Presos Por Um Olhar
137 Treinamento
Notas iniciais
Por conta do fuso horário invertido, as meninas dormiram o voo todo, já eu, como acabei ficando no horário da Califórnia, acabei por dar pequenos cochilos e, entre uma xícara de chá e outra, me dei conta que estava acordada direito a quase dois dias...
— Esse é o único problema das viagens transcontinentais. – Murmurei e me escorei novamente no sofá e peguei um livro para ler.
Não sei quando peguei no sono, porém acordei com o aviso do piloto de que já estávamos sobrevoando a Califórnia e que dentro de vinte minutos seriam iniciados os procedimentos de aterrissagem.
Alonguei meu pescoço e fui acordar minhas sobrinhas que tinham dormido por todo o voo, o que seria um problema imenso para mim, já que estariam com a disposição a mil, e em LA, ainda eram dez da noite.
Tive que chamar duas vezes até que Liv acordou, um tanto desorientada, porém, logo se situou.
— Já vamos pousar?
— Dentro de vinte minutos. Então já sabe, vá lavar o rosto e pentear esse cabelo.
Liv foi para o banheiro e só soltou:
— MEU CABELO! Até parece que o Stark babou nele de novo!
— Exagerada!
Elena foi outra história. Demorou muito mais para acordar e quando finalmente abriu os olhos, não entendeu onde estava e chamou pela mãe.
— Calma, Pequena! Estamos no avião. Já na Califórnia.
Ela me encarou com os olhinhos arregalados e assustados.
— Califórnia? Mas täti, a gente tava em Londres agorinha!
— Estávamos em Londres há mais de dez horas... você dormiu o voo inteiro, Leninha!
— Ah! Então foi por isso que passou tão rápido! A gente já tá chegando?
— Sim. Mas primeiro temos que arrumar essa bagunça aqui e, também te deixar um pouquinho apresentável, né?
Elena e Liv me ajudaram com a arrumação da cama e, enquanto a mais velha foi guardar as coisas dela na mochila, já pensando na aterrissagem, eu fui ajudar Lena com seu cabelo.
Com tudo pronto, nos sentamos nas poltronas, Elena fez questão de se sentar na janela para ver a cidade se aproximar, ou melhor, ficar grandona na janela, já Liv, se sentou na minha frente, acabando o livro que lia.
E, com um pequeno atraso, aterrissamos no LAX.
A liberação da alfândega foi um pouco mais burocrática dessa vez, por conta das motos que trouxemos e, também, por eu estar viajando com duas menores. Porém, assim que conferiram todos os papéis, nosso desembarque foi autorizado.
Ajudei Elena a colocar um casaco e a mochila e, só por precaução, segurei a sua mão, nunca se sabe quando uma criança vai sair correndo desesperada por aí.
Liv foi na frente, e, assim, que colocou a cabeça para fora do avião, já foi gritando:
— Hei, setä!!! Saudades de você!
E tudo o que eu vi, ainda pelas janelas da cabine, foi minha sobrinha se lançando escada abaixo e correndo para abraçar meu noivo.
Claro que Elena viu o que a irmã fez e quis imitar.
— Não, Lena. Você, espera! – Pedi.
E ela só fez um bico.
— Mas por que a Liv pode?
— Não é porque ela pode, mas é porque ela não respeitou as ordens da sua mãe. – Afirmei e nessa hora já estávamos na escada e eu lancei um olhar bravo na direção da Loira Aguada.
Mal pisamos no solo e Alex já veio receber Elena que pulava sem parar para chamar a atenção do tio.
— E você, Espoleta? Fez boa viagem?
— Vish, setä, dormi o tempo inteiro! – Ela falou sem vergonha nenhuma.
E foi aqui que ele me olhou.
— Sim, temos um problema nessa madrugada. – Respondi ao seu olhar e o abracei apertado.
— Temos que dar um jeito de gastar essa energia antes que o dia amanheça para que nós dois não estejamos só o pó amanhã. – Ele falou no meu ouvido.
— Pois é... – Comentei e desfiz o abraço, olhando na direção de Elena que nos sorria abertamente com aquela carinha de quem ia nos deixar acordados a noite toda.
Tivemos que esperar que as motos fossem vistoriadas e liberadas, não antes de pagar a taxa de importação.
— Que isso? – Liv veio para perto de mim quando me viu assinando os papéis de liberação.
— Impostos e taxa alfandegária.
— Tem que pagar para trazer as coisas para cá?
— Claro. Essas motos ficarão aqui, então é como se tivéssemos importado os bens.
— Gente! Como pode! – Ela falou revoltada.
— Isso se chama Direito Tributário e, se um dia você quiser fazer parte do mundo das importações e exportações, vai ter que saber sobre isso. Mas agora, vá pegar suas malas e levá-las para o carro. – Indiquei a dupla de malas com estrelinhas coloridas e brilhantes que eu tinha comprado para ela há um ano.
— Tomara que esse ano a mala não exploda, né tia? – Ela brincou comigo e saiu correndo na direção das malas.
— Eu não te compro mais malas! – Avisei. – Então cuidado com essas!
Depois de guardar as malas no carro e colocar as motos no reboque, finalmente deixamos o aeroporto e seguimos em direção à cidade.
— E o que as mocinhas vão querer fazer ainda hoje? – Alex perguntou encarando as duas pelo retrovisor interno.
E foi aquela falação, e nada de decidirem.
Antes de mais nada, interrompi a discussão de minhas sobrinhas, para avisar:
— Liguem para seus pais. Sei que eles estão esperando por essa ligação. – Entreguei meu celular para Liv, ela saberia o que fazer.
E, a conversa entre Ian, Tanya e as filhas durou o tempo até que Alex estacionasse o carro na praia de Santa Mônica.
— Peraí, mamãe. – Elena falou. – Acho que o setä vai nos levar para comer panquecas de boas-vindas! – Ela falou animada.
E, pudemos ouvir minha cunhada.
— Não mime minhas filhas assim, Alex!
— Como Lena disse, Tanya, são as boas-vindas! – Ele respondeu. – Só isso!
E, quando descemos do carro, pudemos nos ver pela videochamada e a feição da minha cunhada era a de quem não parecia acreditar que estávamos levando as meninas para comerem panquecas quase à meia-noite.
— Aproveitem bastante. – Tanya disse as filhas. – E a vocês dois, obrigada pelas mini férias. – Ela completou. – Vamos nos falando nos próximos dias! E boa sorte com as duas!
— Bom dia, para a senhora, mamãe! – As duas responderam.
— Boa noite para vocês! E não se esqueçam dos avisos que passei quando embarcaram!
— Tudo bem! Te amamos! – Elas responderam e desligaram a chamada, no instante em que entramos no restaurante.
— Ora, ora! E não é que as finlandesas vieram para a Califórnia passar as férias de meio período! – Dottie veio cumprimentar as meninas com um abraço! – Depois vão me contar como foram seus dias desde que voltaram para o outro lado do mundo! – Ela pediu.
— Oi, Dottie! – As duas responderam e retribuíram ao abraço.
— E vocês, não tinham que estar em casa e vendo a série? Sei que vai ao ar às sextas-feiras.
