Presente do Inverno
2 Chuva e Neve
Notas iniciais
"Há idéias que podem mudar o rumo de uma vida."
— Os 7 Falcões
Anny tocava seu violão em cima da cama quando seu celular tocou. Desdobrando as pernas e se esticando, o pegou no pé da cama. Era Angelina.
— E aí? — ela sorriu, mas quando a voz tremulante no outro lado da linha falou, logo desapareceu. — Quê? Devo pedir para meu pai? Ele irá... Certo, estou indo!
Angelina desligou. Anny arremessou o violão de lado e saltou da cama, pegando sua mochila e jogando algumas roupas ali. Ela saiu quarto à fora, aparecendo na sala. Porém, antes de pisar para fora de seu apartamento, foi parada pelo seu pai Algernon:
— Aonde vai? — ele retirou os olhos do jornal, olhando-a por cima. Sentado no sofá, ele raramente ligava a TV. Seus cabelos incrivelmente negros o faziam parecer mais jovem que era, e seus olhos, claros, desafiavam qualquer um. Menos Anny.
— Angelina! — Anny abriu a porta.
— Para quê? — Apressou-se em dizer. Ela parou.
— Pai... Ah, olhe, ela me chamou, tudo bem? Eu não vou demorar.
Ele franziu o olhar, pois ela era direta e sincera; mas ela já havia saído.
Com os pés batendo no chão a espera do elevador, ela reparou que ainda estava de pijama: as calças grandes finas e folgadas, chinelos e a blusa de manga grande escrito "I LOVE MY CAT". Ela lembrou-se de seu gato que estava dormindo em cima da cama: talvez ela devesse levá-lo para dormir na casa de sua amiga, mas Algernon precisava de uma companhia.
Seus pensamentos dissiparam-se quando o elevador parou em sua frente, as portas abertas revelando-se os espelhos ali: seus cabelos ruivos que estavam em rabo de cavalo estavam despenteados. Pulando para dentro e apertando o térreo várias vezes(como se isso aumentasse a velocidade do elevador), ela arrumou seu cabelo, tirando o que o prendia e amarrando novamente, puxando antes o cabelo para trás. Mal percebeu a música depressiva que tocava do Arctic Monkeys, sua banda favorita.
Ela saiu e correu pela rua que já acumulava neve, virando à direita enquanto várias pessoas a encarava. Aquilo era normal, mas de maneira nenhuma ela achava que estava fazendo coisas anormais. Mas era ciente. Atravessando a rua, ela chegaria ao prédio vizinho qual sua amiga morava.
Não foi necessária sua entrada. Angelina estava sentada na escada da frente, aguardando-a. Anny diminui a velocidade e firmou em sua frente:
— O que houve?
Angelina parecia um pouco espantada, mas levantou-se com uma mochila nas costas e disse:
— Minha mãe mandou-nos ir passar as férias em um acampamento... Qual o nome? — ela olhou em um papel que possuía nas mãos. Um mapa? — Acampamento Meio-Sangue.
Anny franziu a testa.
— Pensei que... Bem, eu deveria avisar meu pai...
— Minha mãe pediu que não. Disse para nós ir que ela vai avisá-lo.
Anny hesitou, mas aguardou um táxi. Quando apareceu, o motorista as olhou de cima para baixo, desconfiado.
— Seus pais sabem que sairão da cidade?
— Com certeza — a voz de Anny saiu convincente para alguém qual o pai não sabia que ela estava saindo. — Não sou nenhuma delinquente.
As levou, apesar de hesitar, para uma estrada que seguia ao Estados Unidos. Era animante, mas medonho. A rua estava quase vazia, às vezes passando um pelo vidro um borrão colorido. Pinheiros alongavam-se ao redor da avenida e chuviscava cada vez mais forte, acumulando chuva e neve, deixando a estrada cada vez mais deslizante. E, como todo deslizo, pode escorregar...
A visão de Anny rodou.
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