Predestined Love
5 Quebra-Cabeça
Notas iniciais
“V-você está vivo!” Eu gaguejava. Ele estava ali. Meu Danny estava vivo! “Mas como! Isso é impossível. Eu vi você... E-eu...” Não consegui terminar a frase e voltei a chorar.
“Ei, ei, ei! Eu estou aqui agora, nada mais importa! Não vou embora.” Ele segurou meu rosto entre as mãos e encostou nossa testa, roçando nossos narizes.
“Você ta aqui...” Eu repeti em voz baixa e rouca por causa do choro. Fechei os olhos e não aguentei sentir nossos lábios tão próximos, o beijei.
Como senti falta desse beijo! Desses braços me envolvendo. Mas então me veio à pergunta.
“Como você sobreviveu?” Falei separando nossos lábios.
“Jura?”
“O que?”
“Que quer falar disso agora?”
“Sim! Sim eu quero! Como você... Não tem lógica, Danny!” Ele sorriu quando o chamei assim.
“Agora não Nyny, por favor.” Ele fez bico e eu sorri mordendo seu bico. Fazendo-o iniciar um beijo, eu cedi. Não consigo resistir a ele.
“Por que só apareceu agora?” Disse o olhando.
“Porque eu não podia aparecer antes de estar preparada.”
“Mas eu ainda não estou preparada. O que os outros falam de eu estar pronta pra enfrentar tal coisa. Era você vindo, não é?” Ele olha pra baixo e nega com a cabeça.
“Não.” Ele suspira e olha de volta pra mim. “Seu pai Ny, ele está vindo.”
“Como sabe disso? E o que meu pai tem haver com isso?”
“Calma.” Pediu. “Você, a sua vida inteira, se perguntou por que seu pai nunca quis te conhecer. Nila, seu pai sempre quis te conhecer, mas você estava predestinada a ser...” Ele parou.
“A ser o que Dan? Fala!”
“Eu não posso. Você tem que descobrir sozinha! Eu vim ajudar a te treinar. E... Tem mais uma coisa.” Ele se afastou com a cabeça baixa e fez uma expressão séria, triste, de raiva, não conseguia decifrar.
“Não diga o que está pensando.” Uma lágrima escorreu involuntariamente e eu reprimi os lábios.
“Não podemos ficar juntos Nila.” Ele disse em voz alta olhando pra mim.
“Mas a lenda diz que temos que ficar juntos...” Me exaltei.
“A lenda diz que você é predestinada a um amor que...” Ele falou gritando e parou. “Que não sou eu! Não mais! Era pra ser, mas não sou.” Agora ele falou mais baixo.
“Então quem é? Hein? Quem é esse amor Daniel? Quem seria senão você? Então me explica porque eu te amo tanto!” Falei gritando e chorando ao mesmo tempo.
“Ny, acalme-se por favor!”
“Não!” Gritei. “Me diz Daniel, me fala quem é?”.
Ele relutou em dizer, seus olhos estavam marejados... Então, juntamente com um suspiro ele falou...
“Eu não posso.”
(...)
“O céu estava claro, sem nuvens, o tempo não estava nem quente nem frio, estava mais para nublado. Da varanda de minha casa dava pra ver tudo o que estava acontecendo no parque, que era ali na frente mesmo. Daqui a dois dias seria meu casamento. Eu não queria. Além de ser nova não o amava o bastante para um casamento, mas fazer o que! Não tenho escolha, minha família acha que ele 'tirou minha pureza', como mamãe falou. Sendo que ele nem havia me tocado e nossos encontros não passavam de conversas idiotas. Sam não faz nada para impedir que esse casamento ocorra, parece gostar da situação. Porém Daniel e eu tínhamos um plano, e logo colocaríamos em prática! Sorri com meu pensamento.
‘Nila, vamos! Você tem que escolher o vestido!’.”
“Nila! Nila!” Eu me sentia sendo sacodida, o sonho já havia se esvaído. “Nila! Acorda!”
“O que?” Falei sem saber o que estava acontecendo.
“Você desmaiou. Disse que estava zonza e então começou a ficar mole e caiu no sofá.” Falou Conan.
Então olhei em volta e percebi que estava na sala de casa. Então me lembrei de tudo. Depois de meu reencontro com Daniel no lago, voltei correndo pra casa aos prantos, cheguei e não encontrei ninguém na sala nem na cozinha, então subi e ninguém estava lá em cima também, quando desci encontrei Conan entrando pela porta da sala. Ele disse que todos estavam procurando por mim e que me viu chegando. Depois só lembro-me de tudo ficar branco e eu apaguei, então acordei agora.
“Ah, desculpa eu... Ainda não estou muito bem. Pode me levar pro quarto?” Perguntei ainda deitada lhe estendendo os braços fazendo-o rir.
“Ta bom bebezinha, vamos.”
Ele me pegou no colo e eu aconcheguei meu rosto em seu pescoço e sorri sentindo-o se arrepiar.
