Preparativos E Provocações
10 Capítulo X - Entendendo Sentimentos
Notas iniciais
Segundo, eu escrevo porque EU AMO fazer isso. E amo que vocês acompanhem e respeitem meu estilo spankwriter. Dado isso, se vocês me pedirem algumas coisa eu sempre vou tentar (se o fluxo permitir) incluir.
Ocorreu que o pedido de uma querida leitora (que coincidiu com o pedido de leitoras da primeira fic dessa saga, que é "Uma Família se Forma") pode ser atendido - uma ponta de Shaka e Mu por aqui. Eu gostei do resultado, mas quero saber o que vocês acharam e se eu inclui bem eles na história, não fugindo do contexto.
Eu faço tudo com muito carinho e dedicação. Como tenho postado muito rápido, não tenho feito revisão ortográfica, mas em breve lerei os capítulos arrumando erros de digitação que devem existir.
Quero agradecer novamente aos leitores assíduos da fic e pedir que aqueles que são leitores "silenciosos" deixem registrado sua marquinha aqui ok? Me digam o que acham dessa fic e da que a precedeu (chamada Uma Família se Forma).
Um beijo muito carinhoso no coraçãozinho de cada um de vocês.
SarinhaMyuki
Capítulo X — Entendendo Sentimentos
POV Hyoga
Eu só queria sumir, sumir daquele lugar, nunca mais ver aquelas pessoas. O que o Mestre Camus estava pensando, me... Dar umas palmadas daquele jeito na frente dos caras lá da escola. Imperdoável.
Eu sentia tanta raiva e tanto medo ao mesmo tempo, raiva pelo que aconteceu e medo do que estava por vir – porque eu tinha certeza, aquilo não tinha sido nem o começo. Talvez se eu fizesse algo, poderia mudar meu castigo, talvez se...
TOC TOC
Eu ouvi alguém batendo na porta, pensei que devia ser o chato do Milo com certeza. Mandei que fosse embora, eu só queria ficar sozinho. A porta não emitiu mais som algum, quando já estava voltando aos meus pensamentos ouvi a maçaneta girar.
Xinguei mentalmente porque, afinal, poderia ser meu pai e eu não queria piorar as coisas. Mas fiquei atônito quando vi quem realmente era.
- Oi Hyoga... – Ele disse com aquela voz fina e um olhar preocupado de cortar o coração de qualquer um.
- Oi Shun – Eu disse me virando para a cama, queria me esconder dele a qualquer custo, depois do que ele tinha visto eu não queria falar com ele nunca mais tamanha minha vergonha – O que você está fazendo aqui?
Ele não disse nada, apenas caminhou até minha cama e se sentou perto de mim.
- Queria saber como você está.
- Como acha que eu estou? Eu nunca mais vou conseguir voltar naquela escola!
Fez-se um silêncio. Eu sabia que Shun estava medindo as palavras, ele sempre media o que falava para quem quer que fosse – coisa que eu nunca imaginei fazer.
- Não vai falar nada?
- Só acho que você está tornando isso maior do que é...
Eu olhei com cara de dúvida para ele, como eu poderia tornar uma surra em público maior do que era? Isso era o cúmulo da vergonha e do embaraço ao cubo!
- Eu também apanhei por ter mentido...
Nessa hora, em que Shun confessou ter apanhado, ele olhou para as próprias mãos sem jeito. Agora eu entendi porque ele estava sentando estranho. Se já não bastasse essa confissão, que eu particularmente jamais teria feito, ele começou a me narrar o que aconteceu.
Flashback
Shaka saiu da sala andando calmamente, se dirigiu até seu carro seguido por um Shun absolutamente submisso e arrependido.
- Quando chegarmos em casa, você vai direto para o seu quarto me esperar.
Foi só o que Shaka disse da maneira mais seca que sua frieza habitual e não proferiu mais nenhuma palavra ou expressão até chegarem em casa. Shun saiu do carro cabisbaixo e andou silenciosamente até seu quarto e fechou a porta.
