Premonição: Águas Mortais

8 Fechando as Feridas


Notas iniciais
Bem, aqui: começo do clímax. Bem surpreendente e sangrento. Espero que gostem!
E esse capítulo vai ser mais focado em Molly e Jimmy, e outro personagem que conhecemos bem!
Esperando reviews...

Derek não sabia o que Molly havia feito.

Aliás, nem tinha certeza de que aquele vulto ao meio a fumaça baixa era ela.

Ao seu lado, Cooper e Irwin estavam caídos de lado. A garçonete e recepcionista haviam fugido pro interior da loja agora destruída.

Cooper gemia enquanto a fumaça descia. Irwin estava derrubado um pouco atrás, uma das cadeiras havia caído em cima dele. Carly tinha saído um pouco antes, e agora era a vez dela.

Derek tateou o chão em meio a fumaça já baixando. Não tossia, bom sinal. Viu Molly. Olhou profundamente pra ela, e ela suspirou. E saiu correndo em direção a Derek.

– Derek, você tá bem? — disse ela.

– Pior, impossível. — Ele disse.

– Ei, dá pra alguém me ajudar, please? — Cooper disse.

– Cooper, o que houve com você? — Molly perguntou.

– Acho que...ai! — Ele gritou. — Torci o pé...

– Deixa que eu cuido de você, Cooper. — Irwin falou. — Acho que precisamos de uma ambulância, você pode ter quebrado.

Derek olhou pra Molly que ainda mantia a cabeça meio baixa.

– Molly, o que houve? Pra você estar assim? Tão triste...

– Derek, Carly morreu.

A notícia atingiu Derek em cheio.

– Como? Você tá brincando?

– Não, eu saí bem na hora que o capô entrou. Senti o impacto. Fui pra parede mas consegui me levantar. Quando vi, ela já estava morta.

Então tudo voltou a acontecer.

O acidente do barco voltou. Tudo voltou.

Kristy e Freddie morrendo na explosão.

Miranda caindo do barco.

Lauren tendo a cabeça esmagada pelo alto falante.

Danny sendo esmagado pelo mastro.

Roy e Cooper caindo na água.

Carly sendo triturada pelas hélices.

E viu exatamente o que faltava.

Molly caindo e sendo empalada pela madeira.

Jimmy caindo na água e depois pedaços do barco caindo sobre ele.

E ele. Afundando pra sempre naquelas águas escuras.

Então Derek voltou a realidade. Sabia agora a ordem completa. Kristy, Freddie, Miranda, Lauren, Danny, Roy, Cooper, Carly, Molly, Jimmy e Derek. Ou seja, Molly era a próxima.

Mas a maldita dor de cabeça atacou novamente. Derek se controlou embora aquilo doía, martelava, era algo que fazia Derek desistia de tudo. Só que não. Não naquele dia.

Derek se levantou reunindo todas as suas forças. Ainda bem, não havia quebrado, torcido, luxado nada. Apenas alguns arranhões aqui e ali. E disse:

– Mano, você fica aqui cuidando de Cooper. Eu e Molly vamos atrás de uma pessoa.

– Quem? Carly?

– Não. Outra.

Derek puxou Molly pra fora da sorveteria e viu o que Molly havia dito. Carly.

Na hora de explosão do posto, pedaços voaram pra todos os lados. Uma carnificina incrível estava ali. Corpos cortados, empalados, decapitados. Todos os curiosos haviam pagado seu preço, a curiosidade os matou.

A polícia logo chegaria no local. Ambulância e bombeiros também. Mas o que se via era horrível.

E Carly era apenas uma peça do jogo da morte. Ela estava derrubada no chão. Pedaços de vidro haviam cortado o corpo dela, fazendo pequenos cortes em toda sua extensão. Um pedaço de metal havia se fincado no pescoço dela. Mas a coisa mais horrível foi o parabrisa. Ele voou e havia entrado bem no olho da jovem. Um líquido rubro escorria. Sangue.

– Carly... — Derek disse. — Meu Deus...

– O que você queria dizer mesmo?? — Molly disse, tentando desviar o assunto. Mas era impossível.

– Molly, quero que você saiba uma coisa. — Derek disse, tentando desviar os olhos.

– Pode falar.

– Você é a próxima.

...

Molly já havia visto muita coisa. Menos pensado na própria morte. E exatamente isso que estava pensando. Eu vou morrer. Eu vou morrer.

Mas conseguiu dizer a si mesma: Não, eu não vou morrer. Eu vou impedir. Derek vai impedir. Eu não vou.

Quem dera se aquilo pudesse ser verdade.

...

