Pretérito Imperfeito
38 Capítulo XXXVIII - Back In Black
Notas iniciais
Stefan acreditou em cada vírgula do conto de fadas que Kevin apresentou. O bruxo disse que eles tinham que ir o mais rápido possível para onde Juliana estava, antes que fosse tarde.
Damon disse que primeiro eles tinham que procurar reforços. Então convenceu Stefan a ir com ele na casa de Elena e deixar Kevin por um instante sozinho na pensão. O Salvatore mais velho trocou mensagens de texto convocado apenas as pessoas necessárias, urgentemente, numa reunião relâmpago na casa Gilbert.
O Salvatore mais novo achou aquele comportamento bastante peculiar, mas resolveu não contrariar, apesar dele não ver a hora de ir resgatar Juliana das mãos daquele crápula.
...
Chegando à casa de Elena, todos já estavam lá preocupadíssimos. Bonnie e seu grimório, Caroline e Alaric eram o essencial, segundo Damon, mas não pode evitar a presença de Elena, Jeremy e Jenna por morarem na casa.
Stefan contou a historinha bonitinha, que até agora acreditava, de Kevin e todos começaram a ficar loucos e irritados com Damon por ele ter armado essa reunião perdendo tempo, ao invés deles irem direto ao que interessa, e seguir Kevin até salvar Juliana. Mas entre os protestos e reclamações ele começou a abrir o jogo.
– Vocês não entendem, ele não é uma vítima, esse Kevin é um dos vilões! – Quando Damon berrou isso, todos pararam de protestar contra ele e começaram a escutá-lo.
– Como você sabe disso? – Jeremy indagou desconfiado.
– Há dois dias, eu tive o que parecia ser um sonho com Juliana e nesse sonho ela me contou que... – O vampiro contou toda a história. E por incrível que pareça ninguém questionou, ou duvidou de sua sanidade por estar acreditando num ‘sonho’. A realidade é que Kevin surgiu com uma solução muito fácil, todos que moravam em Mystic Falls e tinham conhecimento de sua “sobrenaturalidade”, sabia que para resolver os problemas nunca eram da maneira fácil e as soluções não apareciam tocando em sua campainha como o bruxo Mikaelson.
– Então como nós vamos lidar com isso? – Elena questionou quando Damon terminou de contar tudo.
– Não existe nenhum “nós”... – Ele inferiu. -... Estamos lidando com um vampiro psicopata e com um bruxo Mikaelson, sabe o que significa isso? Família ORIGINAL... E da última vez que lidamos com ela a senhorita só não morreu porque tomou aquele elixir mágico do Elijah, OU SEJA, o único humano que será envolvido nessa história será o Ric e só por causa dos brinquedinhos dele...
Elena ia protestar e pedir a ajuda de Stefan, mas ele concordou com Damon.
– Eu vou com certeza! – Caroline quis garantir. – Eu irei dar uma baita surra nesse pentelho até ele aprender a não jogar o sobrenome Forbes na lama.
– Vai sim loira... – Damon disse como se o que Caroline havia dito fosse uma pergunta. – Agora, você não irá. – Ele disse a Bonnie.
– Claro que eu vou! Sou uma bruxa e posso tentar muito bem dar conta desse Kevin! – Bonnie protestou.
– Não, claro que não vai!... Nós estamos lidando com Klaus Júnior, você pode até tentar mais não acho que consiga lidar com ele, segundo Juliana ele conhece muitas práticas de poder, e você será mais útil protegendo os outros humanos caso algo der errado e eles queiram vir atacar aqui... Lembrem-se eles tem observado nossas vidas há muito tempo, então conhecem nossos pontos fracos... – Damon explicava.
– Então porque você mandou uma mensagem exigindo minha presença e o grimório da minha avó? – Bonnie questionou.
– Porque você é uma bruxa e pode muito bem lançar algum tipo de feitiço de proteção em mim, no Stefan, na Caroline e no Alaric, que possa impedir que o Kevin enfeitice um de nós... – Damon disse sem paciência como se aquilo fosse óbvio demais.
– Está bem... – A bruxa se deu por vencida e se jogou no sofá para tentar procurar algum feitiço no grimório.
Ela levou quase meia hora para encontrar algo parecido com o que Damon falara.
– Aqui está! – Bonnie berrou de euforia. – Quem será o primeiro?
Na humildade, ninguém se mobilizou.
– Alaric. – Bonnie chamou-o. Posicionou-se em pé, frente a ele, colocou a mão em sua cabeça e começou a invocar o feitiço.
O feitiço era muito poderoso, então exigia demais da bruxa, quando terminou com Ric, ela começou a sentir um pouco de cansaço.
– Caroline. – Bonnie fez o mesmo, mas enquanto invocava seu nariz começou a sangrar.
– Bonnie, pare! – Jeremy ordenou. A bruxa o ignorou, ela queria muito ajudar já que não ia poder estar lá.
Ela terminou com Caroline, enxugou o sangue em sua narina e chamou o próximo.
– Stefan. – Bonnie disse.
– Não! — Jeremy protestou — Você não vai conseguir...
– Eu vou sim Jer, eu preciso! Venha Stefan. – Bonnie ergueu as mãos.
– Tem certeza? – Stefan indagou inseguro.
– Sim. – Bonnie deu um meio sorriso.
Bonnie invocou as palavras e o sangue voltou a sair de suas narinas. A verdade era que quanto mais sobrenatural a pessoa fosse, mas poder exigiria dela, havia passado por Alaric, um simples humano, por Caroline uma vampira de pouco mais de um ano e agora estava em Stefan de 147 anos.
