Prelude To Death
8 Mutação
Notas iniciais
Pessoal, me mandem MP com perguntas para a Natália, pois a próxima entrevista é com ela, ok?
*Inicio da Transmissão*
- Olá pessoal... É o Dan... Desculpem por antes, é que a Natália é meio louca mesmo e acabou roubando meu gravador.
- Louca nada!
- Louca sim, agora com licença? Enfim... Vou narrar o que aconteceu de verdade...
Joaquim Távora – PR
Terça, 21 de Outubro de 2014 10:29 A.M
Eu acordara, mas sem conseguir me mover. Eu fazia força, mas o máximo que conseguia era fazer doerem os músculos e um forte barulho de correntes. Abri meus olhos para poder ver o que estava acontecendo. Soltei um urro. Meu olho direito parecia arder em chamas. E eu não podia nem ao menos colocar a mão. Abri meu olho esquerdo que estava bom e olhei em volta. Eu estava todo acorrentado. Até mesmo meu pescoço estava envolto em correntes. Tentei gritar, mas minha voz falhava. Eu estava fraco demais. Acabei desistindo de me soltar e me conformei. Comecei a pensar. Como estava vivo? Mesmo depois de todos aqueles golpes, como? Eu não sentia nada de anormal no corpo, mas sabia que tinha algo estranho. Escutei passos vindos atrás de mim e tentei ver. Só consegui ver uma saia, dois pares de belas pernas e uma calcinha preta.
- Quem está ai? – falei num fio de voz, quase um sussurro.
- Não reconhece essas pernas? Não sabia que iria esquecer-se de mim tão rápido assim. – aquela voz, não me era estranha.
Eu estava vasculhando minhas memórias, mas não conseguia me lembrar.
- Desculpe... Não me lembro.
Ela se agachou ao meu lado e eu a reconheci. Seios grandes, tanto que ela não via seus pés há anos. Loira, olhos azuis, 1,76... Um belo corpo e um belo rosto. Era Ana Carolina, a própria e única em carne e seios. Que surpresa.
- Achei que você tinha morrido, sabe... – ela estava me fazendo um cafuné.
Sorri para ela.
- Todos acharam isso... Até mesmo eu acreditei por alguns segundos, mas aqui estou não é?
- Isso é o que importa... Você está vivo.
Olhei diretamente nos olhos dela e ela desviou o olhar, corada.
- Pode me soltar?
- Não.
- Por quê?
- O Vinicius está com a chave desse cadeado aqui... – ela bateu no cadeado que estava no centro do meu peito. Não consegui vê-lo, mas segurava todas as correntes. – E então não posso fazer nada.
Fechei os olhos me conformando.
- Achei que estava zumbificada... – ainda estava de olhos fechados.
- Eu estava presa no Colégio, dentro da cantina com vários zumbis do lado de fora...
- Eles te salvaram? – pelo jeito a Natália não iria conseguir se vingar. Eu queria ter visto sua reação.
- O Vinicius me achou... Eu escutei os tiros na praça e fiquei gritando. Foi sorte.
Concordei com a cabeça. Muita sorte. Provavelmente, se a Natália a tivesse encontrado, ela estaria morta e nem suspeitaríamos. Bom, pelo menos tínhamos mais um no grupo e era uma amiga viva. Fiquei feliz. Ela ficou um tempo ali, sentada, cutucando as correntes, enquanto eu apenas pensava, esperando. Ficamos algum tempo assim, horas eu acho, até que o Vinicius e a Natália chegaram. O Vinicius me olhava espantado.
- Cara, você está bem?
Abri meus olhos e respondi.
- Estou ótimo, pode me soltar?
Ele concordou com a cabeça e soltou. Demorou um pouco para soltar tudo, mas depois me sentei. A Natália apenas observou de pé, com as mãos na cintura e um olhar penetrante e desconfiado. Meus músculos doíam todos, sem faltar nenhum.
- Por que me acorrentaram?
A Natália ergueu sua camisa, mostrando sua barriga e um roxo enorme.
