Pretérito Imperfeito
37 Capítulo XXXVII - Wish You Were Here
Notas iniciais
Caroline adentrou abruptamente a casa Salvatore para a surpresa dos irmãos que estavam sozinhos conversando.
– Vocês precisam ver isso! – A loira ligou uma televisão que pertencia à sala, mas quase nunca era utilizada.
Stefan e Damon começaram a prestar atenção na TV. Tinha uma fotografia de Juliana e um repórter apresentava.
– “... Ela pertence a duas famílias muito importantes para a história de Mystic Falls. Uma garota doce, prestativa com a comunidade, e bastante querida. Por Favor, qualquer um que tiver notícias sobre essa moça, informe à polícia ou os familiares, todos estão sofrendo bastante, seu nome é Juliana Salvatore-Gilbert, tem 17 anos e está desaparecida há quatro dias... Agora vamos às notícias sobre esporte...” – Caroline desligou o aparelho de televisão.
– Mas que palhaçada é essa?! – Damon bufou irritado querendo partir a cabeça de um. Ter o sequestro de Juliana na TV iria apenas provocar mais cautela nos raptores. – Quem mandou isso aparecer na televisão?
– Isso não deveria ter acontecido. – Stefan dizia pensativo e desgostoso.
– Deveríamos ter previsto que isso aconteceria... – Caroline disse. -... Foram as colegas de torcida dela... Com certeza isso aconteceria... Juliana se tornou muito querida na cidade, ela participa de tantos clubes no colégio, e faz serviços comunitários... As criancinhas do hospital dedicado a pessoas com doenças sanguíneas, que Juliana é voluntária, fizeram até cartazes que os pais vão espalhar pela cidade...
Damon ficou amarelo quando Caroline falou “doenças sanguíneas”.
– Oh Meu Deus! – Caroline entendeu a preocupação do Salvatore mais velho. -... A doença dela!... Quando o sangue de vampiro sair dela, irá precisar de mais... É só notícias ruins atrás de notícias ruins... – A loira se jogou no sofá depressivamente.
– Como assim notícias ruins atrás de notícias ruins?... Aconteceu mais alguma coisa? – Stefan perguntou notando o abatimento a mais na vampira.
– Na verdade sim... Eu não vim aqui só para mostrar o que está passando na TV... Houve outro massacre, mais 5 meninas foram encontradas assassinadas na antiga propriedade de vocês, da mesma maneira das outras seis, e também tinha um recado escrito, da mesma maneira que o outro no chão com sangue: “EU DISSE QUE A TIRARIA DE VOCÊ” – Definitivamente a pessoa que sequestrou Juliana é esse serial killer... James “Forbes”... – A loirinha deu uma ênfase infeliz no sobrenome.
UMA SEMANA DEPOIS...
Juliana estava presa com aqueles loucos há quase duas semanas, mas agora estava novamente sozinha com Kevin, o outro tinha saído.
O bruxo mexia como sempre em sua papelada e monte de grimórios. A menina estava sentava na cadeira à mesa, frente a frente ao Kevin concentrado, ela não estava amarrada ou amordaçada, seu bom comportamento garantiu esse privilegio. Ela pegou uma folha e vasculhava a linguagem esquisita.
– É aramaico? – Ela sacudiu a folha.
– Não... Apenas latim. – Kevin disse, tomou o papel da mão dela, e voltou ao seu livro.
– Porque você fica olhando e olhando essas coisas? – Juliana perguntou.
– Quanto mais feitiços um bruxo memorizar, melhor. – Ele explicou.
Os dois odiavam-se, Kevin por seus motivos ainda verdadeiramente ocultos, Juliana por ele estar estragando sua vida e tentado estragar seu amor com Damon, mas era estranho que às vezes em pequenos momentos, eles mantinham certa cumplicidade que assustava a ambos.
– Por que você simplesmente não me mata?... – Juliana saiu de seu momento cúmplice. -... Por que me mantém aqui?... Por que vai me entregar ao James?
– Eu já disse e repito eu quero algo de você... Mas não vou te contar, simplesmente porque não quero. – Kevin deu um sorrisinho.
A garota tinha perto de seus pés a mala de Kevin, repleta de seus grimórios, amuletos, bonecas vodu, e agora havia notado pela primeira vez um artefato de metal, era um punhal. Ela fez um movimento rápido e agachou-se o pegando.
Juliana não fez a estupidez de tentar atacar o bruxo que podia provocar dor só com o piscar dos olhos, ela colocou a lâmina no próprio pescoço.
– O que você pretende fazer? – Kevin disse com uma cara que demonstrava medo de um possível suicídio.
– Conte-me, ou eu me mato e você nunca terá o que quer de mim de qualquer jeito... – Juliana ameaçou.
– E perder a chance de ver seu amado Damon outra vez? Acho que não fará isso... – Kevin levantou uma sobrancelha.
