Notas iniciais
Oioi gente, espero que gostem, não esqueçam de comentar :)

Acordo de manhã e quase que instantaneamente relembro dos acontecimentos de ontem, acidente, cirurgia, Dominic, e a preocupação me bate com toda força. Levanto da cama e vou até o banheiro, ligo o chuveiro e enquanto deixo a água esquentar escovo meus dentes e vou até o closet, pego uma saia longa preta, um cropped e rasteirinhas, coloco tudo em cima da cama e volto para o banheiro. Entro debaixo do chuveiro e nem a água quente consegue lavar minha preocupação com Dominic, preciso ir até o hospital vê-lo, e é isso que farei. Saio do banheiro enrolada na toalha e visto minha roupa, seco os cabelos e faço minha maquiagem. Estou indo até a cozinha e avisto Giovanni assistindo TV na sala:

– Florzinha, acordada a essa hora em plena segunda feira, o que aconteceu, caiu da cama?

– Não Giovanni, é só que... — Paro de falar quando escuto o apresentador do programa de fofocas que Giovanni está assistindo falar o nome de Dominic.

"Agora vamos passar ao mundo dos negócios. O bilionário Dominic Davenport, dono das Davenport Industries sofreu um acidente ontem pela manhã quando o mesmo voltava de uma reunião em Los Angeles com seu jatinho particular. Ao que tudo indica, parece que ouve uma falha em uma das turbinas e o avião caiu na água. O piloto e o co-piloto faleceram no momento da queda e o poderoso executivo encontra-se em estado grave internado na UTI do hospital New York Presbyterian. Fontes confiáveis afirmam que a operação do bilionário foi realizada pela médica italiana Rubi Mantovani herdeira do Império Mantovani como são chamadas as empresas de sua família ao redor do mundo."

– Olha florzinha, estão falando de você. — Giovanni diz todo empolgado.

– Shh, fica quieto... — Continuo escutando em estado de choque o que o repórter diz.

"Também soubemos que o estado do executivo além de grave, não é nada favorável e ao que parece pode falecer a qualquer momento, o que seria uma grande lástima, pois Dominic está no auge de sua vida e idade. Com apenas 30 anos, não tem família e muito menos herdeiros, estamos todos na torcida por esse gatíssimo bilionário."

Ao escutar essas palavras meu coração se aperta e uma lágrima escorre por minha face. Saio do meu transe corro até a porta da sala, só parando para pegar as chaves do carro, minha bolsa e os óculos de sol. Passo pela porta e entro no elevador sem nem ao menos me despedir de meu amigo. Faço tudo no automático, entro no carro e não sei quanto tempo se passa até estacionar no hospital, saio do carro e caminho até a recepção, para piorar meu dia avisto Lydia sentada atrás do balcão. Lydia é uma das recepcionistas, mas ela não trabalha aos domingos que geralmente é o único dia que venho ao hospital, exceto quando ocorrem emergências. Ela é ruiva magra e sem sal, e me odeia pois é apaixonada por Gabriel, e ele, não dá a mínima, vive jogando seu charme pra cima de mim, ele é lindo, tem um corpo de fazer qualquer uma babar, moreno de olhos castanho. Com o tempo acabamos virando bons amigos e ele parou de tentar algo a mais comigo, pois sabe que tenho uma única regra que sigo a risca, não me envolver de maneira alguma com o pessoal do trabalho, e apenas por esse motivo nunca respondi a suas investidas. Aviso-a que cuidarei pessoalmente do quadro do paciente Dominic Davenport. Lydia estranha meu interesse repentino sobre o paciente e tenta contestar minha decisão:

– Mas Dra. Mantovani a senhorita trabalha de sobreaviso e vem ao hospital somente aos domingos, além disso o Dr. Lins já está encarregado do paciente.

– Eu sei exatamente o que está escrito no meu contrato de trabalho, e também sei que posso me encarregar de um paciente ao qual quem fez a cirurgia fui eu e verificar pessoalmente se tudo ocorre bem durante sua recuperação. — Digo sem um pingo de paciência. — Chame Gabriel para mim por favor.

Ela pega o telefone e liga para ele:

– Dr. Lins, a Dra. Mantovani está aqui na recepção e pediu para ver o senhor, e devo acrescentar que ela não está muito feliz. — Ela ri de algo que Gabriel falou do outro lado e desliga.

– O Dr, Lins já está a caminho, algo mais?

– Não, obrigada.

Ando até uma cadeira e me sento, retiro os óculos de sol e os ponho na cabeça. Cinco minutos depois Gabriel aparece saindo dos corredores do UTI e me pergunto o que ele fazia lá, mas logo a resposta me vem a mente, Dominic, ele provavelmente estava o checando.

– Gabriel. — Vou até meu amigo lhe dando um abraço. — Preciso lhe pedir um favor.