Alex fez que não e isso atraiu a atenção de Liv.
— Eu estou chegando agora de Londres. Não faço ideia de que horas são, Dottie.
— Você, Loira, pode não saber que horas são, mas sempre é hora de uma boa panqueca, não é mesmo, Pequena? – Ela deu um peteleco no nariz de Elena ao falar isso.
— SIM! – Elena concordou e levantou as mãos para cima.
— Por favor, não exagere no açúcar, já dormiram no voo inteiro e estão no fuso de Londres, assim, coopere conosco que estamos no fuso daqui. – Pedi.
Dottie saiu rindo, como se não fosse dar ouvidos às minhas súplicas.
E, enquanto esperávamos as panquecas, Alex foi informando para as meninas que, dessa vez, ele não teria muito tempo para ficar passeando com elas, pois estava gravando, porém, na próxima sexta, ele já tinha avisado ao pessoal do estúdio que ele teria visitas nas gravações.
— Nós vamos ver como uma série é feita? – Liv perguntou animada.
— Sim. Vão passar o dia inteiro comigo no set. E já vou avisando, tem que levantar cedo! Muito cedo.
— Eu vou estar de pé em um pulo! – Elena garantiu.
— Só quero ver. – Murmurei.
E a conversa continuou mesmo depois que Dottie trouxe nossos pedidos, ou melhor, como o restaurante estava bem vazio, por conta da hora, ela se sentou conosco e quis ser informada do que as meninas estavam fazendo e, também, sobre Alex e a série e o filme.
— Quero cadeira especial na premiere, Alexander. Não se esqueça! – Ela avisou quando pagamos a conta.
— Te mando o convite assim que tiver em mãos. – Ele garantiu.
Demos uma voltinha na cidade, só para que Elena visse Los Angeles à noite, já que da outra vez, ela praticamente dormiu nas vezes em que saímos de carro nesse horário. Já Liv ia perguntando sobre tudo o que via, com um interesse imenso.
Em casa, foi abrirmos as portas e o trio peludo veio correndo, e, como acontecia sempre, os três nem se deram conta da minha presença, foram direto fazer festa para minhas sobrinhas.
Deixei as duas brincando com os cachorros do lado de fora e fui desfazer as malas de Elena, e eu só percebi quão cansada estava quando olhei para a cama.
— Eu queria era dormir e deixar isso para amanhã. – Murmurei.
— Chamou, Rainha do Gelo? – Alex perguntou do outro quarto, já que ele tinha subido com as malas de Liv.
— Não. Só falei que estou cansada.
— Não conseguiu dormir em Londres?
— Não. Ia cochilar durante a manhã, mas minha mãe foi lá em casa e acabei não dormindo. Dormi um pouco no avião, mas não muito. – Expliquei.
Com as coisinhas de Elena arrumadas. Chamei as duas para entrar e pedi que Liv desfizesse as malas.
— A senhora me ajuda? – Ela me pediu.
— Claro.
E, dessa vez, ela efetivamente me ajudou a organizar tudo.
— Agora, por favor, vá tomar um banho e dormir.
— Mas eu estou sem sono...
— Se você não dormir agora, vai acabar dormindo por todo o dia, o que vai bagunçar o seu relógio biológico e desse jeito você não se acostumará com o horário daqui, o que resultará...
— Que eu não vou aproveitar nada. – Ela completou.
— Exato. Agora vá para o banho que eu vou fazer um chá para nós.
Com Liv no banho, aproveitei e dei um em Elena. Ela sim, estava mais do que elétrica. Com muito custo, consegui fazer com que ela se acalmasse o suficiente para tomar a sua xícara de chá de camomila.
Com pouco, Liv prometeu que ia para cama, que, mesmo sem sono, ia ficar lá e ler, já Elena...
— Täti, a senhora pode ler para mim?
— Se você prometer que vai ficar quieta, sim.
— Prometo.
Só que ela não ficou. Hora abraçava o travesseiro, hora o bichinho de pelúcia e, às vezes, meu pescoço, quando cismou que queria ficar no meu colo e nem quando eu desisti de ler e comecei a cantar, ela se acalmou.
Alex veio ao meu socorro e assumiu a árdua tarefa de tentar colocar Elena na cama, enquanto eu ia tomar o meu banho. Saí, mais dormindo do que acordada do banheiro, só para ver Elena na nossa cama, com Alex ainda lendo para ela.
— Ela me pediu. – Ele me explicou quando eu só olhei para a cena em si e não falei nada.
E eu tive que impor limites.
— Só dessa vez, Elena. Hoje porque você está chegando e não está acostumada com o fuso horário da Califórnia, mas amanhã, vai dormir no seu quarto.
— Tá bom, täti! – Ela me garantiu.
Ajeitei-me na cama, e tentei controlar minha sobrinha, até que depois de muito se mexer, ela se deitou atravessada, com a cabeça na minha barriga e os pés na de Alex, que ainda lia para ela.
Leu um livro inteiro e só assim a Baixinha dormiu, e quando Alex notou isso, comentou:
— Achei que íamos virar a noite tomando conta dela...
Eu, que estava mais dormindo do que acordada, respondi um tanto embolado.
— Nem brinca com isso.
— E, à propósito, bem-vinda de volta, Kat. – Ele se esticou e me deu um beijo.
— Obrigada, Surfista. E eu senti falta disso. – Murmurei. – E sabe que eu te amo, né?
Ouvi a sua risada e a sua resposta e logo depois senti seus lábios em minha testa, mas não tenho muita certeza, pois já estava apagada para o mundo.
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A manhã de sábado começou preguiçosa. Na verdade, eu só me levantei porque Elena veio me acordar me dando beijos na bochecha.
— Bom dia, Pequena! – Retribui o carinho.
— Bem que o setä disse que era só te dar um beijo que a senhora acordava! – Ela me respondeu rindo.
— E o que a senhorita está fazendo acordada e já elétrica assim?
— Não sei! Acordei e o setä já estava acordado, assim, desci pra ver o que ele estava fazendo. E ele já estava fazendo o café! Fiquei lá embaixo um pouco ensinando ele a fazer chocolate quente como a vovó Mina!
— E ele aprendeu?
— Não sei! Ele não me deixou experimentar. Disse que tinha que esperar a senhora e a Liv acordarem.
— E por isso veio me acordar?
— Não! Bem… por isso e porque a vovó Amélia já ligou perguntando que horas vamos pro rancho…
— Quando tudo estiver arrumado por aqui. E já que o seu tio já fez o café, vamos acordar a sua irmã e fazer companhia para ele na cozinha, o que acha?
— Acho uma ótima ideia!!
Elena me ajudou a arrumar a cama e depois mais do que feliz, foi acordar a irmã.
Liv demorou um tempo para aparecer na cozinha, mas como só acorda com o cheiro da comida, bastou que sentisse o aroma do chocolate que ela logo estava mais falante.
Combinamos que só iríamos para a Fazenda depois que tudo estivesse organizado em casa, algo que não agradou muito minhas sobrinhas, porém, elas acabaram ajudando e com a falação sem fim das duas, acabamos que saímos mais cedo do que o esperado.
