Preparativos E Provocações

11 Capítulo XI - O Acerto de Contas - Parte 1


Notas iniciais
Pessoal, tive que dividir o capítulo XI em dois, assim, acabei por abranger a punição no capítulo XII também. Vocês vão sentir falta de POVs Milo, mas a realidade é que chegou a parte mais séria da fic, sem tantas piadas.
Mas não se preocupem que logo logo o Miluxo volta com tudo tá bom?
Escrevi com muito carinho e espero que vocês gostem (e comentem OS DOIS capítulos e não apenas um, já que fiz postagem dupla!!!) Oba!!!

Capítulo XI

POV Milo

Eu fui bater na porta do meu pato, que diga-se de passagem estava frito, para leva-lo ao abatedouro. Como meu coração doía em fazer aquilo, por mais que eu soubesse que ele merecesse.

Ele não respondeu as batidas que dei na porta, quase morri pensando que ele poderia ter fugido de casa com medo de Camus. Abri a porta preocupado e vi NADA MAIS NADA MENOS do que ele e o Shunito se pegando.

Foi um susto tão grande que eu soltei um suspiro alto, o que atraiu a atenção a águia congelada que veio voando até o quarto ver o que estava acontecendo. Eu tenho certeza que o picolé ficou tão pasmo quanto eu, mas não demonstrou nem um pouco.

POV Camus

Que bom que Hyoga estava começando a se aceitar, isso significava que em breve essa crise iria passar e eu voltaria a ter meu menino novamente. Aquele breve beijo que eu presenciei me fez voltar ao meu primeiro beijo...

Flashback

Camus andava com um peso absurdo nas costas em direção ao campo de treinamento, quando viu Milo debruçado no parapeito da janela do grande Mestre do Santuário rindo como nunca tinha visto alguém rir.

Camus iria ignorar, como fazia com a maior parte das coisas frívolas que aconteciam naquele lugar, mas algo o fez parar. Milo exercia sobre o aquariano um fascínio que jamais soube explicar.

Ele deixou as coisas num canto e parou ao lado de Milo, escondido pelo parapeito, divertindo-se com a situação do Mestre Shion que se coçava tanto, mas tanto que arrancou a capa branca típica de sua função e quase rolava no chão para se aliviar.

Camus olhou intrigado para Milo, tentando entender que bicho havia mordido o Grão Mestre do Santuário.

- Pó de mico – Milo explicou rindo sem parar.

- Mas você fez isso?

A pergunta atordoada de Camus foi logo interrompida pelo grito de Shion que já havia largado a capa repleta do pó.

- Milo, Camus, vocês me pagam!

Camus abriu os olhos preocupado, queria explicar que não tinha relação alguma com aquilo. Mas a ira de Shion era tamanha que jamais conseguiria se explicar a contento naquele momento.

- CORRE!

Era Milo gritando e puxando um Camus petrificado com a situação. Camus não tinha opção senão correr com o escorpiano e fugir de Shion que vinha como a luz atrás deles.

Custou muito, mas se viram livres numa planície mais alta, local não tão frequentado pelos integrantes do Santuário. Ambos os adolescentes respiravam pesado, Milo com as mãos no joelho e Camus sentado no chão exausto.

Era como se tivessem fugido de um touro furioso. Em pouco tempo, Camus recobrou a consciência e respirou fundo antes de pular em cima de Milo o prendendo no chão.

- Seu desgraçado...

- Haha, calma gelinho! Você viu só como nós, sozinhos, despistamos o cara mais forte do Santuário inteiro?

- Isso não tem graça, Milo! Se ele tivesse nos pego...

- Mas não pegou!

- Não quer dizer que não vai pegar, afinal, ele nos viu e gritou muito bem nossos nomes. Duvido que esqueça do que você fez. O que é bem lembrado! VOCÊ FEZ! Sempre me mete nas suas confusões.

Camus saiu de cima de Milo nitidamente chateado.

- Hey, hey... Calma ô da Frutare! Se nos pegarem eu vou dizer que você não fez nada...

- Há, como se alguém fosse acreditar em você, Milo. Você só me traz problemas!

Camus se virou bravo, sentou de costas para Milo perto da árvore de cerejeira que havia naquela linda planície. Queria sair de lá, de perto do escorpiano inconsequente, mas não podia, pois aquele era o lugar mais seguro para se estar naquele momento.

Milo depois de um bom tempo, cabisbaixo, chegou por trás e o chamou.

- Camyu...

- Me deixe, Milo.

- Me desculpe. Eu não quis envolvê-lo. Você que parou para ver o que estava acontecendo...

Milo tinha razão, Camus parou porque quis. O aquariano olhou revoltado para o escorpiano.

