Predador Sombrio
2 Capítulo 2 - Impressões
Poucas pessoas arriscavam sair de casa naquelas horas da madrugada. Na rua central da cidade apena um bar encontrava-se aberto. Ele possuía duas grandes janelas de vidro e logo acima da porta de entrada havia uma placa que dizia Drako’s Bars 24 hours. Era um dos poucos bares que ficavam aberto 24 horas na cidade. Dele saiu um policial conhecido por Peter, que carregava consigo algumas rosquinhas. Peter Chanseen era um homem de seus 36 anos, possuía uma aparência jovem e elegante, seus cabelos eram curtos e lisos. Contudo sua estatura não era alta, mas seu belo corpo encantava as mulheres de St. Louis. Porém Peter já era casado.
A baixa incidência de crimes nas noites de St Louis era convite para que os policiais de expediente noturno dessem uma passada em bares abertos pela cidade.
Nos últimos dez anos houve apenas um homicídio e um suicídio em St Louis, ambos do mesmo caso. Trata-se de um agricultor de meia idade que assassinou seu empregado após ter perdido toda sua fazenda em um jogo de azar para ele. O Caso tomou repercussão pelo estado, ainda mais depois que o agricultor acabou se suicidando, deixando uma mulher e uma filha.
Peter saindo do bar escutou um disparo. A tensão tomou conta de seu corpo já que não era normal ouvir tiros nas madrugadas de St Louis, até mesmo durante o dia. Após questionar para si a direção em que deveria ter vindo o tiro, Peter decidiu ir até o bairro próximo as colinas, era o bairro mais distante do centro. Isso explicaria o fato do som do disparo ter sido baixo e não ter sido ouvido de forma clara, acreditava Peter. Porém sua experiência como policial foi suficiente para ter certeza que se tratava de um tiro.
Peter correu para viatura que estava estacionada em frente ao bar e sem ligar a sirene, acelerou o veículo na direção oeste da cidade.
***
A rua que dava acesso ao bairro das colinas era larga e escura devido às densas florestas que rodeavam o caminho. Ao longe, algumas casas velhas podiam ser vistas, em duas delas as luzes estavam acessas.
Antes de encostar a viatura próxima ao meio-fio da direita, Peter viu uma mulher que vestia uma camisola, chorando, ela estava abraçada a um rapaz que a tentava consolar. Ao lado, uma jovem tentava evitar olhar para o chão, demonstrando insegurança sobre o que via.
Peter parou a viatura, desceu do carro e ao olhar para o quintal viu uma cena sangrenta, que provocou certa agonia.
Próximo a uma casinha de cachorro havia dois corpos, um deles era um homem gordo todo desfigurado, ensangüentado e com seu tronco todo rasgado e mordido. Sobre suas pernas havia outro corpo, que estava com um machado cravado à cabeça. A pele deste segundo corpo era muito pálida para ele ter sido morto naquele momento, além de pálida, a carne de seu corpo apresentava estar estragada, com manchas escuras. Em suas mãos havia sangue e na perna um enorme ferimento.
Peter andou até o corpo do homem mutilado, se agachou do seu lado e percebeu que todos seus sistemas haviam sido cruelmente arrancados. Olhado para o rapaz que consolava a mulher, Peter falou:
– Mesmo com toda experiência que tenho, está muito difícil estipular o que aconteceu aqui. As coisas não parecem me encaixar!
– O que aconteceu aqui foi diferente, nunca eu tinha visto acontecer isso antes, de verdade! – Disse o rapaz.
As palavras que Peter ouvia do rapaz o fizeram continuar não entendo o que poderia ali, ter acontecido. Com isso pergunta:
– Porque você usou as palavras de verdade?
– Bom, você já ouviu falar em zumbis? – Indagou o rapaz com receio de rejeição por parte do policial – pessoas que morreram e voltaram à vida sedentas por carne?
– Sim já ouvi falar – disse Peter.
– Então Sargento Chanseen – disse o rapaz olhando ao emblema no peito de Peter – O que vi aqui foi igual ao o que um zumbi faria. Comeria carne humana!
– Você está querendo me dizer que todas essas mordidas no corpo desse homem foram provocadas por este aqui? – perguntou Peter apontando para o corpo que estava sobre as pernas do mais gordo.
– Sim. Literalmente – respondeu o rapaz com nervosismo.
Aquilo que o rapaz disse para Peter, fez ele acreditar realmente, pois aquilo fazia sentido. Também explica o porquê da carne do homem com o machado cravado na cabeça possuir uma pele pálida, já parecendo estragada com algumas manchas escuras. Após imaginar o que deveria ter acontecido Peter perguntou ao rapaz:
– Você quem acertou o machado na cabeça dele?