Derek continou dizendo:

– Calma, Molly, vai ficar tudo bem, vai tudo dar certo...

– E como você tem tanta certeza disso?

– Porque eu não deixaria você morrer, de jeito nenhum. Eu poderia até me atirar na frente de um trem pra impedir isso. Você não vai. Não hoje.

– Não hoje?

– E nem amanhã. Nem depois. Mas temos de ir.

– Como? Do nada, você muda o assunto, e fala que nós temos de ir? Ir aonde?

– Seguir esta estrada. Para achar a pessoa que vem depois de você na lista.

– Quem? — Molly perguntou, depois começou a raciocinar e lembrou. — Ah, sim. Ele.

– Eu o odeio com todas as forças, mas temo que teremos de ajudá-lo.

– Bom, você poderia a morte seguir seu curso e matá-lo, depois de me salvar... — Mas ela pensou: Não. Isso não está certo. Estou sendo egoísta demais. Mesmo ele o odiando, Derek consegue ir atrás dele. E porque eu não? Por que?.

...

Molly começou a chorar, desabando na beira da sorveteria onde era a vitrine. Encolheu-se. Sua vida estava acabada. Vira como a morte fazia. Lauren, Danny, Carly. Ela era a próxima. Mas o pior é que ela não suportava a ideia de ser tão egoísta. Ela precisava parar. E ir ajudar Derek, mas não conseguia. Não. A sua frente, o corpo de Carly jazia, ela não queria terminar como ela, mas, não tinha forças.

E Derek chegou pra ela:

– Molly, você não vai morrer.

– Não é por isso que estou assim. É que sou tão egoísta.

– Não, você não é.

– Sou sim, Derek. Sou muito...

Ouviu um barulho. Vindo de cima. Apenas ela. Era a morte querendo agir. Deixa, ela pensou. De antemão já sabia o que aconteceria. Parte do teto da sorveteria desabaria afundando Molly nela.

– Molly? — Derek perguntou.

Sem opção. Você morre agora. Alguém falou na cabeça de Molly. A voz era escura e tenebrosa e saía de dentro da cabeça dela.

– Hã? — Molly raciocinou. — A morte.

– Como Molly?

Então aconteceu o que ela sabia. O telhado caiu sobre ela e fumaça saiu. Molly havia conseguido se projetar pra frente. Uma telha se soltou e foi na direção de Molly. Ela ouviu o barulho e pensou: Não dessa vez, e conseguiu abaixar sua cabeça.

Por menos de um segundo, a telha não atravessou a cabeça de Molly. Ao ver, ela estava deitada no chão e Derek olhando pra ela. Ele fez apenas um sinal com a cabeça e Molly já sabia o que era. Vamos atrás de Jimmy.

...

Jimmy entrava no shopping com seus amigos. As conversas eram claro, sobre garotas.

– Mas é sério. Eu já peguei aquela gata umas três vezes. — disse Gale.

– Tá podendo, hein? — Percy disse.

– Ele é like a boss, com minas, né? — Harry disse.

– Isso aí, cara. — Gale disse.

Percy percebeu que Jimmy estava muito quieto. E perguntou;

– Jimmy, você tá bem?

– É por causa da Lauren, Percy. — Harry disse.

– Não fala o nome dela, pelo amor. — Jimmy falou.

– Calma, cara. Em um instante você consegue outra gata. — Percy falou.

– Não teria tanta certeza disso...

Apesar de tudo, Jimmy amava Lauren. Não fora a seu velório, por questões pessoais. Era forte por fora, mas quebrado por dentro.

Enquanto chegavam no shopping, uma moça que fazia uma pesquisa se aproximou:

– Olá! Estou fazendo uma pesquisa pra faculdade e gostaria de saber algumas coisas. Posso perguntar?

– Ah, não moça, tchau! — Gale e Harry se foram, mas Percy perguntou: — Jimmy, você vem com a gente?

– Daqui a pouco eu alcanço vocês!

– Tá, falou!

– Então qual é seu nome? — A moça perguntou.

– Jim. Mas todo mundo me chama de Jimmy.

– Tá, vou colocar seu apelido entre aspas e...ops!

A folha caiu no chão molhado. Ela pegou. E ao verem, a folha, o Y de Jimmy estava totalmente borrado. Jimmy olhou pra frente. O shopping em obras. E o Y da placa da Macy's piscou.

...

– Vamos, Molly! Essa tem de ser a nossa chance.

– Mas chegaremos a tempo? E depois de Jimmy, é você.

– Molly, preocuparemos com isso depois, agora Jimmy é prioridade.

– Estranho ouvir isso de você.