- E nas outras vezes? Também não quis me envolver? Quando trancou aquelas amazonas peladas nas jaulas de apresentação? Quando mandou Mu para a Sibéria “por engano”? Quando colou os dedos de Shaka com Super-Bonder? Quando maquiou o grão Mestre com as maquiagens da Hinata? Quem vandalizou a escola com aqueles sprays? Quem destruiu o carro do Mestre Kamitu? Quem...

Milo interrompeu Camus, pois sabia que aquela lista mal tinha começado.

- Tá, tá... Camus, eu nunca quis te colocar em encrencas...

- Pois é só o que você faz!

Milo revirou os olhos, estava tentado fazer as pazes e só ouvia rispidez de Camus.

- Pois você só anda comigo porque quer!

Camus ficou sem resposta, engoliu a palavra que iria soltar e apertou os punhos indignado. Aquilo era verdade, ninguém o abrigava a andar com Milo.

- Pois é isso mesmo que vou mudar! De hoje em diante não ando mais com você!

Milo ficou branco, desejando jamais ter falado aquilo.

- Não, Camyu, calma... Nós somos parceiros!

Camus ignorou. Não ia voltar atrás em sua palavra, mas pensava se conseguiria se manter longe do amigo, pois algo que não entendia o mantinha preso ao escorpiano de uma maneira fortíssima.

Logo ouviu uns soluços vindos do outro lado da árvore, soluços contidos com... Choro? Camus franziu o cenho e se virou, deparando-se com um Milo choroso que tentava a todo custo conter as lágrimas e os sons de seu pranto.

Camus sentiu um aperto no coração e foi até o amigo, aquilo era demais, não podia vê-lo chorar por algo que tinha feito ou falado.

- Calma Milo, calma...

- Eu... Eu... Não posso ficar sem ver vo-você...

O pranto tomou conta de Milo que tentava segurá-lo. Camus nunca havia visto na vida uma demonstração de carinho daquelas, nem de parentes, nem de ninguém. Camus queria colocar para fora o que sentia, dizer que pensava o mesmo – mas era impossível.

- Me pe-perdoa...

O choro de Milo havia diminuído e Camus permanecia imóvel, sem saber o que fazer ou sem conseguir falar nada.

Milo chegou perto de Camus triste pelo que havia acontecido, para falar algo e foi surpreendido de uma maneira eu jamais pensou ser.

Camus segurou com força o braço direito de Milo pelo punho que havia se esticado em sua direção para chama-lo. Levantou o braço e o segurou no tranco da Sakura acima da cabeça de Milo.

Logo em seguida se aproximou e, instintivamente, cheirou o rosto do amigo e foi em direção à sua boca. Milo não resistiu, pelo contrário, se entregou aos beijos de Camus que parecia saber o que fazia.

A boca dos dois se entrelaçavam numa urgência e com a certeza que se aquilo era tão bom, deveria ser muito certo. Logo estava rolando pela planície, com camisas jogadas para o lado e calças abertas.

Aquilo não avançou mais do que esses amassos, ao menos naquele dia. Mas ambos passaram a entender melhor os sentimentos.

Fim do Flashback

POV Camus

Tratei de rapidamente tirar aqueles pensamentos da cabeça enquanto Shun ia embora. Como eu sentia falta daquele menino loirinho e doce que se acanhava com situações diferentes, que pegava minha mão quando pequeno, que me seguia onde quer que eu fosse.

É, eu precisava aceitar, ele estava crescendo. Com aquele tamanho, eu podia dizer que era quase um homem e... Eu era incumbido de garantir que ele seria um BOM homem, alguém que não faz mal aos outros, que se preocupa com os sentimentos alheios e que não prejudica ninguém para prevalecer.

Respirei fundo, aquela conversa seria longa. Puxei a cadeira de madeira da escrivaninha de Hyoga e me sentei a sua frente, bem no meio do quarto.

- Hyoga, espero que agora você...

Hyoga mal levantou o rosto e logo me interrompeu.

- Porque não pega logo o cinto e arrebenta ele na minha bunda, não é o que quer fazer? Pode pular o blá blá blá.

Na hora Milo arregalou os olhos e foi para o meu lado, como quem quer me segurar. Eu não me abalei.

- Hyoga, eu vou conversar com você – quer você queira ou não! Então, vou te dar duas opções: ou você responde minhas perguntas e me ouve no meu colo embaixo de pancada ou aí como o adulto que quer ser. O que vai ser?

Ele não respondeu, apenas se encolheu. Aquilo era o bastante para mim.

- Milo, nos deixe a sós, por favor.

- O que? Mas...

Eu olhei nos olhos do meu noivo como quem pede por favor e mostra que está absolutamente controlado. Ele saiu a contragosto, avisando que estava por perto.

