Notas iniciais
Desculpem não postar esses dias, estava ocupada e sem criatividade!

"O pior que pode acontecer nesta vida é a gente esquecer das coisas importantes."

— Os 7 Falcões


As histórias que seguiram-se pela noite eram contadas com calma e paciência, pois sempre havia Lucy para comparar com algo ou perguntar coisas sem sentido, além das risadas dos ouvintes.

— Então pareceu que o cachorro sorriu e me olhou tipo "Será mesmo?", pela terceira vez! — riu Henry, relembrando-se daquele inesquecível dia.

O pessoal riu, incluindo Angelina. Ela bocejou e jogou uma jaqueta que estava soterrada em sua mochila no chão, deitando-se ao lado da fogueira.

— Vou dormir.

Essas palavras fez todos perceberem que amanhã haveria um novo dia, talvez com sol ou chuva, com monstros ou apenas com longas caminhadas.


Lucy acabou ficando de guarda com Maena. Ela era energética, mas ainda assim, a garota precisava dormir, então acordaria alguém mais tarde.

Com a noite seguindo-se como deveria, as duas garotas observaram as estrelas no céu azul escuro e a fumaça que o pequeno fogo produzia.

— É incrível observar as estrelas daqui — disse Lucy. — sinto que posso tocar o céu.

Maena não conseguia discordar das palavras da garota.

— Com o tempo, você consegue decifrar as estrelas acima, criando constelações como cria-se figuras em nuvens.

— Você vinha muita aqui, Maena?

A sereia assentiu.

— Vinha aqui principalmente para observar o mar. Sentir saudades de casa.

Lucy entristeceu-se. Viver sozinha nesse local, sem alguém para conversar...

— Por que está nos ajudando? — perguntou. — Depois daquela ameaça de Henry...

— Henry é um cara legal — respondeu Maena. — protetor, como todo sátiro deve ser. Contudo... acho que ajudando pessoas, vou um dia receber uma retruca digna. Não que seja ambição ou algo assim. Mas acho que eu também precisaria de uma grande ajuda se estivesse perdida, ainda mais acompanhada de Henry.

Lucy alargou um sorriso entristecido.

— Sabe de uma coisa? — perguntou a semideusa. — Não é tão ruim ser meio-humano, meio-sereia. Aliás, como se chama os sereias machos? Sereios?

Lucy virou a cabeça para olhar a mulher que agora dormia.


A luz da manhã pareceu no céu azul e brilhante. Não havia nuvens, mas ele não queria esforça-se a produzir algum calor neles. Subiram entre galhos que formavam uma passagem no chão, como um caminho de degraus sem altura. Naquele lado, onde formava-se um penhasco, admiraram o mar. Lucy pegou a câmera no bolso da jaqueta e apontou, tirando uma foto daquela paisagem.

Após o suspiro de Maena, a seguiram pela esquerda, onde agora o caminho era plano. Não havia muitas árvores naquelas partes, sendo finas as que apareciam. Henry parou subitamente.

— Ouviram isso?

As semideusas se entreolharam, mas Maena sabia o que era aquilo. Não era um cão, não era uma harpia, nenhum monstro. Era algo que ninguém imaginaria ouvir naquelas bandas: um trem.

Quase correndo, Henry ultrapassou a sereia humanoide e parou na ponta da agora colina. Em baixo, o trem passava cauteloso, rápido e oportunista, deixando a amostra a linha de ferro.

— Estamos chegando — sorriu Maena, e eles perceberam, pela primeira vez, que ela não os estavam levando para uma estrada.

— Aonde você está nos levando? — Perguntou Henry, com um movimento devagar ao arco.

— Há uma cidade aqui próxima — respondeu ela, antes do ataque do sátiro. — Achei que seria mais eficiente vocês irem dessa cidade até Nova Iorque, depois pegar um ônibus para Long Island.

Henry estremeceu.

— Sabe do acampamento?

Maena assentiu.

— Era evidente, afinal. Um sátiro e semideuses perdidos, procurando a estrada. Se não era uma missão, era uma busca.


É claro que ela deveria tê-los contado antes, mas não o fez. Pularam na trilha e seguiram reto, entre as colinas que rodeava-os, cobertos de neve e de pequenas árvores finas. Adiante, já dava para perceber as colinas acabando-se e sendo substituídas por um lago congelado, a frente uma cidade e logo atrás dela montanhas esverdeadas.

— Vamos pelo lago — disse Maena. — Ninguém vai gostar de ver estrangeiros caminhando em uma linha de trem, depois invadindo a cidade.

Foram o que fizeram, mas com todo o cuidado que seus pés proporcionavam. Havia uma linha entre o gelo que a água passava, dando na ala esquerda da cidade, onde o lago parecia recusar-se a ser congelado. Quando pisaram em terra firme, observaram as casas coloridas de madeira, com os telhados triangulares feitos de neve. Foi quando o estômago de Angelina roncou com o restaurante que a aguardava ao lado.

— Quem topa encher o bucho?

Houve aqueles que levantaram a mão com "vivas!", mas houve também aqueles que permaneceram-se calados. Lucy estava com fome, mas olhou para Maena e viu que era um adeus.

— Há uma estação ali — apontou Maena para a ala direita da cidade. — Paguem uma passagem até Nova Iorque, é a última parada do trem.

— Encontrarei vocês aqui — disse Lucy, dando um passo até Maena. — Irei com ela até o lago, despedir.

Ela havia percebido o olhar de Maena antes, para aquele lago azul escuro. Frio, tão frio...

— Adeus, Maena — despediu-se Henry. — Boa sorte, viu? Desculpe desconfiar de você, mas... obrigado.

Anny e Angelina pularam em cima da sereia, que riu. Adeus.


A sereia pulou na água com um salto, e no meio do percurso, transformou-se uma sereia. A grande saia tornando-se escamosas e grudando em suas pernas, virando uma cauda colorida. A cabeça loira da garota subiram pela superfície, encharcada.

— Se sente falta de casa — começava Lucy. —, volte. Não fuja de algo imaginário. Eles vão te receber lá, tenho certeza disso.

A garota juntou as sobrancelhas, cabisbaixa. Talvez fosse verdade. Talvez ela devesse voltar.

— Obrigada, Lucy — agradeceu Maena. — farei isso.

E mergulhou pelas profundezas do lago muito, muito frio...