Derek olhou profundamente pra Molly e, depois de um pequeno intervalo de tempo, disse:

– Para tudo há uma primeira vez, né?

...

Logo os dois chegavam ao shopping.

– E agora? Como proceder? — Molly perguntou.

– Olha, aquela moça pode ajudar. — Derek disse, apontando pra moça da pesquisa.

– Moça!

– Olá! Vocês querem participar de minha pesquisa?

– Depois. Você está aqui a muito tempo?

– Não muito.

– Você viu se um menino meio forte, com cabelo de moicano e brinco passou por aqui? — Derek dizia fazendo gestos.

– Ah sim, de nome Jim Holloway?

– Ahã. Ele mesmo. Acabou de ir. Fiz a última pesquisa com ele.

– Beleza, obrigado moça. — Derek saiu correndo e Molly atrás dele.

– E a pesqui...esquece. — Ela disse desanimada.

...

Cooper estava recebendo atendimento médico. Ao que tudo parecia havia quebrado o tornozelo.

– Ai, ninguém merece.

Irwin ligava pra Sr. Marlon, enquanto Cooper saía de maca em direção a ambulância. Olhou para seu lado direito, e reconheceu o corpo de Carly. Estava como se estivesse na hora em que ela morreu. Olhando ela, morta, pensou em o que poderia ter acontecido com ele.

Eu poderia estar assim agora, ou pior, esmagado. Por um capô maldito. E só quebrei o tornozelo. Olhando desse ponto, até que a coisa não parece tão ruim...

Cooper também pensava em onde Derek e Molly haviam ido. Provavelmente salvar alguém. Ele sabia que Molly já tinha escapado por conta do desabamento da frente. Ele havia visto tudo. E sabia que ela havia escapado e agora era o próximo. Mas quem?

Cooper tentou se lembrar do dia do acidente. Quem estava lá? Ele, Derek , Molly. Danny e Lauren também. Carly, Roy. Lembrou-se de Kristy. E ainda uma vadia chamada Miranda. E outro cara. Faltava alguém. Então subitamente veio a lembrança.

Jimmy.

...

Jimmy caminhava em direção ao shopping, sabendo que seus amigos já estariam no cinema. O shopping estava em reforma. Ao lado direito, terminava-se a expansão. Do lado esquerdo, estava sendo construída uma nova ala, sobre outra. Piso superior. E ali, estavam várias placas. Bloomingdale's, Cinemark, Nike Store, Toys R Kids.

Mas a que mais chamava atenção era a da Macy's. O andaime estava praticamente apoiado nela. E o Y piscava, incessantemente.

Jimmy sentiu um estranho arrepio.

...

Kristy havia feito compras no shopping, e se preparava pra sair. Tinha uma sacola da Macy's e da Morph na mão. Estava tentando se recuperar do trauma. Blake, Shannon, Stevie, Cory, Mary, Michael, Jason, Eleonora, Martha, Mark, Jane. Todos mortos. E todos ela havia visto. Começou um atendimento psiquiátrico. Estava ficando louca.

E havia os sobreviventes do barco. Não sabia como andava a lista. Não havia se comunicado. Sentia se mal por isso. Havia os abandonado.

Eles entenderiam, pensou. Mas sabia que não era nada disso.

...

– Jimmy! — Derek gritou ao vê-lo.

Jimmy se virou subitamente.

– Ah, não. Você não. — Jimmy disse.

– Escute-nos, por favor. — Molly falou.

– Pra que? Eu sei o que vocês falarão!

– É urgente, Jimmy!. — Derek falou.

Jimmy falava e ia pra trás. Perto da construção. A cada passo, o Y piscava.

– Urgente, o c*****! Eu te conheço, Derek Connors!

– Não. Você não me conhece. Se eu fosse quem você achasse que conhece não estaria aqui. — Derek continuou. — Eu estaria bem longe daqui.

Jimmy suspirou.

– Eu não tenho tempo pra você, Derek.

O Y tremeu. Molly percebeu.

...

Kristy saía do shopping. E viu. Reconheceu, era Derek. O garoto do barco. Olhou o Y.

– Por que? — Ela percebeu o que acontecia. E foi correndo em direção a eles.

...

Molly viu Kristy e foi correndo a ela.

– O que está acontecendo? — Ela perguntou.

– É ele. — Molly apontou pra Jimmy. — Ele é o próximo.

...

– Jimmy, a lista. Você vai morrer.

– Morrer? Como? Igual a Miranda? Lauren? Danny? — E continuou. — Derek, você atrai a morte. Todos a sua volta morrem. E eu não vou ser o próximo.

