Prelúdios Etéreos I: A Ascensão
11 Capítulo 10
Correr atrás de Gael e manter o pique não era uma tarefa fácil. O sujeito não apenas parecia, ele de fato era atlético.
Estavam um pouco afastados da cidade, correndo nas colinas floridas mais próximas. Cerca de um quilômetro abaixo, descendo as encostas, estava a entrada da cidade: um portão colossal de ouro maciço, como tudo que era importante naquela cidade. Os elyrasi pareciam ter alguma fixação por coisas grandes e douradas.
Já haviam corrido, pelas contas de Lars, cerca de doze quilômetros naquele dia. Embora não estivesse no limite, o corpo já apresentava diversos sinais de cansaço.
Indiferente à lentidão progressiva do garoto, Gael continuava a correr no mesmo ritmo de quando começara, como se tivesse disparado por apenas cem metros ou menos.
Lars não fazia ideia do porquê da disposição sobrehumana de seu tutor, mas já havia aprendido, ao longo dos anos, a não questionar algumas coisas realmente estranhas que Gael conseguia fazer.
O garoto ainda pensava bastante na conversa que tivera com Gael; era inevitável. Sendo seu maior sonho desde sempre a liberdade plena, repentinamente ele deve se submeter a uma entrada forçada numa instituição acadêmica completamente murada, onde ficaria por no mínimo três anos?
Não conseguia entender a motivação daquela decisão de Gael, se é que existia alguma. Embora duvidasse dessa possibilidade, a julgar pela lealdade e cumplicidade do seu tutor, talvez Gael apenas estivesse tentando livrar-se dele.
Tentou afastar aqueles pensamentos dali; só atrapalhariam sua corrida. Era melhor discutir aquilo quando estivessem dentro de quatro paredes.
Continuaram o exercício por mais alguns minutos, mas quando chegaram à marca de treze quilômetros percorridos, Gael parou, se escondendo na grama alta. Naqueles campos havia pasto suficiente para alimentar todo o gado do Reino por pelo menos três meses.
— O que está fazendo?
— Apenas abaixe-se! – disse Gael num tom que misturava exclamação com uma tentativa de sussurro.
Lars não obedeceu.
— Para quê? O que você está procurando? Do que está se escondendo, digo.
Gael não parecia muito paciente.
— Não vai se esconder. Certo. Então seja morto por aqueles bandidos logo à frente. – ele inclinou a cabeça em direção à uma área desmatada, onde se encontrava um homem idoso em meditação. Mantinha os olhos fechados, e a respiração, ritmada. Ao seu redor, três sujeitos mal-encarados se aproximavam sorrateiramente, entreolhando-se constantemente.
Ciente do perigo, Lars compreendeu a ordem de Gael e então o obedeceu. Agachou-se, afastando o mato do seu campo de visão para observar a cena.
— Temos que ajudá-lo. – sussurrou, esperando que Gael conseguisse ouvir. Às vezes seu tutor parecia ter problemas auditivos.
— Não acho que ele precise de ajuda. – respondeu Gael. – Observe.
Lars conseguiu, com muito esforço, controlar o impulso de disparar em direção ao círculo, bradando insultos contra os três homens que intentavam contra um pobre idoso.
O que parecia ser o líder dos bandidos estendeu a palma da mão para os outros, fazendo uma contagem regressiva com os dedos, ao mesmo tempo em que tirava um pesado gládio de sua bainha, sendo imitado em seguida pelos dois companheiros.
Enquanto os dois capangas se moviam nos flancos, o líder aproximou-se por trás, levantando o braço em que manejava a espada, com a lâmina apontando para a cabeça do idoso. Os dois deviam estar a no máximo cinquenta centímetros de distância, mas mesmo assim o velho barbado não pareceu notar o perigo que o cercava.
Quando seu punho se fechou, e a contagem acabou, o criminoso sorriu malignamente. Moveu o braço para baixo, e a ponta da lâmina, apontando para o idoso, se aproximou rapidamente.
Porém, como que para destruir a confiança cega dos ladrões, e surpreender Lars, o idoso moveu a cabeça para a direita. Poucos centímetros, mas o suficiente para desviar da lâmina que agora se projetava ao seu lado.
Observando bem, o sujeito que meditava, apesar de realmente muito idoso, não era raquítico ou calejado. Tinha ombros e braços fortes, até mesmo comparado a um adulto no auge do vigor físico.
O ladrão ficou imóvel por alguns instantes, que foram suficientes para que o senhor coçasse o queixo coberto por uma espessa barba branca, e em seguida, sem dirigir-se a ninguém em específico, pronunciasse algumas poucas palavras, que Lars não conseguiu ouvir, mas presumiu que fossem bastante impactantes, pois o malfeitor largou o cabo da espada imediatamente e disparou colina acima.
