Notas iniciais
Novamente pra lembrar que as fotos dos personagens de Águas da Morte já estão disponíveis. Link:
http://marcioviniciusfanfictions.blogspot.com.br/2012/09/fotos-dos-personagens-de-premonicao-3.html

– Bem, vocês sabem porque estamos aqui. — Kristy iniciou a conversa.

Eles estavam reunidos no quarto de Derek. Seu pai havia saído. A vida com seu pai não era fácil, Derek sabia disso. Desde a perda da mãe, ele buscou batalhar pra sustentar a casa. Porém antes, muitos conflitos ocorrem entre eles.

– Pois é, a morte... — Derek disse.

– Então vocês devem estar querendo saber como a deter, correto?

– É claro! — Molly falou. — Se ela está atrás de nós...

– Peraí, pelo que entendi, a morte está atrás da gente? — Cooper perguntou.

– Exatamente. E temos vários jeitos de detê-la. Se suicidando, podemos salvar toda a lista.

– Mas ninguém está em condições de se matar, certo? — Danny disse.

– Tem esse problema. O segundo é pior.

– Manda. — Carly falou.

– Tendo um bebê. Uma nova vida pode derrotar a morte.

– A única que tem condições de fazer isso aqui é ela. — Cooper disse, apontando pra Carly.

– Opa, agora a responsabilidade de fazer vocês viverem é minha? Calma aí! E eu ainda sou uma estagiária, tenho de aproveitar a vida!

Todos olharam pra Carly.

– Calma gente, desculpa, é que...essa responsabilidade toda sobre mim, não tem outra opção, não? — Carly continuou.

– Bem, tem sim, mas essa é a pior...

– Pior do que tá não fica, pode falar. — Cooper disse. — Embora eu não tenha nada a ver com isso e não acredite...

– Bom, vocês podem matar uma pessoa fora da lista, assim vocês beneficiam a si mesmos, porque você ganha a vida dessa pessoa... — Kristy disse.

– Então essa é a melhor opção? — Danny perguntou

– Não diria a melhor, mas a mais eficiente. — Kristy disse.

Então todos ficaram meio que desolados. Exceto Cooper que acreditava que tudo aquilo era mentira.

E se fosse verdade?– Ele pensou. — Bom, eu escapei daquele acidente sem precisar da ajuda de ninguém, então mesmo que a morte esteja atrás deles, ela não vai me pegar...

Derek então decidiu ir até a janela do seu quarto, respirar um pouco de ar puro. Essa conversa estava deixando ele maluco.

Ele chegou na janela e começou a pensar: O que eu faço agora? Será que vou ter de matar alguém? Não, eu não seria capaz disso. Ou será que seria? Tem tanta gente necessitando ser morta por aí, porque já tá quase morrendo mesmo...mas não posso pensar assim. Não tenho alma de psicopata...

Então algo chamou sua atenção naquele instante.

Viu dois meninos brincando com uma bola de futebol. Um fazia embaixadinhas. Foi quando a mãe dele o chamou para jantar. A bola do menino se desequilibrou e caiu da sua perna. E começou a rolar pra rua. Quando Derek apenas viu uma luz forte vindo do outro lado em alta velocidade. Era um carro. Quando ele passou, a bola estava totalmente
esmagada.

Nesta hora, Kristy falava sobre sinais:

– ...então é bom ficarmos espertos. Afinal, os sinais indicam como o próximo vai morrer.

– Já sabemos, mas é tipo...algo incomum? — Lauren perguntou.

– Exatamente. Algo que não acontece todo dia ou até algo que acontece mas que vem junto de um estranho arrepio. Ventos gelados e luzes piscando também indicam que algo irá acontecer.

Então a luz piscou.

– Ai, meu Deus! Isso foi um sinal, não foi? — Carly já dizia assustada.

– Acho que sim. Só não sei de quem. — Kristy disse, ainda impassível. — Preciso ver mais sinais de como a morte irá acontecer.

Derek então finalmente falou:

– Eu sei.

– Você sabe o quê, fofo? — Molly perguntou.

– Eu sei como a próxima pessoa pode morrer.

– Conta, logo então! — Lauren disse já desesperada.

– Enquanto vocês estavam conversando, eu estava na janela, então vi dois meninos brincando com uma bola de futebol, um estava fazendo embaixadinhas. Mas daí a mãe dele o chamou para jantar então, a bola do menino se desequilibrou e caiu da perna dele ecomeçou a rolar pra rua. Então só deu pra ver uma luz forte vindo do outro lado em alta velocidade, e era um carro. Quando ele passou, a bola estava totalmente esmagada.

