Prenuncio da Morte
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Os anos foram passando e eu deixei de ser uma garotinha para ser uma mulher responsável e as coisas já deveriam ter se ajustado para mim, correto? Pois não foi o que aconteceu, eu pensava que nunca mais veria aquela coisa novamente, mas eu estava enganada. Quando me mudei de casa, eu ia visitar minha mãe de vez em quando e numa dessas visitas acabei tendo a horrível surpresa de ver aquele mesmo ser que estava com meu pai atrás dela e comecei a entrar em pânico, eu imaginava que a mesma coisa iria acontecer com ela, mas eu não sabia o que fazer, também não queria assusta-la, tudo o que eu podia fazer era estar com ela ate o fim.
Quando meus pais morreram, eu pensei que finalmente aquilo tudo teria um fim, mas novamente eu estava enganada. Eu posso vê-los em todos os lugares e não é apenas um, são muitos! Mais do que eu possa contar, vejo-os atrás de crianças, jovens, adultos e idosos, mas não eram todos que estavam sendo acompanhados por aqueles seres, essas pessoas possuíam algo diferente, uma coisa triste e inevitável, a morte estava mais próxima deles. Eu só descobri isso, porque todas as pessoas que eu via sendo acompanhadas morriam uma semana depois, é como se eles prenunciam-se a morte.
A parte mais triste de tudo, era saber que uma criança, ou alguém cheio de planos para o futuro iria morrer tão cedo. Como eu trabalhava em um hospital como médica via muitos deles, ainda me dói lembrar de um paciente meu que estava com um gravíssimo problema de saúde e a sua família sempre que podia ia visita-lo e dar-lhe ânimos para seguir em frente, mesmo que o quadro clinico do paciente tivesse melhorado um pouco e dado uma pequena esperança para aquela família, eu apenas olhava tristemente para eles e saia do quarto em silencio, pois sabia que o destino dele estava selado.
Depois de muito tempo vendo-os, um dia um deles veio me visitar. No começo eu fiquei com medo, pois achava que era um sinal da minha própria morte, mas ele pediu para que me acalmasse e falou que a minha hora ainda não havia chegado, pelo menos não ainda. Fui ficando mais calma e começamos a conversar, ele me revelou que eles eram agentes da morte, responsáveis por indicar quem estava prestes a morrer. Perguntei se eram eles os responsáveis pela morte dos outros e para minha surpresa, eles não eram a causa, mas sim o sinal da morte. Ele me falou que a morte de um ser humano pode ser algo natural ou não, pouco importava se a morte viria por velhice ou por um acidente automobilístico, o único dever deles era identificar quem iria morrer e acompanhar aquela pessoa durante uma semana antes de sua morte. A nossa conversa foi ficando cada vez mais interessante, então aproveitei o momento para perguntar algo que há muito vinha me questionando, por que apenas eu podia vê-los e ele me respondeu que eu nasci com um dom muito forte, agora por que era eu e não outra pessoa, ele não sabia me responder.
Assim que todas as minhas dúvidas haviam sido respondidas, despedi-me daquela entidade agradecendo-lhe por tudo, mas antes dele ir embora, ele virou-se para mim e com um sorriso disse:
– Isso não é um adeus, em breve eu volto para levar você.
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