Presente do Inverno
3 Acampamento de Lobos
Notas iniciais
"Devemos criar o nosso caminho para que ele signifique algo."
— O Herói Perdido
Quando alguém diz que seu mundo está desabando, quer dizer que sua vida está sem rumo, confusa. No caso de Anny, aquelas palavras estavam no sentido literal. Enquanto o carro capotava morrinho abaixo, direto para a floresta, Anny pensava em quanto estava arrependida e que iria morrer.
Quando o carro parou de lado, ela olhou para baixo, certificando-se que Angelina estava bem. Parecia melhor que ela. Pelo vidro estar estraçalhado, manchara seus rostos com pequenas gotas de sangue. Ela abriu a porta ao lado e saiu por cima, depois ajudou sua amiga e pulou na neve. Agora chovia com mais intensidade e a neve aumentara.
Após, olharam para o banco de motorista para ver o ocorrido: o homem parecia bem, mas desmaiado. Tentando desemperrar as portas, elas ouviram o que seria um uivo. Olharam para os lados, desesperadas, até ver uma silhueta indefinida se aproximar em alta velocidade. Não era uma pessoa. Seria um lobo? Ou um cão? Não — era maior que deveria aparentar um lobo, e, no final das contas, aquelas áreas não haviam lobos.
Anny puxou Angelina pelo braço, fazendo-a protestar.
— O motorista vai morrer se o deixarmos ali! — gritou Angelina.
Anny a olhou, e Angelina viu o que nunca vira em sua amiga antes: medo.
— Ele sobreviverá — Anny cambaleava floresta a dentro.
Não dê ao engano que Anny não se importava com os outros. É claro que sim, mas aquela coisa... Aquela sensação...
Elas continuaram a correr. Isso demorou tempos até o barulho cessar, que ao acontecer, pararam e se jogaram em baixo de um pinheiro para descansar.
Isso fez com que Angelina lembrasse do ocorrido de outrora...
May, sua mãe, chegara tão depressa quanto um furacão ao ouvir os gritos da filha. Observando aquela criatura horrenda, a mulher sacou do bolso algo parecendo uma bola de gude, e afastou a filha quando o mostro se jogou do teto. Correndo pela sala, May jogou Angelina dentro do quarto e fechou a porta. A menina hesitou ao bater na porta como protesto, mas não o fez. Minutos se passaram, e, ao a mãe anunciar que estava tudo bem, a menina olhou para os lados a procura do monstro. Seus olhares se cruzaram, e Angelina viu a tristeza nos olhos da mãe:
— O que acha de você e Anny passar as férias juntas, hein?
— Mãe — antes, Angelina queria saber do ocorrido. — Cadê aquela criatura...?
A mulher sorriu.
— Eu não queria isso... Nem Algernon queria. Mas parece que não dá para evitar — May dirigiu-se para o telefone, e discou o número do celular de Anny, já decorado. — Está tocando. Venha, vocês vão passar as férias de inverno em um acampamento em Long Island.
Os pensamentos de Angelina dissiparam-se quando Anny perguntou:
— Você tem algum celular aí? Não trouxe o meu.
Angelina checou a mochila, mas seus olhos se arregalaram.
— Meu celular sumiu... — ela tirou todos os itens dali, o maior número em roupas. — Ele realmente sumiu! — começou a guardar os itens, depois de checar pela segunda vez.
— Então... Plano B. Se pegarmos um ônibus...
— Não quero arriscar — disse Angelina. —, se o ônibus demorar, pode aparecer algum louco e nos sequestrar.
Anny parecia querer estapeá-la, igual uma vez fez, quando sua amiga começou entrar em pânico em uma roda-gigante.
— Se não fizermos nada, vamos nos ferrar!
Angelina suspirou, olhou para um papel na mão e depois para os lados.
— Se nos localizarmos... — ela parou. Não havia como. Correram tanto que perderam a estrada.
Anny levantou-se ao ouvir barulhos semelhante a vozes.
— Por aqui — ela disse.
Angelina a seguiu até chegarem em um acampamento de cabanas.
— Não há ninguém aqui — ela observou, pois não havia sinal de presença humana ali.
— Há, sim — Anny apontou a certa distância. Um cão — ou um lobo, seja lá o que aquilo for — os observava com os dentes afiados como de vampiros. Ele avançou.
O grito as dominaram primeiro, depois a desorientação. Deus, Deus, Deus, Deus!
Elas começaram dar a volta naquele acampamento. O lobo cortou atalho por cima de cabanas, despencando-as. Elas remexeram-se após.
— Você viu...? — começou Anny.
— Vi — concordou Angelina. Ela pulou por cima de uma cabana ao lado enquanto Anny continuava com o monstro a seguindo. Por um momento, Angelina se culpou, mas deveria fazer algo...
Uma flecha soou por cima do ouvido de Anny quando o lobo quase alcançou-a. Olhando para trás, viu a criatura contorcer-se de dor com seus olhares ferozes e vermelhos, antes de transformar-se em pó dourado.
Ela olhou para o atirador, que era apenas um rapaz que aparentava seus dezesseis ou dezoito anos. Ele usava uma toca que cobria os cabelos ruivos, além de estar armado com arco e flecha.
— Você está bem? — ele perguntou.
Ela não pôde responder que sim, pois quando ouviu um grito surdo e olhou para trás, deparou-se com Angelina com uma arma apontada na cabeça.
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