Pretérito Imperfeito
25 Capitulo Vinte e Cinco
Notas iniciais
Capitulo vinte e cinco.
“Porque nós somos seres humanos e quando nós, humanos, queremos algo, muito, muito mesmo, nós mentimos”. – Supernatural.
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Segunda-feira, 22 de dezembro.
Eu e Sasuke passávamos pelo meio do aeroporto atraindo vários olhares.
Ino tinha arrumado minhas coisas, ou seja, eu estava com uma mala enorme enquanto Sasuke estava com um de tamanho razoável.
Fomos para o embarque, nosso voo já havia sido anunciado e estávamos nos dirigindo para o avião.
– Sasuke, pode me explicar de novo para onde vamos? – Pedi quando entramos no avião e nos sentamos em nossos lugares.
Primeira classe. Quase não havia ninguém nessa parte do avião.
– Estamos indo para a Itália, dia 24 de manha iremos para Paris, dia 26 iremos para Londres e dia 30 iremos para os Estados Unidos, encontrar com a Ino e o Gaara. Estaremos de volta no dia 2 de janeiro. – Sasuke explicou.
Suspirei.
Eu havia escolhido passar o ano novo nos Estados Unidos junto com minha única família, Ino e Inoichi, e deixei o Natal por conta de Sasuke, mas não imaginei que faríamos um tour.
– Sasuke, eu não sei falar italiano e francês. – Falei o olhando.
Ele sorriu.
– Mas eu sei. Não se preocupe, não vamos nos perder.
Me encostei na poltrona macia do avião e me permiti relaxar.
Depois de alguns minutos, o avião decolou e nós partimos para a Itália.
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Ino pov’s.
O telefone tocou e eu me levantei do sofá para atender, já que Gaara estava ocupado demais fazendo uma lasanha que eu pedi.
Morar com quem sabe cozinhar maravilhosamente bem é outro nível.
– Alo? – Atendi.
– Então você está mesmo com ele.
Respirei fundo ao ouvir aquela voz. Era apenas uma questão de tempo para que ele me procurasse para pedir.
– Sim, estou morando com ele, Shikamaru.
Ele suspirou.
– Ino, eu sei que isso é problemático demais, mas a Temari quer vê-lo.
Me sentei no sofá.
– Eu já imaginava que ela queria. Mas eu não sei se posso dizer o mesmo sobre o Gaara.
Ao ouvir seu nome, ele saiu da cozinha e se apoiou na parede, me observando.
– Podemos marcar um encontro? – Shikamaru perguntou. – Vocês podem vir na minha casa, é mais reservado. Pode perguntar a ele?
Suspirei.
– Que dia e que horas? – Perguntei.
Ele pareceu pensar.
– Pode ser hoje a noite? Vocês podem jantar aqui.
Olhei para Gaara e depois suspirei de novo.
– Vou falar com ele, me ligue de novo mais tarde para eu te falar se vamos ou não.
– Certo. Obrigado, Ino.
– Não me agradeça ainda. – Falei e desliguei o telefone.
Me levantei do sofá e fui até o Gaara, parando em sua frente com a expressão séria.
– O que houve? – Ele perguntou sério.
– Temari quer te ver. Hoje a noite. – Falei.
Sua expressão séria vacilou um pouco, mas ele logo se recompôs.
– Eu não sei se quero vê-la. – Respondeu.
– Eu sei, mas você não acha que devia dar uma chance a ela? É difícil para você, mas tente imaginar como ela está se sentindo também.
Ele pareceu pensar nas minhas palavras e depois suspirou.
– Você vai comigo? – Perguntou, a expressão meio vacilante.
– Não te deixaria ir sozinho mesmo que me pedisse.
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Sakura pov’s.
Desembarcamos na Itália. Em Milão, para ser mais exata.
Estava frio, mas o enorme casaco que eu vestia me esquentava tanto que quase não sentia.
Pegamos um táxi e fomos para o hotel, Sasuke era o único que falava, eu não entendia bolinhas do que ele dizia.
Quando chegamos ao hotel, Sasuke falou com a recepcionista e ela lhe entregou uma chave. Ele segurou minha mão e me puxou, seguindo para o elevador e apertando o botão da cobertura.
– Espero que não se importe de ter apenas uma cama no quarto. – Ele deu de ombros. – Já dormiu varias vezes na minha, achei que não ia se importar.
Senti meu rosto esquentar com esse “já dormiu varias vezes na minha”. Só eu que achei que ficou uma colocação de duplo sentido?
– Tudo bem, não tem problemas. – Falei envergonhada.
O elevador parou e saímos dele, parando em frente a uma porta, da qual Sasuke destrancou e abriu para que eu passasse.