Shaka entrou atrás nitidamente revoltado.
- O que aconteceu amor? – Perguntou Um franzindo o cenho ao ver Shaka que, apesar de não demonstrar seu sentimentos, era conhecido por Mu como a palma de sua mão.
- Shun.
Um abriu os olhos espantado, Shun era o santo da casa.
- Ele mentiu para mim quando o diretor me chamou na escola. Disse que Hyoga havia batido em Jabu para defende-lo. Disse que os machucados que tinha foram feitos por Jabu.
- Sim, eu me lembro dos hematomas. Qual foi a mentira?
- Quem bateu nele foi Hyoga, Mu! Você acredita? Bateu nele e no pobre do Jabu! E o Shun teve coragem de confirmar na minha cara a versão mentirosa de Hyoga!
Mu ficou em silêncio olhando para o marido, apesar de Shaka não demonstrar pelo tom de voz, sabia que ele estava irado. Colocou uma mão no ombro do marido e perguntou:
- O que você vai fazer?
- Eu não sei, Shun nunca fez nada tão sério...
Mu revirou os olhos, sabia que aquilo era uma indireta para Kiki. Mas logo se esqueceu disso e leu nos pensamentos de Shaka os castigos anteriores que já havia aplicado em Shun por coisas pequenas como chegar atrasado ao treino.
Um condenava tanto as coisas que Shaka fazia, como deixar Shun treinando o dia inteiro embaixo de uma cachoeira com altas quedas d´água ou esmurrando rochas embaixo do sol escaldante. Sem falar na falta de comida e água.
- Mu...
Mu automaticamente saiu de seus devaneios e voltou àquela sala.
- Você prometeu que não usaria poderes telepáticos em casa!
Mu ficou sem graça e sorriu amarelo para Shaka.
- Nós já conversamos sobre castigos cruéis nessa casa, Shaky... Eu não concordo com isso, ainda tenho raiva de você pelo que peguei você fazendo com Kiki e...
- Ah não, esse assunto de novo não! Já pedi desculpas e já educamos Kiki como você quer. Mas pense nisso, Kiki é uma criança! Uma surra nele gera os efeitos que desejamos, mas o Shun é um marmanjo já! Seria ridículo agir como Camus e abaixar as calças dele para dar uns tapas.
- Pois eu não concordo, enquanto viverem embaixo do nosso teto são crianças e amadas igualmente.
Shaka fechou os olho e se sentou no sofá, tentava pesar o lado de Mu e suas ideias sobre criação de filhos. O ariano era mais compreensivo que ele, talvez porque a criação dele tenha sido tão diferente da sua na Índia.
- Então o que você sugere, carneiro?
Mu sorriu, conseguiu dobrar um pouco o virginiano.
- Bom, primeiro converse com ele e veja o que aconteceu. As vezes ele teve um bom motivo para...
- NENHUM MOTIVO PODE JUSTIFICAR UMA MENTIRA PARA NÓS, MU.
Mu suspirou e continuou.
- Converse com ele, por favor. Veja o que aconteceu, entenda o lado dele – você é tão bom em compreender as pessoas. E, depois veja o que vai fazer. Podemos conversar com ele juntos e...
- Nada disso, dessa vez não vai ter você para me segurar Mu.
Mu viu que não conseguiria agir tanto por Shun como fazia por Kiki, Shaka estava realmente nervoso. Mas ficou satisfeito por evitar exagero de Shaka.
- Bom, eu estarei POR PERTO.
Mu disse isso como aviso, parecendo uma loba defendendo a cria. Shaka riu internamente e agradecia aos céus por ter achado alguém como o ariano que zelava tanto pela família.
- Você está certo, Shun não errou em seu treino como cavaleiro – errou comigo como seu protetor, tutor, pai... Vou falar com ele.
Shaka se levantou, Shun ouvia toda a conversa de seu quarto sem parar de chorar por um segundo sequer. Estava morrendo de medo de Shaka e esperando que Mu aparecesse para salvar sua pele.
