Predestined Love
1 Sonhos
Notas iniciais
"As ruas estavam escuras, nenhum poste aceso, exceto por um que estava piscando, e era na rua que eu andava, aliás, para onde eu estava indo? Eu não conseguia parar, minhas pernas não me obedeciam. Percebi que entrei na floresta, nada se escutava além de um barulho esquisito, parecia um chiado, chuva? Não, não havia cheiro de terra molhada. As árvores? Mas nem ventava! Espera... fumaça, fogo? De repente eu via fogo em todas as partes, e não era fumaça era uma sombra. Ela sumiu! Então sinto alguém atras de mim, quando virei só consegui gritar..."
Acordei assustada com o barulho do despertador, desliguei. Mas que sonho foi esse? Tudo bem que eu tenho sempre o mesmo sonho todas as noites, mas dessa vez eu vi o rosto dele, daquela sombra humanoide que tanto me atormenta, e sinto que algo está para acontecer, só não sei se é bom ou ruim.
Eu estava quente, suada e trêmula. Levantei e fui tomar um banho gelado.
Sai do banheiro enrolada na toalha e peguei uma calça jeans skinny escura com uma blusa branca de manda comprida e capuz. Tirei a toalha e me olhei por inteiro no espelho, fazia um tempo que eu não me olhava. Baguncei meu cabelo, jogando-o para o lado, era bonito... liso na raiz com um castanho mais escuro e desce em ondulações até as pontas, obtendo um tom mais claro, que combinava com minha pele branca, e quando digo branca, quero dizer branca mesmo! Observei meus olhos, castanhos claro que, por algum motivo desconhecido por mim, quando estou muito emotiva eles ficam castanho avermelhado ou quando acordo mesmo. Meus cílios são pretos e grandes, tenho um olhar marcante, como minha mãe diz. Pus minha roupa e fiz uma maquiagem básica com um delineador preto e rímel, e um brilho nos meus lábios já rosados. Coloquei um vans vermelho e peguei minha mochila. Estou pronta!
Entrei na cozinha encontrando mamãe e Dilan na mesa me esperando.
– Bom dia -disse sem animação.
– Bom dia filha, está tudo bem?
– Sim mãe, só que...
– Sonhou de novo, não é? -perguntou Di.
– É. Vai para a escola comigo ou de carro?
– Ele ainda não voltou do conserto, vamos de ônibus.
– Ok.
Peguei uma geleia natural e fomos para o ponto. Não demorou muito o ônibus chegou. Sentei sozinha, como de costuma, já que Dilan senta sempre com a namorada. Levaria um tempo até a escola, coloquei meu capuz e os fones e encostei a cabeça no banco, fechando os olhos.
Minutos depois, sinto o ônibus parar. Olhei pela janela e vi que ainda não tínhamos chegado na escola. Vi umas crianças correndo para um carro parado em frente a uma casa, bem bonita por sinal. Logo atrás vi um homem alto, loiro, olhos escuros, estava de terno preto, bem vestido, parecia importante. Ele estava conversando com um garoto. Esse garoto... arregalei os olhos, é ele!
Sua pele bem clara, cabelo louro cinza e olhos... Não conseguia ver seus olhos, ele me parece mais alto que eu uns dez centímetros, detesto admitir, mas ele é encantador.
Ele se despediu do homem, que me parecia ser seu pai, e veio em direção ao ônibus. Quando entrou o único lugar disponível era do meu lado, me arrepiei. Ele estava de cabeça baixa vindo em direção ao local, foi quando levantou a cabeça que consegui ver seus olhos. Azuis, azuis gelo com um brilho intrigante. Ele sorriu tímido, foi quando percebi que o olhava descaradamente, mas que burra! Eu estava assustada, não sei bem o motivo, mas estava. Abaixei o olhar e olhei pela janela, tentando ao máximo não demonstrar a atração que eu sentia ali. Não no sentido de eu me sentir atraída por ele, mas uma atração entre nós dois, uma ligação. Eu estava me sentindo estranha, quente. E ele me parecia, de certa forma... frio. Foi quando senti um choque, quando, acidentalmente, nossas mãos se tocaram, e, ao mesmo tempo, nos olhamos.