– Rubi. — Diz ele retribuindo meu abraço. — Tudo para médica mais linda desse mundo. — Rio sem graça mesmo sabendo que ele está brincando. Geralmente não sou tímida assim, quando ele brinca comigo eu provoco de volta, mas hoje não.

– Ei, o que houve, está tudo bem? Você nem tentou me dar uma resposta espertinha pela provocação.

– Comigo está tudo bem. Você está muito ocupado?

– Para falar a verdade não, acabei de chegar um paciente e no momento estou livre.

– Você acabou de checar Dominic Davenport não é?

– Sim, como você sabe? — Pergunta juntando as sobrancelhas em sinal de confusão.

– Apenas um palpite. É sobre esse paciente que quero conversar com você. Já que não está ocupado, poderia vir comigo até a cantina 5 minutinhos?

– Claro.

Vamos andando em silêncio até lá, nos sentamos e peço um café e um croissant de peito de peru, Gabriel pede apenas um suco de abaxi natural.

– Então, o que você quer falar sobre Dominic?

– Primeiramente, quero saber como ele está.

– Olha Rubi, eu não vou mentir para você, o quadro dele continua grave, e não sabemos como ele está reagindo a cirurgia, continua em coma induzido. — Ouvir em voz alta de outra pessoa aquilo eu já sabia fez parecer tudo real, e aniquilou o pouquinho de esperança que ainda me restava.

Paramos de falar pois a garçonete chega com os pedidos e sai logo em seguida para atender outras mesas. Tomo um gole do meu café e dou uma mordida no croissant enquanto Gabriel beberica seu suco, logo prossigo:

– Ok. Gabriel, você sabe que fui eu quem operei ele não é?

– Sim, perfeitamente, mas porque está fazendo essas perguntas estranhas?

– Olha, sinceramente, nem eu sei direito, mas eu preciso que você me deixe responsável por ele, por favor Gabriel, eu preciso acompanhar seu quadro e sua recuperação. — Digo com o coração a ponto de explodir. E se ele não quiser me deixar encarregada? O que vou fazer com esse sentimento dentro de mim? Não posso pensar nisso — Não que eu não ache que você é incapaz de se encarregar da recuperação dele, longe de mim, você é um excelente médico, não me leve a mal, é só que... — Perco a voz pois nem eu mesma sei explicar o porque de precisar que ele me deixe acompanhar o paciente.

– É só que... — Diz ele esperando que eu continue a frase.

– Eu não sei porque Gabriel, eu só preciso disso, você pode fazer isso por mim? Por favor.

– Rubi, eu não sei, você nunca fez isso e de uma hora para outra quer cuidar pessoalmente de um paciente que nem conhece...ou conhece?

– Não, eu não o conheço, mas por favor, estou lhe implorando.

– Tudo bem, eu vou lhe deixar responsável por ele, mas quando você descobrir o porque de estar fazendo isso, eu quero ser o primeiro a saber.

– Muito obrigada Gabe, você é o melhor. Com certeza você será, fico lhe devendo uma.

– Outra coisa Rubi, você só vem ao hospital aos domingos e nos outros dias está de sobreaviso não é?

– Isso mesmo.

– E você virá ao hospital todos os dias apenas por um paciente que poderia estar sendo muito bem observado por mim?

– Sim. — Respondo só isso não querendo me aprofundar no assunto.

– Ok...

Nos levantamos, o abraço de novo e nos despedimos. Visto meu jaleco e praticamente corro pelos corredores do hospital até o quarto de Dominic. Paro na porta com um medo infundado de entrar, respiro fundo e abro.

Quando ponho meus olhos nele meu coração acelera. Checo seus sinais vitais. Sei que Gabriel já fez isso, mas preciso confirmar eu mesma, para minha infelicidade, ele estava certo, não há sinais de melhora no seu quadro, continua em coma induzido e respirando por aparelhos. Vou até o outro lado do quarto, pego uma cadeira e arrasto-a para perto da cama, sento-me e pego uma de suas mãos. A eletricidade que sinto perto dele está cada vez maior, esse pequeno ato que é segurar sua mão me dá borboletas no estômago. Sei que não deveria estar fazendo isso, afinal, nem o conheço para ter tal intimidade, mas sinto que ele precisa disso, ou talvez essa seja a desculpa que meu subconsciente arrumou para tocá-lo sem motivo, sem culpa e para fazer o que na verdade quem necessita sou eu, ficar perto dele...De repente ouço o aparelho que mede seus batimentos cardíacos começar a acelerar, me desespero e solto sua mão para fazer alguma coisa, mas quando solto seus batimentos voltam ao normal. Uma lágrima escorre minha face ao notar que seu coração também acelera ao meu toque, sento-me de novo e agora contenho-me e não seguro sua mão. Não sei porque, mas sinto uma enorme vontade de conversar com Dominic. Alguns médico dizem que pacientes em coma conseguem escutar, e que conversar com eles até mesmo ajuda em sua recuperação. Nunca acreditei nisso, mas nesse momento desejo fervorosamente que seja verdade. Com esse pontinho de esperança de que conversar irá de alguma maneira ajudá-lo, começo a falar:

– Oi, eu sei que não me conhece, mas meu nome é Rubi e eu sou a médica que operou você. — Dou um sorrisinho fraco e prossigo. — Não sei porque, mas tenho essa necessidade avassaladora de ficar perto, de cuidar de você...Se estiver ouvindo, por favor, não me ache louca ou psicopata, na verdade não tenho o direito de lhe pedir tal coisa, até por que eu mesma estou começando a achar que sou ambas as coisas. Bom quero apenas que saiba que estou torcendo mais que tudo no mundo para sua recuperação e que se depender de mim você sairá daqui em breve.