- Está vendo essa marca? VOCÊ ME FEZ ISSO, SEU DESGRAÇADO DE UMA FIGA!
Fiquei pasmo.
- Eu fiz isso? Como? – eu não acreditava em meus olhos.
- Você ainda pergunta como? – ela cerrou os punhos. – Depois de ter matado aquela maldita vaca você desmaiou. Achei que você tinha morrido e eu te arrastei até aqui! Você é muito pesado, sabia? Mas o Vinicius me ajudou no restante do caminho e quando colocamos você nos colchões, começou a se debater feito louco e me acertou um soco! – ela cruzou os braços, me olhando com raiva. – Depois disso tivemos que acorrentar você... Você ficou uma semana desacordado, gritando feito um louco e tentado se soltar... E ainda tentava morder a gente!
Pasmo? Eu estava horrorizado.
- Ah... Acho que, pedir desculpas não vai ser o bastante, não é?
A Natália sorriu.
- Um beijo e te desculpo.
Sorri.
- Só em seus sonhos... Vinicius, você desculpa?
- Claro!
- Ótimo, não falemos mais nisso.
A Natália ficou encarando o Vinicius, mas ele nem ligou. Levantei-me com dificuldade e comecei a exercitar as pernas.
- Vamos embora? – disse enquanto andava.
- Para onde? – perguntou Vinicius.
- Vamos para o Amazonas, tem um grupo de sobreviventes grande lá... Podemos passar por Santo Antonio e irmos para Jacarezinho...
- Para que Jacarezinho? É cidade um pouco grande demais, não é?
Parei e sorri, cruzando os braços.
- Base Militar... É esse meu alvo.
Ele ficou de boca aberta, mostrando que ainda estava raciocinando.
- O único problema é o meu olho... – o abri, olhando para o escuro. Eu enxerguei normalmente. – Ué... – olhei para a janela. Um forte brilho quase me cegou e meu olho novamente ardeu.
- Que foi? – a Natália ainda tentava me ignorar.
- Meu olho... No escuro ele funciona... Mas na luz... – comecei a andar para o quarto de bolas. Parecia que eu estava mais alto.
Passei na frente de um espelho. Eu estava mais alto, alias, estava totalmente diferente. Eu estava um pouco mais musculoso, com vários músculos definidos, nada abusivo. Eu estava com aproximadamente 1,90 e 113kgs de pura força. O que aconteceu? Notei meu olho. Ele formava uma cicatriz igualzinha a do Scar. Virei-me para olhar para o pessoal, mas o que aconteceu foi ainda mais estranho. Uma pequena mosca voava perto deles e minha visão simplesmente deu um zoom, fazendo com que eu a visse de perto e em câmera lenta. Eu via cada bater das suas pequenas asas. Pisquei e balancei a cabeça.
- O que está acontecendo comigo?
- Você percebeu?
Era a Natália falando comigo.
- O que?
- Você também mudou?
- Como assim mudei?
- Olhe... – ela apontou o dedo para frente e um pequeno espinho negro saiu da sua ponta e depois se esticou quase 2 metros e voltou para dentro do dedo de Natália.
- O que foi isso? – eu estava assustada.
- Não sei... Achei que viraria um zumbi por causa do leite da vaca, mas foi isso que me aconteceu...
Meditei um pouco. Eu fui contaminado pela vaca e tive algumas alterações. A Natália foi queimada pelo leite, que também é contaminado, e agora consegue fazer crescer espinhos. Mutação!
- É isso! Sofremos mutações a níveis celulares diretamente no DNA! Só pode ser essa explicação!
A Natália entendeu, mas os outros estavam confusos.
- Só pode ser isso... Mas por que somos diferentes?
- Talvez cada corpo reaja de uma maneira.
Vinicius bateu as mãos.
- Então espere. Natália virou um porco-espinho e você o super-homem... Foi isso?
A Natália lhe deu um soco no ombro e eu ri.
- Foi mais ou menos isso... Mas não acredito que tenha super-força.