O quarto era enorme.
Tinha uma cama de casal gigante, uma cômoda, mais para o canto tinha o sofá, uma televisão gigante junto com DVD, no outro canto tinha uma bancada, uma geladeira, pia e armários.
Abri uma porta que tinha ali e dei de cara com um enorme banheiro. Impressão minha ou isso é um hotel cinco estrelas?
– Não devia gastar com hotel cinco estrelas. – Resmunguei.
– Mas não são cinco estrelas. É três. – Olhei para Sasuke. – O cinco já estava lotado.
Bufei. Ele não tinha que se preocupar com dinheiro, ele é rico, esqueceu Sakura?
– O que acha de passear pela cidade? – Sasuke perguntou.
Sorri para ele.
– Adoraria, mas posso descansar primeiro?
Me joguei na enorme cama, sentindo meu corpo dar leves pulinhos por ser colchão de molas.
– Você que manda. – Sasuke disse e entrou no banheiro, segurando uma toalha.
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Ino pov’s.
Gaara estacionou em frente à casa de Shikamaru e eu o impedi de abrir a porta quando ele tentou. Ele olhou para mim e eu virei à cabeça um pouco para o lado, o analisando.
Ele não deu um pio desde o momento que foi tomar banho para virmos para cá, nem sequer me respondeu quando perguntei se ele estava bem.
– Eu estou bem. – Ele falou com um meio sorriso.
– Certeza? Se quiser, podemos ir embora agora.
Ele negou com a cabeça.
– Vamos terminar logo com isso.
Ele abriu a porta e saiu e eu o segui. Tocamos a campainha e ouvimos um barulho no portão.
Segurei a mão de Gaara firmemente para lhe passar apoio e ele entrelaçou nossos dedos, apertando minha mão sem seguida.
O portão abriu e nos mostrou Shikamaru, que sorriu amigável para nós.
– Entrem. – Falou.
Nós entramos e logo Shikamaru abriu a porta da frente, onde um ar quentinho nos recebeu e me fez relaxar um pouquinho.
Senti a mão de Gaara soltar da minha e o olhei assustada quando Temari passou correndo por nós e o abraçou.
– Gaara. – Ela disse, a voz chorosa.
Gaara olhou para mim, sem saber o que fazer e eu sorri encorajadora, fazendo sinal para ele abraça-la também e assim ele fez.
Logo ele soltou-se dela e voltou a segurar minha mão. A mão dele estava gelada e levemente tremula e eu a apertei, como se falasse para ele se acalmar.
Temari se virou para mim, o olhar extremamente irritado.
– Ino, nunca mais tire o meu irmão de perto de mim daquele jeito, você não tinha o direito...
– Não fale assim com ela. – A voz extremamente fria de Gaara a interrompeu. – Controle o seu tom de voz ao se dirigir a Ino.
Gaara a olhava friamente, o rosto contorcido em uma expressão enfurecida. Apertei mais sua mão.
– Tudo bem, Gaara. – Falei e me virei para Temari. – Realmente, eu não tinha o direito, mas naquela hora, eu estava pensando no bem do Gaara.
– Então, — Shikamaru entrou no meio. – o que acham de irmos para a sala?
Lentamente nos dirigimos para a sala. Gaara se sentou ao meu lado no sofá e Temari sentou de frente para nós com Shikamaru ao seu lado.
– Você não mudou nada. – Temari disse.
– Como se lembra de mim? – Gaara perguntou. – Já faz muitos anos e eu pensei que todos tinham morrido quando sai da maternidade.
Temari suspirou.
– E foi. Nossa casa foi atacada por ladroes e eles atearam fogo nela. Me lembro de você porque ia todos os dias na maternidade para te ver.
– Como você sobreviveu? – Gaara voltou a perguntar.
Ela abaixou a cabeça.
– O papai me levou para o sótão. Disse para eu esperar lá enquanto ia buscar você e o nosso irmão, mas ele nunca voltou. Quando o fogo atingiu onde eu estava eu pulei a janela, mas mesmo assim, o fogo me atingiu. – Ela nos mostrou o braço com cicatrizes de queimadura. – A queda foi muito alta, fiquei em coma por alguns meses e acordei sem memoria alguma. Com o tempo, fui me lembrando das coisas, mas me disseram que apenas eu havia sobrevivido.
Gaara deu de ombros.
– Não é muito diferente do que me contaram. Os bombeiros me encontraram no meio do fogo e me levaram para o hospital, como ninguém foi me buscar, me mandaram para um orfanato. – Falou.
– Eu teria ido busca-lo se soubesse. – Temari disse, a voz com pesar.
Gaara negou com a cabeça.