Continuo falando e falando enquanto tenho esperanças de que Dominic esteja ouvindo cada palavra que estou dizendo. Conto-lhe sobre minha infância na Itália e como meus pais me obrigaram a fazer aulas de Francês e Alemão:

– Eu detestava tanto que um dia coloquei um ovo meio quebrado na cadeira de cada professor e quando eles sentaram...BOOM — Rio sem parar relembrando a única travessura que provavelmente fizera na vida enquanto criança. — Mas é claro que depois disso fiquei de castigo dois longos meses.

Digo-lhe também sobre como meus pais são super protetores e como amo morar com Giovanni e queríamos comprar um filhotinho de cachorro:

– Eu e Giovanni viemos morar em Nova York quando fizemos 18 anos, meus pais e os dele compraram-nos um apartamento enorme no Upper East Side. Nós dissemos a eles que não havia necessidade de tamanho luxo se quase não pararíamos em casa, mas eles insistiram, e tudo bem, nós não reclamamos por muito tempo, vivemos lá até hoje, mas agora nós pagamos nossas contas logicamente. Sempre quisemos ter um cachorro, quer dizer, eu e Gi, mas não conseguimos escolher a raça. — Digo relembrando a discussão que tivemos frequentemente ao longo dos anos sobre sempre mudarmos a raça que queríamos e nunca escolhermos nenhuma no final. — Chega a ser hilário o quanto somos indecisos, 9 anos para decidir qual cachorrinho comprar e ainda não conseguimos nos decidir, inacreditável não é? — Rio como se estivesse conversando com um amigo e fazendo perguntas como se ele fosse me responder. No fundo acho que estou lhe contando tudo isso sobre mim, me abrindo sobre minha vida como nunca faria para alguém estranho, porque acho que ele não está realmente me escutando, e isso me entristece um pouco, mas mesmo com esse pensamento continuo falando.

Conto sobre minhas aulas de pole dance e divago sobe minha última viagem à Roma com Giovanni. Quando olho meu relógio sobressalto-me ao descobrir que já são meio dia, como o tempo passou tão rápido? Cheguei ao hospital ainda não eram nem 10:00 direito. Preciso ir embora, mas antes tenho que ministrar sua medicação. Pego o remédio e aplico em seu soro, checo novamente seu sinais vitais e preparo-me para ir embora, mas antes me despeço:

– Bom Dominic, preciso ir embora, mas virei todos os dias lhe ver até que esteja melhor.

Saio do quarto fecho a porta e procuro Vanessa, uma enfermeira e amiga minha de total confiança, peço-lhe que ministre os medicamentos do paciente Dominic Davenport que encontra-se na UTI:

– O executivo lindo Rubi? — Dou uma leve risadinha e assinto.

– Sim Vanessa, ele mesmo.

– Pode deixar Rubi, cuidarei pessoalmente disso quando você não estiver.

– Obrigada minha amiga. — Digo abraçando-a.

Me despeço e caminho para a saída do hospital. Quando estou passando pela porta, um senhor de aproximadamente 40 anos me para, olho bem seu rosto e recordo-me de tê-lo visto ontem. Minha mente dá um estalo e lembro que o homem é Matthew, o guarda-costas de Dominic.

– Olá Dra. Mantovani.

– Hmm...Olá, Matthew não é isso?

– Isso mesmo doutora.

– Por favor, pode me chamar de Rubi. — Digo, mas ele diz que prefere Dra. Mantovani ou senhorita, não me sinto confortável com tamanha formalidade, mas tudo bem.

– Mas então Matthew, o que lhe traz aqui com com certeza é o Sr. Davenport. — Fiquei uma hora e meia falando com Dominic que até esqueci que deveria tratá-lo como Sr. Davenport, agora soa tão estranho. — Venha, vamos nos sentar. — Peço e ando com ele em meu encalço até as cadeiras da sala de espera.

– Então doutora, como está o Sr. Davenport? — Pergunta ele com os cotovelos apoiados no joelho e segurando o rosto com as mãos com uma feição preocupada.