– Seu olhos... -ele disse num sussurro.
Não respondi, apenas olhei pela janela tentando me acalmar, meu coração acelerara tão instantaneamente quando se acalmou. Estava conseguindo me controlar melhor, por Deus! Isso era ótimo.
Ele continuou me olhando, isso me irritou.
– O que foi? -perguntei.
– Você também é diferente. -disse com os olhos brilhando, com uma expressão de surpresa, mesmo afirmando a frase.
– Que? Do que está falando? -estávamos sussurrando, como se aquilo fosse um segredo para ambos, e era.
– Você sabe! O que você faz? -ele parecia curioso e divertido agora.
– Perdão, já nos conhecemos? -disse indignada com a insistência do garoto.
– Não, mas podemos nos conhecer! -ele sorriu. Isso foi uma cantada?
– Olha... Eu não te conheço e nem sei seu nome, então por f...
– Meu nome é... -falou me interrompendo.
– Não perguntei seu nome. -o interrompi de volta.
– E se eu quiser falar!?
– Você tem mesmo resposta para tudo né?
– Então, qual seu nome? -revirei os olhos.
– Nila! Estou descendo, vai ficar ai? -perguntou Dilan. Obrigada irmãozinho.
– Prazer Nila! -sorriu.
Revirei os olhos e desci do ônibus sendo seguida. Já havíamos chegado na escola e eu nem percebi? Mas que merda! Esse garoto me tirava a concentração.
– Vai mesmo ficar me seguindo? -perguntei, parando de andar na quando alcancei o portão da escola.
– Foi mal, mas você é como eu! Sinto isso. E eu sou novo aqui, então...
– Então pensou que eu pudesse lhe mostrar a escola? -o interrompi.
– É. -sorriu de lado e pôs a mão no bolso da calça.
– E, que história é essa de que sou como você? Explique-se!
– Toque minha mão. -pediu.
– O que? Pra quê?
– Apenas toque! -disse e estendeu a mão para que eu a pegasse.
Quando toquei, não senti apenas um toque, como antes. Foi um choque diferente. Assim que peguei sua mão nos olhamos e tive um flash do sonho que tenho todas as noites, e quando chegou na parte que ele aparecia, mudou para outro flash...
Abri os olhos, olhei para um lado e para o outro, mas o que... Foi tudo um sonho? E esse garoto nos meus sonhos de novo... Me pergunto se ele realmente existe. Eu estava suada, ofegante e... assustada. Levantei indo direto tomar banho, estava atrasada.
Coloquei uma calça jeans escura e uma blusa branca com capuz, mas, como assim? Me assustei pela minha escolha da roupa, mesmo assim não mudei. Peguei minha mochila e desci.
Chegando na sala não havia ninguém, entrei na cozinha e mamãe e Dilan estavam lá, me esperando. Por Deus! Está igualzinho no sonho.
– Bom dia -disse lentamente.
– Bom dia filha, está tudo bem? -perguntou minha mãe, tudo bem que ela me dava bom dia toda manhã, mas a pergunta quase nunca.
– Por favor! Não continuem a falar!
– Sonhou de novo, não é?
– Dilan! Não! Foi diferente, não foi o mesmo sonho! Foi... -disse rápido, parecia apavorada... mas não estava, na verdade estava confusa.
– Calma Nilly! Senta aqui! -falou Dy, preocupado. — Agora fala.
– (expliquei o sonho para eles). E agora vamos logo pegar o ônibus que estamos atrasados.
– Depois conversaremos direito sobre isso minha filha. Dilan, sente com sua irmã no ônibus hoje e fique de olho em quem fala com ela, e nela.
– Já ia fazer isso mãe. -riu fraco.
– Vamos.
Eu ainda estava um pouco atordoada com tudo, e muito confusa. Fui até a porta de cabeça baixa e pensativa, quando a abri para sair de casa levantei o olhar, então tudo ficou branco.
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