O rapaz iria responder quando o barulho de sirenes e o ronco dos motores de três veículos interromperam a conversa. Duas viaturas e uma ambulância chegaram no local. Do primeiro carro saiu o detetive Depp, novato no cargo e o delegado Thomas Xavier. Enquanto os médicos legistas da ambulância foram na direção dos corpos para remoção, Depp e Thomas foram ao encontro de Peter.
– Muito serviço Sargento Chanseen? – perguntou Depp olhando para os corpos sendo ensacados, enquanto percebeu que uma mulher chorava sobre os braços de um homem.
– Pra falar a verdade não detetive Depp, quando cheguei aqui tudo já havia acontecido, o que me intriga é o fato em si! – respondeu Peter com certa insegurança.
O delegado Thomas sentiu um ar de um caso incomum devido a resposta de Peter para Depp. Sua experiência como chefe de policia não negava esta possibilidade. Esperou para que Depp perguntasse sobre o que intrigava Peter.
Logo Depp perguntou:
– Mas o que aconteceu de tão diferente para lhe intrigar Sargento?
– É algo que nunca vi antes! Vocês estão vendo aquele corpo com o machado cravado à cabeça? – perguntou Peter apontando para o morto de jaqueta verde – ele possui uma carne pálida, de alguém que morreu a várias horas, as manchas escuras na pele não são normais em pessoas que morreram a alguns minutos atrás.
– O que você quer dizer com isso sargento? Quer dizer que aquele rapaz ali criou essa cena com um corpo que escondia em sua casa? – debochou o delegado.
– Com todo respeito delegado Thomas, estou querendo dizer que aquele homem foi quem mordeu e comeu a carne do mutilado que você pode ver ali. Não tratasse de um canibal, mas sim de uma pessoa normal que morreu, posteriormente ressuscitou, mas como um zumbi sedento por carne! – respondeu Peter com ar de quem sabia o que falava.
– Isso é loucura! – exclamou o detetive duvidando de si mesmo já que era novo no cargo e não possuía experiência.
– Pois parece, mas as evidencias que pude concluir é que realmente foi isso o que aconteceu. Acredito que aquele rapaz ali matou o zumbi com o machado tentando evitar a morte de seu vizinho, porém foi inevitável como podemos ver.
O detetive Depp caminhou até perto de onde os corpos eram ensacados, pediu licença aos médicos e deu uma rápida conferida nos dois corpos. O sangue na boca e nas mãos do suposto zumbi comprovava que ele teria matado a mordidas o homem gordo. Com isso Depp começou a crer nas palavras de Peter. Porém perguntas vieram a sua cabeça: Como? De onde? Por quê?
Depp voltou até onde estava Peter e o delegado e disse:
– Você tem razão sargento, parece que realmente nosso cara de jaqueta verde andou mordendo o gordinho, mas não acredito nessa idéia de zumbis, quem sabe o cara estava louco, sei lá! – falou Depp com cara de incerteza.
Antes que Peter respondesse para Depp, o delegado Thomas ergueu seu braço e perguntou com tranqüilidade.
– Vocês já leram o jornal de hoje?
– Não! – responderam os dois se entreolhando.
– Aguardem ai, vou até o carro pega-lo.
A dúvida foi inevitável por parte de Peter e Depp. Em seguida com pouca vontade para caminhar Thomas voltou do veículo e mostrou na segunda página do jornal uma manchete que dizia:
“Agricultor é cruelmente morto á mordidas por um ser humano”.
Logo abaixo do título havia um trecho que esclarecia:
“A pessoa que matou o agricultor Daryl Feel de 64 anos trata-se fielmente de um morto-vivo, popularmente conhecido como zumbi”.
O delegado olhou para os companheiros e comentou sorrindo:
– Não tenho dúvidas que o que aconteceu aqui foi um ataque zumbi. Aquele ferimento que vi na perna do homem deve ter sido uma mordida de algum zumbi vagando por ai. O ferimento acabou matando-o devido a infecção rápida que mordidas de zumbis provocam. Ele em seguida também se tornou zumbi e acabou matando o nosso italiano – concluiu o delegado com total certeza com o que dizia olhando para Peter e Depp.
– Foi justamente isso que eu pensei – disse Peter.
– Então devem ter mais zumbis por aí – completou Depp.
– Sim – afirmou Thomas – e seja como for, esta contaminação deve estar se expandindo rapidamente e como podemos ver, ela está próxima de St Louis.
O dia já começava a amanhecer naquele momento em que terminavam a conversa. O rapaz tinha ido para casa e a jovem moça acompanhou Laurinda para dentro de casa.
Antes de o delegado Thomas entrar na viatura, gritou para Peter que continuava parado sobre a grama do quintal.
– Não se esqueça que hoje começa suas férias sargento!
– Como iria me esquecer delegado? – respondeu Peter sorrindo enquanto via a ambulância já indo ao longe.