No trajeto de quase duas horas, fui pedindo para Elena não cismar de sair correndo em disparada pelo lugar, e que sempre ficasse perto de alguém.
Ela concordou comigo e prometeu que não faria nada disso, porém, lá no fundo, eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, eu acabaria correndo atrás dela pela propriedade, assim que vi a sua animação quando viu a entrada se aproximando.
Mal colocamos os pés para fora da garagem e já fomos recepcionados por Dona Amelia.
— Minhas meninas! – Ela falou abrindo os braços para receber Elena que corria na direção da avó emprestada. – Como vocês cresceram!
Olivia pode não ter corrido até minha sogra, mas foi envolvida em um abraço de urso igual à irmã.
— Está cada dia mais parecida com sua tia! – Ela comentou com Liv que ficou vermelha.
Dona Amelia foi escoltando as “netas” para dentro de casa, esquecendo temporariamente do filho e da nora, falando que Dona Laura chegaria no um pouco mais tarde para ajudar com o treinamento das duas.
— Gosta da gente, não? – Alex murmurou no meu ouvido e eu me vi na obrigação de lhe dar uma cotovelada.
E, enquanto Dona Amelia ia fazendo planos com as meninas, fui até os quartos, onde deixei as bolsas de Liv e depois ajeitei tudo o que Lena iria precisar, não fiz para Olivia, porque ela poderia muito bem fazer isso mais tarde.
E a manhã da chegada foi caótica, pois, umas duas horas depois, meu sogro chegou e com ele Dona Laura e Sr. David, que, ao invés de conversarem com o neto que eles não viam há um tempo, foram direto planejando as aulas de Liv e Lena.
— É... – Alex começou assim que descemos para a área de treino. – houve uma época que minha avó ia chegar aqui e começar a falar na minha cabeça que tinha muito tempo que eu não ia à Michigan... e hoje. – Ele apontou para a cena na nossa frente.
— Primeira vez nessa situação, Surfista? – Brinquei com ele. – Isso já acontece comigo há 18 anos. Desde que Tuomas nasceu, os netos passaram a ser segundo plano. Estou mais do que acostumada.
Meu noivo ainda vez uma careta na direção dos avós e depois me chamou para dar uma volta. Montamos nos cavalos e partimos, rumo aos cantos da propriedade, que cada vez ficava maior.
— Seu pai tem muito o que fazer por aqui. – Comentei ao ver o tanto que a propriedade tinha crescido nos últimos meses e a quantas ia a construção da nova área do haras, que seria completamente separada da área que a família frequentaria.
— E a minha mãe com os cavalos.
— Nem me fale. Fiquei sabendo que ela anda em contato direto com meus avós na Inglaterra. Ao que parece, eles têm um plano para comprarem mais cavalos para os dois haras...
Alex deu uma risada e só continuou:
— Estou vendo que alguém vai ter que negociar a compra e depois providenciar o transporte.
— Pois é. Minha vó Claire andou me ligando querendo saber como é feito o transporte intercontinental de animais. Ou seja, vem coisa grande por aí.
— Estou estranhando que minha avó não esteja no meio dessa bagunça.
— Acho que está também, no fundo, os apaixonados por cavalos estão todos juntos, só tomando as decisões mais fáceis para depois em jogarem aos leões.
— Só quero ver você, minha mãe e nossas avós atrás de cavalos pelo mundo.
Parei Hal no meio do trote e consegui visualizar direitinho a cena.
— É... isso vai acabar acontecendo.
— E por falar em acontecimento... Benny comentou comigo que marcou da data do casamento com Pietra.
— Sério? Ela tinha me falado que já tinham o local e o mês do casamento, mas não a data. Quando vai ser?
— 17 a 20 agosto de 2023.
— Dentro de nove meses... quem diria que eu estaria prestes a ver Pietra se casando.
— E ele já me chamou, extraoficialmente, para padrinho.
— Isso não é novidade, Alex. Eu já tinha te falado isso no início do ano, quando o romance dos dois começou. E, se eles se casam em agosto, capaz que o restaurante fique pronto antes.
— Tinha me esquecido disso. E como andam as coisas por lá?
— Pietra tem ficado entre a ponte aérea Milão-Los Angeles-Milão. Coisa pouca, né? Mas ela me falou também que antes de inaugurar, a Nonna vem ver o lugar, só não entendi muito bem o motivo.
— Dar a aprovação dela. Não é isso que ela faz? – Ele me questionou.
— Deve ser. – Dei de ombros. – Vamos voltar? Não quero deixar as meninas sobre a responsabilidade de sua família por muito tempo. – Pedi e dei o comando para Hal fazer a volta e seguir o caminho de retorno à casa.
— Com coisa que minha mãe está ligando muito. – Escutei Alex murmurar e depois ouvi o trotar de Furia logo atrás de mim.
Quando chegamos na área de treino, me surpreendi ao ver Olivia saltando com Athena. Eu tinha domado a égua e tinha ensinado a ela os comandos do hipismo, e sei que no último verão o conjunto até ganhou o torneio entre os treinadores do Haras, mas não acreditava que ela estivesse pronta para os saltos dessa complexidade, não ainda. E, a outra surpresa, foi ver Elena saltando também com Nuvem.
— E não fique surpresa assim, até o final do dia, eu coloco Elena em cima de Hal. – Dona Laura falou quando nos viu chegar e percebeu meu olhar assustado para a evolução de minhas sobrinhas.
E foi dito e feito, um pouco antes do pôr do sol, Dona Amelia me chamou e pediu que eu trouxesse Hal para uma volta.
Dei a minha volta, até porque estava com saudades de saltar e, na minha segunda tentativa, coloquei Elena na sela comigo. Era seguro? Não. Poderia dar algo errado? Sim. Mas o fiz mesmo assim. Dei saltos de menor complexidade e, assim que terminamos e Elena pode sentir o que era um salto com um cavalo de verdade, nós a colocamos sozinha na sela. Claro que a sela era preparada para ela, do seu tamanho e estava muito bem afivelada em Hal.
— Agora, Elena, é só dar o mesmo comando que você dá em Nuvem e Hal irá trotar. – Dona Laura falou, sempre perto dela e com os olhos focados em cada movimento que a Pequena fazia.
Minha sobrinha mais nova demorou um pouco para ter coragem de instar o Puro Sangue Inglês, porém, depois que a incentivamos, ela o fez. E, assim que sentiu que Hal obedecia aos seus comandos, ela gargalhava feliz.
— Não é para cavalgar, Elena! – Avisamos.
Ela deu algumas voltas pela área e, quis se arriscar em um salto. Como era só fazer Hal passar por cima de um obstáculo de menos de vinte centímetros, deixamos.
E quando o salto foi finalizado, todos nós comemoramos.
Ela veio toda feliz e sorridente para perto da cerca, e, eufórica como estava, não desmontou do lombo do cavalo, mas se jogou em meus braços, dizendo que já fazia Hal pular muito alto.
