Presente do Inverno
11 O medo de Angelina
Notas iniciais
"Embora eu acreditasse estar aprendendo a viver,
estava aprendendo a morrer."
— Leonardo da Vinci
O céu ameaçava desabar. Respingos de chuva cutucavam seus rosto e cabelos, e o vento gritava em volta. Maena, com a pele fora de proteção, nem parecia sentir o frio que envolvia o local.
— Há um campo aqui perto — disse ela, enquanto guiava os semideuses pela floresta. — Podemos acampar nele, pois ficará mais fácil de ver monstros, caso haja algum, se aproximando.
Aquilo despertou os olhos de Lucy.
— Em filmes, sempre que estão em campos abertos, vem vários monstros terríveis e os cerca.
Todos estavam suspirando e ignorando a baboseira de Lucy, pois de nada aquilo era útil. Chegaram ao local, um campo grande e aberto com gramas chegando aos joelhos. Diferente de dentro da floresta, era um cobertor de neve. Eles observaram espantados quando Angelina deu alguns passos a frente e montou a barraca em fração de segundos, sempre com o manual de instruções ao lado.
— Tãm-tãm! — ela disse, após o trabalho ser sucedido.
— Estão com sono? — perguntou Henry. — Isso aqui vai ser temporário. Vamos almoçar, abrigar-nos da chuva e...
— Chuva? — Perguntou Maena. — não pensei que fosse por causa das nuvens acima. Não irá chover, conheço esse temporal; os ventos estão rápidos, então as nuvens vão passar depressa. No máximo, irá continuar respingando, nada de chuvas fortes.
Henry fitou o chão, as sobrancelhas arqueadas e aproveitando o silêncio para xingar mentalmente.
— Eu sabia! — ele disse, sorrindo. — bem, sem descanso, meninas! Vamos continuar a caminhada.
E virou-se, indo pelo caminho de onde tinham vindo.
— Ei, gênio — chamou Maena. — é por aqui.
Henry assentiu e voltou-se em sua direção, atravessando o campo. Ele parou no meio dele, as pernas tremendo enquanto Angelina desmontava a barraca com dificuldades.
— Ei... — chamou Henry. — isso aqui, antes, não era um lago, era...?
Ninguém havia percebido antes que era. Ninguém havia percebido que só havia mato em volto do campo, não no meio. E, ainda mais, ninguém havia percebido que o chão rachava.
Henry correu, deslizante, então o chão abriu-se entre as rachaduras, revelando a água escura ali dentro. O buraco foi se abrindo, chegando em direção não apenas do sátiro, mas como de Angelina, que estava a certa distancia das amigas. Ela deixou a barraca de lado e correu, pulando nos matos enquanto os pedaços de gelo flutuavam no lago.
Parecia sem saída, mas Anny deu a volta pelas gramas altas e chegou até Henry. Acenou para as meninas, que seguiram atrás com Maena.
— Ótimo — agradecia Angelina. — perdi minha barraca.
O dia estava maravilhoso para uma caminhada vespertina. A luz parecia arder através da árvores, o sol se punha, o céu estava multicolor, a grama estava aparada e limpa, a neve parara e as árvores pareciam dar as boas-vindas e...
Espera aí! Voltemos a fita: não havia sol, pois as nuvens cinzas o tampavam. Pelo jeito, estava ficando de noite. A grama, altas por nunca serem aparadas, estavam com neve, sujando as calças dos viajantes. Os pinheiros em volta parecia pedir para eles irem embora, já que não valia a pena.
— Estou morrendo de frio — disse Lucy. — quer me doar seus pelos não, Henry?
Ele pareceu ofendido, mas ignorou:
— Vamos fazer uma fogueira.
Isso foi o melhor plano que tiveram durante o dia. Conseguiram fazer com fosforo que tinha na bolsa de Angelina, queimando galhos que recolheram pelo caminho. O fogo ficou pequeno, mas eram melhor que nada.
— Que tal cada um contar uma história? — perguntou Anny, segurando mashmallow sobre o fogo. — Angelina, você começa.
Angelina levantou sua cabeça do caderno de desenhos, qual ela desenhava folhas do Outono. Ela pôs o caderno de lado e se ajeitou:
— Era uma vez uma garota medrosa, qual sua mãe a mandou ir à um acampamento no país vizinho. Com os amigos, entrou em uma viagem, tudo por culpa de um bolinho. Seguindo a massa que deixou cair, ela descobriu, a partir daí, o terror que era viver. Ela poderia ter morrido sem saber, e talvez morra, porque até alguns segundos atrás, ela estava desenhando distraída, agora contando uma história sem sentido algum. Aliás, ela quase caiu de uma ponte, e só o tempo para saber se ela viverá "feliz para sempre".
Eles se entreolharam, trocando pensamentos sobre o que dizer. Palavras poderiam tornar tudo mais fácil se expressadas bem. E ninguém conseguiria fazê-lo.
— Não fique assim, Ange — disse Anny. — não morremos até agora. Está fácil! Chegaremos na estreada logo logo, e iremos para o acampamento...
Angelina sabia que não era legal ser pessimista, sabia que era errado e que complicava tudo. Deixavam as pessoas que queriam ajudá-la sem graça, deixando-as nervosa. Mas todos tem seus medos, entretanto a garota odiava ser medrosa.
— E depois? — perguntou Angelina. — o que acontecerá no acampamento?
— Treinarão para sobreviver — disse Henry.
Lucy maravilhou-se com um grande "Uau"
— Isso realmente parece um filme!!
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