Shaka entrou no quarto sem bater, fechou a porta atrás de si, a trancou e guardou a chave em seu bolso.
- O que aconteceu Shun?
Ele perguntou com a voz calma, assustadoramente calma.
- Por que você mentiu para mim?
Shun chorava tanto que era difícil responder a pergunta. Shaka colocou uma mão na cabeça um pouco irritado.
- Veja bem, eu quero entender você, conversar com você.
Shun olhou para Shaka com um cara de cachorrinho arrependido e acuado, mas aquilo não funcionava com o virginiano, pelo contrário, apenas o irritava mais.
- Shun, pela última vez, porque você mentiu?
- Eu... Eu não consegui contrariar Hyoga.
- Mas ele te bateu – você é extremamente forte, como pode deixar alguém te bater e ainda jogar a culpa em outra pessoa.
Shun ficou com o rosto rosado e nitidamente constrangido. Shaka levantou uma das sobrancelhas quando entendeu o que acontecia.
- Hum... E Hyoga já sabe desse seu... Sentimento?
Shun não respondeu, pelo contrário, se retraiu ainda mais.
- Sabe... – O olhar de Shaka mudou para umaatmosfera nostálgica, Shun não tinha visto ele falar isso antes – Me lembro quando vi Mu pela primeira vez, ele chegou sorrindo sereno na colina norte, éramos tão pequenos... Naquele momento eu sabia que ele seria especial na minha vida.
Shun olhava fascinado para o mestre se abrindo, já que nunca tinha feito isso antes.
- Foi muito difícil para mim e para ele se abrir, passamos anos em crise por pura falta de comunicação. Fomos nos acertar com vocês já crianças e numa época em que tínhamos muita coisa para pensar e decidir, sem falar nas batalhas para lutar.
Shun continuava olhando Shaka, absorvendo cada palavra, cessando o choro por uns momentos.
- Eu acho que você estão numa época boa do santuário, sem grandes batalhas. Vocês podem viver a juventude melhor do que eu e Mu ou Camus e Milo vivemos. Talvez namorar um pouco não faça mal...
Os olhos de Shun brilharam, seguidos pela dúvida quanto aos sentimentos de Hyoga.
- CLARO QUE HAVERÃO REGRAS, Shun. – Shaka engrossou um pouco a voz para colocar limites na cabecinha de Shun – E pode ter certeza que muitos! Como por exemplo, MENTIR PARA MIM É INACEITÁVEL.
Shun voltou a se retrair e chorar pedindo desculpas.
- Eu entendo que esteja numa crise de adolescência e com um amor não declarado pelo seu amigo, mas isso NÃO JUSTIFICA MENTIR PARA MIM.
- Ma-mas me-me-mestre, me pe.....perdoa, me perdoa!
Shaka se levantou e continuou falando.
- Você pode ser grandinho para muitas coisas, mas aqui nessa casa ainda continuará sendo nosso filho, entendeu? Mentiras jamais serão admitidas!
Shun tentava escapar com aquele olhar de criança abandonada, enquanto Shaka saiu do quarto rapidamente para buscar alguma coisa.
O virginiano retornou com um varinha fina na mão, provavelmente pega em alguma árvore.
- Mãos na escrivaninha, Shun.
- Nãããão mestre, por favor, por favor pai!! Eu juro que não faço mais, eu juroooo...
Shaka manteve o rosto imutável, sem qualquer expressão. Shun sabia que aquela insistência o deixava apenas mais bravo, então obedeceu.
- Abaixe as calças, Shun.
Shun começou a chorar ainda mais alto, desabotoando o cinto e deixando a calça jeans cai no chão. Revelou uma cueca cinza e pernas muito brancas e aparentemente frágeis.
Shaka não falou nada, apenas levantou a vara verde e desceu com força nas coxas de Shun.
SSSSSSFIIHT
- AAAAAAAAAAAAAAAAH – Shun se retorceu.
SSSSSSFIIHT — Ajeite essa postura!
- PARAAAA MESTREEEEEE...