– Acho que isso realmente foi um sinal... — Kristy falou. — Mas, Derek, você sabe quem é a próxima pessoa a morrer.

– Como assim? Eu sei? — Derek disse.

– Ah, não falei disso. Existe a lista da morte. A morte segue um padrão em que os sobreviventes morrem como deveriam ter morrido na visão.

– E como eu tive a visão, eu sei a ordem.

– Exatamente. Agora nos conte.

Derek começou a tentar lembrar de sua visão. Lembrou o momento que entravam no barco. De Cooper assobiando pra Miranda. Da briga entre Jimmy e Lauren. De Roy e Carly entrando no barco. Então se lembrou da explosão que desencadeou tudo. E lembrou se de Kristy morrendo junto com um rapaz que logo lembrou ser Freddie.

– Kristy e Freddie foram os primeiros.

– Continue lembrando. — Kristy disse. — Só estou viva, porque você me tirou de lá.

Então começou a lembrar do auê. E viu a prima de Jimmy correndo. Miranda. Lembrou se de Jimmy e Lauren quase caindo. Então o barco virou pro lado e Miranda caiu.

Então ele sentiu uma dor muito forte na cabeça. Sentiu uma tontura e caiu na sua cama. Molly foi logo socorrê-lo com Cooper e Danny. Carly e Kristy também se aproximaram.

Enquanto isso, Molly perguntou a Derek:

– E aí, o que aconteceu???

Derek apenas conseguiu falar:

– Miranda, a prima de Jimmy, é a próxima.

E desmaiou.

...

Miranda e Jimmy estavam mais animados do que nunca. Mesmo não tendo conseguido as bebidas, estavam aproveitando ao máximo aquele momento. Quer dizer, apenas Miranda. Jimmy já não aguentava mais manter a maldita farsa com ela. E se tivesse que manter tinha que ficar bêbado, pra não se lembrar de nada. Nada mesmo. Mas se não conseguia beber, como iria ficar? Tinha de terminar com essa farsa.

Logo Miranda disse:

– Amor...vamos naquela outra pista, essa tá muito cheia!

– Mas Mi..

– Não, vamos lá! Não quero ninguém roubando minha bolsa.

– Você ainda tá com ela?

– Problem?!

– Vamos então, se você quer...

Eles foram até a pista de dança do globo de luz. Os holofotes dançavam em todas as direções.

Então os dois começaram a dançar.

O globo girava. Mas Miranda nem Jimmy estavam embaixo dele. Os suportes dele estavam horríveis. Porque o globo estava como foi retirado, apenas teve um polimento.

Então começou a tocar uma música que dizia tudo sobre os sentimentos de Miranda e Jimmy, mas todos misturados:

Every time we lay awake

After every hit we take

Every feeling that I get

But I haven't missed you yet


Every roommate kept awake

By every sigh and scream we make

All the feelings that I get

But I still don't miss you yet


Only when I stop to think about it


I hate everything about you

Why do I love you?

I hate everything about you

Why do I love you?

Então Jimmy tomou uma decisão. Iria fazer toda aquela farsa acabar. Mas precisava ir no banheiro, antes, pra saber como falar isso pra Miranda.

– Amor, eu vou no banheiro tá?

– Vá em frente. Volta logo!

...

Jimmy se afastou e foi ao banheiro. Chegando lá, lavou seu rosto com a água corrente da torneira e começou a repetir a si mesmo várias vezes:

"Miranda, eu sei que você me ama, mas sinceramente, eu não consigo ver atração em você. Não que eu não goste mas, se seguirmos isso não dará certo. Queria que continuássemos amigos, mas sem maiores pretensões. Se você não gostar, pode me xingar, me ignorar, mas
apenas não vamos continuar com isso. "

...

Enquanto isso, todos dançavam. Um dos holofotes na área do globo tinha uma pequena madeira segurando-o, porque estava defeituoso. E ele apenas iluminava uma direção: o globo de luz.

Miranda abriu sua bolsa tomando muito cuidado com todos. Retirou uma foto de lá de dentro. Era uma foto de ela e Jimmy quando crianças.

Tinha fascinação por Jimmy desde criança e sempre ajudou a enfrentar os seus desafios. Mas o tempo passou e Jimmy começou a vê-la como uma chata, e irritante. Ela sofria por causa disso, então começou a se tornar quase uma vadia, tudo pra chamara atenção de Jimmy, mas nada adiantou. Ele continuou ignorando-a. Agora estava tão feliz com a
possibilidade da reconciliação com ele, que não enxergava o que era claro: Jimmy não gostava dela.