Claro que filmamos a peripécia da Pequena e enviamos para minha família. E, eu que temi que Ian fosse me ligar e me xingar por ter deixado a filha dele cavalgar em um cavalo de verdade, só pude atender a videochamada onde ele comemorava com Lena o feito dela. A chamada que era de duas pessoas, virou uma chamada em grupo e, no meio da bagunça, onde até mesmo Kim e Vic estavam, só pudemos ouvir:
— Vai ser a Campeã Olímpica da família com certeza.
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E o final de semana passou no mesmo ritmo de sábado, minhas sobrinhas treinando hipismo, eu dando as minhas voltas e meus pitacos no que elas estavam fazendo e, no intervalo, conversando com minhas amigas e familiares.
Na noite de domingo, Alex e eu decidimos que ficar no Rancho seria muito melhor do que levar as meninas para Los Angeles e deixá-las presas dentro de casa. Então combinamos que, na segunda iríamos em casa, onde ele pegaria a moto e partiria para o set, e, uma vez que o estúdio é exatamente a meio caminho entre o Rancho e Los Angeles, e sendo a moto mais rápida e fácil de guiar, ele ganharia tempo nas viagens de ida e vinda, até porque não pegaria trânsito, enquanto eu teria o melhor carro para encarar asfalto e terra, além, é claro, das horas parada no mar de luzes vermelhas.
E a semana passou sem maiores sustos, na quarta-feira, Liv cismou de me seguir para o escritório, sendo meu braço direito durante o expediente, aproveitei a presença dela e, antes de seguir para a fazenda, passei em algumas lojas para comprar algumas coisas que estávamos precisando, inclusive os ingredientes para o jantar que iria fazer na quinta.
Com o fim da sessão de compras, para fugir do trânsito infernal da cidade, acabamos que jantamos no restaurante de Dottie.
— E onde está a Baixinha? – A mãezona de todos comentou assim que nos viu.
— Ela está no Rancho com Dona Amelia. – Respondi.
— Claro que Amelia iria reivindicar uma das duas para paparicar por todo o dia, não? E o nosso menino, como vai?
— Trabalhando.
— E as duas loiras aqui deram uma escapada para comer umas panquecas sem ninguém perturbar, hein? Espertas!
Comemos devagar com Liv me contando como estava sendo esse primeiro semestre na escola e, como ela estava, um ano depois de ter iniciado a terapia por conta do ataque que sofrera em Londres.
Já era horário sem muito trânsito quando deixamos o restaurante, mas, mesmo assim, ainda fomos dar uma voltinha na feirinha píer. Só nos dando conta de que era tarde quando olhei no relógio e vi já ser quase oito e meia da noite.
— Melhor irmos, ainda temos quase duas horas de viagem até em casa. – Chamei por Olivia que estava parada perto de uma das pistas de skate e observava as manobras com expressão assombrada.
— Tia! A senhora viu? Tinha uma menininha com vestido de princesa fazendo manobra com um skate. Ela deve ter a idade da Lena! – Liv veio ao meu lado comentando.
— Não era para você ficar assombrada. Aqui andam de skate, na Finlândia pilotam karts.
— Bem lembrado! Lembro que Dona Amelia ficou um tanto chocada quando viu minha irmã andando de motocross. E falando em motocross, nesse final de semana vamos dar uma volta?
— Claro. Tem bastante tempo que não fico enlameada. Agora vamos entrando que ainda temos viagem para fazer! – Abri a porta do carona para que ela entrasse.
— Posso ser a DJ da noite? – Perguntou enquanto eu colocava o cinto.
— Pelo amor de Deus, olha o que vai colocar! – Pedi.
— Deixa comigo. – Minha sobrinha sacou o celular do bolso e já foi conectando, logo escolhendo uma playlist bem barulhenta.
Fomos cantando pelo caminho, às vezes até mesmo batendo cabeças e, quando passamos pelos portões do Rancho, só avisei.
— E, o nosso jantar na Dottie fica sendo o nosso segredinho, hein? – Brinquei com a adolescente que encarava as pulseiras que comprei para ela.
— E as compras?
— Essas não. Até porque tem presentes para todos no porta-malas.
Guardei o carro na garagem e fomos conversando até a casa, Loki e Stark logo vieram correndo, latindo e abanando as caudas, felizes por nos ver.
Entramos na casa e os cinco ocupantes da sala só se viraram para nos ver e Alex acabou por levantar a sobrancelha ao ver as sacolas.
— Festinha de compras, é? – Perguntou. Como eu tinha ido para a cozinha deixar os mantimentos, foi Liv quem respondeu.
— SIM! E tem presente para todos!
Quando voltei à sala, Liv já tinha distribuído quase todos.
— E esses aqui são para a tia Pepper e para o tio Will. – Mostrou as sacolas.
— Compraram Los Angeles inteira, foi? – Alex questionou brincando.
— Não, ainda ficaram muitas lojas para você se divertir. – Respondi e parei atrás dele, abraçando-o pelos ombros e dando um beijo em sua bochecha. – E onde está Elena?
— Sucumbiu há uns quarenta minutos. – Minha sogra, que curiosa como só tinha ido à cozinha, voltou respondendo. – Também pudera, passou praticamente todo o dia montando Nuvem e depois eu a coloquei em Hal.
— É mesmo? – Interessei-me pelo assunto. – E como ela foi?
Foi Dona Laura que começou o relato do treinamento da Baixinha, com minha sogra dando os detalhes que a mãe não dava.
— E acredito, Kat, que ela está mais do que pronta para ter o próprio cavalo.
Ri de nervoso, só de imaginar ter que explicar que Elena ganhou um cavalo e já saiu por aí saltando, para a parte europeia da família.
— Mas eu vou deixá-la te contar como foi, porque ela falou que tinha que contar tudo para a täti.
— Amanhã vou conseguir chegar mais cedo. Tenho certeza de que ela vai ter muito o que me contar.
E foi dito e feito, na quinta, cheguei ao Rancho um pouco depois das duas da tarde. Elena já estava de volta à área de saltos e montava Hal.
Assim que me troquei e desci até lá, vi as duas garotas, cada uma em nível diferente de treinamento, porém, Elena realmente chamava a atenção, pois, mesmo tão nova, domava Hal com uma habilidade única.
— Acho que agora perdi meu cavalo de vez. – Comentei com minha sogra que observava a mãe treinando Liv.
— Não disse que ela estava esperta? Espere só para vê-la saltando.
— Saltando?!
— Um obstáculo de menor complexidade e que nem requer muito domínio do cavalo, porém, Elena faz todo o movimento de salto corretamente.
E lá foi Dona Amelia entrando a área e sinalizando para que Elena saltasse um determinado obstáculo.
Eu, mesmo nervosa, acabei por sacar o celular do bolso da calça jeans e filmar a tentativa de salto. E não é que a Pequena foi espetacular?
Fiquei por ali com elas enquanto tivemos luz natural, e, enquanto Dona Amelia e Dona Laura davam as ordens sobre como elas deveriam se portar em cima do cavalo, eu ia ajudando corrigindo posturas e, principalmente, guiando Elena pelos obstáculos.
Enquanto isso, Liv se saía muito bem com Athena, saltando obstáculos de nível olímpico sem errar ou cometer faltas.
