Notas iniciais
Bem, para vocês fieis leitores que não abandonaram essa história, mais um capítulo. E realmente tenho que pedir desculpas, porque este capítulo está escrito há meses, e eu simplesmente não tive como vir aqui para atualizar. Boa leitura

Após a estreia do filme, Alex ficou na Europa por mais uma semana, era vez de divulgar o filme nos outros países, ele ainda iria na América do Sul e depois teria a estreia nos cinemas estado-unidenses.

Se ele ficou na Europa, eu logo na manhã de sexta, depois de organizar minhas coisas e mandar lavar o vestido que usei, voltei para Los Angeles, afinal, meu trabalho me esperava.

O filme foi um sucesso, tanto de bilheteria quanto de críticas e todo aquele receio que estávamos foi em vão. E, quando a noite de estreia em Los Angeles chegou, eu não estava assim tão nervosa, afinal, o pior já tinha passado, apesar de que eu bem que queria ter pulado o tapete vermelho.

Não consegui, e a lembrança da noite foi uma foto da família Pierce junta e sorridente naquele que estavam chamando de "o retorno triunfal de Alexander Pierce".

Se o teste de fogo de Alex tinha tido um resultado excelente, agora era esperar pelo meu.

Dentro de três semanas eu embarcava novamente para a Europa, dessa fez para ficar quase um mês por lá, tudo par encerrar o ano fiscal da NT&S. Um ano que começou com um escândalo e poderia terminar com uma das maiores vitórias da nossa história.

E, o mais estranho, eu não estava nem um pouco nervosa. No fim das contas, era esse meu trabalho, e eu tinha plena consciência de que tinha dias que se ganhava e em outros se perdia.

Fechamos o ano do Escritório uma semana antes que eu embarcasse para Londres. Não tivemos nenhum problema. Tudo o que apareceu foi resolvido e nossos serviços foram prestados com rapidez e qualidade. Não tínhamos clientes insatisfeitos ou reclamações não respondidas, e, nossa carta de clientes fechou o ano 25% maior.

Era motivo de comemorar. Festa essa que marcamos para o dia 23 de dezembro para encerrarmos o ano com chave de ouro.

Na minha família tudo ia muito bem, Tuomas, o desaparecido, tinha encerrado o primeiro semestre na faculdade e já buscava estágios na área, onde, somente os testes e entrevistas que ele fez e não nos contou, diria. Liv e Lena também iam bem, apesar de que cada vez que eu ligava Lena me perguntava quando eu iria virar a Barbie novamente.

Kim e Vic estavam mais à vontade na função de pais, com Vic bem mais calma agora que, efetivamente, não tinha que ficar fazendo as vontades de cada pessoa que aparecesse para dar pitaco na criação que ela dava a Sebastian. A novidade do casal foi a formalização de que esta seria a última temporada de Kim pelos Blackhawks. Um acordo entre ele e a Diretoria deu carta branca para que ele pudesse procurar outro time para jogar assim que a temporada regular da NHL terminasse. Contudo, meu irmão só iria anunciar o novo time, depois dos playoffs, uma condição que ele se impôs para que ninguém pudesse duvidar do profissionalismo dele como jogador.

E, a notícia que todos já sabíamos, mas faltava confirmação, foi dada no primeiro dia de dezembro, quando Pietra e Benny oficializaram o noivado com um jantar que reuniu a parte italiana, a parte americana das famílias e os melhores amigos dos noivos, ou seja, foi uma gostosa confusão de idiomas, sotaques, choque cultural e muita falação, gestos e comida boa, já que Nonna fez questão de ser a cozinheira e, ainda no jantar, o casal já pediu que reservássemos um final de semana de agosto para o casamento. Sim, nessa velocidade, até porque se não fosse assim, a parte italiana da família infartava de ansiedade.