Miranda estava tão distraída em seus pensamentos quando um homem passou correndo e pegou a bolsa de Miranda. Ela apenas gritou:

– Ei! Volta aqui!

O homem saiu correndo, mas tropeçou no holofote. A madeira caiu e o holofote também se focalizando em um ponto. O rosto de Miranda.

Miranda não conseguia ver nada. Apenas a luz forte em seus olhos.

– Aaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhh!!!!

...

Jimmy no banheiro se decidiu:

– Agora eu consigo falar com ela.

...

Miranda se debatia contra a luz em seus olhos, estava pondo a mão na frente, mas não via nada.

O globo de luz girava. Os parafusos que ligavam ele no teto não aguentaram.

Miranda continuava se debatendo então tentou olhar pra cima. O globo. Então o globo se desprendeu, a foto ainda em sua mão.

...

Jimmy saiu do banheiro.

...

Miranda apenas conseguiu olhar pra cima antes que o globo explodisse sua cabeça em vários pedaços. O globo ainda destruiu parte do seu ombro até cair no chão junto com o corpo de Miranda.

O globo sujo de sangue e pedaços do cérebro dela.

...

Jimmy viu uma estranha aglomeração e gritos. Tentou chegar mais perto, empurrando algumas pessoas, quando chegou, seus olhos se arregalaram e ele ficou quase em estado de choque vendo o corpo
de Miranda esmagado.

Então um vento passou e levou a fotode Miranda com Jimmy até os seus pés. Pegou-a e olhou pela última vez pra sua prima.

22 de novembro de 2010.

Roy levava sua pasta de documentos para o carro. Pegou o molho de chaves e abriu a porta da frente. E colocou a pasta atrás.

Roy voltou pro interior de sua casa, e foi ao banheiro.

Quando saía, viu o vaso de sua amada Sophie. Ela havia dado a ele, era um grande presente. Se conheceram na faculdade e foi amor a primeira vista. Logo Roy se casou com Sophie e viveram juntos até quando Roy tinha 47 anos. Um acidente terrível de carro tirou a vida dela, e Roy se sentiu culpado por tudo. Ele havia brigado, de uma forma feia com Sophie pouco antes. Então ela saiu com o carro. Pouco depois, ouviu a notícia.

Depois, pra cobrir esta ferida, se fechou, tornando-se arrogante, e desprezível. Mas tudo pra não parecer frágil como ele realmente era.

Roy foi até seu carro e saiu em direção a Presage Paper. Mais um dia de trabalho.

Mais tarde...

– Derek Connors! Dá pra você acordar? — A professora Shirley disse.

– Hã? — Derek tentou dizer. — Ai, minha cabeça...

– Você está perdendo toda a aula! Aproveite que essa é a penúltima semana! E essa matéria cai na prova de amanhã! E tem mais, essa é a ÚLTIMA aula do dia!

– Ah, mas eu acho que estou me sentindo meio mal...

Derek olhou pro lado e viu Molly, Cooper, Danny, Lauren. Todos de olhares atentos a ele. Haviam falado pouco no intervalo, com ele. Todos com medo, talvez.

Derek então se lembrou de algo que haviam falado no intervalo com ele. Danny havia falado isso.

...

No intervalo, haviam falado pouco. Apenas Danny falou sobre o problema do time de basquete:

– Derek, você entende? Eu preciso dessa vaga no time!

– Mas Danny, e a morte?

– Posso até morrer, mas queria mostrar meu valor pro técnico. Mostrar que eu sou bom. Mas todos os treinos, tudo dá errado. Esse vai ter de ser diferente. Esse é meu último desejo.

– Mas quando ele vai ser?

– Hoje. A tarde. E dessa vez, o técnico do time vai ver que eu sou de verdade. Ele vai ver que eu consigo. Que isso não é impossível pra mim.

– Você vai conseguir. Tenho certeza.

...

Então disse para Shirley:

– Acho que preciso tomar um ar...

– Pode sair, então, mas não esqueça de pegar a lição com seus colegas...

Derek saiu e foi andando pelos corredores da escola até o pátio. No pátio, sentou-se ao lado do memorial do acidente com os alunos do 9° Ano.