– Eu sei que não o verei outra vez, vocês não me deixarão sair viva... – Juliana jogou verde, ela nunca se mataria, nem de brincadeira.
– É a sua última chance de me entregar esse punhal, ou... – Kevin disse olhando algo atrás de Juliana.
– Ou o quê?... – A garota disse e exatamente em seguida James surgiu por trás dela roubando o punhal.
Quando Juliana se virou para tentar entender o que acontecia, James estalou um tabefe na face dela que a obrigou a inclinar sua cabeça bruscamente para trás, e a fez cair no chão. Ela se encolheu colocando a mão protetoramente na parte do rosto que ardia.
– O que você pensou que ia fazer? Morrer e me deixar de novo? – James berrava.
Juliana se encolhia cada vez mais, ela nunca tinha sido agredida em toda a sua vida.
– Não farei isso novamente... – Ela disse submissamente.
– Claro que não fará!... Porque vai voltar a ficar com as mãos amarradas. – James anunciou.
...
O tempo passou e Damon não teve mais nenhuma notícia, nenhum outro assassinato tinha sido feito por James, e nem mesmo o exército de pessoas que o Salvatore havia hipnotizado tinha qualquer informação. Eram dias angustiantes, ele nem dormia.
Havia apenas a saudade, o temor; ele se sentia terrivelmente inútil e impotente. Nem dormir conseguia mais, mesmo estando exausto, até para se alimentar. Se Stefan não perguntasse e insistisse (que ironia!), Damon não tocaria numa bolsa de sangue.
O vampiro estava agora jogado em sua própria cama, desanimado. Ele não sabia, mas Damon não estava sozinho naquele cômodo.
O espírito de Carmela estava ali. A mulher estava “sentada” na beirada da cama e o olhava sentindo pena. A anja também estava ali, acompanhando-a, em pé na cabeceira da cama. As duas queriam ajudá-los, mas não podiam interferir demais, eles eram apenas seres de outra dimensão que não tinham muitos poderes para serem gastos ali.
Mas Carmela teve uma ideia, e a anja de cabelos vermelhos pode captar a ideia do espírito da bruxa apenas com um olhar, ela sorriu para Carmela com aprovação.
Carmela se aproximou do vampiro na cama e pôs seus dedos espectrais sobre os olhos dele. Damon sentiu suas pálpebras ficarem cada vez mais pesadas ao ponto que pegou no sono.
...
Juliana estava na cama daquele quarto horrível, James estava deitado abraçando-a em “conchinha” e dormindo. Enquanto a garota chorava em silêncio, aquele era o pior aniversário que ela passou na vida.
Hoje ela fazia 18 anos, e estava sequestrada, envolvida contra vontade nos braços de seu ex-namorado que a seqüestrou, e o rosto da garota ardia pelo primeiro tapa que levou na vida.
Graças às lágrimas ela acabou pegando no sono de cansaço. Em pouco tempo, ela parecia estar em outro lugar.
Era um campo, idêntico aos seus sonhos de quando estava enfeitiçada, mas havia apenas um sol. Era o sol que sempre nascia. Juliana correu pela grama, se esquentou com o calorzinho do sol e curtiu a liberdade que há tantos dias tinha sido roubada dela.
Depois de alguns minutos, uma mulher surgiu aos poucos para Juliana, era a senhora de roupas humildes de sempre, era Carmela.
– Criança, este é o meu presente para você. – Disse a mulher.
– O que? – Juliana perguntou confusa, ela estava até feliz de encontrar a mulher.
Mas Carmela foi ficando transparente gradativamente até desaparecer. Em seguida no mesmo lugar que ela estava, a imagem de outra pessoa começou a surgir gradativamente. Até que se tornou concreta e era Damon.
– Damon! – Juliana correu e o abraçou, ele fez o mesmo.
– Juliana! – Ele a apertou.
– Você está mesmo aqui? – A garota afastou a cabeça do peito dele e o encarou.
– Não, é você que está mesmo aqui? – Damon também não acreditava.
– Não pode ser real. – Juliana o apertou novamente.
– Com certeza não! Eu só posso estar sonhando... – Damon acariciou o cabelo dela, quase conseguia sentir o cheiro.
– Não! EU é que estou sonhando. – Juliana se desvencilhou dele e o encarou.
– Não! O sonho é meu, você é que deve ser uma ilusão. – Damon concluiu.
– Eu não sou ilusão nenhuma! Você é que é! – Juliana acusou.
Os dois ficaram calados e pensativos por um momento.
– Será que pode...? – Juliana disse.
– Se fosse seria um milagre! – Damon concordou deduzindo o que ela ia dizer.
– Olha, é melhor não criarmos esperanças, mas há uma maneira de descobrirmos se isso é real... – Juliana induzia.
– Como? – O vampiro indagou.
– Quando nos encontrarmos... Porque eu tenho fé que ainda iremos... – Juliana dizia quando foi interrompida por Damon que pegava suas mãos.