– Estou feliz por você não ter ido. – Ele disse, atraindo nossos olhares. – Conheci pessoas que não teria conhecido se tivesse me encontrado antes.
Temari assentiu.
– Entendo. – Ela sorriu. – Mas agora podemos voltar a ser uma família. Você pode morar comigo, vamos recuperar o tempo perdido, vamos ser verdadeiros irmãos novamente.
Olhei preocupada para Temari porque eu sabia que isso não era o que Gaara planejava e me senti mal por isso.
– Desculpe, Temari. Mas não. – Gaara disse firme. – Eu sou seu irmão e vou agir como tal, sempre que precisar, pode me ligar. Mas não quero que pense que seremos uma família bela e feliz. Eu já tenho minha vida, minha casa, meu trabalho. Eu não quero que nada mude. Vai mudar de todo jeito, eu sei, mas não quero grandes mudanças. Vou sair com você quando você quiser e precisar e vamos criar o laço de irmãos, mas não pense que irá me mudar. Eu estou muito bem da maneira que estamos.
– Mas Gaara...
– Não, Temari. – Ele a cortou. – Eu fiquei a minha vida toda achando que estava sozinho, foi um choque para mim descobrir que tenho uma irmã. Eu já vim aqui como você pediu e conversamos, mas não me peça mais do que isso por hora. Vamos embora, Ino.
Ele se levantou e me puxou, indo para a saída.
– Gaara, espere. – Ouvi Temari pedir.
– Temari, dê um tempo a ele. – Shikamaru disse.
Nós saímos e, antes de entrar no carro, Temari apareceu no portão.
– Ino, me ajude. – Ela pediu.
Sorri sem graça.
– Desculpe, Temari, mas isso é uma decisão apenas do Gaara, eu não posso interferir. – Falei e entrei no carro.
Gaara entrou no carro e logo estávamos no caminho para casa. Ele não disse nada e muito menos eu, eu lhe daria tempo.
Quando entramos em casa, Gaara desabou no sofá, fechando os olhos.
Eu fui para a cozinha e peguei um pedaço da deliciosa lasanha que havia sobrado do almoço e esquentei, indo para a sala e sentando ao lado dele.
Ele olhou para mim e eu levei um pouco de lasanha a sua boca, que a comeu sem reclamar. Ficamos comendo por um tempo e eu deixei o prato na mesinha e me deitei no sofá, com a cabeça em seu colo.
– Está melhor? – Perguntei.
Ele negou com a cabeça, fechando os olhos de novo.
Eu sabia que ele ia ficar chateado ao ver Temari.
Me levantei e segurei sua mão, o puxando do sofá.
– Então vamos para o seu quarto, você precisa dormir. – Falei.
Ele me seguiu sem falar nada e depois se deitou em sua cama depois de tirar os sapatos. Me deitei ao seu lado e fiquei o olhando.
– Durma, vai se sentir melhor.
Ele assentiu e se inclinou um pouco, me dando um beijo na bochecha e fechando os olhos em seguida para poder dormir.
Fiquei o observando até que ele dormisse.
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Sakura pov’s.
Sasuke e eu andávamos por um parque que tinha perto do hotel. Ele era bem movimentado e cheio de crianças brincando.
A cidade era linda, eu nunca tinha visto algo assim.
Minha atenção foi chamada quando uma menininha parou na minha frente e disse alguma coisa. Olhei para Sasuke, que sorria, e ele se agachou.
Disse algo para a garotinha e a mesma voltou a me olhar. Ela pareceu pensar e depois se virou para Sasuke, dizendo mais alguma coisa. Sasuke riu e depois a respondeu. A mesma acenou para nós com um sorriso e correu para perto da mãe dela.
– O que ela disse? – Perguntei.
Ele sorriu.
– Ela perguntou se você era uma boneca, já que apenas as bonecas dela tem cabelo rosa. – Ele riu. – Depois ela disse que você poderia ser uma, porque é muito bonita.
Senti meu rosto corar levemente e acabei rindo.
Voltamos a andar, sendo parados mais algumas vezes por algumas crianças que queriam pegar no meu cabelo, e depois nos sentamos em um banquinho.
– Obrigada por me trazer aqui, Sasuke. É lindo. – Falei.
Ele sorriu.
– É, eu sei que sou lindo, mas a cidade é bonita também. – Disse convencido.
Eu acabei rindo.
Nós voltamos a andar e logo voltamos para o hotel, estava muito frio.
– Você quer jantar aqui ou sair para comer? – Sasuke perguntou.
Dei de ombros.
– Você decide.
– Então vamos sair, aproveitamos para ver mais a cidade. – Falou.
Assenti e peguei uma toalha, indo para o banheiro.
Essa seria uma ótima viagem.
Continua...
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