Os outros dois permaneceram imóveis, gritando alguns palavrões e insultos contra o velho, que não hesitou, e usando a espada como apoio, levantou-se, estalando os ossos dos dedos enquanto apertava um punho contra o outro.
Ele falava mesmo muito baixo, mas Lars sentiu-se agradecido por não conseguir ouvi-lo: tinha medo de qual poderia ser sua reação caso ouvisse o que o velho tinha a dizer. Pois os dois meliantes, antes cheios de si, também largaram suas armas e correram em disparada, aparentemente sem raciocinar quanto à direção em que seguiam.
Lars ouviu ruídos, e assim como Gael, notou movimentos nem um pouco naturais por entre as plantas.
Repentinamente, outros cinco homens surgiram da grama alta, dois deles a poucos metros de Lars e Gael, circundando a área desmatada onde estava o idoso. Também intentando em atacar o ancião, mas o ameaçaram apenas para ouvirem as palavras misteriosas que saíam da boca do seu alvo. Todos partiram e largaram suas armas, fugindo numa velocidade impressionante logo em seguida.
Agora sozinho no local, o velho fincou as duas espadas no chão de terra, e pôs o grande machado às costas.
Pôs-se em posição de lótus, e, com as mãos unidas abaixo do queixo, tornou a fechar os olhos e entrar em estado de meditação.
Gael virou-se para ele com um sorriso discreto, como que dizendo “eu avisei”.
— Quem… o que é ele? – Lars não podia evitar o espanto. Como poderia prever que um senhor de setenta anos ou mais derrotaria oito ladrões apenas balbuciando algumas poucas palavras?
— Ninguém sabe ao certo. Mas ouvi alguns na cidade falando dele. Um velho que passa todos os dias, sem descanso, sempre meditando. Apareceu aqui há poucos meses. Constantemente é atacado por alguns bandidos, mas os marginais sempre fogem, amedrontados com algo que o sujeito diz. O que ele diz? Ninguém está disposto a se arriscar a ouvir. A não ser, é claro, os bandidos, e eles não são nenhum grande exemplo de bom senso.
Lars ficou curioso para saber, afinal, o que era dito pelo ancião. Quase levantou-se e deu um passo à frente, mas seu bom senso o fez hesitar antes que cometesse qualquer estupidez.
— Então… – disse, tentando mudar de assunto quando retornaram à estrada, deixando o velho barbado para trás – Voltamos a correr?
— Não. Estou cansado. – Lars quase se surpreendeu, mas sabia que Gael estava mentindo. Seu tutor costumava fingir estar tão cansado quanto o aprendiz para que Lars não se sentisse limitado. – Por hora, vamos caminhar. Completar os três quilômetros que faltam.
— Três?
— Exatamente. Três. – Gael levantou três dedos da mão, como se quisesse ensinar o significado da palavra a Lars. E considerando o jeito dele, não era impossível que ele estivesse realmente tentando ensinar aquilo, ao invés de estar sendo cínico.
Gael era estranho às vezes. Em certos momentos, suas atitudes criavam dúvida: afinal, ele era mesmo humano?
— Achei que fôssemos correr quinze quilômetros hoje.
— Isso era o mínimo. Enquanto corria, calculei que tenho fôlego para dezesseis. Então agradeça por irmos caminhando.
Passaram mais uma hora caminhando, percorrendo campos tão belamente floridos que a primavera parecia ter chegado mais cedo.
Novamente, Gael parou.
Mas dessa vez permaneceu na estrada.
— O que foi agora?
— Duas figuras suspeitas se aproximam. – ele apontou para um ponto vários metros à frente. De fato, duas silhuetas andavam na direção contrária à deles, e era inevitável que os quatro se encontrassem em algum momento. Porém, com a luz forte do sol, não era possível distinguir muito bem as feições das duas pessoas. – Fique alerta. – ele falava como se Lars possuísse algum meio de conseguir escapar ou se defender, na pior das hipóteses. Os dois estavam completamente desarmados. A adaga que Gael trazia consigo, roubada da última confusão em que se intrometeram antes de chegar a Elyrasia, lhes fora tomada pela guarda da cidade logo na entrada.
Um sentimento misto de apreensão e curiosidade se apoderava de Lars à medida em que as duas pessoas ficavam mais próximas.
Quando chegaram a cinquenta metros de distância, alguns detalhes puderam ser distinguidos: os dois eram um casal, ornando sobretudos pretos de um material nobre que Lars não reconhecia, com detalhes em vermelho e prata nas extremidades. Por baixo, utilizavam camisas também pretas, com um símbolo vermelho-sangue, meio escondido pelo sobretudo, no centro.
No braço direito da mulher, à esquerda, encontrava-se um bracelete prateado. O mesmo acontecia, porém com posições inversas, com o homem alto e mascarado, de forma que os dois braceletes praticamente se tocavam.