— Eu te falei que elas eram excepcionais, Katerina. Investir no esporte com elas não é perda de tempo. Se quiser, na semana que vem terá um campeonato amador, para adolescentes na faixa etária de Liv, podemos tentar inscrevê-la.
— Dona Amelia, não sei. Eu teria que conversar com Ian e Tanya primeiro.
— Concordo com você, porém, saiba que ela manifestou interesse em participar. Infelizmente não tem para a idade de Elena, até porque ela é bem precoce, mas também seria bom levá-la, para que vá se acostumando com o ambiente.
Eu nem tive a oportunidade de ligar para meu irmão e perguntar o que ele e Tanya achavam da ideia, Olivia, assim que acabou de jantar, fez a ligação, que ela já fazia todos os dias para conversar com os pais, e já foi logo perguntando se poderia participar do concurso.
Ela pediu licença e foi tentar convencer os pais, levando minha sogra com ela para explicar como seria o torneio. Demorou um pouco e quando passou o telefone para a irmã mais nova, sorria abertamente e anunciou para todos que estavam na cozinha:
— Eu vou participar! – Disse alegre e abraçou Dona Laura que se levantou na hora em que ouviu a notícia.
Eu que estava lavando as louças, com Alex me ajudando, só nos encaramos e comentamos.
— Sua mãe conseguiu mais uma.
— Eu te avisei que esse era o plano dela.
O restante da noite foi de conversas sobre o torneio e, claro, de conferência de nossas agendas, já que seriam três dias de provas, sexta, sábado com a grande final no domingo, o que atrasaria em um dia a nossa volta.
— Tudo bem, são três dias, e todos os demais competidores possuem no mínimo dois cavalos. Para o caso de algo acontecer com o principal. Qual você vai levar, Olívia? – Meu sogro perguntou.
— Fácil, Prince Hal.
Todos me olharam.
— A senhora vai me emprestar Hal, não vai? – Ela veio e se ajoelhou na minha frente, já que eu estava sentada no sofá com os pés no colo de Alex, e fez carinha de cachorrinho pidão. – Por favorzinho!
Fiz suspense para responder, só para deixá-la nervosa, acontece que o suspense afetou mais Alex do que ela, e ele, só me dava tapinhas na sola do pé para que eu respondesse logo.
— Vou ver e te falo...
— Tia!
— Kat! – Meus sogros, dona Laura, Senhor David e Alex reclamaram. Já Elena...
— Vish, Liv, isso aí é um não! — Elena disse sem piedade alguma da irmã.
— Nossa, mas vocês não aguentam uma brincadeira, hein? Claro que vou emprestar!
Liv se levantou e me atingiu como um míssil ao me abraçar, nos jogando com força, no encosto do sofá.
— Kiitos! Muito obrigada! Mille grazie. ¡Muchas gracias! Vielen Dank! Mage tak! Diolch yn fawr iawn!
— Tudo bem, Olivia, eu já entendi!
E ela me soltou ainda me agradecendo em outros idiomas, saindo pulando e correndo ao mesmo tempo.
Elena só olhava para a reação da irmã mais nova e depois só murmurou:
— A Liv é doida!
— Quando for a sua vez, você vai entender a empolgação dela, Baixinha. – Comentei com Elena e chamei-a para se deitar do meu lado, o que ela fez de muito bom grado.
Na sexta, ao invés de ir para o escritório, meu destino foi outro completamente diferente. Alex cumpriu a promessa e levou as meninas para o set e, claro, me arrastou junto, até porque alguém teria que ficar de olho em Elena.
E, confesso que nunca tinha sequer sonhado em como seria um estúdio de gravação na minha vida, até porque, diferentemente de muitas meninas e adolescentes, eu jamais quis ser atriz ou cantora ou celebridade, assim, fiquei tão impressionada com o lugar quanto minhas sobrinhas.
Como Alex havia informado que ele traria visitantes, acabamos por chegar um pouco mais cedo e, com isso, pudemos conferir todo o local, assim como os cenários.
Apesar de Alex nunca ter assistido a um episódio até hoje, eu acompanhava a série religiosamente e, enquanto ele estava no estúdio, eu aproveitava para ver o último que foi ao ar, pelo aplicativo de streaming, assim, eu sabia exatamente quais cenários eram de quais cenas ou que acontecia por ali. E isso chamou a atenção de Alex, que só levantou uma sobrancelha na minha direção.
— Você pode não gostar de ver seus próprios trabalhos, mas eu gosto e estou acompanhando a série. – Comentei baixinho.
Passamos por todos os cenários, fomos apresentadas aos demais atores do elenco e, ao que parecia, algumas pessoas já tinham ouvido falar de nós.
Conversei com algumas pessoas, tentando entender esse mundo, aprender um pouco. Liv, observava tudo com interesse, e, aproveitando minha conversa, também fazia as suas perguntas, Elena que estava quieta, agarrada à minha perna, um tanto assustada, com tantas pessoas falando ao mesmo tempo.
Alex tinha sido levado para o trailer de maquiagem e cabelo, tendo nos deixado no set da próxima cena, vimos tudo o que acontece por trás das câmeras e eu me surpreendi com a complexidade de tudo.
— Nossa! – Liv murmurou ao meu lado. – Isso é muito incrível!
— Sim. Eu jamais pensaria que fosse assim. – Respondi.
Alex voltou e nos perguntou se estávamos entendendo algo, até onde tinham tido o tempo para nos explicarem, sim. Ele ia começar a descrever a cena que seria gravada, uma bem tranquila, que Elena pudesse assistir sem se assustar, quando ouvimos o diretor de elenco comentar que teriam que partir para outra cena, já que a atriz mirim, que viveria a filha do personagem salvo por Alex não pode comparecer no dia por estar doente.
— E quantas cenas essa menininha tem? – O diretor perguntou e conferiu o roteiro
A resposta veio de um dos roteiristas.
— Apenas uma, ela tem que correr de encontro à Alex e abraçá-lo, agradecendo por ter salvado a mãe dela. Só isso.
Os produtores ficaram em polvorosa, tentando achar uma outra atriz para fazer isso. E foi quando notei que não somente Alex, mas seus parceiros de cena olhavam para a cadeira que, teoricamente, é de Alex, onde ele se senta entre as cenas para reler o roteiro e/ou descansar, que nesse momento era ocupada por Elena.
— Bem, nós temos ela. – Bradford comentou casualmente e olhou para Lena.
Liv me cutucou desesperada, com os olhos arregalados e só disse, em finlandês:
— Tia, meu pai vai ter um infarto se a Lena participar dessa cena!
— Eu sei...
E quando me dei conta, toda a produção olhava para Lena com interesse e ela, tadinha, sem entender muita coisa, puxou a minha mão e perguntou:
— Eu fiz alguma coisa errada, tia? Estava cantando alto demais?
— Não, Elena, não fez. – Falei em finlandês.
— Então – Ela não teve tempo para terminar de perguntar, pois Alex, depois de ter trocado algumas palavras rápidas com os produtores, veio na direção dela e, ao se agachar na frente da cadeira, perguntou:
— Se o tio te pedisse um favor, você faria?
— Alex... o Ian vai nos matar... – Avisei.
