Premonição: Águas Mortais
9 In Memorian
Notas iniciais
E mais: tem um personagem que vocês conhecem MUITO bem que vai fazer uma participação especial no capítulo!
– O que é, Derek? — Molly disse temendo o pior.
– Cooper...Ele...Ele nunca esteve na lista. Iria sobreviver ao acidente. Mas morreria alguns dias depois.
– Tipo quando? — Molly perguntou apreensiva.
– No dia da morte de Lauren. Molly, você salvou Cooper de morrer, mas acabou o colocando na lista da morte. Literalmente, ele pode morrer a qualquer momento.
– Mas e depois? Quando você salvou Cooper na sorveteria?
– Carly morreu antes de Cooper. Isso comprova a teoria. Na minha visão, supostamente, Cooper morria antes de Carly.
– Então isso quer dizer...que eu colaborei com a morte. Botei o Cooper em perigo.
– Peraí, gente, que loucura é essa?
– É aquela que falei no cais. A morte iria nos caçar. Você acabou de ver. — Kristy falou friamente.
– Então todas essas mortes...Miranda, Lauren, Danny. Foi tudo a morte.
– E olha que você não sabe a história completa, Jimmy. — Derek disse.
– Mas então..daquele acidente...- Só sobraram nós quatro e Cooper. — Molly falou.
– Mas isso parece muita baboseira, gente.
- Você acabou de ver, Jimmy. Se fosse baboseira seria coincidência. Três pessoas que escaparam do barco morrerem em menos de uma semana? Impossível.
– Mas quem já está morto? — Kristy perguntou.
– Freddie você já sabia. Miranda, Lauren, Danny, Roy e Carly já estão. E todos morreram de formas horríveis. De jeitos inesperados.
– E com sinais. E na ordem da lista da morte. Como eu falei. — Ela disse.
– Sim, exatamente assim. — Molly falou.
– Como em todo esquema mortal.- Kristy suspirou.
...
Enquanto multidões se aglomeravam em volta da placa destruída, vários dos construtores e pedreiros que estavam no andaime, saíam.Entre eles estava um rapaz que ao tentar descer um degrau do andaime, bateu em uma caixa de ferramentas. A caixa estava pendendo pro lado, e repentinamente, algo caiu.
...
– Mas como você sabe de tudo isso? — Molly questionou.
– Você esqueceu, garota? — Ela disse. — Eu já vivi isso duas vezes. Sei como é. Vi os sinais. Agora me respondam: quem é o próximo?
– Sou eu. — Derek falou. — E depois, acho que...
– A lista começará novamente. Você se salva, e voltamos ao começo...
– Peraí, então vai...
Viu Molly gritando. E ele não conseguiu terminar sua frase.
...
Derek sentiu algo entrando em sua cabeça.
– Martelo! — Jimmy disse. — Era isso, marteladas, sempre fora um sinal!
Sangue escorria pela cabeça de Derek. O martelo havia atravessado sua cabeça. Derek já não distinguia o real do imaginário.
Estava morto, seu prazo havia acabado.
Descanse em paz, Derek Connors. Ouviu. Era a Sra.Morte.
Pouco a pouco seu corpo ia se desligando. Derek caiu de joelhos.
– Derek!!! — Molly gritou, tentando segurar Derek.
Derek olhou pra ela. Com seus olhos se desligando. Foi a última imagem de sua breve vida.
Ele caiu pra frente, causando um grande baque no chão, enquanto o seu sangue escorria por seu rosto. Seus olhos ainda estavam abertos, sua boca também estava meio entreaberta.
Mas ele já havia morrido completamente.
...- E com sinais. E na ordem da lista da morte. Como eu falei. — Kristy disse.
– Sim, exatamente assim. — Molly falou.
– Não. Não. — Derek disse, já assustado.
– Amor, o que está havendo? — Molly perguntou e começou a andar na direção de Derek.
– Eu...o próximo...martelo... — Derek disse, gaguejando
.- Como amor? — Molly perguntou.
– Licença, Molly. — Derek empurrou Molly pro lado e saiu correndo. Ele sabia que se corresse para longe, conseguiria evitar a sua morte do martelo.
– Derek! — Molly gritou e saiu correndo atrás dele. Kristy a seguiu, deixando suas sacolas ao léu.
Jimmy pensou em algo. Martelo.
– Era isso. Sim, era isso, o que eu pensei hoje! O martelo! Era um sinal! — E saiu correndo na direção deles.
...
Derek corria em direção a expansão. Quanto mais longe do shopping melhor. Sabia que se ficasse onde estava anteriormente seria morto. Ele pensava.
