pássaro livre de uma gaiola.

– Para qualquer lugar que você queira. Qualquer lugar longe daqui e, principalmente, longe de Fugaku. – Falou animado.

Eu ri de sua animação.

– Vamos viajar então...

Continua...

Notas finais
Surpresa: Ino vivíssima e viagem SasuSaku ! õ/ kkkk Minna, espero que tenham gostado.. :D Até o próximo, beijos... :*