— Que favor, tio?
— Precisamos de uma garotinha para fazer uma cena comigo, a que vinha, está doente e não podemos esperá-la ficar melhor, assim, você quer gravar a série com o tio?
Elena, ao invés de responder à Alex, olhou para mim.
— Täti?
Eu não sabia o que falar.
— Ela nem será creditada, Kat. E será coisa rápida. – Ele me explicou.
Eu sabia que seria simples, que Elena mal apareceria.
— Você se entende com Tanya e Ian. – Lavei minhas mãos.
Elena, então, perguntou o que ela teria que fazer.
— Você vai ter soltar a mão daquela moça lá. – Alex apontou para a atriz que faria o papel da mãe de Elena. — Ela será a sua mãe de mentirinha, e vai correr até mim e me dar um abraço, falando: “Obrigada por salvar a minha mamãe!”
— Só isso? – Elena se interessou e deu até tchauzinho para a atriz que retribuiu o aceno sorrindo.
— Sim, só isso! E então, quer fazer uma cena comigo? – Alex perguntou empolgado.
— QUERO!! – Elena pulou da cadeira e abraçou a Alex.
— Então, agora você vai ter um momento de estrela de TV, vai trocar de roupa, ser maquiada e depois voltar para cá. – Ele apontou para a direção de saída do set. – E claro que a täti vai com você.
Fiquei do lado de Lena enquanto eles procuraram uma roupa que lhe servisse e ela acabou com um vestido, jaqueta jeans toda bordada e um par de converses, cabelo e maquiagem foi só um arquinho na cabeça uma leve corzinha os lábios, nada que aparecesse muito, era realmente para realçar na câmera, foi o que me explicaram.
Quando voltamos para o set, tinham arrumado até uma cadeira, igual a de Alex, para que ela se sentasse, e Elena se sentiu muito importante com isso.
O diretor, por precaução, decidiu passar a cena uma vez, só para ver como Elena se sairia e, também, testar iluminação e enquadramento.
Eles repetiram duas vezes. E quando foi para valer, Elena fez tudo certinho, e, acho que nunca na história da TV um abraço entre dois “atores” foi tão verdadeiro e sincero quanto esse.
Quando gritaram “Corta” todo o set aplaudiu Elena, como se sua atuação fosse digna de uma estatueta do Oscar!
Passamos o restante do dia, somente acompanhando as demais cenas, e, mesmo sem ter gravado mais, Elena foi devidamente paparicada por cada um da produção, o que rendeu, é claro, pedido de mais visitas quando ela estivesse de volta ao país.
Agora era só esperar a reação de Ian e Tanya quando contássemos a eles a mais nova peripécia da filha caçula.
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E a reação não demorou muito para chegar, afinal, parecia que ambos estavam só esperando que deixássemos o set para nos ligar. E, mal Liv tinha atendido a chamada de vídeo, Elena foi logo falando:
— Mamãe, papai, eu sou uma atriz de TV igual ao tio!! Eu fiz parte da gravação hoje!
Primeiramente veio um silêncio, como se meu irmão e minha cunhada não estivessem acreditando em Lena, depois, creio que diante de nosso silêncio, a ficha acabou por cair e só escutamos:
— Você foi o que, filha?
E Elena disparou a falar tudo o que havia feito, descreveu a cena em detalhes, não que fosse longa, e disse que agora era só esperar passar na TV.
— Katerina? Alexander? – Escutamos o chamado.
Alex me olhou de lado e eu só dei aquele sorriso padrão de quem estava ferrado, quando peguei o telefone.
— Olá, vocês! – Cumprimentei-os.
— Sobre essa história da Elena, não era de verdade, era?
— Bem... sim.
— A minha filha... – Ian começou e parou no meio da frase e eu só balancei a cabeça.
— Ela fez uma cena em uma série de TV?
— SIM! – Lena gritou do banco de trás.
— Espera um momento. – Tanya levantou um dedo e se sentou no sofá, colocando a cabeça entre as mãos em um ato de puro desespero.
— É verdade, mãe. Ela foi até caracterizada. Ganhou uma cadeira só dela e ainda tirou fotos para ficarem salvas na galeria da produção.
O silêncio era ensurdecedor do outro lado da tela do celular, até que Ian falou:
— Uma vira amazona e vai até competir em um torneio, a outra tinha que fazer algo também, não? Mas... TV?
— Ela se saiu muito bem! – Incentivei o talento de Elena em abraçar as pessoas!
— Quando vai ao ar? – Tanya murmurou, ela ainda estava incrédula.
Olhei para Alex e ele só me fez o número quatro com os dedos.
— Em quatro semanas.
— Katerina, só você para deixar isso acontecer e sair viva para contar a história.
— Ela nem vai ser creditada, Ian. Pode ficar tranquilo.
— Ela vai sim. – Alex falou do meu lado e eu dei um beliscão nele. – Ela vai porque teve uma fala e o rosto dela foi filmado. É assim.
— Então teremos Elena Nieminen nos créditos de abertura? – Tanya questionou.
— Sim. O nome dela vai aparecer lá.
— Não deveria, mas serei uma mãe orgulhosa, apesar de que pega de surpresa.
— Que bom que a vontade de vocês de nos matarem já passou...
— Não passou, Kat. Foi eclipsada pelo orgulho de um pai, a gente conversa quando vocês aparecerem por aqui.
— Ah... tudo bem? Querem continuar a conversar com as duas? Elas têm mais novidades. – Comentei e passei logo o telefone para Liv, ela que enrolasse os pais mais um pouco.
Assim que chegamos no Rancho, não tinha muito mais o que ser contado para os pais, e Liv me passou novamente o telefone. E, depois que Ian me pediu para tirar a ligação do autofalante, me perguntou:
— Agora, me explique com detalhes como minha filha caçula acabou participando dessa gravação.
Estava entrando na casa quando comecei a explicação, porém, Elena foi mais rápida que eu e, em alto e bom som, soltou para meus sogros:
— Vovó Amelia, Vovô Jonathan! Eu agora sou uma atriz como vocês!
Eu passei direto pela gritaria que fizeram e fui me fechar no quarto para explicar para meu irmão como Lena tinha virado uma atriz por um dia.
Ao final da ligação, até que ele não falou muito na minha cabeça, mas me pediu para que isso não acontecesse mais, ou que pelo menos ele fosse avisado antes.
Isso eu poderia fazer.
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No domingo resolvemos tirar as meninas um pouco do Haras para leva-las à praia, Alex queria surfar um pouco e aproveitamos para leva-las, não estava muito quente, mas se compararmos com a Europa, dava sim para ficar um pouco na areia.
Como era de se esperar, Alex avisou à turma que estava a fim de surfar e perguntou aonde iriam. Assim, acabamos rumando para o sul, para a mesma praia onde surfei por quase um dia ao lado dele.
Tendo minhas sobrinhas ao meu lado, não entrei na água para cair da prancha, mas acabei que tirei fotos de todos, e ainda servi de segurança para as coisas que ficaram na faixa de areia.
Para minha surpresa, Pietra estava na Califórnia e, nós duas ficamos conversando sentadas na areia, só vendo o que nossos noivos estavam aprontando na água, enquanto Elena fazia um enorme castelo perto de nós.
