Premonição: O Trem da Morte
2 Acredite se Quiser
Notas iniciais
– Eu... Salvei vocês! — Kristy disse, em um rompante.
E todos olharam na direção da garota.
– Como é que é? — Michael e Mary falaram, em uníssono.
Ela olhou para todos ali. Michael, Mary, Mark, Stevie, Shannon, Cory e Blake.
– Eu tive um pressentimento que o metrô ia explodir! Todos vocês morreriam! Eu vi vocês morrerem! — Ela gritou.
– Kristy, você tá bem? — Mark perguntou.
Michael observou bem a Mark e perguntou a Kristy:
– Kristy, além do suposto acidente... Quem é esse aí? — Ele apontou com a cabeça.
– Esse... Bem é o Mark. Estudou com a gente no 9º ano.
– Mark? É você? — Mary perguntou. — Não acredito! Tanto tempo que não te vejo! — Mary disse indo na direção de Mark. Os dois deram um abraço caloroso.
E Kristy viu brotar algo dentro de si. Ciúmes. Ela realmente amava Mark.
– Pois acredite, sou eu. — Ele falou.
Michael também se aproximou, sorrindo.
Mas toda aquela alegria se esvaziou rapidamente. O clima pesado ainda tomava conta do local.
...
Stevie estava desiludido por perder o curso. Sim, haveriam outros, mas esse era com um dos chefs mais renomados do país. Para Stevie, perder isso era o cúmulo.
– Calma Stevie. Você perdeu. Acabou. — Shannon falou. Não fique se lamentando.
– Era uma coisa que eu queria muito, entende? — Ele falou a Shannon.
– Não foi culpa sua. Foi culpa daquela ali. — Shannon apontou com a cabeça.
– A Kristy... Ela...
E o ódio de Stevie se inflamou.
– Isso. Desafogue tudo. — Ela disse.
E Stevie levantou-se e gritou:
– Você... Você... é uma louca!
– Idiota! — Shannon falou, dando apoio a Stevie.
– Não chama minha amiga de idiota, sua puta! — Mary gritou. — Se ela teve um ataque nervoso, a culpa não foi dela.
– Como você sabe? — Shannon perguntou, sendo irônica.
– Pelo fato que eu conheço a Kristy aqui melhor que ninguém.
– Ótimo. Então fale para sua amiguinha que por causa dela, perdemos o workshop do seu irmão! E talvez isso influa da vida de vocês, sabiam?
Ótimo. Causei confusão. — Kristy pensou, logo virando a cabeça para a linha do trem. Cory estava na linha amarela. Blake já havia passado. Aquela era a linha amarela. Ninguém poderia passar dali.
Porque se o metrô passasse por ali, a morte era quase certa.
...
– Pois é. O PJ foi... e nós ficamos. — Blake falou.
– Tudo culpa da amiga da minha irmã... — Não sou descontrolado igual o Stevie, senão...
– Seu irmão não é descontrolado. — Blake falou.
– Você não vive com ele 24 horas por dia pra saber. Aliás, tanto ele quanto a Mary acham que mandam em mim.
– Cory, vamos pensar. — Blake se virou para Cory. Na beira da linha do trem. — Sua mãe morreu. Seu pai ficou louco. Não acha que o Stevie agora é o pai, e a Mary é a mãe?
– E eu sou o bebê. Entendi muito bem.
– Na verdade... — Blake olhou para a linha do trem. É. Essa é a verdade.
– Vamos fazer o seguinte? Vamos olhar pra ver se conseguimos ver a explosão do metrô, que a Kristy falou.
Blake riu.
E Mary interrompeu a conversa entre os dois.
– Saiam daí — Mary falou brava. — Agora.
– Quero ver quem tira a gente daqui. — Cory disse, desafiando a Mary.
Blake olhava a pista do metrô, quando Kristy se lembrou de algo.
Ela lembrou se que no início da premonição que teve do metrô, uma placa se soltou do metrô e saiu voando em força incrível. Mas, logo depois, disse:
– Bom, acho que tudo isso não foi nada... — Ela falou.
– Como nada? — Michael disse — Com todo o respeito, você tira a gente do metrô porque teve uma suposta visão mentirosa e agora acha que não foi nada!
– Verdade! Eu concordo. — Stevie falou. — E, além disso, me fez...
Mary cortou a conversa gritando novamente para Cory e Blake:
– Saiam daí! Mas que droga!
Cory se virou e respondeu para ela:
– Olha, vou ser educado com você: a gente tá tentando ver a coisa que vai acontecer com o metrô segundo sua amiga! Então, fica quieta.
– Ah, Cory cala a boca e sai daí! — Ela disse. — Eu sou sua irmã, tá?
– Sério? Eu sou seu irmão, problem?
– Cory, sai daí! — Ela gritou.
