Prenuncio da Morte
4 Capítulo 4
Notas iniciais
A partir daquele dia minha vida havia se tornado um verdadeiro inferno, eu sempre via aquela coisa ''grudada'' no meu pai e como tinha medo dela, comecei a me afastar dele. Eu já não o ficava esperando chegar do trabalho, não o abraçava mais, nem mesmo jantávamos juntos. Sabia que aquilo o estava entristecendo, mas não era culpa dele, eu só queria me manter o máximo possível longe daquilo, mas agora que paro para pensar, eu deveria ter o abraçado mais, passado mais tempo junto com ele, eu deveria ter mostrado que meu amor pelo meu pai era maior que o medo por aquele monstro, mas agora é tarde demais.
Não é apenas a relação com meu pai que estava sendo prejudicada, todas as noites eu tinha um pesadelo pior do que o outro, todos relacionados com a morte dele, por causa disso eu sofria de um forte problema de insônia que os médicos não conseguiam resolver, nem mesmo um terapeuta, meu mau estar era tanto que fui ficando fraca e doente. Eu tinha um mau pressentimento, parecia um mau presságio, um anuncio de morte.
Aquela agonia tomou conta de nossas vidas, eu já não ia mais para a escola e me sentia pior cada vez que via aquele ser encapuzado aproximando-se cada vez mais do meu pai. O pesadelo durou uma semana.
Em uma segunda-feira, acordei sem pesadelos, eu não estava mais doente, nem via mais aquela entidade, meu tormento havia terminado como se fosse um milagre, mas não era um milagre. Tudo aquilo terminou no mesmo dia que meu pai faleceu. Naquela noite, ele não voltou para casa, só ficamos sabendo o que tinha acontecido com ele devido a um telefonema de um colega de trabalho. O carro dele havia batido de frente com um caminhão, ele não resistiu aos inúmeros ferimentos e faleceu na mesma hora.
Aquele foi o dia mais triste de nossas vidas. Quando voltamos do velório, mamãe e eu permanecíamos caladas o tempo todo, da mesma forma quando começou o enterro e mesmo depois que voltamos para casa, o silencio era quem dominava naquele momento de tristeza. Desde que meu pai morreu, eu nunca mais tive pesadelos.
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