— Fiquei sabendo que já tem a data marcada. – Comentei casualmente.
— Sim. Por favor, entre 17 e 20 de agosto do próximo ano, não marque nada, não cisme de entrar em trabalho de parto, não queria vistoriar nenhum porto, nem ir a alguma corrida de qualquer coisa, você será minha madrinha principal.
— E quando chega o convite para um evento dessa magnitude?
— Junho. Assim todos terão tempo de reservarem as agendas e viajarem para a Itália.
— Ainda será em Miramare?
— Sim. No Castelo que tem lá.
Encarei Pietra por cima dos óculos escuros que eu usava.
— Você vai se casar em um castelo?
— Sim. Algum problema com isso? – Ela me olhou até um tanto ofendida.
— Claro que não. Só é meio inusitado que justo você queira se casar como uma princesa.
— Só no lugar.
— O vestido...
— Sei que tradicionalmente teria que ser um Valentino, já que é ele quem veste as noivas, mas... Eu vou de Versace. E que se dane o mundo.
— Por favor, não faça o noivo ter um infarte antes de dizer sim! – Eu comecei a rir.
— Também não é para tanto. Eu não sou louca de estragar as fotos. Mas prefiro Versace à Valentino, combina mais comigo.
— É o seu casamento, vai fundo.
— E os vestidos das madrinhas também serão da mesma Maison, então já sabe...
— Por favor, algo usável. – Pedi.
Foi a vez de Pietra rir:
— Nada que cause um ataque cardíaco no seu noivo. Mas já aviso, serão vermelhos, todos, não serão idênticos porque vocês não são iguais, mas a cor será a mesma.
— Aposto que esse vermelho é....
— Exato. Você vai usar vermelho Ferrari nem que seja por uma vez na sua vida, favor combinar a maquiagem.
— Se é para te deixar feliz, Pietra, que seja, vou começar a correr atrás de um batom que se aproxime à essa cor... – Murmurei e nós voltamos nossa atenção ao mar. – E, o restaurante. Inauguram antes do casamento?
— Se Deus quiser sim! Depois da ajuda que você nos deu pagando algumas das dívidas, conseguimos um bom fundo para as reformas. Nossa previsão, veja, não do pessoal da obra, é final de maio.
— Nonna vem quando?
— Quando tudo estiver no lugar. E eu precisarei de você nesse dia.
— Apoio moral?
— Também, mas você sabe como minha Nonna é... se algo não a agradar eu já estou imaginando a nossa decepção...
— Pietra, vai dar tudo certo. Eu tenho certeza disso.
— Mudando de assunto, porque esse me dá calafrios, como estão os nervos para o tapete vermelho e para a reunião de Paris com o pessoal da FIA e da Fórmula 1?
— Tentando não pensar muito em nada disso. Um dia de cada vez. – Comentei.
— Eu não sei como será em Londres, mas Paris, agora sou eu tendo a certeza, sei que você sai de lá com esse contrato.
— E com ele vem um trabalho imenso de troca e conversas infinitas com os dirigentes das equipes... acho que terei que passar um tempo na Europa no mês de janeiro, porque pelo calendário que já saiu, tem testes em fevereiro.
— Sim, mas será mais fácil do que com os Médicos Sem Fronteiras ou até mesmo dos equipamentos olímpicos. Transportar carga viva é muito mais difícil e ninguém reclamou dos cavalos quando chegaram no Japão.
Suspirei, Pietra estava certa, se tinha algo que não tínhamos tido foram reclamações da qualidade de nossos serviços. Isso me dava uma esperança enorme.
O restante do domingo passou à beira d’água, com Pietra indo surfar e levando tombos mais homéricos do que eu, e, claro, eu tirei foto de cada momento.
— Você não vai mostrar isso para ninguém, Bionda! – Ela me ameaçou.
— Mas é claro que vou! Você não coloca medo em mim, Louca! – Falei e balancei a câmera na frente dela.
— Mas eu tive coragem de encarar o mar gelado. E você? Ficou de beleza o dia todo.
Eu só apontei para minhas sobrinhas que não tinham saído do meu lado.
— Tenho outras responsabilidades. – Comentei casualmente e me virei para o mar. – Agora para de reclamar, Benny vem aí.
E Benny... ah, quando ele chegou na faixa de areia.... ele não parava de rir. Riu com vontade de Pietra.
— Era para você estar me apoiando! – Ela fez um beicinho.
— E eu estou, Italiana. É caindo que se aprende a surfar. Mas fico feliz que você não morreu afogada. Muito feliz.
Elena ainda tentou se equilibrar na pranchinha de isopor, mas reclamou que a água estava fria e logo desistiu, e eu achei uma benção, pois assim a levei para um banho rápido e pude trocá-la antes de voltarmos.
Liv que só molhou o pé, estava enrolada em uma toalha, reclamando do vento no cabelo, isso depois de ter colocado um lenço para segurar os fios, que junto com os enormes óculos escuros que usava, a deixou com um certo ar de anos 50.
Alex pareceu perceber que a temperatura caía e antes que a luz natural desse sinais de que estava acabando, ele encerrou o surf, daquele jeito aparecido dele, e veio para a areia.
— Não vou demorar, Finlandesas! – Avisou quando passou por nós correndo na direção do quiosque e eu percebi que ele mancava um pouco.
Sabendo que ele voltaria já direto para o carro, despedi-me de todos ali.
— E vê se da próxima vez você vem fazer companhia para Pietra e cai da prancha também!
— Tudo bem, Matt, eu entendi. Mas isso agora fica para o próximo ano, o final de ano será corrido.
Estava guardando nossas coisas no carro, inclusive a prancha de Alex já estava segura no teto, quando ele apareceu mancando ainda mais.
— O que aconteceu? – Perguntei baixo, para não alarmar Elena.
— Acho que pisei em algo ou torci o pé quando desci da prancha. – Ele me explicou e levantou a sola do pé. E quando eu vi...
— Você pisou em uma caravela, Alex. Está queimado!
Ele xingou por baixo da respiração e voltou para a beira d’água para lavar o ferimento.
Quando ele voltou, fiz questão que ele fosse com o pé em repouso, por isso assumi o volante.
— E nada de reclamar. Vamos para o hospital. – Alertei já pegando a rodovia.
— Por que vamos ao hospital? – Elena perguntou curiosa.
— Porque seu tio pisou em uma caravela portuguesa e queimou o pé. – Informei.
Duas horas depois, estava parada na sala de emergência do hospital com uma Elena adormecida em meus braços, uma Liv agitada e um Alexander mal-humorado do meu lado.
— Poderíamos ter ido direto para o Rancho. – Ele falou meio azedo, tinha passado pela triagem e agora aguardava atendimento.
— Sim. Aí tem algum fragmento de tentáculo nesse ferimento, você não cuida e vai fazer o que? Sou filha de médica, sempre vou procurar um especialista para qualquer coisa errada.
Esperamos mais vinte minutos e vieram chamar por Alex.
Duas horas depois ele voltava, mancando e com o pé enfaixado.
