Premonição: O Trem da Morte
3 Maus Pressentimentos
Notas iniciais
Espero que gostem, já está revisado ^^ Logo o capítulo 4 revisado sairá!
Kristy acordou. Era dia 8 de março de 2010. Ligou o celular para olhar o dia. 03/08/10. Sentiu novamente aquela sensação estranha de que algo estava acontecendo com um número: 180, já que ao separar a data pela metade ficou assim: 030 e 810. Esse último mexendo um pouco no número daria 180. 180...
O número que provavelmente simbolizaria a morte. Como poderia aparecer repentinamente em todo lugar? Talvez isso sempre acontecera, mas apenas agora Kristy percebia o mistério que se formava em torno de sua vida.
Depois do banho e de escovar os dentes, já havia se arrumado para ir a escola. Não sabia o que iria acontecer. Estava com medo depois da morte misteriosa de Blake e do acidente de metrô.
Medo de tudo. Medo de todos.
Jane já estava tomando café. Havia acordado antes como de costume. Jane era muito esforçada e tinha 15 anos, logo cursava o 1° ano do Ensino Médio. Ao contrário da irmã, Jane tinha mais sangue-frio. Kristy sofria ao ver uma simples morte de um cachorrinho. Jane nunca fora assim.
Talvez porque ela não viu toda a sua família morrendo. - Kristy pensou.
Jane logo falou, ao ver a irmã:
– Oi, Kristy! Dormiu bem? — Ela falou com a maior naturalidade do mundo.
– Não muito...
– Não sei porque... — Jane refletiu e continuou. — Será que foi o acidente do metrô, mas você disse que nem foi nele, mas então o que...
Kristy interrompeu gritando, nervosa com toda a situação:
– Cala a boca, Jane!
Jane se espantou e ficou quieta. Ela estava assustada. A irmã sempre alegre estava triste e nervosa. Isso era muito estranho para ela.
- Desculpa Jane... — Ela disse. — É muita coisa pra minha cabeça, você não sabe nem metade do que está passando comigo.
Jane ficou mais curiosa. O que poderia estar acontecendo? Tomaram café e foram a escola, com Jane mantendo-se quieta. O que poderia acontecer agora? Kristy estava muito nervosa ou então estressada. Jane escolheu a segunda opção.
Quando chegou no portão da escola, Kristy disse a Jane:
– Jane, um tal de Cory estuda com você?
– Sim, tanto que ele é irmão da Mary e... — Jane falou, porém foi interrompida.
– Ok. A partir de hoje não acredite em nada que ele disser, tá bom?
– Tá, mas... — Jane tentou se explicar.
– Tchau, Jane. — Kristy falou secamente.
– Tchau, Kristy... — Jane falou, embora Kristy não escutara. O que está acontecendo com minha irmã? Kristy nunca foi assim. Tem algo de errado acontecendo. Proibir eu de falar justamente com o Cory? O Cory? Bom, ela não sabe, mas porque o Cory? — Jane pensava sobre isso.
Kristy foi aos armários e começou a pegar alguns livros. Mary chegou neste momento.
- Oi, Kristy. Tá tudo bem? — Mary perguntou.
- Tá, Mary. — Kristy disse, meio irônica. — Tudo perfeito. Se não fosse por ontem...
- Ontem já passou. Esquece. Estamos vivos.
- Mas aquilo nunca vai sair da minha cabeça. Ver todo mundo morrendo... Isso nunca vai.
- Mas passou. Acabou, Kristy. — Mary falou. — Agora está tudo bem. Tudo calmo.
- Só se for pra você, Mary. — Kristy disse. — Minha vida está pior do que nunca. Você sabe o que aconteceu com meus pais, meu irmão. Sabe?
- Sei, toda aquela história...
- Pois é. Isso voltou mais forte do que nunca. — Ela falou. — As lembranças voltaram. Unidas ao que aconteceu ontem, inclusive a morte do Blake.
- É. Eu sei que a morte do Blake foi forte, mas você deveria deixar a vida andar. A vida não fica parada. Algumas coisas não entendemos porque, mas acontecem.
- Tipo ontem. — Kristy disse, fechando o armário. — Vem, vamos pra sala. — Ela disse.
...
– Kristy, tá tudo bem? — Michael falou, perguntando sobre a situação dela.
- Não tá tão ruim. — Ela disse, novamente mostrando sua ironia.
- Isso é bom. Bom mesmo, você poderia estar pior.
Kristy olhou para Michael, com um olhar que transmitia todo o seu nervosismo.
- Não fala mais nada, Michael. — Kristy disse. — Eu estou duas vezes pior que vocês. E eu não quero escutar nada assim que me lembre de ontem. Eu não aguento.
– Então, eu não vou poder falar o que eu ia falar... – Michael respondeu.
- Sobre aquilo, Michael? — Mary perguntou.
- Depende do que é. — Michael falou. — Mas acho que você sabe.