– Você não vai mesmo. Por que eu vou salvá-lo. — Derek estreitou os olhos. Os dois se enfrentavam.

O Y piscava. Mas não aguentou. Soltou-se.

– Derek, o Y! — Molly gritou.

O Y se soltou totalmente.

...

Jimmy olhou pra cima e viu um Y preto gigante caindo sobre ele. Mas logo sentiu-se sendo empurrado. Caiu no chão. Um barulho ensurdecedor seguiu-se. Sentiu alguns pedaços das lâmpadas da placa quebrando-se e o arranhando.

...

Derek saiu de cima de Jimmy, sentindo agora todo o peso sobre ele. Ele ERA o próximo e tinha certeza disso.

Jimmy abriu os olhos e disse:

– Derek, você... — E olhou pra placa derrubada. — Você... — E aconteceu agora incrível. Jimmy abriu um sorriso e disse: — Obrigado Derek.

Molly se sentiu feliz. A primeira vez. Jimmy estava sendo bom com eles. Sendo legal. Molly pensou: Derek, ele conseguiu. Acreditou em Jimmy. Ele foi o único e provou que até Jimmy pode ser bom.

Ela sentiu orgulho dele. Mas sabia que Derek estava mais preocupado com algo.

...

Derek. Era a vez dele. Minha vez. E somente agora havia visto Kristy.

– Kristy?

– Olá, Derek. Eu vi o que você fez. Como vai a lista?

– Mais ou menos. Miranda, Lauren, Danny, Roy, Carly estão mortos. Cooper estava na lista, mas consegui impedir a morte dele. Molly também. Mas ela própria impediu a morte dela.

– E agora é você.

Molly e Kristy permaneciam um pouco longe do lugar do incidente. Jimmy estava ainda no chão próximo a o Y destruído.

Então Derek viu algo que não deveria ter pensado em ver.

Estava de volta ao barco. Mas não era ele. Ele era Cooper. Estava sendo segurado por Danny e via a si mesmo, um pouco longe. Isso era muito estranho.

Então, o mastro caiu. Ele caiu. Cooper caiu. Na direção da água. E apagou.

Mas algo inesperado aconteceu com ele, ele começou a respirar e tentar sair enquanto via explosões e pedaços do barco afundando. Tinha de chegar a superfície.

Ao chegar, viu tudo destruído. Ele era o único sobrevivente. E nadou em direção ao cais, tentando desviar seus olhos daquilo que havia ceifado seus amigos.

A cena mudou. Ele caminhava tranquilamente pelo centro, dois dias depois, ia pro shopping com seu pai. Sabia que todos já estavam mortos, menos ele. Cabisbaixo, não olhava pra qualquer direção todos estavam mortos. Foi atravessar uma rua, ouviu uma buzina, olhou pro lado e viu a frente de um ônibus.

Cooper foi atropelado brutalmente pelo ônibus e morreu.

– Derek! — Molly disse.

O grito de Molly fez Derek voltar a realidade. Sim, Cooper nunca foi pra morrer no acidente. E sim, seria atropelado por um ônibus, dois dias depois...segunda. Dia da morte de Lauren, com receio Derek perguntou:

– Molly...quando o Cooper e você estavam atrás da Lauren correndo...o Cooper quase foi atropelado? — Derek torcia que ela falasse não.

– Ahã.

Então Derek percebeu. Quando Molly salvou Cooper de morrer, acabou botando ele na lista da morte. Agora tudo se encaixava. Não havia lista pra Cooper, ele seria pego a qualquer hora. Quando Cooper quase morreu pela segunda vez...

Outra visão.

Ele era Carly vendo Roy morrer a sua frente.

Viu quando tudo explodiu e o capô. O capô de Cooper voando.

Foi pra trás mas foi atingida em cheio pelo parabrisa. Derek apenas enxergou como Carly, o parabrisa vindo em seu olho.

Derek voltou a realidade. E percebeu que Carly havia morrido antes de Cooper. Realmente Cooper estava fora da lista padrão. Havia uma lista exclusiva pra ele, ele morreria a qualquer momento.

– O que foi Derek? — Molly perguntou.

– Cooper...eu tenho algo a falar sobre ele, e não é nada agradável.

Notas finais
Sobre a descoberta de Cooper, gostaram? Bom, próximo capítulo vai ter mais surpresas, acredito que não demoro a postar, ok? Mas pra quem percebeu, toda vez que eu falava de Cooper na visão, falava apenas que ele caiu, nada de morrer e coisa do tipo...
E tem mais: sabe a asma de Derek que venho anunciando desde o começo da fic? Ela terá uma GRANDE importância nos próximos capítulos!