– Olha Matthew, eu e minha equipe fizemos o possível para que tudo ocorresse bem durante a cirurgia, e foi um sucesso, tudo ocorreu perfeitamente bem. Mas o que me preocupa no momento é sua recuperação, ele continua respirando por aparelhos e não houveram sinais de melhora em seu quadro, mas não podemos dizer ainda o que ocorrerá daqui para frente. Ainda temos aproximadamente 34 horas para sabermos como ele reagirá e tentarmos tirar os aparelhos de respiração para ver se o Sr. Davenport conseguirá respirar sem eles. — Dito isso, peço-lhe para não se preocupar por enquanto aproveito também para lhe dizer que acabei de ministrar a medicação e que sou eu quem ficarei encarregada do paciente.

– Obrigada doutora, por tudo que está fazendo por ele, posso lhe pedir um favor?

– Claro, se eu puder ajudá-la eu irei.

– Será que eu poderia visitá-lo?

– Érr... Olha, pelas normas do hospital não poderia, mas visto que você é o único que está aqui para vê-lo, eu abrirei uma exceção, mas poderá ficar apenas 15 minutos tudo bem?

– Claro, muito obrigado.

– Levarei-o até o quarto e vou tomar um café para dar-lhes mais privacidade.

Quinze minutos e um café depois vou até o quarto dou duas batidas na porta e entro sem esperar resposta e me comovo com a cena a minha frente. Matthew está sentado no mesmo local em que estive trinta minutos atrás, mas está segurando a mão de Dominic enquanto sua cabeça está apoiada em suas mão entrelaçadas e seus cotovelos apoiados no joelho. Mas o que realmente me choca é constatar que os batimentos cardíacos de Dominic estão normais, olho novamente para suas mãos e vejo que estão mesmo entrelaçadas, talvez seja coisa da minha cabeça e provavelmente é, que seu coração tenha acelerado ao meu toque, não é possível, estou realmente ficando louca.

Acho que Matthew não tinha me ouvido bater na porta sobressaltou-se ao ver que eu estava no quarto assistindo a cena, levantou a cabeça e puder perceber que ele estava chorando.

– Hmm...Matthew, desculpe-me, não queria lhe assustar nem atrapalhar, mas é hora de ir, me desculpe. — Logo que começo a falar o bip da máquina acelera indicando que seus batimentos cardíacos estão acelerados, e com isso um sorrisinho bobo brota em meu rosto pois agora tenho a certeza de que Dominic está escutando tudo a sua volta. Matthew assustasse com o barulho mas logo acalmo-o.

– Pode ficar calmo, está tudo bem, não precisa se assustar.

– Que susto. — Diz colocando uma mão sobre o coração

– Ele é muito importante para você não é mesmo? — Pergunto querendo saber qual é a verdadeira relação de Matthew para com Dominic.

– Sim doutora, ele é a coisa mais perto de uma família que tenho.

– Ao que me parece, você também é a coisa mais próxima de uma família que ele tem. Estou certa?

– Sim...

– Venha, vamos conversar melhor no corredor.

Saímos do quarto e andamos pelo enorme corredor branco com enfermeiras andando de um lado para o outro.

– Matthew notei que você estava conversando com ele. — Digo com o braço cruzado abaixo dos seios e andando ao seu lado com a cabeça baixa. — Se eu fosse você eu continuaria a fazer isso.

– Porque? A senhorita acha que ajuda na recuperação?

– Hmm, sim, existem estudos que dizem que sim, não existem provas concretas mas muitos pacientes em coma depois de meses ou até mesmo anos acordaram e disseram ter ouvido tudo que lhe falaram durante o período do coma, e não custa nada tentar não é mesmo?

– Sim, virei todos os dias conversar com ele.

– Ok, outro assunto que tenho de tratar com você é sobre a papelada, preciso que preencha todos os dados dele, tudo o que sabemos é seu nome por ser uma personalidade pública. Preciso que vá até a recepção e preencha isso para mim o mais rápido possível tudo bem? — Pergunto de maneira sutil.

– Claro. Estou indo agora mesmo, fiquei tão abalado com a notícia que nem pensei sobre isso. Obrigada novamente por tudo.

Levo-o até a recepção e saio do hospital, entro no carro e sigo para casa. Abro a porta e encontro Giovanni do mesmo jeito em que o deixei três horas atrás, jogado no sofá de cueca box assistindo TV.

– Apareceu a Margarida. Onde você estava?

– No hospital. — Respondo apenas.

– Porque?

– Fui visitar o paciente que operei ontem.

– Ta, mas a pergunta continua, porque?

– Porque me preocupo com meus pacientes e queria saber a evolução de seu quadro. Por que estão todos me fazendo perguntas desse tipo como se e fosse uma megera sem coração e não ligasse para meus pacientes? Que inferno. — Falo já irritada e elevando um pouco meu tom de voz.

– Florzinha você sabe que não foi isso que eu quis dizer. Sei que se preocupa muito com seus pacientes, mas é só que não é comum que você vá até lá checá-los, normalmente você apenas liga e pergunta como anda a evolução deles. Não me leve a mal flor, eu sei melhor do que ninguém que você tem um coração enorme, mas esse não é o seu habitual.

