Presente do Inverno

10 Ponte Quebrada


"O céu é como uma pintura contemporânea monocromática, me atraindo com sua ilusão de profundidade, me puxando para cima."

— Cidades de Papel


Aceitar a ajuda daquele "monstro" não parecia estar tão longe de ser alcançado. Henry remexeu-se desconfortavelmente e olhou para amigas, que haviam parado para ver aquela cena.

— Você não pode nos indicar apenas o local? — Perguntou Lucy.

— Vocês vão se perder — respondeu Maena. — tenho certeza disso.

— É o seguinte — disse Henry, mirando o arco. — você irá na frente, está entendendo? Eu a seguirei passo-a-passo, e caso nos levar para uma armadilha, eu mato você. Eu juro, mato você.

Um calafrio tomou conta de todos. Ninguém nunca pensara que aquela sátiro poderia ser tão sinistro.

A mulher hesitou. Ninguém gostaria de ajudar alguém que pretende matá-la com uma falha, ou quem não confia em você. Ainda assim, seguiu pela caverna, indo para o local indicado por Henry. Subiram algumas rochas escorregadias, sem encontrar rastros de ossos — normalmente, sereias comem os humanos.

— Eu tinha certeza que vocês iriam se perder — continuou Maena. —, pois vocês já veiam pelo local errado. A frente — ela apontou ao meio dos pinheiros, quando já estavam do lado de fora da caverna. — há uma montanha. Podemos subi-la ou contorná-la, e digo-lhes que contornando-as é mais devagar, com mais monstros.

— Sim — concordou Henry, ignorando o fato dele ter guiado as semideusas pelo caminho errado. — vamos subi-la.

E assim começaram a caminha pela montanha. Havia uma estrada de terra encaracolando a montanha, para assim, lá em cima, atravessarem uma ponte para a outra montanha. Todos já estavam ofegantes na segunda volta.

— Vocês são fracos, hein? — riu Maena.

— Não me venha com essa! — gritou Henry, tomando da mão de Angelina uma garrafa d'água.

A garota protestou, mas parou quando olhou para o horizonte abaixo: Pinheiros e mais pinheiros, todos em conjunto, formando uma grande floresta branca. A vista daqueles árvores acabava quando o rio aparecia, junto com a caverna que assemelhava-se a simples rochas e, mais a frente, a floresta que começava com diversas outras árvores, logo sumindo com os outros pinheiros atrás.

— Me sinto em um filme — disse Lucy, percebendo a expressão de Angelina.

Angelina assentiu e continuou a caminhada. Depois de algum tempo, avistaram acima a ponte. Eles ainda não haviam percebido algo a mais ali...

Subiram, consumindo quase toda a água que tinham. Quando chegaram no topo, olharam para o lado, e viram algo que as árvores tampavam: o mar. Uma imensidão azul-escuro, sem qualquer rastro que estava congelado outrora.

— Se vocês tivessem seguido caminho — disse Maena. — vocês teriam parado no mar.

— Gaviões? — perguntou Anny.

Maena a olhou como se a chamasse de louca, mas seguiu o olhar da garota, que penetrava o céu acima. Pássaros pretos rodavam-os a certa distância.

— Harpias.

Uma das harpias avançou em Maena ao ela pronunciar aquilo. Com agilidade, a sereia desviou e correu pela ponte.

— Corram!

Henry ficou por último, seguindo as garotas e atirando flechas nas criaturas. Naturalmente, ele errava as maiorias, vendo a flecha cair lá em baixo e bater nas rochas, despedaçando-a com a altura.

— Na série Sobrenatural — começou Lucy. — há Serafins, só que eles...

— Não, Lucy — disse Henry, em meio a outro disparo. — Não estamos falando da bíblia!

Lucy foi disparada para baixo, causado por uma parte da ponte ter sido destruída por uma harpia. Eles gritaram e seguraram na madeira, chocando-se com grande impacto na montanha que seguiam.

— Subam! — gritou Maena, sem perder tempo.

A dificuldade de subir a ponte não parecia um problema, tirando o fato que harpias tentavam comê-los e pegá-los no ar. Lucy defendia com sua adaga e Henry com uma flecha. Contudo, nem Anny, Angelina e Maena possuíam armas para isso, então espantava-as com a mão ou com chutes.

Não houve tantas dificuldades quanto imaginaram para chegar ao topo. Chegaram e puxaram Henry, correndo para a floresta, onde as harpias não poderiam achá-los tão facilmente. Esconderam-se atrás de árvores quando viram as criaturas passarem, desviando das árvores e gritando coisas como "Não adiantam se esconder, eu os acharei! Apareçam, doçuras..."

— Sereias falam — disse Lucy, raciocinando. —, tudo bem. Agora... Homem com pernas peludas... Harpias... Que diabos...?

— Sátiro — corrigiu Henry, levantando-se. O sol fraco da tarde tentava infiltrar-se na floresta com dificuldades, mas não conseguia. Nuvens pesadas o cobriam, e tudo indicava que iria chover. — Que tal acharmos um local para ficar?

Angelina limpou a garganta.

— Tenho uma barraca. Se acharmos um local legal, dá para nós montá-la...

— Aqui há bastantes monstros? — perguntou Anny, antes de mais nada, para Maena.

— Não — garantiu a sereia. — se tiver, são poucos, mas possivelmente sozinhos.

— Certo. Você parece conhecer bem a área. Já subiu alguma vez aqui?

— Sim, mas acho que não vai ocorrer novamente.

Notas finais
Esse capítulo estava indo para as novecentas palavras, e como não havia acabado no "suspense/mistério", eu o cortei.