E com a chegada de dezembro, foi a minha vez de voltar para a Europa, confesso que tive uma sensação estranha quando pisei no prédio da empresa para o Conselho, várias imagens passaram por minha cabeça ao mesmo tempo. Algumas eu reconheci como memórias do último e outras pareciam borrões intercalados com luzes fortes e vozes indistintas.

Chacoalhei minha cabeça antes de descer do elevador e, assim como havia feito no ano anterior, fui direto para a Sala de Reuniões. Achei meu lugar e ali me ajeitei, cumprimentando os que chegavam, ora com um aceno de cabeça, ora com um aperto de mão.

Diferente dos últimos Conselhos, este duraria 15 dias. Era necessário em virtude de todas as mudanças e problemas que tivemos durante o ano, e gastamos cada um desses dias analisando, discutindo e argumentando quais estratégias deveríamos tomar para o futuro da empresa.

Dessa vez, os Chefes de Escritórios foram ouvidos, suas ideias anotadas e discutidas, não somente ao alcance da região onde eles atuavam, mas em um alcance global, em um mundo cada vez mais conectado, era mais do que importante que a empresa pensasse como um único organismo, subdividido em pequenas partes para uma melhor administração.

Ao final do último dia, eu fiquei feliz em sair andando do prédio e com tantas vitórias pessoais conquistadas em um ano.

Para comemorar o ano da empresa, me permiti ir para o Haras de meus avós e passar os próximos dias escondida por lá, de alguma forma, alguém tinha me visto em Londres e, sem querer, acabei aparecendo nas páginas de fofocas das redes sociais. Não houve um burburinho muito grande, mas não foi agradável ver meu rosto em um tabloide.

Claro que minha estadia no Haras não seria tranquila e toda a minha família resolveu aparecer. E, por 72 horas, eu voltei a ser a adolescente despreocupada que só queria sair em disparada montada em seu cavalo.

E, também, tivemos a reunião em família para ver a estreia de Elena como atriz. Com todos reunidos na frente da televisão, assistimos ao episódio da série, já nos créditos iniciais fizemos festa, afinal, a Baixinha estava devidamente creditada e seu nome apareceu em caixa alta na tela, ao longo do episódio estávamos mais interessados no final, do que no enredo. E, quando finalmente a cena de trinta segundos foi ao ar, acabamos que ficamos de pé só para depois saudar Elena com muitos abraços e beijos.

A pobrezinha ficou tão, mas tão vermelha, que nem conseguiu dizer uma palavra, se escondeu no colo do pai e ficou ali por quase dez minutos. E, quando toda a vergonha passou e ela voltou a ter o tom normal de pele, Leninha só comentou:

— Ainda bem que eu vou ser amazona... imagina ter que ser famosa e ainda ter que desfilar em tapete vermelho igual ao tio? Eu morria de vergonha.

Ninguém falou nada, mas ela só havia se esquecido de uma coisa, quando se ganha, não se desfila no tapete vermelho, mas sobe-se em um pódio.

Na segunda cedo parti para Paris, onde meu último compromisso de trabalho me esperava.

A reunião em si seria somente na terça-feira, porém, eu quis chegar um dia antes para poder aproveitar a cidade de uma maneira mais turística, mesmo estando sozinha. O que claro não aconteceu, porque minha amiga Louca apareceu e veio me arrastar para olhar vestidos de noiva com ela.

— Vestido de noiva, Pietra? – Reclamei quando entramos em um dos ateliês,

— Sim. Eu tenho um casamento para ir em agosto.

— Mas você não ia de Versace?

— Mudei de ideia!

— Como assim?! Você não é mulher de mudar de ideia.

— Não combina com o lugar. – Ela gesticulou e foi logo se identificando, dizendo que tinha hora marcada.

— Não acredito que você planejou isso. E não são os italianos que fazem os vestidos mais bonitos?

— Minhas madrinhas vão de grife italiana. E já está avisada, em abril, primeira prova de seu vestido. Quero tudo pronto em julho para não haver desespero.