Bufo e me jogo no sofá macio azul marinho, pego uma das almofadas estampadas douradas e explico tudo a Giovanni, desde quando vi Dominic na sala de cirurgia e o que senti até o momento que conversei e toquei-o, contei também sobre quando seu coração acelerou ao meu toque e minha voz. Gi ouviu atentamente cada palavra proferida por mim, quando acabei ele simplesmente ficou estático olhando para o nada. Giovanni é psiquiatra e quero saber se realmente estou maluca, preciso saber sua opinião.

– E ai, não vai falar nada? — Pergunto já nervosa esperando que ele comente alguma coisa, mesmo que seja para dizer que estou louca.

– Shh...estou pensando.

– Ok... — Espero mais 3 minutos batendo o pé nervosamente no chão e quando começo a me levantar para ir para o quarto e desistir de uma opinião sua ele começa a falar.

– Ta legal, você quer uma opinião de amigo ou de profissional?

– Ambos. — Respondo sem pestanejar.

– Quer começar por qual?

– Amigo.

– Ok, como amigo eu acho que você está fascinada pela beleza do cara e acha que está atraída por ele, você não disse que ele é o homem mais bonito que já vira na vida?

– Sim.

– Ai. -Diz fazendo cara de dor e levando a mão ao peito. — Dói ouvir uma coisa dessas, achei que eu era o cara mais bonito que já tinha visto na vida.

Rio de seu superego, pego a almofada que estava em meu colo e jogo em sua cabeça.

– Não basta ferir meus sentimentos tem que ferir meu lindo rosto também?

Rio ainda mais, mas logo volto a focar no assunto.

– Ok, agora prossiga, você estava dizendo que eu posso estar apenas fascinada pela beleza dele? Como tesão reprimido?

– Sim, mais ou menos como isso.

– Ta, mas isso é doentio, o cara está em coma.

– Sim, e é ai que entra a explicação profissional.

– Ok, explique-me.

– Seu subconsciente acha que você está meio apaixonada por ele e...

– Opa, pera ai, eu não disse que estava apaixonada por ele.

– Ta, mas eu estou dizendo, agora continuando. Seu subconsciente acha que você está meio apaixonada por ele, não apenas por sua beleza física, mas porque você salvou sua vida e parece, para você, que com esse ato, agora vocês tem algum tipo de ligação única. O que faz com que seu cérebro ache que você está o afetando tanto quanto acha que ele está lhe afetando, que as mesmas coisas que está sentindo ele também está. E por esse motivo vem ouvindo os bips do coração dele acelerando ao seu toque ou ao ouvir sua voz.

– Tudo bem, então você está mesmo dizendo que estou ficando louca?

– Eu não disse isso, disse que seu cérebro e seu coração estão lhe pregando peças.

– Ok, tudo isso faria muito sentido se Matthew também não estivesse lá e tivesse ouvido o barulho que a maquina fez quando seus batimentos aceleraram, como você explica isso?

– Florzinha, é um paciente que acabou de sair de uma cirurgia delicada, e está instável, essas coisas podem acontecer, pode ser seu corpo respondendo a medicação linda.

Paro e penso um pouco em tudo que Giovanni me falou chegando a conclusão de que ele está completamente certo, como amigo e também como especialista. Chego mais perto dele abraçando-o.

– Você está completamente certo, obrigada meu amigo.

– Se quer um conselho flor, fique longe desse paciente, ele está afetando seu cérebro.

– Eu ficaria Gi. — Minto descaradamente sabendo o quão difícil seria ficar longe dele mesmo com toda a explicação que Giovanni me deu. — Prometi a Gabriel que ele agora seria de minha total responsabilidade.

– Ok, então só tente não passar muito tempo conversando com ele.

– Pode deixar. Mudando de assunto.

– Pode falar.

– Você por acaso já almoçou?

– Estava ansioso por essa pergunta, gata você sabe que meus dons culinários assemelham-se ao seu gosto por matemática, não existem, nem você nem a Sra. Jones estavam aqui para cozinhar, então florzinha, estou morrendo de fome.

– O que acha de almoçarmos no Café Boulud?

– Achei que o pedido nunca viria. — Diz Giovanni já se levantando e correndo para seu quarto para se arrumar. Juro que as vezes acho que ele tem 10 anos.

– Se você se atrasar irei sem você. — Grito e ele responde que estará aqui em baixo em vinte minutos.

Meia hora depois um Giovanni com os cabelos molhados e descabelado aparece a minha frente, sabia que ele se atrasaria então fiquei na sala mesmo vendo TV.

– Cheguei, cheguei. — Diz ele ofegante após descer as escadas com tamanha pressa.

– Está atrasado. — Digo apenas e desligo a TV.

– Ok, eu sei, mas em minha defesa tenho que dizer que simplesmente não conseguia achar nenhuma roupa para vestir. Para me redimir, vamos no meu carro, eu dirijo.