— Veredito?
— Tinha fragmentos. Estou de molho porque está inchado. Ainda bem que não estou escalado para amanhã. – Ele me informou.
— E vai ficar quanto tempo assim?
— Um dia. Não foi nada muito sério, graças à roupa de mergulho. Muito provavelmente ela passou por mim dentro d’água e só esbarrou no pé, estranho eu não ter sentido. – Ele deu de ombros.
— Ainda bem que foi simples. Viu como foi importante vir parar aqui? – Questionei enquanto íamos voltando para o estacionamento. Caminhávamos devagar, primeiro porque Alex não estava aguentando andar muito e segundo, porque eu carregava Lena que depois de um dia agitada, dormia para recuperar a energia.
Voltamos para o Rancho e Dona Amelia só fez uma cara feia quando viu Alex mancando.
— Caravela? – Perguntou assim que avistou o filho.
— Sim. Dessa vez muito mais simples do que a última.
E algo me dizia que eu não queria saber como foi a última vez que ele se encontrou com o bicho.
Não deixei que Elena dormisse muito mais, senão não dormiria à noite e, com a Baixinha emburrada ao meu lado, fui ajudar minha sogra com o jantar.
Liv sucumbiu pouco depois de ajudar com a cozinha, se despediu de todos e foi se deitar. Elena lutou contra o sono por um tempo, mas bastou que eu a levasse para escovar os dentes que ela apagou no momento em que sua cabeça encostou no travesseiro.
Quando entrei no quarto, Alex já tinha tomado banho e estava passando pomada na queimadura.
— E como você está?
— Está ardendo bem... não vou negar, vou lembrar da minha fã por alguns dias.
— Só você para fazer piada de algo que está te causando dor. – Falei e foi a minha vez de ir para o banho, pois, se ele estava de folga no dia seguinte, eu tinha que me levantar com as galinhas para chegar em Los Angeles a tempo do expediente.
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Se o domingo foi de folga para minhas sobrinhas, a segunda, e os dias subsequentes, foram de treinamento intenso para Liv, que montava em horários alternados, ora Athena, ora Prince Hal, para que ele soubesse como controlar os dois cavalos, se fosse preciso.
Elena foi levada para outra área, dessa vez estava montando Pandora, e Dona Amelia se encarregava de observá-la enquanto ela aprendia a cavalgar como uma verdadeira amazona.
E, enquanto elas treinavam e se divertiam também, porque bem sei que minha sogra não é essa carrasca que parece ser, eu trabalhei como nunca. Ajeitando tudo para o Conselho e para a Reunião de Paris, isso sem falar da nossa estratégia para a próxima semana.
Quando a quinta-feira chegou, eu estava clamando por minha cama e uma boa noite de sono, cheguei arrastando no Rancho, querendo pular o jantar e ir direto para o quarto.
Não fiz o que eu queria, mas Dona Laura percebeu meu cansaço e me mandou ficar longe da cozinha por essa noite, me incumbindo de acalmar Liv que estava uma pilha de nervos para o torneio que se iniciaria no dia seguinte.
Minha sobrinha mais velha ia e vinha pela sala, falando cada uma das dificuldades que ela tinha, ora culpando sua falta de prática com Athena, ora sua falta de tempo e interesse em montar com mais frequência.
— Liv... – Chamei-a.
E ela não me escutou, enumerando agora tudo o que poderia dar errado no dia seguinte.
— Olivia Alexandra Nieminen, quer me escutar? – Perguntei um tom mais alto e ela parou no meio de um passo e quase caiu sem equilíbrio.
— Estava me chamando há muito tempo?
— Sim. – Confirmei. – Agora a senhorita vai se sentar aqui e ficar quieta. Vai parar de pensar no dia de amanhã, ninguém prevê o futuro e não adiante você ficar atraindo pensamentos negativos para algo que ainda está longe de acontecer.
— Mas... tia!
— Nada de mas... você sabe do que é capaz. Você sabe o que tem que fazer na arena. Você só precisa confiar um pouquinho mais em você e no seu talento. É claro que todos entram para vencer, sempre queremos isso, mas temos que aceitar que a derrota é aprendizado. É o segundo torneio que você participa na vida, Liv, o primeiro como uma semi profissional. Não se cobre tanto. Monte Athena, entre naquela arena com o pensamento de que você vai fazer o seu melhor. Que é isso que importa. Quaisquer outros pensamentos ficarão fora da sua cabeça.
— Mas como fazer isso...
— Primeiro, pare de pensar. Distraia-se com algo. Vá ler, jogar uma partida de xadrez, de dama, assista a um filme, esvazie a sua cabeça. Se cobrar tanto agora pode acabar te prejudicando amanhã.
Liv se jogou do meu lado e escorou a cabeça em meu ombro, Elena cochilava com a cabeça em meu colo.
— Eu estou nervosa...
— Não deveria estar. Você está fazendo algo que ama. Porque quer. Ninguém te obrigou. Basta montar Athena e ser feliz. – Aconselhei.
Consegui acalmar Liv o suficiente para que ela prestasse atenção no livro que pegou para ler, e, quando ela foi se deitar, preparei um chá calmante para ela.
— Kiitos, täti[1]. — Ela me falou quando lhe entreguei a xícara. – Não precisava trazer até aqui no quarto. A senhora está morta de cansada.
— Anda, beba. – Falei e tomei um gole da minha xícara, sentada ao lado de minha sobrinha na cama.
Liv começou falando de coisas banais e, à medida que o chá foi relaxando seu corpo, ela se deitou com a cabeça em meu colo. Comecei a passar a mão em seu cabelo, tentando fazê-la cair no sono.
— Nossa! Tem muito tempo que a senhora não faz isso comigo. Nem me lembro da última vez.
— Se quiser eu canto também. – Propus.
— Aceito.
Comecei a cantarolar enquanto acariciava os cabelos loiros claros de minha sobrinha. Liv ainda demorou um pouco para se ajeitar, e, de uma hora para outra passou de falar e começou a ressonar.
— Boa noite, Amazona! Durma bem! – Falei contra a sua testa e depositei um beijo ali.
Liv nem se mexeu, só continuou a dormir.
Levantei-me da cama, fechei as cortinas do quarto, conferi se o despertador estava ativado e sai, apagando a luz e fechando a porta, indo em direção à cozinha para lavar e guardar as xícaras vazias.
— Ela conseguiu dormir? – Dona Amelia que organizava os documentos de Liv para o torneio e estava sentada na mesa da cozinha, perguntou assim que entrei.
— Sim. Às vezes tudo o que a gente precisa é de uma boa xícara de chá, um cafuné e uma cantiga de ninar para nos mandar para o mundo dos sonhos.
— Então, sugiro que você aproveite que o chá ainda está fazendo efeito, e vá dormir também, Katerina. Sua sobrinha estava nervosa, já você está exausta. – Ela se levantou e veio me dar um beijo em minha testa. – Boa noite, minha querida.
Fiz o que ela falou logo depois que conferi se Lena também já estava dormindo.
O dia tinha sido puxado, mas os três próximos dias nos reservavam emoções desconhecidas.
[1] Obrigada, tia.
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