— Se eles tentarem se comunicar, ignore. Prossiga com a caminhada.
— Você me parece ter medo deles. Não devem ser tão ameaçadores quanto aparentam; nunca são. As pessoas mais perigosas são aquelas que exalam confiança, você mesmo me disse isso.
— Garoto, por acaso você é estúpido? Não vê o símbolo que eles ostentam?
Lars tentou focar nos símbolos no uniforme da dupla.
Parecia familiar.
— É o símbolo do Império. Ou ao menos algo semelhante a isso.
— Chegou perto, garoto. O que esse símbolo represen…
A explicação de Gael foi interrompida pela voz da figura feminina, agora a vinte metros ou menos.
— Ei! Vocês dois! Poderiam nos ajudar?
Aluno e tutor se entreolharam. Eles ainda não estavam distantes o suficiente para fingir que não os ouviu, nem próximos o suficiente para simplesmente ignorá-los e passar direto.
Só restava uma opção.
— E lá vamos nós de novo. – resmungou Lars.
Gael virou-se para eles, olhando nos olhos da mulher com uma expressão amistosa de naturalidade espantosa.
— Claro. O que desejam?
A figura masculina grunhiu, e era impossível saber se por causa da máscara ou se o sujeito tinha alguma dificuldade na fala. Parecia desajustado, de alguma forma que Lars não compreendia. Mas não devia estar ali, naquelas circunstâncias, por vontade própria.
— O que eu desejo, no caso. Meu colega— ela exagerou um pouco no desprezo ao pronunciar aquela palavra – não é muito bom pensando. Imagine então desejar algo.
— Poderia dizer o que deseja, afinal? Estamos com certa pressa.
— Ah, entendo. Também estamos. Teríamos chegado ao nosso destino, se não tivéssemos perdido nosso mapa há cinco dias. E se essas malditas estradas não fossem tão confusas.
Finalmente, as duas duplas pararam. Estavam a apenas três ou quatro metros de distância, e por alguns instantes os únicos ruídos no ambiente foram o canto dos pássaros e o assovio do vento.
— Então…? – Gael começava a conotar certa impaciência em seu tom de voz.
— Oh, sim. A pergunta. Vocês sabem onde fica… – ela retirou um bilhete de dentro do sobretudo – Alleneuve? Ou algo assim. Não sei pronunciar este nome estúpido.
Lars não reconhecia aquele nome, e sabia que Gael também não era um profundo conhecedor das vilas da região. Pensou em dizer “não sabemos, desculpe”, mas Gael respondeu antes.
— Alleneuve, certo? – disse ele. A mulher confirmou com um aceno de cabeça – Fica ao… leste. – Gael apontou na direção oposta à que o sol se punha. O pôr-do-sol começava a se manifestar com seus tons de púrpura e laranja no céu, muito embora o sol não estivesse tão perto do limiar do horizonte – Siga à direita na primeira estrada bifurcada que encontrar. Quando encontrar uma feira livre, compre ou alugue um cavalo, pois a viagem será um pouco cansativa.
— Aguentamos até aqui apenas a pé. Não são algumas poucas milhas que irão nos parar. – a falante mulher, de rosto oval e nariz reto, tinha pele parda, cabelos ondulados castanhos, amarrados em um coque mas também caindo sobre seus ombros em parte. Seus olhos amendoados eram castanhos e transmitiam um sentimento perene e profundo de impaciência e desgosto. Mas também um toque de cinismo.
O outro sujeito grunhiu.
— É… você tem razão. Boa sorte na viagem.
— É. Claro. Obrigada. – disse ela – Vamos. – resmungou uma ordem para a figura desengonçada a seu lado. Era impossível tirar alguma conclusão a partir de sua aparência, pois a única parte de seu corpo que não estava coberta pelo preto ou vermelho-sangue era a cabeça, sendo a mesma envolta por uma máscara de tecido metálico, simulando um rosto humano, o que lhe dava uma aparência mórbida. Lars já ouvira falar na técnica que haviam criado, ou descoberto, que visava criar simulacros de feições humanas que se adaptavam ao formato do rosto do usuário, mas a ideia não parecia estar dando muito certo. E Lars esperava que continuasse no fracasso.
Os dois seguiram sua viagem, e apenas após algumas centenas de metros, perdendo-os de vista no horizonte, Lars ousou abrir a boca.
— Sabe onde fica Alleneuve?
— Não.
— Então por que fingiu saber?
— Melhor que eles parem no lugar errado, confiantes de que estão no caminho certo. Se eu tivesse dito que não sabia, eles esperariam outro transeunte, e perguntariam o mesmo, e assim o fariam até conseguirem a informação.
— Acho que entendi essa parte. Mas por que mentir para eles?
— Não ficou claro?