- Fale, Michael. Eu sei que você não vai aguentar por muito tempo. Eu tenho certeza... — Ela falou.
- Tá. Mas depois não reclame.
- Nós entendemos perfeitamente Michael. Pode ir. – Kristy falou, não se importando com a situação. Para ela, tudo o que Michael falaria não teria a menor importância.
– Kristy, estávamos falando que seu acidente aconteceu mesmo. — Ele falou.
– Sim, e daí, eu sei disso.
– E daí, que escapamos dele graças a você! – Michael falou, apontando para ela.
– Tá, entendi, Michael. Continua.
– E daí, que tipo assim, enganamos a morte! Sabe por quê? — E Michael continuou: — Veja: Todos deveríamos ir ao metrô e seguindo a lógica, morreríamos.
Mary suspirou e falou:
- Tá bom, Michael. Nós realmente já sabemos disso. — Mary falou, cansada.
– Mas Kristy teve uma premonição que nós morreríamos no metrô. Logo ela salvou a gente.
Mary e Kristy se entreolharam e falaram em uníssono:
- Certo.
– Não acreditamos, mas o acidente aconteceu mesmo. – Michael continuou.
– Continue mais rápido. Vá direto ao ponto. — Kristy falou.
– Então obviamente a gente enganou a morte, só não sei onde a morte do Blake se inclui...
– Bom, eu acho que o Blake estava destinado a morrer no acidente. — Mary falou – Acho que não adiantaria salvá-lo.
– Mas, espere Mary... Você lembra-se de um fato? — Kristy falou.
– E qual seria? — Mary perguntou.
– O de que se você não tivesse chamado o Cory e ele não tivesse se virado na hora H ele teria morrido também e o Blake poderia ter sido salvo? Ou então o Blake poderia ter morrido com o Cory... Mas você chamou-o primeiro. Viu? Pode ser que o Blake não morresse ali.
– É... Faz sentido... — Mary falou, ponderando a cabeça.
– Mas algo maior fez você chamar o Cory. E isso fez o Blake morrer. — Kristy deduziu.
– Exato! — Michael disse. — Vocês estão entendendo onde quero chegar.
– Mas na minha premonição, todos nós morríamos. E o Blake era o primeiro de todos nós. Quer dizer, o amigo do Blake morria antes.
- O PJ? – Mary perguntou. – Nossa.
- É, esse aí mesmo. Ele morria junto do Blake no acidente. Depois um por um, todos nós estávamos mortos.
- Mas então... O PJ morreu primeiro. No acidente. Logo depois, o Blake morreu. Na ordem em que deveriam ter morrido. – Michael falou. – Resumindo, o Blake se salvou, mas morreu logo em seguida. Estranho né?
– Então, até onde eu entendi... nós enganamos a morte e ela, logo depois, mata o Blake, sendo que ele morreu primeiro. Eu vou pensar nisso. – Kristy falou.
Embora eu não queira. Eu não quero mais pensar nisso.
...
Stevie estava conversando com Shannon no celular, enquanto andava em direção a onde trabalhava. Highway Café. Era o nome daquele estabelecimento.
- É isso mesmo, Shannon. – Stevie falou. – Eu não sei mais o que faço.
- Se eu fosse você, tentava esquecer o que aconteceu ontem, Stevie. Você já está empregado e trabalhando num local que gosta. Relaxa, lindo.
- Mas aquela era a oportunidade da minha vida, entende Shannon? Se eu tivesse ido, nossa... Poderia fazer uma diferença enorme na minha vida.
- Poderia, my dear. – Shannon falou. – Poderia. Mas você perdeu, várias oportunidades vão surgir ainda. Não se preocupe, tá?
- Ah, Shannon... – Stevie novamente falou. – Eu não sei, viu? Eu não sei... – Ela falou.
- Não sabe o que? – Shannon falou. – É claro que sabe. Sabe que você ainda vai ser famoso. Você sabe muito bem.
...
13:00.
Enquanto Kristy descia as escadas do colégio, já fora do mesmo, estava pensando. Pensando em tudo o que havia acontecido. A morte de Blake não a deixava sozinha. Sempre voltava para sua mente, a hora em que viu o garoto, da sala de Jane, tendo a cabeça cortada por uma placa de metal. Ela estava com muita pena da família. Perder o filho tão cedo.
Eles não mereciam isso. Não mereciam. Ninguém nunca deveria passar por essa situação. É natural, mas...
Então Jane a tirou de seus pensamentos.
– Kristy, vamos pra casa?. Afinal, você sempre quer que eu te espere — Jane perguntou. Ela saía meia hora antes de Kristy e ficava querendo ir pra casa, mas sempre Kristy pedira que fosse com ela. Jane não sabia o porque, e achava isso uma besteira, uma bobagem.
– Pode ir, Jane, pode ir. — Kristy falou.
– Mas você sempre quer que eu te espere... — Jane disse.