Fomos levadas para dentro o ateliê onde depois de nos oferecerem champanhe e mais um monte de canapés, o responsável pelo design dos vestidos se apresentou e veio carregando, além da fita métrica, um portifólio imenso com diversas opções de corset, cauda, saia, véu, decote, mangas, capas, botões, laços e outras tantas opções. Pietra analisava cada uma com interesse, mas nada a agradou ao ponto de que ela pensasse em querer um desenho só para ela. E partimos para outro ateliê.

Foram cinco no total de sete horas, eu estava morta de cansada, meus pés doíam, sem contar que estava fedendo a cachorro molhado, pois começou a garoar e nós estávamos no meio da avenida mais movimentada de Paris e sem guarda-chuva.

A parte boa, Pietra tinha escolhido o vestido. Depois de muito pensar, começou a conversar com o último estilista que fomos ver e, dessa conversa, um foi dando ideias daqui, outro dali e quando vimos, um esboço de um dos vestidos de noiva mais fantásticos que eu já vi, foi desenhado na minha frente.

Não tinha como aquilo ser feio. Não mesmo.

A parte ruim, como era um desenho exclusivo, iria demorar o triplo do tempo para estar pronto, e a prova final ficou marcada para quinze dias antes do casamento.

Só com essa informação, se eu fosse a noiva, teria surtado, mas Pietra achou tudo muito normal. Juro que quis perguntar a ela se algo desse errado, o que ela iria fazer. Mas não o fiz, conhecendo a Louca, ela tinha um plano B, que não era adiar a cerimônia.

Jantamos no hotel, ainda discutindo o desenho do vestido, e, com isso resolvido, ela passou a discorrer sobre a decoração e outras coisinhas.

Quando fui para meu quarto, já tarde da noite, pensei que depois de Pietra, viria Pepper e seu casamento na praia, e eu só esperava que não tivesse que ser arrastada para outra festa de compra de vestidos nem tão cedo.

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Na terça cedo, tudo o que eu tinha que fazer era atravessar a Place de la Concorde, para chegar até o edifício sede da FIA, que fica na extremidade norte da praça. Fiz o caminho sem saber o que me esperava ao final do dia. As notícias que Pietra tinha me dado eram a de que eles tinham sim uma pequena preferência pela NT&S, porém, nunca se sabe se o dinheiro e outros tipos de influência vão falar mais alto.

Antes de entrar no prédio construído no século XVIII, dei uma olhada ao redor da praça que tem a peculiar forma de um octógono e, para o obelisco que fica no centro. Nas vezes em que vim visitar a praça, sempre achei a presença do obelisco um tanto excêntrica e que contrastava com os restantes dos prédios, mesmo que fosse um monólito de valor histórico que remonta ao Faraó Ramsés.

Identifiquei-me na portaria, me deram uma identificação de visitante, com meu nome e o nome da empresa que eu representava. E o cartão me lembrava o ingresso de acesso ao paddock da Fórmula 1.

Indicaram onde deveria ficar, ao lado dos demais representantes das empresas que queriam o transporte das cargas e esperei a reunião começar.

Vi Pietra chegar junto com o Chefe de Equipe e o CEO da Ferrari, nos cumprimentamos com um menear de cabeça e, aos poucos os demais representantes das equipes foram chegando e tomando os lugares previamente determinados. A única coisa que me chamou a atenção foi que colocaram os representantes da Mercedes e Red Bull Racing em lados bem opostos, pelo visto a rivalidade das pistas continuava também fora delas.

A reunião foi iniciada assim que o presidente da entidade chegou e tomou o seu lugar.

Um pequeno discurso foi feito no início, assim como uma recapitulação dos motivos que levaram a essa reunião e a possível troca da empresa de transporte, coisas que Pietra havia me dito, que havia sido ventilado na imprensa especializada, porém, sem confirmação na época, afinal, algumas coisas na categoria são sempre escondidas debaixo do tapete.