– Pronto saí da linha amarela! — Cory falou. — Tá bom pra você?
– Agora chama o Blake! — Mary disse.
– Já não está querendo demais não? Tirar o meu amigo, sendo que você nem manda nele?
Nesse momento, Kristy ouviu um barulho de metal se chocando contra a parede.
– O que foi isso? — Shannon falou.
– Eu sei lá. — Stevie a completou.
– Blake, a nervosinha da minha mana quer que você saia daí! — Cory falou, não ligando para o barulho.
– Quem sabe, depois! — Blake respondeu, nem se importando com a conversa. Para ele, pouco importava.
Foi o bastante. Cory se virou e saiu da linha amarela de risco para falar com Mary, mas ela respondeu:
– Já sei, já sei! Só fala pro seu amiguinho não ficar parado aí esperando a morte chegar!
– Ah, tá bom! Tô morrendo de rir! — Cory falou.
– Essa não foi uma piada.
Kristy ouviu isso com um sinal.
De repente, uma placa metálica saiu voando na estação, passou atrás de Cory fazendo um vento e atingiu a cabeça de Blake em cheio.
A cabeça de Blake foi cortada em dois pedaços. A parte de cima deslizou e caiu nos trilhos. A placa finalmente chocou contra a parede de estação e parou.. Então a parte de baixo da cabeça e o corpo de Blake caíram na linha do metrô. Cory não viu a cena.
Todos menos Cory gritavam ou ficavam em estado de choque. Mary soltou um berro alto. Mark e Michael ficaram assustados. Shannon vomitara. Stevie ficou olhando para o que acontecera, arrepiado. E Kristy. Kristy sentiu uma péssima sensação ao ver isso. Péssima.
Cory, ingenuamente perguntou:
– Por que vocês estão assim?
Mary respondeu, vagarosamente:
– Vire para trás e olhe para a linha do metrô!
Cory viu o que acontecera. O corpo de Blake estava tombado dentro do trilho de trem. De parte de sua cabeça, saía sangue. Muito sangue. E a outra parte estava caída um pouco longe. E os olhos de Blake se destacavam. Eles olhavam fixamente para Cory. Ele gritou.
Tinha perdido seus dois melhores amigos em um dia só. Um dia só.
Foi quando Cory se revoltou mais do que todos haviam se revoltado, contra Kristy. Não aceitaria acreditar naquela filha da mãe. Ele sabia que sua relação com Kristy era maior do que ela imaginava. Muito maior.
Mas isso ele não aceitaria. Ela era a culpada, em sua mente. Então ele foi até Kristy e gritou:
– Mas que droga! Você acabou com meus amigos, minha vida, tudo pra mim! — Ele continuou. — Se você não tivesse tido essa premonição idiota nós iríamos ao metrô, e poderíamos morrer, mas estaria tudo acabado!
– Se acalme Cory! — Mary entrou na briga.
– Você é uma louca! — Cory gritou na cara de Kristy e saiu correndo pela estação. Nesta hora, algumas pessoas chegavam ali, para pegar o próximo metrô.
– Viu o que você fez! Você é uma idiota! — Stevie saiu correndo procurando Cory com Shannon junto lançando o clássico olhar de desprezo para Kristy.
As pessoas que chegavam eram totalmente desorientadas por aquilo. Mas logo descobriram o que aconteceu. O corpo de Blake estava tombado nos trilhos. Gritavam, vomitavam, desmaiavam. O estado em que o corpo de Blake ficara era horrível.
Nesta hora, o metrô chegou. O metrô que me mataria. E em um pequeno relance de cena, Kristy viu o número do trem, localizado no topo do mesmo: 180.
Um arrepio eletrizante passou por ela.
– Bom, já vou indo... — Mary disse, tentando se livrar daquela cena e também para ir atrás de Cory e Stevie. Despediu-se e ligou o celular e colocou na TV quando ela sintonizou na hora. Mary se espantou.
E voltou rapidamente, correndo, na direção de Kristy, Mark e Michael.
– Gente, olha só isso... — E ela mostrou para os três ali presentes.
– Um acidente em um metrô paralisou toda a linha metroviária. Parece que um trem explodiu no interior na linha. As causas são desconhecidas... – Mary desligou o celular e disse assustada: Será que a premonição da Kristy foi real? Será que a gente estava predestinado a morrer ali dentro?
– É... Receio que sim — Michael completou.
A tensão já estava completa ali.
– Mas, então... Enganamos a morte? — Mark falou. — Se esse acidente realmente ia acontecer, e a Kristy tirou nós antes de tudo acontecer...
– Não sei... Só sei que a morte do Blake não é nada boa pra nós. Eu estou com esse terrível pressentimento — Mary falou.