- Tente. – ele estava com um brilho nos olhos.
Sorri para ele e olhei para o cadeado da porta das bolas. Quem sabe... Aproximei-me e peguei no cadeado. Respirei fundo e fiz o mínimo de força possível, fazendo o cadeado ceder na hora. Todos ficaram perplexos. Abri a porta e abri meu olho direito. Eu vi cada mínimo detalhe, como se eu estivesse enxergando no dia, mas com meu olho esquerdo era apenas um breu. Sai do quarto batendo a porta.
- Isso pode ser realmente útil... Consigo enxergar no escuro!
Os olhos do Vinicius brilhavam sem parar.
- Muito legal cara... Ah! – ele pegou uma coisa do bolso. – Peguei isso para você... Achei que seria útil. – era um tapa-olho.
Eu ri e o peguei, colocando-o.
- Agora sou um pirata, ajoelhem-se perante o rei! Raaar!
Todos riram menos a Natália. Ela encarava a Ana Carolina e eu sorri. Ela notou meu olhar e me mostrou a língua, virando-se e andando até a porta.
- Em vez de brincar, vamos até a delegacia? Precisamos de munição.
Ela tinha razão. Havíamos desperdiçado tudo. Dei de ombros e peguei a chave da Ranger com o Vinicius. Pedi para que ele ficasse com a Carol e nos esperasse. Sai com a Natália e entramos no carro. Todo o tempo ela ficou em silêncio, mas não me importei. Fiquei observando a rua, um pouco mais calma. Se não fosse pelo apocalipse zumbi, eu diria que estávamos apenas num outro dia qualquer. É quem dera fosse isso. Parei em frente à delegacia. Sua porta estava aberta. Droga, possíveis zumbis lá dentro. Pedi para a Natalia esperar no carro, mas ela não escutou. Como iria proteger ela e a mim se nem minha katana eu trouxera? Entrei, olhando em volta. Era difícil acostumar apenas com um olho, mas eu não podia fazer nada. Entrei e fui para os fundos, onde possivelmente seria o lugar onde guardariam as armas. Passamos por várias celas acesas, mas vazias. Nada. Será que todos os zumbis estavam lá na praça? Começamos a entrar mais fundo ainda e depois de descermos algumas escadas achamos uma porta com os dizeres: Armamento. Entramos, mas estava tudo escuro. Apenas por gracinha mesmo eu destampei meu olho a tempo de ver um zumbi vindo para cima de mim. Dei-lhe um soco desajeitado, pois me assustei. Ele atravessou a sala, afundando a cabeça numa estante. Com o olho direito, achei o interruptor e acendi a luz. Várias balas, muitas e várias pistolas e 12. Nove pistolas e quatro 12 ao todo. Pegamos tudo e botamos na mochila. A Natália ficou em silêncio o tempo todo. Entramos na Ranger e quando estávamos voltando ela finalmente disse:
- Eu vou mata-la.
Eu a encarei.
- Não, você não vai.
- Você não é ninguém para me dar ordens.
- Eu estou dizendo que você não vai mata-la, ou terei que cuidar de você.
- Quem é você para dizer algo? Nem é o líder, ou é? Eu não votei em ninguém!
Aquelas palavras atingiram como um soco.
- Ela esta viva e é mais importante que você.
Ela cruzou os braços e virou o rosto para o outro lado. Parecia uma criancinha birrenta. Sorri ao pensar nisso. Paramos perto do ginásio e disse para ela esperar no carro. Entrei e disse que iríamos partir imediatamente. Ajudei-os a arrumar as coisas e a colocar na Ranger. Ela não estava muito cheia, principalmente pela falta de comida. Comecei a dirigir e antes de pegarmos a estrada, assaltamos o mercado. Comecei a sair da cidade e a Natália a ficou olhando. Ela estava se libertando de algo que já queria há algum tempo. Respirei fundo e prestei atenção na estrada. Estávamos indo para nossa próxima parada. Santo Antônio da Platina, uma cidade polo comercial. Seria uma boa.
*Término de Transmissão*
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