E foi aqui que os diversos problemas que ocorreram, não somente neste ano, mas em temporadas anteriores, foram detalhadamente retratados pelas equipes, sendo que alguns discursos foram veementes quanto o prejuízo tomado por alguns, sem contar, as emissoras de TV que tiveram equipamentos avariados e, em alguns casos, extraviados.

Eu não sei como isso era possível, contudo, as queixas contra a atual transportadora uniram RBR, Mercedes e Ferrari.

Ao meu lado alguém falou que isso era um milagre, já que durante o ano, os Chefes das respectivas equipes brigaram e discordaram por tudo e de tudo.

Como já tinha acontecido uma reunião preliminar, onde apresentamos nossas propostas, a reunião de hoje era somente para confirmar o que foi ofertado, ou, caso quisessem melhorar também seria possível, e, assim, decretar quem seria a escolhida.

Como havíamos discutido no Conselho, a NT&S tinha uma proposta ainda melhor para ofertar, afinal, depois desse ano, poderíamos fazer um agrado maior, tendo em vista nossos lucros.

E assim eu falei, ofertei algo novo, que revolucionaria o transporta da categoria. Na minha humilde concepção, era uma oferta de pegar ou largar, mas se largassem, o prejuízo seria todo deles.

Após as novas ofertas, até porque não fomos somente nós que melhoramos o que tínhamos para oferecer, levou algumas horas, parecia até que eram os comissários da F1 tomando decisão sobre alguma investigação de algo que aconteceu na corrida... E, às 14:00, do dia 20 de dezembro, a NT&S foi a escolhida para levar todos os equipamentos do Circo da Fórmula 1 pelo globo. Começando já na temporada de 2023, com os testes de pré-temporada que aconteceriam no Bahrein.

Era a maior vitória da minha carreira. E, também da empresa. Ainda mais depois de um ano conturbado.

Após a assinatura do contrato, que foi feita no mesmo dia, parecia que eu estava nas nuvens, ou nem tanto, já que, aos poucos a responsabilidade do que estávamos para fazer foi tomando forma e, quando eu já estava dentro do quarto do hotel, aprontando as malas para voltar para a Califórnia, quase que eu dou um ataque de pânico.

Tive que me recompor, pois ainda teria uma videoconferência com o Conselho para informar a boa nova, todavia, eu estava tão feliz e eufórica que não consegui passar a informação em um tom totalmente profissional.

E, assim que fiz minha obrigação como Vice-Presidente e representante da empresa na reunião da FIA, foi a vez de ligar para minha família para contar a novidade.

Aproveitei a existência do grupo que Olivia tinha criado e chamei todos por lá, nem me importando em saber se tinha alguém ocupado. Pela hora em Paris eu creio que não.

E, um a um, foram me atendendo, curiosos porque justo eu chamava a essa hora.

— Adivinhem a boa notícia? – Eu praticamente gritei quando vi que todos dividiam a tela do grupo.

Ninguém me deu a resposta que pedi, mas gritaram comigo quando leram a resposta em meus olhos e no tamanho do meu sorriso.

É, foi um bom dia, daqueles para ficar na memória!

Acabei por decolar de Paris na manhã do dia 21, ainda um tanto extasiada e assustada com a decisão que colocou a empresa na capa de vários jornais e revistas pelo mundo. E, foi somente quando estávamos em altitude de cruzeiro que me lembrei que não estava indo para casa.

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Com toda a correria do último mês, acabei por não participar da escolha do local das festas de final de ano. Deixei isso na mão de minha mãe e, também de Vic, afinal, ela com um recém-nascido, saberia informar qual seria o melhor destino de toda a família.

Só fiquei sabendo da deliberação democrática, quando estava no voo para casa, em um rompante de tédio, acabei por abrir o grupo da família, que a cada semana era rebatizado de um jeito por Olivia e vi que passaríamos o Natal e o Ano Novo na Califórnia.