Então um vento gelado ecoou pelo local, levantando os cabelos de todos. Kristy sentiu seu coração acelerar, mais e mais. Algo trazia uma estranha eletricidade ao seu corpo. A mesma que ocorrera na hora do acidente.
– Bom, eu estou com medo... — Kristy falou. De repente a lâmpada piscou. – Acho melhor sairmos daqui. — Ela disse.
...
Assim que os quatro saíram da estação, Mark decidiu perguntar a Kristy:
– Kristy, como você soube o que ia acontecer?
– Eu não sei. Eu soube antes, realmente não sei como.
– Você sentiu alguma coisa? — Michael perguntou.
– Não. Não foi isso. Eu vi. Eu vi todos vocês morrendo, um por um. E as terríveis lembranças daquele evento voltaram lhe a cabeça. Mary sendo engolida pelas chamas. Mark sendo arremessado contra a parede. Michael explodindo em sangue ao ser atropelado pelo trem.
E ela não aguentou. Kristy desabou em lágrimas. Chorava copiosamente. Mark a abraçou e cochichou a ela;
– Tá tudo bem, Kristy. Tudo bem. Já aconteceu, agora siga em frente. Liberte-se disso.
Kristy se sentiu acalentada pelas falas do jovem. Mal reconhecera Mark,, e ele já a abraçava, acalentava.
Kristy sabia cada vez mais que Mark era o grande amor de sua vida.
Quando chegou em casa, observou que Jane estava assistindo TV. Ela se virou, percebendo a presença de Kristy e disse:
– Você viu o acidente do metrô? Foi feio pra caramba...
– É... Eu vi.
– Peraí... Mas você não ia pro shopping?
– Acabei não indo...
– O que aconteceu? — Jane perguntou desconfiada.
Kristy achou melhor não contar aquilo pra Jane afinal aquilo poderia influir muito na vida dela.
Mas chegaria uma hora que ela precisaria contar.
– É que a Mary tinha esquecido uma coisa em sua casa, então achamos melhor ir outro dia... — Kristy falou na maior cara-de-pau.
– Kristy, isso é verdade?
– Ahã! Por que duvidas?
– Sei não, sei não... Bom, mas enfim, esquece! — Jane disse.
– Eu espero... Esquecer. — Kristy disse sussurrando.
Mas no fundo, Kristy sabia que esquecer aqueles momentos terríveis seria impossível. Seus amigos engolidos por fogo, esmagados, cortados em pedaços. E para terminar, ela vê uma morte real. Sim, a morte do Blake.
Era difícil conceber a ideia de que aquele garoto já havia passado desse mundo.
Jane falou, retirando Kristy de seus pensamentos:
– Ah, tudo bem! Agora vem cá, preciso te mostrar uma coisa...
– O que é? — Ela perguntou.
– Veja! — Ela apontou para uma página aberta no Facebook, no notebook de Kristy.
– O que seria? — Ela perguntou.
– Veja Kristy, sou tão pop na net, que já tenho 180 amigos no Facebook! Mais do que você!
– Ah... — Ela disse meio desanimada. Mas algo chamou sua atenção: 180.
O mesmo número do trem que a mataria.
Algo parecia ter sido mexido em seu interior. Se em certa hora ela estava desanimada, agora ela estava mais interessada e assustada do que nunca.
Kristy tinha um pressentimento de que algo ainda faltava nessa história estranha... E quando Jane disse 180, esse número ecoou na cabeça de Kristy.
É como se ela fosse lembrar desse número mais tarde. E ele seria importante em sua vida...
...
22:00.
Mark estava deitado na cama do pequeno apartamento onde vivia. A janela estava aberta, deixando o ar entrar. O vento frio da noite entrava. Apenas um cobertor quente cobria o seu corpo.
E ela pensava no que acontecia.
Sentira alguma coisa maior desde que vira Kristy. Algo que a tocou, que não sentia há muito tempo.
Sua vida fora sofrida, sim. Mas agora parecia ter encontrado o caminho certo. Bastava apenas que Kristy concordasse
Era a única opção. Senão seria despejado.
Era também a última noite naquele lugar que servira de casa para ele. De abrigo, de consolo. A moradia sua seria destruída. E somente Kristy poderia ajudá-lo. Por quê somente ela?
Kristy era a garota dos sonhos de Mark. E ele só ficara sabendo disso naquele dia. E ela não recusaria sua proposta. Se recusasse, bem, Mark já estava pronto.
Só não quero voltar de onde vim. Isso não.
Ele se levantou meio sonolento, e fechou a janela. Olhou ao redor, e se despediu daquele lugar. Agora, se tudo desse certo, a pessoa que conhecera em apenas um dia, mas que já despertara confiança seria sua nova morada. Seu novo alicerce.
E percebeu que ela era a garota que ele amava.
De verdade.
E era Kristy Browning.
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