Bom, vamos recapitular. Há cerca de duas semanas atrás, minha irmã mais velha Alissa, veio me contar sua estúpida ideia de fugir com o namorado, ideia a qual não dei credibilidade alguma, já que namorado dela é o típico playboyzinho filho de papai, e sei disso porque o irmão dele estuda no meu colégio. Enfim, meu suposto cunhado adorava sair com seu irmão mais novo e as meninas mais novas da escola, mesmo ele sendo um universitário. E é ai que minha irmã entra. No ano passado ela passou na prova da faculdade eu queria, e coincidentemente é a mesma faculdade onde o cujo dito estuda, e foi ai que eles se conheceram. Enfim, um ano depois os dois estão namorando, mas devido ao seu histórico meus pais se negaram a aprovar o namoro deles, com medo de Alissa sair machucada desse relacionamento.

Assim surgiu seu brilhante plano, ela fugiria apenas por alguns dias pra assustar meus pais e depois voltaria. Plano que obviamente não aprovei, ri e mandei ela criar juízo, já não acreditando em nada disso, posso ser a irmã mas nova, mas de uma forma estranha também sou a mas sensata.

E dessa forma chegamos ao dia de hoje, onde me encontro sentada e olhando pela janela. Meu celular não saia das minhas mãos, não porque eu estava usando, mas sim esperando alguma notícia, já que meus pais foram com a equipe de busca. Tive que bloquear muitas pessoas, já que quase minha escola toda mandava mensagens, uns de apoio, outros curiosos, e acreditem ou não, até mensagens de ódio recebi.

Suspirei e encostei minha cabeça na parede. Faz três dias sem ela e já sinto que vou a loucura. Meu celular vibrou, olhei já pronta pra bloquear mais um, mas gelei. Era minha irmã.

Diga pra todos que estou bem. Que loura é essa que morri? Noah não quer que eu conte agora onde a gente tá, ele acha que nossos pais vão matar ele. De qualquer forma estamos bem, quando as coisas se acalmarem nós voltamos.

Mandei um texto pra ela a chamando de irresponsável, louca, mandando ela voltar agora mesmo mas as mensagens não chegavam.

Encaminhei a mensagem dela prós meus pais e no impulso me levantei e sai de casa. Fui até a floresta, tinha certeza que é por lá que ela estava, todas as pessoas que fugiam da cidade acabavam voltando por aqui. Entrei sem pensar duas vezes, ia trazer Alissa de volta nem que seja pelo cabelo, e no final vai dar tudo certo.

Deu tudo errado. Estava perdida e estava escurecendo, também que cabeça a minha. A bateria do meu celular estava acabando, e não achava sinal em lugar algum, a lanterna dele não a durar muito.

Quando o celular descarregou, estava escuro, eu não fazia nem ideia de onde estava, pra onde ir, e me borrava de medo. Acabei andando sem rumo, e segurando um pedaço de madeira, na esperança que isso fosse me proteger de algo. Depois de um bom tempo andando assim já estava perdendo as esperanças e decidindo procurar um lugar pra dormir, de manhã sairia daqui, mas então eu ouvi uma voz, e nesse momento vi que estava salva.

—Ei, você não pode andar por aqui a noite- disse um homem, devido a escuridão não conseguia ver ele direito, mas ele vinha em minha direção- é nesse horário que eles caçam.

—An? Quem caça o que? — ele não respondeu, mas chegou perto o bastante pra me pegar pelo braço.

—Rápido, vamos sair daqui.

Não conhecia esse estranho, mas se ele era minha saída dessa floresta, eu ia segui-lo. Na nossa frente tinha uma parede de moita, estava escuro e não via direito. Quando chegamos a frente dela o estranho parou, murmurou um “me desculpe” e me jogou contra a parede, que se abriu quando passei. O que estava acontecendo? A última coisa eu vi foi o homem se virando e voltado a correr, depois o mato se fechou no buraco em que passei. Me levantei rápido e corri para a parede, bati de cara e cai no chão. Me levantei e olhei e volta.

—Ein?- me assustei ao ver aquela casa- por que raios tem uma mansão aqui?

—É um castelo- disse uma voz atrás de mim- e quero saber o que você está fazendo aqui?

—Quem é você?- perguntei me afastando.

—O dono do lugar, e você?- ele se aproximava e instantaneamente coloquei minhas mãos á minha frente de maneira protetiva.

—Olha, eu só cai aqui, na verdade me jogaram, eu nem sei o que ta acontecendo sabe, foi tipo mágica, ai o mato fechou e...

—Dá pra calar a boca!- ele disse irritado- como você veio vi como entrou, você caiu...

—Na verdade fui empurrada por...

—Shh– ele me interrompeu- não é qualquer um que entra. Quem e você?

Fiquei calada olhando pra ele.

—Você é burra? Agora você fala!

—Ah, tá. Entendi. Meu nome é Anabel. Como saio daqui?

—Sou Mack- não perguntei- e tento há anos descobri essa resposta, mas ainda não sei.

Ele se moveu mais pra perto de mim e foi ali, na luz do luar que vi o quanto ele era bonito.