— Nada de patinação nesse ano. – Murmurei descontente.

Fui lendo os preparativos e vi que dessa vez tinha me livrado de todos.

— Pelo menos uma boa notícia.

A má notícia, ficou por conta da minha estadia prolongada na Europa até que todos estivessem liberados para viajar. O que colocava a festa de final de ano do escritório em risco, pois eu não sabia se daria tempo de chegar lá para participar.

E como eu não poderia fazer o avião ir ainda mais rápido, me restou ficar murmurando descontente dentro da aeronave, enquanto cada um falava algo que eu não prestava atenção.

— Terra para Katerina! – Minha avó Mina me chamou.

— Senhora?! – Prestei atenção em seus olhos azuis gentis. – Por favor, me diga que não tem muito tempo que está me chamando.

— Não tanto, mas estou curiosa, há dois dias, você está eufórica, por conta da conquista de um novo cliente, e hoje está com uma nuvenzinha negra pairando sobre a sua cabeça...

Respirei fundo e percebi que meu comportamento não estava sendo o mais agradável do mundo.

— É que começo a achar que não vai dar tempo de participar da festa de final de ano do escritório, de novo. E, dessa vez eu estava querendo muito ir.

Minha avó me deu um sorriso.

— Não fique tão ansiosa, eu acho que você vai sim.

— Se a senhora está dizendo... – Deixei a conclusão no ar.

E, dessa introdução, passamos para outros assuntos, até que minha avó comentou:

— E a Pietra? Vai realmente se casar?

— Sim. Escolheu o vestido em Paris. Eu nunca, nem nos meus pesadelos mais insanos, poderia prever que veria a Pietra se casando e ainda com um vestido francês.

— Em oito meses, pelo que você comentou...

— Sim, se o mundo não acabar até lá... porque com um evento desses à caminho, a senhora sabe que é bem provável.

— Eu acho interessante como do grupo de vocês, as quatro estão muito bem acompanhadas e felizes.

— E, olha, tivemos que procurar em outros países, não? A Pietra achou um americano, a Vic, um finlandês, a Mel, um alemão, e eu, um surfista doido o suficiente para querer juntar a família dele com a minha por dois natais consecutivos. — Comentei casualmente, porém foi impossível não sorrir ao pensar em como Os Nieminen e os Pierce se deram tão bem a ponto de sempre estarem dispostos a cruzarem Oceanos para estarem juntos.

O restante do voo foi tranquilo, tirando uma turbulência que nos sacudiu por quase quarenta minutos e fez Elena chorar de medo, aterrissamos sãos e salvos em Los Angeles na manhã do dia 23.

— O tio não vem os buscar hoje? – Elena perguntou assim que desceu do jato e não viu Alex parado no hangar a nos esperar.

— Não. Hoje é o último dia das gravações.

— Que pena. E como vamos para casa hoje?

— De táxi.

Não foi fácil organizar todas as pessoas (e as malas) em carros, porém, depois de alguns desesperos, conseguimos.

A chegada em minha casa foi outro evento barulhento, pois juntos, Thor, Loki e Stark, correram até nós, latindo, fazendo festa, o que resultou com Elena querendo abraçar cada um dos cachorros e logo após, acabou por sair correndo atrás deles, dando gritinhos cada vez que conseguia pegar um dos três. Ainda teve a falação de minhas avós e minha mãe sobre a divisão da família nos quarto, Liv querendo clamar um quarto só para ela... enfim, foi a bagunça que todo ano acontecia na Finlândia, mas que nesse ano, acontecia aqui, na casa que divido com Alex, na Califórnia.

E eu me vi correndo contra o relógio enquanto desfazia mala, tentava acomodar todos e, ainda me arrumava para ir para o escritório.

— Bem. – Chamei a atenção de todos. – Eu sei que acabamos de chegar e que eu deveria ser uma anfitriã melhor, porém, tem a festa de final de ano do escritório hoje, e eu gostaria muito de ir. Vocês já conhecem a casa, fiquem muito à vontade, eu volto de noite, já com Kim, Vic e Seb! – Acenei um adeus para meus pais e beijei a bochecha de minhas avós antes de sair correndo para meu carro.