– Ai sim, vi vantagem, vamos.

Saio pegando a chave do Volvo v40 Cross Country marrom de Giovanni e atravesso a porta deixando a chave na fechadura para que ele possa fechar, entramos no elevador e em segundos estamos na garagem entrando em seu carro.Seguimos para o Café Boulud e entramos no estabelecimento em menos de 30 minutos. O restaurante é chique porém acolhedor, as paredes em tons pastéis, algumas delas, com pequenos quadros ilustrando lindas paisagens de diversas partes do mundo, as mesas cobertas com um tecido branco macio e as cadeiras com estofados de couro vermelho, o que deixa o lugar ainda mais acolhedor e familiar além do fato de eu e meu melhor amigo o frequentarmos com bastante frequência, e o fato de conhecermos todos os funcionários do lugar, é a iluminação fraca que deixa o local com certa intimidade, deixando praticamente só a luz das enormes janelas de vidro passarem. Há também a parte mais moderna do restaurante, onde uma das paredes foi transformadas em uma janela que vai do chão ao teto permitindo que o ambiente seja bem iluminado, as mesas são divididas por pequenas paredes, cada qual com um enorme quadro com artistas memoráveis, como Michael Jackson, Marilyn Monroe, Elvis Presley...

Jack, o maître nos cumprimenta com um sorriso de orelha a orelha.

– Como vão minhas crianças? — Não importa quantos anos tenhamos, Jack continua a nos chamar de crianças de um jeito meio bobo e carinhoso.

– Olá Jack, estamos ótimos. — Responde Giovanni rapidamente.

Vou até ele e dou-lhe um abraço bem apertado, Jack é um senhor de 57 anos que desde o primeiro momento que passamos pelas portas do café nos acolheu como seus próprios filhos, depois disso desenvolvemos um carinho enorme por ele e ele por nós.

– Olá Jackzito, como vai Dona Madalena e as crianças? — Pergunto por sua esposa, apesar da idade, tem dois filhos, uma menina, Milena e um menino, Diego de 16 e 14 anos respectivamente.

– Estão ótimos, todos com saúdes e as crianças com ótimas notas na escola. — Diz com orgulho dos filhos.

– Que bom Jack, fico feliz. — Digo-lhe com sinceridade. — Jack, por um acaso você teria uma mesa vaga para nós? — Pergunto-lhe com olhos de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança pois sei muito bem que a esse horário o restaurante costuma ficar lotado e sem nenhuma mesa disponível por conta do horário de almoço.

– Olha meu docinho, estamos lotados — Jack diz desanimado mas logo um sorriso surge em seus lábios. — Mas...Para meus meninos sempre há uma mesa disponível, venham, vou levá-los até seus lugares.

– Obrigada Jack. — Chego perto lhe dou um beijo na bochecha, ele cora, eu rio e Giovanni me acompanha.

Jack nos leva até nossa mesa que fica em frente a uma das janelas, nos sentamos e pedimos o de sempre.

– Boa tarde. Bem-Vindos ao Café Boulud, em que posso ajudá-los? — Pergunta a garçonete que não parou de olhar para o bloquinho em suas mãos.

– Joana. — Chamo fazendo-a olhar para nós.

– Oh meu deus. Olá Rubi, Olá Gi, não tinha notado que eram vocês. — Dá uma risadinha sem graça e prossegue. — O que irão pedir hoje?

– O mesmo de sempre Jo. — Giovanni responde. — Para mim salmão com molho de alcaparras e batatas e Rubi irá querer Filé Mignon com molho de ervas finas e salada caesar não é isso florzinha? — Pergunta confirmando a escolha do prato.

– Isso mesmo. E Jo, nos traga uma garrafa de "1999 Bollinger La Grande Annee Brut" por favor.

– Apenas isso queridos?

– Sim Jo, apenas isso, obrigada.

Conversamos amenidades enquanto bebericávamos o champagne e esperávamos a comida chegar.

– Vai ao hospital amanhã?

– Sim.

– Ver Dominic?

– Sim... — Respondo novamente.

A comida chega e o assunto é encerrado. Tudo está divino como sempre, falamos um pouco mais sobre futilidades até tocarmos em um assunto no qual queria conversar seriamente com Giovanni:

– Então, você e Mia hein...

– Pois é... — Largo os talheres e o encaro nos olhos. — Giovanni você sempre teve um sexto sentido para piranhas que só querem seu dinheiro, será que você não enxerga o quanto Mia é falsa?

– Eu sei, eu percebi isso, é só que...

– É só que o que? Porque ainda está com ela, ou melhor, porque passou tanto tempo com ela? Você nunca se apega a ninguém, e eu não entendo o por que. — Meu tom de voz diminuí gradativamente ao questionar coisas que talvez possam ser delicadas.