Começou a refletir:

E se tudo o que estou fazendo não seja inútil? Não, isso não é inútil. Salvar meus amigos não é inútil. E eu nem lembro direito o que houve ontem...Todos nos reunimos, eu vi algo diferente, fiquei com dor de cabeça, desmaiei. Lembro que eu tive que me lembrar da visão, e eu lembro nitidamente agora. Kristy, Freddie e Miranda morrendo. Não sei se Miranda está morta. Não. Ela está sim. Jimmy não está aqui. Provavelmente há algum motivo, e esse é o motivo.

Cooper e Danny quase caindo do barco. A tenda de Roy e Carly quase caindo. Lauren quase pegando a mão de Derek. Lauren sendo morta pelo alto-falante. Danny sendo esmagado pelo mastro...

Então subitamente parou.

– Então Lauren e Danny são os próximos. Eu preciso impedir isso. Eles não vão morrer. Não vão.

Mas então a dor de cabeça atacou. Derek deitou na grama com as mãos sobre a cabeça.

Ele pensou:

Parece que essa dor de cabeça não vai parar enquanto eu estiver vivo. Ótimo. Mais um problema de saúde. Já não bastava a asma?

O sinal da saída então tocou.

Derek sabia o que tinha de fazer.

Levantou-se, meio zonzo, mas conseguiu ir em direção a sua sala. Não viu nem Cooper, nem Danny. Lauren e Jimmy também não. Ao chegar, pegou sua mochila em silêncio. Molly a esperava.

– Tá tudo bem, agora? — Ela perguntou.

– Nem tudo. Agora eu sei quem são os próximos.

– Próximos?

– É. Da lista.

– Quem são?

– Lauren e Danny. Tenho um plano, você e Cooper e se possível, liguem pra Kristy, vão atrás de Lauren. Eu cuido do Danny.

– Eu não vou atrás dessa naja!

– É pro bem, dela. E pro bem de todos.

– Só faço isso pelo Danny...

– Molly, pense melhor... Você queria que sua irmã morresse?

– Se eu tivesse... — Molly pensou um pouco. — Não, eu não queria...

– Então precisamos encontrar os dois, antes que seja tarde...

Os dois saíram correndo pelo corredor.

...

Na saída da escola, Danny e Cooper conversavam:

– Pois é, cara. Eu falei com o Derek sobre o treino de basquete mas ele nem ligou... — Danny disse.

– Também com todo esse negócio de morte acontecendo...mas pra falar a verdade, eu ainda não acredito nisso!!

– Olha, eu até que acredito sim, mas sei lá, deixar de viver sua vida maravilhosa somente pra ficar fugindo da morte, isso parece meio estranho...

– Danny, isso é estranho.

– Então Cooper, isso é...Mas não podemos subestimar isso. Vai que os próximos da lista seremos nós. Todos corremos perigo.

– Correção: VOCÊS correm perigo, e além disso, vocês é que acham isso. Eu não acredito nisso, e mesmo que isso fosse verdade, estaria livre.

– Como assim, estaria livre Cooper?

– Primeiro, vamos mudar. — A partir de agora, você me chama de Coop.

– Por que Coop?

– Apelido, fio. Todo mundo me chama assim, exceto vocês. Agora eu quero padronizar tudo, então esquece que meu nome é Cooper. Agora é Coop!

Danny abriu um sorriso e falou:

– Ok, Senhor Coop. Agora me explica: porque você está livre?

– Olha, eu escapei SOZINHO do acidente. Não precisei de ninguém, sendo assim nunca foi pra eu morrer lá! — Ele falou.

– Aham, tá bom... — Danny olhou pro relógio e viu que a hora do seu treino de basquete chegava.

– Bem Cooper...

– Coop.

– Você entendeu! Agora eu tô indo. Não posso perder o treino. Hoje mostro pra aquele treinador FDP, que eu sou bom, mas MUITO bom. Nada vai me atrapalhar! Falou, Cooper!

– É Coop...Esquece! — A esta hora Danny já corria pro ginásio de basquete da High School MT. Abraham.

Louco pra fazer seu treino. Pra mostrar que era bom. Mal sabia Danny que poderia ser o último de sua vida.

Notas finais
Pra quem não entendeu o trecho do intervalo, é assim: Derek estava na última aula, a aula de Shirley. Quando foi falado do intervalo, Derek lembrou do que haviam conversado.
A música do capítulo é I Hate Everything About You, do Three Days Grace.
Shirley foi uma homenagem ao compositora Shirley Walker, que fez a trilha sonora dos 3 primeiros filmes da série, e que morreu em 2006, pouco depois do lançamento de Premonição 3.