Lars ficou sem o que dizer. Ele não sabia exatamente ao que Gael se referia; tantas coisas haviam ficado claras, que era impossível ter certeza se eles falavam do mesmo.
— Não sei a que se refere.
— Lars, o que eu lhe disse sobre prestar atenção aos detalhes? Aqueles dois são criminosos!
— Criminosos? Nunca vi bandidos usando vestes imperiais.
— O que eu ia lhe dizer sobre o símbolo… aquele não é exatamente o símbolo do Império. Foi criado visando a semelhança entre as duas imagens, mas possui uma diferença. – ele fez uma pausa, esperando resposta, mas Lars apenas continuou fitando-o, curioso – Que é a substituição do sabre por uma foice. Eles são membros da Colheita.
— Ótimo, mais mistério. O que seria essa Colheita?
— É uma organização ligada diretamente aos ministros imperiais, em especial a Patrekios. Eu não costumo me preocupar muito com os infindáveis imbróglios políticos que assolam o mundo que conhecemos, mas eles são um problema.
— Você não respondeu de forma exata. O que eles fazem? – Lars não resistiu ao impulso de dar uma olhadela para trás, como que com receio das duas figuras ameaçadoras de antes estarem à espreita, espionando-os.
— Eles são os encarregados do trabalho sujo. Possuem funções variadas, mas em geral são os responsáveis por se livrar de pessoas específicas, em lugares específicos, em momentos e circunstâncias específicas. Você me entende agora, garoto?
— Acho que sim. Espero que sim. Mas, diga-me, Alleneuve não parece o nome de uma grande cidade, nem sequer de um vilarejo relevante. O que pessoas como eles fariam ali?
— Não sei, mas definitivamente eles não estão indo até lá, ou tentando, com boas intenções. Fique alerta sobre qualquer notícia de morte por lá. Ah, e também evite referir-se a eles como pessoas.
— Por que?
— Alguns deles cometeram crimes tão graves, e receberam penas tão árduas, que perderam qualquer traço de consciência ou senso de sociedade que os conecte ao resto dos cidadãos.
— Então são todos criminosos? – Lars, mais uma vez, estava detestando ser o responsável por fazer as perguntas. Odiava como Gael, por vezes, na maioria delas, parecia saber de tudo. Quando não isso, ao menos um passo à frente de seu aprendiz ele sempre estava.
— Em suma, sim. Criminosos reformados— ele reforçou o sarcasmo na palavra – que insistem em receber uma segunda chance. Então, em troca da liberdade, – e novamente – eles são designados a uma série de tarefas. Os mais eficientes tornam-se membros da Colheita, ou Cialeth, na língua dos syrel. Os que não cumprem o esperado, bem, eles morrem. Das piores maneiras imagináveis.
— Então, basicamente, acabamos de ter uma conversa amistosa com dois criminosos da pior espécie. Animador.
— Sim, da pior espécie. Um deles, de certa forma, literalmente.
— O que quer dizer?
— Não notou isso também? O jeito estranho de andar, o corpo totalmente escondido, os grunhidos e ausência de capacidade de comunicar-se… a máscara? Lars, pelos Nove, quem precisaria de uma máscara tão suspeita andando por esta região?
Não pode ser, pensou.
— Você… você está me dizendo que… – Lars tinha dificuldades em articular a frase – ficamos frente a frente com um… um a…
Antes que ele conseguisse, com dificuldade, terminar o que tinha para dizer, uma voz rouca e grave, porém também soando frágil e debilitada, se intrometeu na conversa, irrompendo de trás:
— Poderiam oferecer algumas moedas para um pobre e miserável idoso?
A frase era tão tocante que Lars quase tirou as moedas que tinha guardadas no bolso e as entregou ao indivíduo, mas quando virou-se para ver quem falara, seu sangue gelou.
Não pela figura ser muito ameaçadora, mas sim pela surpresa em vê-la. Em ouvi-la.
Gael parecia ter sofrido com a mesma reação, pois permaneceu ali, estático. Sem falar nada, o que era mais uma surpresa.
— Nenhuma moeda? Que pena. A vida para gente como você, gente como eu é difícil aqui fora, mesmo. Sem proteção.
Lars nem sequer prestou atenção à falta de nexo do que o velho dissera, pois o simples fato de estar frente a frente e ouvindo a voz do velho que passava seu tempo meditando na mesma proporção em que derrotava criminosos o deixou abismado.
— Quem… é… você? – foi o que conseguiu balbuciar.
— Eu? Não sei ao certo. Acho que esqueci meu nome agora – ele gargalhou – Mas me lembro bem de você. Você me é um velho amigo. Alguém que eu esperava há um bom tempo.
O idoso sorriu de forma confiante, e com uma expressão serena, estendeu a mão, cumprimentando Lars.
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