– É só que ela parece gostar de mim, mesmo que seja falsa com todos ao redor, comigo ela é diferente, e eu gosto dela, sei que tem muitas coisas erradas em sua personalidade, mas não consigo evitar gostar dela, não estou dizendo que a amo, mas que gosto dela. Mia vira outra pessoa quando estamos sozinhos, fica meiga, doce e sem todo aquela futilidade que aparenta na frente dos outros. Acho que ela tem algo muito profundo á esconder e essa coisa á machucou muito um dia, sendo assim ela se esconde atrás dessa fachada toda. Sobre nunca ter me relacionado por muito tempo com ninguém. — Dá de ombros. — Nunca apareceu a pessoa certa.

Encaro-o por algum tempo para saber se o que está falando é verdade e concluo que está sendo sincero.

– Você analisou-a como profissional não foi? — Pergunto e arqueio uma das sobrancelhas.

– Talvez... — Diz e suas bochechas coram com vergonha.

– Ok, vamos esquecer esse assunto, terminar de comer e que tal depois irmos as compras, você disse que estava sem roupas mais cedo não disse? — Sugiro para acabar com a tensão presente no ar.

Terminamos a refeição e pagamos a conta, Giovanni seguiu direto para a 5th Avenue e passamos a tarde toda fazendo compras e mais compras. Chegamos em casa 20:00 mortos de cansaço e com montanhas de sacolas, caímos os dois exaustos um em cada sofá enquanto nossas aquisições se espalhavam pelo chão da sala.

– Não acredito que compramos tanta coisa. — Digo incrédula observando a quantidade de sacolas ao nosso redor.

– Eu acredito, e estou realmente muito feliz. — Giovanni está com os olhos fechados e um ar de satisfação no rosto.

– Meu Deus, não acredito no quanto você é consumista.

Levanto do sofá, pego minhas bolsas e sigo rumo ao meu quarto, abro a porta do closet e ponho tudo lá dentro. Tomo um banho demorado de banheira e penso em uma coisa que havia conseguido esquecer o dia inteiro: Dominic.

Solto o ar que nem sabia que estava prendendo, saio da banheira e me enrolo em uma toalha, coloco uma camisola de seda e uma calcinha fio dental Victoria's Secret, escovo os dentes e depois só me lembro de colocar o despertador para ás 09:00 e cair a cama como uma pedra, não recordo-me nem mesmo de ter jantado.

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Um mês houvera se passado desde que Dominic havia sido operado e havia melhorado consideravelmente, os ferimentos já eram quase invisíveis, os lindos cabelos cor de mel que tivera que raspar para a cirurgia estão crescendo novamente e por último e não menos importante, já consegue respirar sem os aparelhos faz um tempo e seu quadro é estável, a única coisa preocupante é o coma em que se encontra, ele ainda não acordou, e a cada dia que passa isso torna-se mais desesperador, mas ainda temos esperanças. Ninguém nunca aparecera aqui dentro desse tempo para visitá-lo além de mim e Matthew. Hoje homens estranhos vieram a sua procura no hospital, nesse tempo em que ele esteve operado acabei criando uma grande amizade com Matthew já que o via todos os dias e conversávamos bastante, ele me contou algumas coisas sobre Dominic que me deixaram admirada, como por exemplo ele saltar de paraquedas e fazer aulas de tiro, achava tudo muito fascinante, certa vez disse-me que eu sou o tipo de mulher que poderia salvar Dominic de si mesmo, não entendi o comentário e ele não quis explicar, deixei passar mas minhas bochechas ficaram vermelhas.

Tinha acabado de sair do quarto de Dominic e estava com um sorriso de orelha a orelha pois tinha lhe contado algumas coisas engraçadas sobre mim e Giovanni, mas meu sorriso morreu assim que reparei na estranha movimentação na recepção, me aproximei e consegui ouvir o que os três homens diziam á Lydia:

– Precisamos ver o paciente Dominic Davenport. — Dizia um deles com a voz nada amigável.

– Senhores, a lista de pessoas autorizadas a visitação deste paciente é muito restrita e os senhores não constam na lista, desculpem-me. — Lydia parecia nervosa perante aos três homens mal encarados.

– Querida, acho que você não nos ouviu, nós iremos vê-lo, não importa se estamos na lista ou não. — Disse o outro homem chegando bem perto dela.

Liguei imediatamente para Matthew avisando-o o que estava acontecendo.

– Rubi, escute-me, fique longe destes caras e chame a segurança do hospital, eles provavelmente estão armados, não permita de modo algum que cheguem perto de Dominic. — Matthew diz e parece nervoso e eu fico dez vezes mais do que ele aparenta ao ouvir a palavra armados.

– Ar-ar-mama-dos?

– Sim, Rubi mantenha a calma, já estou chegando, faça o que lhe mandei fazer, agora.

– Ok.

Respiro fundo e faço exatamente o contrário ao que Matthew me disse, chego perto da mesa de Lydia e aparentando uma calma que não estou sentindo pergunto:

– Algum problema por aqui? — Arqueio as sobrancelhas e cruzo os braços.