Chegando ao meu quarto ele disse que ia ligar para minha mãe que estava com Dilan para dizer que eu estava bem e já tinha chegado e estava dormindo. Depois pedi para ele ficar ali comigo, fazia tempos que eu não dormia bem e sempre que Conan dormia ao meu lado eu não sonhava nada estranho, simplesmente nem sonhava nada. Então ele concordou e deitou ao meu lado me puxando contra seu peito me fazendo encostar a cabeça ali e pôr a mão em seu abdômen. Dormimos.
(...)
Era fim de tarde, Daniel estava me levando pra casa depois do treinamento. Estava me sentindo exausta e com a cabeça cheia, pois todos me estavam me fazendo perguntas e mais perguntas sobre o que aconteceu no dia do lago e explicações e mais explicações, eu estava cansada. Até que Daniel chegou e começamos a testar meus dons sobre objetos. Consegui levitar tudo que estava no local, às pessoas, os móveis, tapetes, porta-retratos... Etc. Fiquei feliz com os elogios, e frustrada com Daniel, ele não parava de me encarar. Se não podíamos ficar juntos, pra que me torturar? Porque isso mais parecia uma tortura pra mim, olhá-lo e não poder abraçar, encarar e não poder beijar. Estava começando a sentir um vazio, e uma dor crescente a cada dia. Ainda não entendia por que não podemos ficar juntos. Kathe e Benny disseram que logo explicariam tudo, e o que exatamente dizia a lenda.
O caminho até minha casa foi silencioso. Daniel estava distante, tanto no treito, quanto agora. Pensativo demais desde a conversa no lago. E eu sabia, por um descuido seu, onde seus pensamentos estavam.
“Quando ele volta?” Perguntei, tirando-o de seus devaneios.
“Que? Quem?” Respondeu.
“Quando ele volta?” Respondi a pergunta assim que paramos em frente minha casa. Eu o fitava e ele desviava o olhar.
“Como sabe?”
“Perguntei primeiro!” Retruquei. “Diga-me logo Daniel! Quando ele volta?”
“Eu não sei.”
“Mentiroso! Você sabe, mas não quer me contar por ‘motivos superiores’.” Eu falava agora com ironia. E irritação.
“Compreenda Ny.” Ele suspirou. “Não posso falar nada.”
“Tchau Daniel.”
“Nila, não faz assim! Espera!” Ele falou e puxou meu braço, fazendo com que minhas costas bata na parede e que fiquemos numa proximidade nada ‘segura’.
“Daniel, por favor...” Minha voz falhou. Droga! “Não faz isso.”
“Desculpa-me, ta legal? Eu não escolhi que fosse assim!” Ele encostou nossas testas. “Você fez isso Nyny, por mais que não quisesse você fez.” Vi seus olhos marejarem. Mas pera ae! Eu? Eu não fiz porra nenhuma!
“O que? Eu fiz o que? Fiz a lenda mudar? É isso? Fiz com que não pudéssemos mais ficar juntos? Diga-me, Daniel! Por que eu faria isso!? Por que hein?” Eu estava visivelmente alterada, a essa altura ele estava encostado numa das pilastras da frente de minha casa e eu estava em sua frente, mais próximos do que antes. Então ele me puxou pela cintura e me beijou. Foi um beijo desesperado, mas calmo, com desejo e pressa... Indescritível.
“Daniel! Vai embora! Sai daqui! Vocês sabem que não podem seus desgraçados!” Ouvimos uma voz e logo vi que era Kathe, com toda sua sutileza, revirei os olhos.
“Vá se ferrar Katherine!” Daniel disse e eu o olhei.
“Ela tem razão, vá embora e não volte mais a fazer isso, você só está deixando tudo mais difícil pra mim.” Falei segura e com expressão fria, era tão difícil pra mim, e ele complicava tudo! Doía-me falar assim com ele... Suspirei.
“Mas que merda Nila...” Ele estava começando a se alterar, e depois começou a gritar com os olhos marejados. “E você acha que não é difícil pra mim também? Que ver a garota que você ama por séculos te matar por um descuido emocional, e eu, por ser a única exceção de todos os Outros, não fui atingido! Então depois de anos, descubro que você está predestinada para meu irmão! Que nos atormentou, e atormentou nosso amor todos esses anos! Todo esse tempo! E só você Nila, pode mudar isso, mas você é cabeça dura demais pra perceber alguma coisa! Dramática demais! Covarde demais! Acha que isso não dói em mim? Ã? Responde! Acha? Acha que eu queria te perder para ele? Acha que ele não gosta disso? Ele conseguiu Nila! Conseguiu o que sempre quis por todos esses milênios de luta por paz, e eu perdi. Eu perdi você pra aquele estúpido que só quer se aproveitar de você!” Ele chorava e gritava, e eu chorava junto com as mãos no rosto. Então agora tudo se encaixava... Como um quebra-cabeça.
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