– Eu também tenho fé nisso... – Ele beijou as mãos dela.
A garota sorriu ternamente e continuou a explicar.
– Quando nos encontrarmos cara a cara, faremos uma pergunta que combinaremos a resposta aqui! – Ela disse orgulhosa de si.
– Qual? – Damon perguntou.
– Hum... Já sei!... Eu te pergunto “Damon, qual é a cor dos meus olhos?” – Juliana bolava um plano.
– Castanho...? – Damon respondeu.
– Ai é que está o segredo! Quando eu perguntar a cor dos MEUS olhos você responde com a cor dos SEUS... E teremos certeza de que isso não foi apenas um sonho. – Juliana disse e estava pronta para comemorar sua ideia magnífica quando foi surpreendida por um beijo repentino de Damon.
Quando ele a soltou, enquanto a garota pegava fôlego ele tentou se desculpar.
– Me perdoe, eu não resisti, sei que você me odeia por causa do que eu fiz a Laiana, mas sinto tanto sua falta... – Damon abaixou sua cabeça olhando para grama.
Juliana colocou a mão no queixo dele carinhosamente e o fez levantar a cabeça para encarar os olhos dela.
– Damon, eu tenho que te contar umas coisas... – Ela sorriu com os lábios para fazê-lo se sentir melhor.
A menina começou a contar tudo sobre seu seqüestro detalhe por detalhe. De como ela foi sequestrada por James, como foi tratada e estava sendo tratada, da mordida, do tapa, de Kevin – o mais perigoso aparentemente.
Ele falou dos hobbies do bruxo e contou sobre as bonecas vodus. Damon não conseguiu acreditar, aquilo realmente só poderia ser um sonho, pois ele estava surrealmente feliz em pensar que existe a possibilidade dele não ter feito o que fez de livre e espontânea vontade.
Juliana implorou perdão e Damon se recusou a aceitar, ela não tinha nada que se desculpar, não era culpa dela se é que a história mesma era real.
O bom de tudo é que como o tempo naquele lugar passava de uma forma diferente do que no mundo real, eles ficaram juntos e felizes, correndo, brincando, trocando carinhos pelo tempo que aparentava serem semanas. Damon e Juliana estavam até esquecidos de que aquilo poderia não ser real, e que a realidade deles era um vampiro desolado a mais de 200 quilômetros de sua amada, sequestrada e nas mãos de psicopatas.
O “sonho” acabou quando Juliana foi despertada no dia seguinte do tempo real.
– Meu amor, acorde! – James a sacudia.
Ela abriu os olhos contra a vontade e voltou a sua realidade.
– Acordei. – Juliana disse quase suspirando.
– Vista isso! Vamos voltar para Mystic Falls e terminar com o plano do Kevin para que possamos ficar juntos para sempre... – James anunciou enquanto fantasiava.
Juliana ergueu o tecido e pode perceber que a roupa que ele queria que ela vestisse era um vestido antigo provavelmente parecido com os que Giuliana usava em 1864, até luvinhas de renda acompanhavam o look. O louco provavelmente a queria exatamente igual, sem faltar nenhum detalhe.
DOIS DIAS DEPOIS...
Damon desceu as escadas até chegar à sala de estar, ele tinha percebido que Stefan estava acompanhado e conversava.
Quando o Salvatore mais velho chegou ao cômodo, notou um homem barbado de cabelos compridos, e seus olhos eram familiares, remetiam aos olhos de alguém, mas no momento não conseguia relembrar.
O homem estava péssimo, sua cara estava muito acabada, parecia que ele tinha apanhado demais e sua blusa branca estava toda suja e ensangüentada. Stefan quando notou o irmão tratou de fazer as introduções.
– Damon! Eu já ia lhe chamar... Este é Kevin, ele é um bruxo, e também estava sobre o domínio de James, mas conseguiu fugir... Ele disse que pode nos levar até o cativeiro onde Juliana está! — Os olhos de Stefan brilhavam de felicidade, enquanto Damon, chocado por dentro, transparecia frieza e descaso.
Kevin contou uma historinha linda, na qual James ameaçou matar sua suposta família forçando-o a fazer um feitiço que o garantia ser um vampiro bem poderoso capaz de mantê-lo no cativeiro. Ele e Juliana eram os seqüestrados, mas a Gilbert-Salvatore o ajudou a fugir em troca de que ele encontrasse seus primos e contaria a eles de seu paradeiro, para que Damon e Stefan a salvassem.
Seria realmente convincente há alguns dias atrás, mas agora não. Vendo aquele bruxo ali, em sua frente, Damon teve a plena certeza de que não havia sido um sonho o que ele teve com Juliana e que aquele pobre coitado que iludia Stefan era na verdade o verdadeiro vilão por trás de toda a história.
Mas Damon não o desmascararia, ele iria fazer justamente o contrario, o vampiro fingirá ter caído na armadilha de Kevin Mikaelson.
Fale com o autor