E, foi dando graças à diferença de fuso, que consegui chegar a tempo no prédio. E, virada no fuso-horário e um tanto animada demais para passar para frente quem era o nosso mais novo cliente, aproveitei a festa e a companhia das pessoas que, cada um do seu jeito, fizeram com que fosse possível o ano fiscal que tivemos.

A comemoração durou a tarde toda, com direito até a competição de videogame, cortesia da turma da pesquisa.

Essa eu pulei, não queria mostrar os meus sérios problemas de coordenação para controlar um joystick.

Já era quase 17:00 horas quando subi para meu escritório, para me certificar que não tinha nenhum documento importante ficando de lado para a pausa de final de ano.

— Agora estamos de férias? – Perguntou Milena que me acompanhou ao último andar para pegar suas coisas.

— Sim. Vamos nos ver somente na segunda semana de janeiro. – Respondi.

— Não queria ser a chata, mas acho que merecíamos até mais dias de descanso. Trabalhamos pra caramba nesse final de ano. Foi uma loucura! – Amanda disse na sua sinceridade.

E ela não estava errada, mesmo com o Conselho acontecendo, as três que são meu suporte nesse escritório, não pararam, e não foram raros os dias em que eu cheguei a trabalhar junto com elas, mesmo depois do fim do expediente em Londres e, também, Paris. Nossa meta era resolver todos os problemas até o último dia de expediente, para que, quando voltarmos em janeiro, nada de urgente viria nos perturbar.

E, como elas haviam sido verdadeiros anjos da guarda para mim, era até bom que quiseram subir até aqui comigo para pegarem as coisas, pois eu tinha alguns mimos, ou presentes de Natal, para entregá-las.

— Meninas! – Chamei-as.

— Ah, não, Chefa, por favor, serviço não! Eu comi tanto na festa que meu cérebro não consegue fazer nada, a não ser pensar na digestão.

— Não é serviço, Amanda! – Garanti.

E quando Wendy, Milena e Amanda entraram em meu escritório, somente entreguei os presentes que havia comprado.

— Ah, não brinca! – Milena ficou toda emocionada.

— É só a minha forma de agradecer por toda a ajuda que vocês me dão aqui. Seja no trabalho, seja no lado pessoal. Acho que só Deus sabe o quanto eu sou grata por ter vocês três na minha equipe mais próxima.

Wendy, que já estava acostumada com a minha tradição de Natal, somente me agradeceu.

— E você ainda ganha carona para o aeroporto! – Brinquei com ela. – E quinze dias de paz sem ver a minha cara!

— Como se você fosse uma chefe terrível, não é Katerina?

— Olha que eu posso ser a chefe má, hein?

Amanda ficou toda sem graça, e me deu um abraço tão forte em agradecimento que achei que ela havia quebrado alguma de minhas costelas.

— E se você precisar, Amanda, posso te dar uma carona também. – Ofereci.

— Ah, eu quero. Não vou ter paz no metrô carregando esse embrulho desse tamanho!

E, nós quatro descemos, conversando sobre os preparativos do final de ano. Milena ficou no lobby, e nos desejou ótimas festas ali, Wendy e Amanda foram comigo.

No caminho, que Amanda fez questão de guiar, fomos conversando coisas triviais, com a adolescente nos contando um pouco sobre a cidade, e se valia ou não à pena ir a determinados lugares.

Deixei-a em casa primeiro. E me vi sendo agradecida pela milionésima vez.

— Não é nada demais, Amanda! – Falei.

— Ah, é sim! Eu posso falar para todos agora que eu tenho a melhor chefe do mundo! – Ela disse e depois partiu para se despedir de Wendy.

— Sabe chegar no aeroporto daqui, Chefa? – Amanda me perguntou.