SSSSSSFIIHT – Eu decido quando parar, Shun!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH ISSO DÓI
SSSSSSFIIHT — A ideia é doer mesmo!
- Por favor mestre, por favor!!!
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
SSSSSSFIIHT
Depois de vinte varadas e muito choro, Shaka deixou a vara de lado e olhou os vergões contidos nas pernas e nádegas de Shun.
- Você vai mentir para mim de novo?
Shun não respondeu, apenas chorava. Shaka perdeu a paciência e o segurou com uma mão enquanto levantava a outra em direção ao seu traseiro com uma força impressionante.
PAFT
- Você precisa apanhar para responder?
- NÃOOOOOOOOOO...
PAFT
- VOCÊ VAI MENTIR PARA MIM OU PARA O MU DE NOVO?
- NÃAAAO!!!
PAFT
- EU VOU TER QUE TER ESSA CONVERSA COM VOCÊ NOVAMENTE?
- NÃÃÃÃO, PÁÁÁRAAAAA...
PAFT
- Você aprendeu quem manda aqui?
- Sim, sim, por favor, me perdoa!
PAFT
PAFT
PAFT
PAFT
PAFT
Shaka se deu por satisfeito, e foi surpreendido por um abraço de Shun pedindo perdão. Ficou um pouco confuso, esperava revolta, mas aceitou o abraço e consolou o menino que chorava em seu peito.
- Muuuuuuuuuuuu...
Shaka chamou, sabia que Mu estava desesperado para consolar o filho.
- Ah Shunzinho... Vem cá...
Logo Mu foi consolar o menino, que chorava ainda. Shun foi se acalmando, e Shaka e Mu começaram a conversar.
- Hoje temos o chá de panela de Milo e Camus, se lembra?
- Não, tinha me esquecido. Mas eles vão manter depois de tudo que aconteceu hoje?
- Sim, sim... Ao menos não recebi nenhum cancelamento. E já deve ter começado há algumas horas...
Shaka revirou os olhos e se levantou.
- Shun, você não está de castigo DESSA VEZ. Se quiser pode vir conosco e tentar, quem sabe, ver seu amigo se ele estiver em condições de ver alguém.
Shun levantou com alguma dificuldade e sorriu abraçando os dois pais.
Fim do Flashback
POV Hyoga
Eu olhava embasbacado para Shun e o quanto tinha dividido sua intimidade comigo. Na verdade, estava tonto com tanta informação – Shun também apanhava, eu não era o único! Mas isso pouco importava, ele sentiu por mim o mesmo que eu sentia por ele...
Mas eu tinha tanta raiva de admitir que eu também gostava de... Eu também... Ah, isso não importava!
Olhei para ele e me aproximei sem saber ao certo o que estava fazendo, eu só queria... Eu só queria sentir seu cheiro... Quando senti finalmente, eu só queria senti-lo... Eu só queria...
Um beijo, aquilo era um beijo. Eu nunca tinha beijado de verdade, assim, alguém que eu desejava beijar. Nossos lábios se encostaram tímidos, e aos poucos, eu comecei a explorar a boca daquele ser que eu tanto amava.
Sim! Eu acho que amava aquele cara... Que maluquice, nossas bocas entrelaçadas e, de repente, tudo parecia tão certo, tão...
TOC TOC
Ouvi uma batida, eu acho, ou algum barulho. Devia ser lá fora...
TOC TOC
Minhas mãos estavam na cintura de Shun e toma-lo mais perto de mim era tudo que eu queria.
A maçaneta se abriu sem eu pereber.
- Oga, seu pai quer... OOOOOOH...
De repente nosso momento foi cortado por Milo, claro. Shun ficou roxo, eu também fiquei sem graça e Milo igualmente. Acho que o “OOOOOOOOH” do escorpiãozinho fez meu pai voar para o quarto e nos ver juntos.
Pensei que Camus ia me matar, mas não, apenas disse:
- Shun, acho que é hora de você ir para casa, não?
Notas finais
Beijo, beijo, beijo!!!
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