– É Jane, eu sei... Mas a partir de hoje, os tempos serão diferentes... — Kristy falou para Jane que não entendeu nada, e deu de ombros.
- Se você quer assim...
Então Jane se foi e passava a rua. E Kristy permanecia olhando a irmã, andando em direção ao portão de saída, junto de Mary e Michael, que estavam conversando.
De repente, o inesperado aconteceu.
Mark esperava atrás do portão da escola e falou:
– Oi, gente! — Mark falou, inocentemente.
Mary soltou um gritinho agudo. Kristy também se assustou.
– Mark, Mark — Michael disse, balançando a cabeça. — Só você mesmo.
- Você não podia chegar um pouco mais... — Mary falou. — Ou melhor, menos de repente, menino? Eu quase tive um treco aqui, Mark!
- Desculpa, por isso, então. — Mark falou, abrindo um sorriso. Bom então, eu vim falar com vocês.
- Isso eu já percebi. — Mary falou.
- Continuando... É, bem... Kristy, eu preciso de você.
- Pra quê, Mark? — Ela perguntou.
- Então... Você poderia acolher-me em sua casa?
– Como assim, Mark? — Kristy se assustou com a pergunta.
– Bem, é uma longa história... Eu morava numa pensão, não me perguntem como cheguei lá. Não gosto de falar. Só que a pensão está com um grande risco de desabar. Então estão retirando todos os que moram lá. Eles tem de sair. Procurar outro lugar. Kristy, eu posso ir? Depois eu te explico porque não posso ir pra casa de parentes.
Kristy pensou um pouco, e falou:
- Tá bom então Mark. — Kristy falou. — Você trouxe alguma coisa?
- Tá na mala. — Mark falou, girando a cabeça em direção a uma pequena mala na sua mão. Kristy somente percebeu a mala neste momento.
Neste momento, Michael interrompeu a conversa entre eles. Ele precisava interromper, para falar no que pensara.
- Gente, eu pensei em toda aquela teoria que falamos no começo da aula. Eu acho que a morte está nos perseguindo.
– Como? — As duas garotas perguntaram.
– Esqueceram que iria pensar naquela teoria da morte do Blake, a dona morte, o acidente e da premonição, passando pelo Cory?
– E foi isso que você concluiu? — Kristy perguntou. — Foi isso mesmo?
– Exatamente. — Michael falou. — É a explicação mais plausível. Como isso tudo iria se unir? É quase impossível.
- Impossível é essa sua teoria, Michael. — Mary falou, incrédula.
- Você verá que não, Mary. — Michael a respondeu.
- Peraí, gente. Que loucura é essa? — Mark perguntou.
- Depois te falo. — Kristy o respondeu imediatamente. — É melhor você entender do começo.
- Então, amanhã, podemos nos encontrar para discutirmos esta teoria? — Michael perguntou.
- Calma, Michael. Um passo de cada vez. E se SUA teoria estiver errada? — Mary perguntou.
- É por isso que é uma teoria. Não tenho a verdade absoluta. Mas parece, na situação maluca que nos encontramos, a que mais se encaixa.
- Me surpreendo com sua inteligência, Michael... — Mary falou. ´- Bom, então, pode ser amanhã ás duas da tarde no Highway Café. Que tal? Vocês sabem onde é, né?
- Sei, aquele café na beira da autoestrada para Nova York. É perto. — Michael falou. — Pode ser. Kristy, o que acha?
- Por mim tudo bem. — Ela falou.
- Então, tá. O Stevie trabalha lá, então teremos a companhia de mais alguém. Se possível convenço o Cory, e aquela puta da Shannon a ir lá. — Mary falou.
Kristy riu baixinho diante da última frase dita por Mary. Ela é muito maluca mesmo. Mary é a amiga mais maluca que alguém pode ter. E pensar que essa mesma pessoa é super controladora em casa, por causa do Cory. Mas também o Cory tira qualquer um do sério.
– Então, tudo bem. — Mary falou. — Tchau gente. Eu vou precisar ainda pegar o ônibus pra casa. Estou sem tempo. Até mais.
- Até mais, Mary. — Michael falou, acenando.
– Tchau. — Mark falou.
– Vamos, então, gente? — Michael falou. — O tempo urge.
Mark olhou para Michael e falou:
- Urge? Michael, essa expressão é mais velha que minha vó.
- Só brincadeira, relaxa. — Michael falou.
Esses garotos... — Kristy pensava, enquanto os três iam caminhando pela rua.
Então Kristy sentiu um vento gelado bater em sua nuca. Ela se virou para trás e nada viu. Mark perguntou para ela:
- O que aconteceu, Kristy?
- Nada, Mark. Não foi nada.
Mas Kristy sentiu algo ali. Uma presença. Uma presença que não a fazia bem. Ela começava a acreditar no que Michael havia falado. Principalmente, lembrando do que ocorrera a seu irmão anos antes. E sua mãe. E sua avó.
Ela tinha um mau pressentimento que algo terrível estava a espreita dela.
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