— Acho que sim.

— Não tem erro, vira a primeira direita e segue reto, até ver a placas. Não é tão longe assim. E boas festas para você e sua família!

— Para vocês também, Amanda!

— Até no ano que vem! – Ela gritou ao entrar no portão de casa.

Manobrei o carro e voltei pelo caminho indicado. Não foi tão fácil quanto Amanda prometeu que seria, mas consegui chegar.

Ajudei Wendy com a mala, ela estava voltando para casa cheia de presentes.

— E cuidado, em Londres já está bem frio! – Alertei.

— Ainda não acredito que você trocou as férias de inverno na Europa para ficar aqui em Los Angeles que nem tanto frio assim faz.

— Para você ver o que eu não faço por minha família, Wendy!

Despedi de uma das melhores pessoas que conheço, agradecendo imensamente que ela teve a boa-vontade e a coragem de se mudar para Los Angeles só para me ajudar com a administração da empresa.

— Sabe, Katerina, às vezes, faz bem mudar de ares, mesmo que seja uma mudança muito radical. Até eu, agora, depois dos meus 45 anos, estava precisando disso. Mudanças podem ser difíceis, mas são sempre bem-vindas! – Ela me abraçou e se foi para a sala de embarque.

Voltei para o saguão principal, fiquei andando de um lado para outro, olhando de tempos em tempos para o painel de chegadas e partidas, procurando pelo voo que traria o restante da minha família.

Só para variar, estava atrasado. E eu estava morrendo de fome, assim, resolvi ir para um café, atrás de algo que fosse comestível.

Não encontrei muita coisa, então tive que me virar com um chocolate quente mesmo.

E, depois de quase duas horas de espera, eis que Vic, Kim e Seb passam pelos portões da área de desembarque. Meu sobrinho fazendo caras e bocas para o tumulto que estava em volta dele.

— Só me fala que você tem um bebê conforto para meu filho! – Kim me cumprimentou desse jeito.

— Eu não, a responsabilidade de ter um bebê conforto é dos pais, tias só dirigem! – Peguei meu sobrinho dos braços de meu irmão para mimá-lo um pouco.

— Eu falei que ela não teria! – Kim disse em desgosto. – Ainda bem que a Vic é precavida e comprou um carrinho que é mil e uma utilidades.

Ainda com Seb nos braços, cumprimentei Vic e perguntei como as coisas estavam indo em Chicago.

— Frias. Muito frias! – Ela disse, esfregando os braços. – Torcendo para ele arranjar um time em um lugar mais quente.

— Los Angeles é uma ótima opção. – Comentei casualmente e saí do alcance de meu irmão, sabendo muito bem que ele poderia tentar me bater.

Seguimos para o carro conversando, eu tentava fazer Seb sorrir para mim, mas a única coisa que ganhei foi uma careta.

— Acho que esse aqui não vai ser apegado a mim. – Murmurei.

— Pelo menos um salvou. Já basta você ter dois grudes. – Meu irmão comentou enquanto instalava o bebê conforto no meu carro.

— Não fala isso. Você que nunca estava por perto para elas se apegarem a você. – Defendi Liv e Lena.

— E como será que a Lena vai reagir com a presença de Seb aqui? Ainda mais se a sua sogra cismar de querer ficar com ele no colo?

— Isso só saberemos quando acontecer. Mas não fique apreensiva. Garanto que Dona Amelia só irá pegar Seb se você se sentir confortável.

Kim acabou de instalar o bebê conforto e colocou Seb lá, meu sobrinho só encarava o pai com uma olhada de quem dizia, “quem foi que deixou você me colocar aqui? E quem é essa doida que não para de falar?”

Meu irmão até se ofereceu para ir no banco de trás com o filho, mas Vic preferiu ir do lado dele.

— Assim você aproveita e vai reclamando de como a Kat dirige, eu sei que você sente falta de ficar enchendo a paciência de uma pessoa.