– Dra. Mantovani, estou tentando dizer aos cavalheiros que o paciente Dominic Davenport só pode ser visitado por aqueles que constam na lista de pessoas autorizadas, e os senhores não estão na lista, mas fazem questão de vê-lo.

Olho para Lidya que pela primeira vez fala comigo sem nenhum vestígio de seu tom de voz arrogante e olhar debochado, ela está realmente com medo, desvio meu olhar dela e redireciono-o para os três homens a minha frente lançando lhes olhares assassinos.

– Qual parte do que ela disse os cavalheiros não compreenderam?

Os três olham me como se quisessem me matar, mas nada dizem e eu continuo falando:

– Por favor, peço lhes que deixem o estabelecimento por bem ou serei obrigada à chamar a segurança.

– Nós vamos voltar, doutora, nos aguarde, e quando acontecer, não seremos tão simpáticos. — Diz olhando nos meus olhos com tom de deboche ao pronunciar a palavra doutora.

– Isso foi uma ameaça? Posso processá-lo por isso, ainda bem que temos uma câmera com excelente áudio ali. — Aponto para câmera que está capturando toda a cena.

Os três redirecionam-me um último olhar como se estivessem memorizando-me e se viram para ir embora, mas antes tenho o vislumbre de uma arma na cintura de um deles e um calafrio percorre meu corpo, mas passa rapidamente assim que vejo Lidya estática ao meu lado.

– Lidya, você está bem?

– Sim, Não, Eu não sei Rubi. — É a primeira vez que a ouço dizer meu nome.

– Venha, vamos pegar um calmante para você.

Passo por um dos seguranças e peço-lhe para ficar de olho na recepção um minutinho e aviso também sobre em hipótese alguma deixarem os três homens que fiz uma rápida descrição passarem. Pego um comprimido, um copo de água e lhe entrego. Assim que bebe nos sentamos e peço que me conte o que aconteceu antes de minha chegada.

– Os três chegaram de óculos escuros e roupas pretas, achei estranho mas nada falei, eles começaram a me fazer perguntas, como quem estava cuidando do paciente, qual era seu quarto, se alguém vinha visitá-lo com frequência, não respondi nenhuma das perguntas explicando-lhe que as regras do hospital garantia a privacidade de nossos pacientes. — Diz ela narrando o que ocorreu, agora um pouco menos nervosa. — Pouco antes de você chegar tentei chamar a segurança pois estava com muito medo, um deles viu minha mão indo de encontro ao telefone e levantou a jaqueta mostrando-me a arma que trazia consigo, foi horrível. — Agora ela tremia e chorava incontrolavelmente.

– E mesmo assim você não lhes deixou passar? — Pergunto-lhe incrédula por tal atitude vindo dela.

– Sim, Rubi sei que as vezes parece que não tenho coração, mas faço esse trabalho por que amo ver pessoas saindo daqui bem, felizes e curadas, estou cursando medicina e a recepção é só um estágio, gosto mesmo de cuidar das pessoas, nunca deixaria que ferissem um de nossos pacientes. — Fico impressionada com suas palavras e abraço-a, sabia que Lidya era mais nova que eu, mas não imaginei que estivesse na faculdade muito menos cursando medicina, é uma surpresa, uma agradável surpresa.

Meu celular toca e verifico a tela avisando que é Matthew. Desfaço meu abraço e digo-lhe que não poderei ficar e para permanecer sentada e voltar ao trabalho somente quando estiver mais calma,ela assente e vou para longe atender a chamada:

– Oi.

– Rubi onde você está? — Pergunta parecendo preocupado.

– Estou no corredor da ala 5.

– Estou indo te encontrar.

Duas semanas atrás insisti tanto que Matthew parou de chamar-me de Dra. Matovani ou senhorita e passou a chamar-me pelo nome, o que me faz extremamente feliz. Dois minutos depois avisto Matthew correndo em minha direção, quando estamos perto o suficiente começa falar:

– Você está bem? Fizeram-lhe algo?

Explico todo ocorrido quando chegamos ao quarto de Dominic e fecho a porta. Assim que termino de contar a história os batimentos cardíacos de Dominic chegam a níveis alarmantes e depois param completamente, me desespero e pego o desfibrilador. Ajusto a voltagem e dou-lhe um choque, nada acontece e Matthew está desesperado ao meu lado, aumento a intensidade espero 10 segundos e lhe dou outro choque, nada, meu coração começa a bater rápido, e no terceiro choque com a voltagem ainda maior que a dos dois primeiros o inesperado acontece, não somente o coração de Dominic volta a bater normalmente como 30 segundos depois ele abre os olhos.

– Oh graças a Deus. — Digo e caio sentada no chão chorando, Matthew me ampara chorando igualmente, nos levantamos e observamos as reações de Dominic esperando que o mesmo durma de novo, mas não é o que ocorre, ao invés disso ele fala com a voz rouca.

– Anjo, você é o anjo... — E depois dorme.