– Derek, espera! Onde você vai?? — Molly gritou, correndo.
Ele não respondeu.
...
Jimmy também estava correndo. Ultrapassou Molly e Kristy. Elas não sabiam o que havia acontecido com Derek. Mas ele sabia. Jimmy era o único que sabia o que seu maior rival passava.
Molly gritou a Jimmy: — Jimmy, espera!
Jimmy gritou a Molly um pouco atrás. — Eu sei o que aconteceu com o Derek. Eu sei a pista. Ele vai morrer com um martelo!
...
Derek parou subitamente e se virou.
– Como assim...martelo? Vo...vo..cê sabe?
– Eu sei Derek. Sim, eu sei. — Jimmy disse.
– Como? Como você sabe?
– Eu vi a pista. Eu sei a pista.
Então Jimmy ouviu um barulho e foi pra cima de Derek, Jimmy pulou em cima de Derek e o empurrou pela calçada.
Molly soltou um grito abafado. Kristy se assustou.
Um barulho metálico eclodiu no chão.
Era um martelo.
...
– Derek, me diz que é mentira, aquilo de você morrer com um martelo! — Molly disse, ainda assustada.
– Não. Era verdade. — Derek falou assustado, ao ver a cena.
– Então agora... — Molly falou, olhando pra Kristy.
– A morte vai caçar a gente. Novamente, começando por mim. Depois a garota, o rapaz da placa e você, Derek. — Kristy falou apontando para as respectivas pessoas.
– Então agora...você é a próxima. — Molly disse apontando pra Kristy.
– É, eu sei. — Kristy falou.
Kristy olhou para as suas sacolas deixadas. Pessoas pegavam o que havia comprado. Estavam roubando a Kristy. Mas ela pensou assim: Eles vão precisar mais disso.
Kristy olhou ao redor e disse:
– Bom, eu vou embora; se a morte tiver de me pegar, que me pegue. Não aguento mais esse jogo de gato e rato. Já cansei de ficar correndo dela. Não há sentido, sendo que não chegarei em nada. Se eu viver, ótimo. Já estou inscrita na faculdade. Se eu morrer, será menos pior. Menos sofrimento, eu não aguento...
– Mas você... — Derek disse. — Você precisa...
– Não Derek, não preciso. Se eu tiver de morrer, estou pronta. Adeus. Não sei se nos veremos novamente. — Kristy saiu correndo em direção a saída, sem olhar pra trás.
...
No hospital, Cooper era obrigado a por gesso. Enquanto olhava a enfermeira engessando sua perna, pensava em tudo o que acontecia. Seu pai, Marlon, o esperava do lado de fora. Ficara surpreso com a notícia, e viera de seu trabalho, especialmente pra cuidar de Cooper.
Cooper havia quebrado o tornozelo. Ficaria dois meses usando o gesso.– Lá se vão minhas férias,pensou.
A enfermeira continuava a sua operação. Certa hora, teve de apertar o pano. Isso fez Cooper gritar.
– Desculpa, não sabia que doeria.
...
Kristy chegara em casa em segurança. Abriu a porta e entrou. Nada acontecera. Isso era ótimo. Mas ela não aguentava ficar naquele lugar. Más lembranças. O seu tio paterno já havia comprado aquele lugar. Logo Kristy sairia dali. Poderia ir para a tão sonhada faculdade de medicina ou ser morta.
– Eu não aguento mais. — Kristy disse. — Por que sempre é assim? Sempre sofrimento, nada de paz. Nesses últimos meses, teve paz, mas era...uma enganação. — E não aguento mais.
Aquela casa lembrava muitas coisas. Vieram para lá, quando seu irmão mais velho, Alex, morreu. Depois seus pais morreram, e só havia ela e Jane. Jane. Que agora estava morta. Kristy, iniciara tratamento psicológico pouco antes, e agora sua irmã, Jane, estava morta. Tinha ido ao shopping, para espairecer a sua cabeça, mas não adiantou. Toda hora lembrava de Jane, de Mark, de Alex, de Martha.
Kristy continuou caminhando até o quarto de Jane. Estava como Jane havia deixado. Kristy entrou e sentou na cama, olhou ao redor. Suspriou profundamente. Olhou para cima do criado-mudo de Jane, e viu uma foto. Pegou.
Era de 1998. Tinha seus pais, Barbara e Ken Browning, sorrindo ao fundo. Alex, seu irmão mais velho, com 16 anos, segurava a pequena Jane, de 2 anos, no colo. Kristy, com apenas 7 anos, estava agarrada a perna do irmão. Martha sorria no canto.
Lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Kristy. Olhando aquela foto, lembrou-se de todos. Todos mortos. Kristy levou suas mãos ao rosto. E chorou.
Pegou a foto, e deixou no mesmo local de antes. Saía do quarto quando olhou pra frente. O quarto de hóspedes. Mark Carpenter.
Mark, seu namorado, estava morto. Justo ele. Ela era a única pessoa que sabia de vários segredos escondidos dele. Subitamente, lembrou-se do dia em que ele a contou.
...
Kristy acordou de um pesadelo. Tinha a ver com um barco. Nele Kristy e Mark estavam, sofrendo entre estranhas chamas, que pareciam cair do céu.
Ela logo se levantou, e saiu do quarto. Andou pelo apartamento no escuro e viu um vulto na varanda. O vulto tomou forma. Era Mark.
Mark permanecia olhando o horizonte noturno. Parecia estar pensando em algo. Kristy aproximou-se e perguntou:
– Mark? Está tudo bem?
– Tá, Kristy.
– Tem certeza?
– Ahã. Eu só estou pensando em algo...
– O que? Quer dizer...você pode falar?
– Promete que guardará segredo? — Mark perguntou, após virar, meio cabisbaixo.
– Claro, Mark, eu prometo.
Mark entrou e foi na cozinha, e se sentou. Kristy a seguiu sentando na cadeira. Mark batia os dedos na mesa, impacientemente.
– Pode contar, Mark.
– Bom, Kristy...você sabe que eu saí da escola, com 14 anos, certo?
– Ahã. E voltou mais tarde.
– Certo. Mas aquilo seria mais como uma aula de apresentação. Mas acabei ficando por ali, no 3° ano do Médio.
– Tá, mas o que isso tem a ver?
– Bom, quando eu tinha 14 anos, minha mãe ficou doente demais e morreu. Foi muito difícil. Principalmente, porque meu pai me abandonou. Ele pensou que eu era o culpado de tudo. Me abandonou, e abandonou a minha mãe, trocando por uma mulher mais nova. Eles foram pra Europa, e eu fiquei sozinho no mundo. Saí da escola, meu pai me tirou dali. Acho que ela queria mesmo ferrar com minha vida.
– Mas que...horror.
– Pois é. Meu pai nunca gostou de mim. Eu acabei saindo de uma aventura de minha mãe com ele.
– Mas você não tinha alguma tia?
– Meu pai era sumido no mundo, não tinha ninguém. Já minha mãe...sua única irmã havia morrido, Nora.
– Nossa...continua.
– Então eu tive de sair por aí, andando ao vento. Eu era apenas poeira ao vento. Tive de me virar sozinho. Dormi na rua, conheci vários amigos, fui pra Nova York. Estes pareciam ser amigos, só que não. Quase me levaram pro universo das drogas. É sério, eu...eu...
– Mark, você já...
– Sim, teve uma vez... — Mark começou a falar, cada vez mais abatido. — Eu experimentei... Gostei. Quase fiquei viciado...
– Mas o que aconteceu a você?
– Eu sabia onde me metia, mas era difícil parar. Encontrei uma associação de ajuda a menores desabrigados. Logo fui parar, em uma pensão, depois de recuperado.
– Uma...pensão?
– É. Só que tudo que é bom, dura pouco. Naquele dia, do metrô, eu tinha acabado de receber a notícia de que a pensão seria desapropriada. Logo tentei fugir para outro lugar. Mas então, você apareceu.
– Então...
– Sim, essa é a verdade. — Mark falava, cada vez mais abatido.
– Desculpa, por ter perguntado...
– Sem problema. Foi bom contar pra alguém esse passado. Agora se me dá licença, preciso ir descansar minha cabeça. — Mark se levantou, deu um beijo em Kristy e foi na direção do quarto de hóspedes.
...
Kristy iniciou novamente seu choro. Levou as mãos aos olhos e gritou.
– Até quando será assim? Responda-me! Até quando? Se quiser me matar, me mate, não há mais sentido viver!
Ela saiu correndo e se trancou no seu quarto, pro resto do dia.
Ligou o seu celular, e colocou a música no modo aleatório. Colocou seu fone e fechou os olhos, para desconectar deste mundo. A primeira música fez ela relaxar, mas colocou ela num mundo de sentimentos terríveis. A cada palavra, mais lágrimas desciam dos seus olhos.