— Então quer dizer que ele ficou quieto todos esses meses desde que o Seb nasceu? Esse bebê é um santo milagreiro desde tenra idade!

Claro que Kim não deixaria essa passar, e como agora eu não tinha o seu filho em meus braços, ele me deu um sonoro tapa na cabeça, que foi logo retribuído por um soco no seu abdome. Não interessa a idade, irmãos são sempre irmãos, e são ainda piores quando são gêmeos.

O trânsito estava impossível, pois juntou hora do rush, com o pessoal que saía e chegava da cidade para as festas de final de ano, assim, foram gastas três horas do aeroporto até minha casa.

— Espero sinceramente que alguém tenha feito o jantar. Eu não almocei e só comi alguns salgadinhos na festa do escritório.

— Olha, ela estava em uma festa... que milagre!

— Fica quieto, Kim.

Foi um alívio quando entrei na rua da minha casa. Não somente estava em casa, como ia ficar livre da falação do meu irmão, que criticou cada manobra que fiz na direção, cada escolha de caminho que fiz e ainda reclamou do meu carro e das minhas músicas! E olha que estava ouvindo música clássica para não agitar o bebê que ia arrulhando no banco de trás!

Ao abrir o portão notei que tínhamos visita, é claro que minha sogra não iria deixar de vir para paparicar Liv e Lena, ainda mais depois do episódio em que a Baixinha participou ter ido ao ar e ela não teve tempo de ligar para Londres para conversar com a Pequena.

Parei o carro na porta principal, tudo para facilitar para Vic, ajudei-os a descer e tirar as malas e depois manobrei o carro, em uma velocidade tal, que até meu pai chamou minha atenção.

— Pai, no dia em que eu bater o carro enquanto eu manobro, pode comprar o caixão porque eu morri atrás do volante! – Falei para ele enquanto saía e trancava a Jamanta.

— Vai confiando que não tem nenhuma criança atrás ou no ponto cego do carro. Ou até mesmo um de seus cachorros. Sabe que Thor não é lá muito inteligente.

— Thor pode não prezar muito pela inteligência, mas ele tem instinto de sobrevivência e conhece a dona que tem. – Garanti. – Ou assim eu espero. – Terminei a frase, pois o dito cujo que vinha correndo na minha direção, errou a mira e bateu no guarda corpo da escada.

— Tem certeza disso, Kat? — Meu pai me encarou com uma sobrancelha levantada.

— Melhor deixar para lá. – Comentei e fui verificar o focinho do meu cachorro destrambelhado. – Vai ficar tudo bem, Thorzinho. Vai ficar tudo bem. – Garanti para o cachorro que gania como se estivesse morrendo.

Finalmente estava em casa, e, bem, para o caos que era quando todas essas pessoas se juntavam.

— O que aconteceu com o Thor? – Lena perguntou preocupada com a barulheira que o cachorro aprontou.

— É só o Thor sendo o Thor, Lena. Nada demais.

E fui eu terminar de falar, Thor se levantou e saiu correndo atrás de Alex que tinha ido em direção à cozinha. E, alguns segundos depois ouvimos:

— Mas de novo, Thor? De novo? Desse jeito não vai sobrar uma porta inteira nessa casa!

Novamente meu pai me olhou e eu só dei um sorrisinho para ele. Meu cachorro era um caso perdido.

Cumprimentei a todos que estavam na casa, e quando perguntaram se eu estava de férias, confirmei.

— O milagre do semestre. Todos em casa ao mesmo tempo! – Dona Amelia disse.

E a noite era somente uma criança quando as duas famílias se juntavam, ainda mais depois de tanto tempo.

Notas finais
Bem é isso. Gostaria muito de agradecer quem ainda está acompanhando a história fielmente! E eu espero não demorar meses para postar o próximo capítulo, que já está pronto, por sinal... Enfim, obrigada por lerem! Até o próximo. xoxo