Logo que terminou, Bonnie enxugou o sangue do nariz e exausta não resistiu e desmaiou. Elena e Jeremy foram ao seu amparo, e conseguiram reanimá-la.
– Venha Damon... – Ela disse ainda tonta, com dificuldade para se levantar.
– Não! Já chega, isso vai te matar Bonnie! – Jeremy agora ordenou com mais autoridade, ele não deixaria a namorada fazer mais nada.
– Tudo bem... – Disse Damon. -... Ric, pegue seus brinquedinhos e nós já vamos buscar o Kevin.
– E você? – Bonnie perguntou com uma voz bem fraca. – Precisa de proteção! – Ela tentou fingir força.
– Eu vou ficar bem, não se preocupe... O que eu preciso é de você VIVA protegendo os outros enquanto eu resgato Juliana... – Damon entortou os lábios e tentou reconfortá-la.
– Traga ela para nós. – Elena pediu apertando um antebraço do vampiro.
– Eu vou trazê-la para mim. – Damon anunciou.
[...]
Damon dirigia seu carro, Klaus Jr. estava no banco do passageiro ainda fingindo ser uma vítima como um ator hollywoodiano enquanto indicava o caminho que ficava num bosque bem antigo e isolado da cidade, enquanto Stefan, Caroline e Alaric estavam espremidos atrás.
– É aqui! – Kevin indicou um casebre entre as árvores, era todo de madeira, possuía dois andares e parecia estar caindo aos pedaços. Todos atuavam com ele, muito melhor, fingindo-se de inocentes.
Damon encostou o carro longe o suficiente para James não escutar de dentro da casa.
– Eu guio vocês até lá. – O bruxo se ofereceu.
Eles adentraram uma trilha do bosque sendo liderados pelo Mikaelson. Quanto mais visível a casa ficava e mais chegavam perto, mais sinistra e decrépita ela parecia. Damon teve o pressentimento ruim de que a morte estava ali dentro, foi um arrepio bizarro na coluna espinhal do vampiro.
Não demorou muito e eles chegaram. Kevin ainda mantinha a liderança, quando ele se aproximou da porta, Damon, Stefan, Caroline e Alaric mantiveram certa distância, não agüentavam mais a expectativa do início de um confronto.
Kevin girou a maçaneta enquanto sorria, depois deu um passo para dentro da casa e toda a sua aparência se alterou pelo simples fato dele entrar no lugar, sua roupa não estava mais suja ou ensangüentada, seu rosto não tinha mais marcas de agressão, ele estava renovado. Na verdade, era tudo um feitiço de ilusão, sua aparência nunca fora alterada. Ele se virou para encarar os quatro do lado de fora e começar com seus joguinhos.
– Meu caros, sinto informar que... – Kevin ia anunciar-se, mas foi interrompido por Damon.
– Que você não é nenhuma vítima e essa é uma emboscada?... É estou sabendo... Agora chega de mentirinhas, nos ataque e enfrente as consequências. – Disse o Salvatore mais velho.
– Confesso que estou surpreso, pensei que atuação era um coisa que fazia bem... – Kevin ainda mantinha seu sorriso e ar de vitória. -... Mas não terá confronto nenhum, pelo menos não aqui fora...
– Então? Onde está Juliana? – Stefan perguntou como se Kevin fosse mesmo responder. Nem Damon, Caroline ou Alaric botavam fé, mas foram surpreendidos com a resposta.
– Eu não menti quanto a duas coisas, Juliana está mesmo aqui no andar de cima com James esperando por vocês... E eu falei a verdade quando disse que fiz um feitiço para deixá-lo mais forte, não tanto! Apenas como um vampiro de 300 anos, pois sei que vocês têm menos da metade disso... – O sorriso vitorioso de Kevin ficava cada vez mais brilhante. –... Então entrem, o Confronto os espera... Oops! Quase ia esquecendo-me de um detalhe, Humanos não entram... – Kevin disse estalando os dedos, fazendo Alaric cair na grama morto, ele só não tinha ciência do anel que o ressuscitaria mais tarde e que o humano também estava banhado com o feitiço de proteção de Bonnie, por tanto Caroline, Stefan e Damon se surpreenderam, mas não lamentaram, o que irritou um pouco Kevin, ele queria “reconhecimento”.
Os três deixaram Alaric caído lá e deram um passo, mas foram interrompidos por outra coisa que Kevin falou.
– Poxa vida! Como estou esquecido?!... Tem um outro pequeno detalhe, eu enfeiticei a casa para repelir qualquer magia que não seja a minha, ou seja, se vocês tiverem algum feitiço de proteção no corpo de vocês, não poderão entrar... – Ele disse fingindo uma cara de pena.
Damon, Stefan e Caroline se entreolharam. Caroline estava em pânico por dentro, mas não demonstrava isso na frente do bruxo, Stefan por sua vez ficou calado e pensativo, tentava encontrar alguma saída rápida, talvez uma maneira de trazer James e Juliana para fora, mas Damon resolveu acabar com o impasse.
– Eu vou sozinho! – Ele afirmou convicto.
Caroline ia protestar. Stefan por sua vez encarou o irmão mais velho nos olhos, e entendeu que não deveria tentar impedi-lo, pois era exatamente o que ele faria se fosse Elena no lugar de Juliana e ele no lugar de Damon.
– Resgate a sua princesa! Boa sorte, irmão. – Stefan abraçou o irmão pegando-o de surpresa.
Damon caminhou até adentrar a casa e Kevin fechar a porta, impedindo a visão dos dois vampiros do lado de fora.
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