- De que adianta me dar privacidade agora, se o senhor não fez isso quando mais precisava?

Hyoga perguntou depois que Milo saiu, sem rebeldia, com profunda mágoa eu me arriscaria a dizer.

- Oga, meu filho, você me desafiou em público! Bastava ter pedido desculpas e viríamos para casa, mas nãããão, você teve que manter aquela postura de bonachão e me tratar como um coleguinha de futebol.

- Ainda assim...

- Filho, tem uma coisa que venho tentando te ensinar e você não aprende: NOSSAS ATITUDES TÊM CONSEQUÊNCIAS. Se quer me desrespeitar em público como fez, deve assumir que poderia ser punido em público. A culpa foi absolutamente sua, eu não fui para aquela escola dar showzinho – aliás, você é o primeiro saber que eu odeio essas coisas!

Hyoga olhava para os pés, não retrucava mais.

- E você não apanhou na escola pela mentira que contou sobre a briga, isso vamos resolver aqui nesse quarto em breve. Você levou aquelas palmadas pela maneira como falou comigo e por me desobedecer. Você não é mais criança, Hyoga...

- Então porque me trata como uma?

- PORQUE VOCÊ AGE COMO UMA! Já pensou nisso?

Hyoga engolia a seco, ele era inteligente, já devia ter percebido que eu tinha razão. Ele não tinha argumentos bons o suficiente para me convencer de adiar aquilo.

- Mas eu pedi para Milo sair por outro motivo. Quero conversar sobre Shun e você.

- Aaaah, agora não venha brigar comigo, porque o senhor faz a mesma coisa!

Camus respirou profundamente, levantou da cadeira e tirou o cinto grosso que vestia da bainha da calça e o dobrou se sentando novamente.

- Hyoga, eu quero de coração conversar com você. Mas se você responder atravessado para mim de novo, EU JURO que vou pular essa parte e acabar com seu traseiro – o que acha?

Hyoga apenas arregalou os olhos e fez um sim com a cabeça, como quem promete que vai se comportar. Larguei o cinto no chão ao meu lado e fechei os olhos procurando calma e compreensão.

- Hyoga, o que quero dizer é que já havia notado sua queda pelo seu amigo. Eu senti isso por Milo quando era menor também, mas não teve ninguém para me explicar que isso é normal e saudável!

Hyoga me olhou com dúvidas sobre o que eu falava.

- Amar alguém e receber amor em troca é a melhor coisa que pode existir na vida. Não estou garantindo que Shun será seu amor para sempre, nem sei como é exatamente o relacionamento de vocês. Mas quero te dizer que isso é normal, filho.

Hyoga me olhou dentro dos olhos, como quem fica aliviado. Talvez ele realmente precisasse ouvir aquilo, talvez ele estivesse realmente em conflito naquele momento como eu previa.

- Hyoga, você já se perguntou o por quê tanto atazana o Milo?

- Porque ele é chato?

Eu fiz uma careta.

- Engraçado que ele não era chato antes de você descobrir nosso relacionamento, certo?

Ele ficou quieto, sabia que eu tinha razão.

- Filho, você transporta para Milo e meu relacionamento essa falta de aceitação que tem com relação aos seus sentimentos com Shun. Agora que vocês se beijaram, tente entender o que eu e Milo sentimos um pelo outro e não nos culpar, e PRINCIPALMENTE, NÃO SE CULPAR.

Eu sabia que aquela conversa não era fácil, para Oga, adolescente, era difícil entender isso. Mas eu contava com a inteligência do meu menino.

- Acho que o senhor tem razão, mestre.

Hyoga disse abaixando a cabeça. Eu sabia que toda aquela rebeldia e tentativa de prejudicar Milo era uma auto sabotagem com relação aos sentimentos que tinha por Shun.

- Eu não vou mais importunar vocês dois, pai... Na verdade, eu até gosto da doida do Milo, as vezes...

Eu me segurei para não sorrir, eu tinha certeza que agora que Hyoga havia entendido seu gosto por homens que tudo ia melhorar e aquela revolta motivada ia acabar.

- Mas, você sabe que atitudes têm consequências – Eu voltei a ficar sério, na verdade, me lembrei de todas as atrocidades que Hyoga fez e voltei a ficar irado – Você maltratou Milo como somente uma pessoa muito ruim e calculista faria, dissimulou suas atitudes para comigo, brigou na escola e mentiu para todos e... É difícil para mim... VOCÊ AMEAÇOU A VIDA DE UMA POBRE COITADA PARA PREJUDICAR O MILO!

Ele engoliu seco e logo começou a lacrimejar novamente.

- Tire a calça e venha para cá AGORA.

Notas finais
Reviews pleeeeeeeeeeeeeeeeeeease!!!