Depp e o delegado saíam em rumo à cidade para continuar o trabalho.
Peter iniciava naquele momento suas férias que iriam durar quinze dias, faltava apenas levar sua viatura até a delegacia. Antes disso, Peter resolveu ir até a casa do rapaz para conversar com ele a respeito do que aconteceu.
A casa do rapaz era praticamente igual a de George, porém aparentava ser bem mais cuidada. Na área em frente a casa algumas flores embelezavam a fachada. Pendurado no teto um adorno de conchas do mar balançava com o vento provocando certo barulho.
Acreditando que o rapaz estivesse acordado, Peter se aproximou da porta da frente da casa e bateu. Em seguida ouviu um grito vindo do interior da residência.
– Aguarde, já estou indo!
Peter olhou pela janela e viu o rapaz se levantando da mesa com um enorme sanduíche em sua mão. Logo a porta se abriu.
– Ah! Olá Sargento Chanseen! – disse o rapaz espantado com a visita.
– Pode me chamar de Peter. Eu prefiro.
– Tudo bem senhor Peter, queira entrar? – pergunta o rapaz nervoso.
– Só se não for incomodar.
– Claro que não, entre e fique à vontade. – respondeu o rapaz com entusiasmo.
– Obrigado!
Peter entrou na casa do rapaz, em sua frente viu dois sofás velhos um encostado ao outro. A sala onde estava era grande, nas paredes muitos quadros com peixes estampados intrigavam Peter enquanto sentava no sofá. Uma mesinha em sua frente havia algumas fotos de família do rapaz.
O rapaz terminou seu sanduíche então se sentou em uma cadeira próxima ao policial. Olhou por um momento para Peter que o encarava até que obteve uma pergunta.
– Desculpe, mas você não me disse seu nome.
– Verdade, me chamo Edward, mas pode me chamar de Ed.
– Bom Ed, eu vou direto ao assunto, estou cansado trabalhei a noite inteira como você já deve saber e pretendo logo ir pra casa. Fiquei apenas curioso em saber o que realmente aconteceu aqui nesta noite.
– É o seguindo senhor Peter – falou Edward, lembrando do que aconteceu – Eu e Rosemary, minha irmã, aquela moça que você viu antes. Nós tínhamos ido dormir. Era cerca de três horas e pouco da madrugada e começamos ouvir gritos e pedidos de socorro. Eu fiquei assustado! Corri na janela do meu quarto e vi meu vizinho da frente, Alan Carpp, mordendo e rasgando totalmente meu vizinho da direita, o senhor George. Quando vi aquilo logo me lembre de The Walking Dead que assisto constantemente. Eu imaginei e falei pra mim mesmo “só zumbis fazem aquilo”. Pedi então para que Rosemary ligasse para a polícia. Em seguida tomei coragem e corri pela casa até o porão onde peguei um machado.
Fiquei com muito medo de me aproximar do Alan, ou melhor, do zumbi. A voracidade com que ele comia a carne do senhor George era surpreendente. Foi então que me aproximei lentamente e acertei o machado em sua cabeça – disse Ed se lembrando do sangue que saltou no momento em que atacou o zumbi – porém de nada adiantou senhor Peter, o zumbi já havia matado meu vizinho – terminou Edward com tristeza em suas palavras.
Após Edward terminar seu discurso, Peter volta a perguntar.
– Você já tinha ouvido falar em zumbis antes, de verdade?
– Claro que não senhor Peter, você que é policial deve reconhecer que nunca houveram casos como esse antes, não é verdade?
– Sim! Acontece que no jornal de ontem tem uma matéria que diz que um agricultor foi morto por um zumbi, achei que você tinha lido.
– Não sabia não, não assino o jornal – balbuciou Edward.
– Bom Ed, a minha visita termina aqui, tenho que ir para casa, minha mulher deve estar esperando, sabe como são as mulheres, não? – perguntou Peter brincando.
– Oh! Sim! – respondeu Ed sorrindo.
– Então até logo senhor Edward – falou Peter levantando-se do sofá e caminhando até a porta.
– Até senhor Peter, foi um prazer conhecê-lo – disse Edward feliz por ter sido chamado de senhor.
Peter entrou em sua viatura estacionada em frente à casa do falecido George e então acelerou em direção à cidade. Com o rádio do carro ligado, certa interferência tomou conta do sinal. Com dificuldade devido aos chiados ouviu-se uma pessoas desesperadamente pedindo por socorro:
– Alguém me ajude... Atacando... Minha cabana está... horda de...
A voz do homem não pode ser mais ouvida, seus pedidos de ajuda cessaram no momento em que a interferência perdia seu contato.
Ao ouvir aquilo Peter ficou assustado, porém continuou andando rumo à delegacia de polícia.
Notas finais
É essencial para a continuação do trabalho.
Lembre-se, plágio é crime.
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