Look at the stars,
Look how they shine for you,
And everything you do,
Yeah, they were all yellow
I came along,
I wrote a song for you,
And all the things you do,
And it was called Yellow
So then I took my turn,
Oh what a thing to've done,
And it was all Yellow
Your skin
Oh yeah, your skin and bones,
Turn into something beautiful,
Do you know?
You know I love you so,
You know I love you so
E Kristy sentiu-se como Mark cantasse pra ela.
...
20:00
Cooper já estava na sua casa. Deitado, estava de cama.
– Oh, vida, triste vida...
Alguém subitamente bateu na porta. Cooper gritou:
– Pode entrar!
Derek, Molly e Irwin entraram, logo Cooper abriu um sorriso largo no rosto.
– Gente, que bom que vocês estão aqui!
– Cooper, você está melhor? — Irwin perguntou.
– Bom — Cooper hesitou. — Pior, impossível.
Molly soltou um risinho e disse:
– Cooper, você continua o mesmo.
– Então gente, o que vocês vieram fazer aqui? — Cooper disse, sentando-se.
– Derek e Molly pediram pra vir te visitar. Mas parece que vocês terão uma conversa particular — Irwin falou.
– É, Irwin, realmente vamos ter. — Derek disse. — Você pode sair um pouco?
– Tá bom, mano. Mas não demora, tá? — Irwin disse a Derek, já indo a direção a porta. Melhoras, tá Cooper?
– Tá bom, obrigadão.
Quando Irwin fechou a porta, Cooper perguntou:
– E aí? O que aconteceu?
– Bom, Molly sobreviveu.
– É, eu vi.
– Conseguimos salvar Jimmy e eu.
– Peraí, você salvaram o Jimmy? Eu deixaria ele morrer.
– Coop! É que você não viu como ele foi depois. Foi ele que salvou o Derek. — Molly disse. Derek confirmou.
– Putz, sério? Isso foi...estranho. E agora?
– A lista recomeça. — Derek disse. — Kristy, que era aquela garota que encontramos na reunião, lembra?, é a primeira.
– Ah, sim, Kristy. Sei, continua.
– Depois Molly, Jimmy e eu. — Derek falou.
– Peraí, e eu?
– Cooper. Você nunca esteve na lista. Você realmente sobreviveria ao acidente no barco, mas morreria atropelado no dia em que tentaram salvar Lauren. Depois, como Molly o salvou, você entrou numa lista particular. Só você. Pode morrer a qualquer momento.
Cooper estremeceu.
...
24 de novembro de 2010.
Kristy estava em sua casa, se preparando para ir a escola. Voltaria, depois de uma semana, julgava que estava pronta pro final do ano. Sobrevivera uma noite inteira, então achava que poderia sim ir a escola.
Então uma estranha voz falou.
Garota, você não se salvou. A voz vinha de dentro da cabeça de Kristy.
Continuarei a te infernizar.
– Quem é você? – Kristy perguntou.
Que óbvio. Sou aquela que acabou com sua vida.
– Ah, eu não acredito.
Sou apenas uma voz, uma força. E preciso falar com você algo.
– Cala a boca! – Kristy começou a balançar sua cabeça.
Impossível, garota.
– Me deixe em paz! – Kristy gritou.
Olhe, vou deixar você sim. Cansei de você. Viva essa vidinha inútil. Mas saiba que quando eu voltar você sofrerá muito que sucumbirá.
– Que se dane! – Kristy gritou.
Cuidado, mocinha. E tem mais. Seus amigos, deixarei-os em paz, por alguns dias. Darei uma falsa sensação de segurança. Pensarão que você estava mentindo.
– Eu direi a eles!
Impossível. Você não conseguirá. Mas compreenda, estou sendo boazinha demais. Seus três amigos estarão a salvo por um tempo.
– Mas não são três. São quatro.
Eu disse que estava sendo boazinha demais.
Então a voz sumiu. Kristy pensou apenas em alguém. Cooper.
Então o celular de Kristy começou a tocar uma música.
What a shame we all became
Such fragile broken things
A memory remains
Just a tiny spark
I give it all my oxygen
To let the flames begin
So let the flames begin
Oh, glory, oh, glory
This is how we'll dance when
When they try to take us down
This is what will be, oh, glory
– É sim. É ele! Cooper! E vai morrer com...chamas! Ele vai ficar em chamas!! — Kristy disse, esbaforida. Mas Kristy lembrou-se que seria impossível falar isso a alguém. A morte não deixaria. Não poderia.
Apenas pediu que algo ou alguém salvasse Cooper. E saiu sem olhar pra trás.
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